Amigos, postei vários textos sobre as eleições municipais e regionais do domingo passado, 22, na Espanha – que praticamente varreram do mapa o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e indicam que, nas eleições gerais do ano que vem, também o país engrossará o grupo de grandes nações europeias governadas por conservadores, como a Alemanha, França, a Grã-Bretanha e a Itália.

Mas ainda não dispunha dos dados que foi possível compulsar agora, com todos os resultados divulgados sobre os mais de 8.100 municípios. O que ocorreu na Espanha foi a maior derrota do mais que centenário partido, fundado em 1879, desde que, em 1976, saiu da clandestinidade em que atuava durante a ditadura do general Francisco Franco (1939-1975), com a morte do ditador.

Massacre impiedoso

Foi um massacre impiedoso, uma derrota terrível do partido do primeiro-ministro José Luís Rodríguez Zapatero para o arquirrival conservador Partido Popular (PP) e seu líder, Mariano Rajoy, que Zapatero derrotara duas vezes em eleições gerais — em 2004 e 2008.

Vejamos:

* Diferença de votos: o PSOE esperava perder por meio milhão de votos, num eleitorado de perto de 35 milhões – mas a diferença em favor dos arquirrivais conservadores do Partido Popular (PP) chegou a 2,2 milhões.

* Domínio territorial: o PSOE só conseguiu vencer em 2 das 13 comunidades autônomas (espécie de Estados, como no Brasil, mas com muito mais poderes e mais independência em relação ao poder central) da Espanha, das 17 existentes – Aragón e Extremadura, e ainda assim não obteve maioria absoluta e precisará de alianças para governar. Pior: das demais 11, o PP venceu em 9. Em 4 delas houve eleições no ano passado, e o PSOE governa duas — a Andaluzia e, no País Basco, em inédita aliança com os inimigos do PP para barrar os independentistas bascos.

O PP ainda venceu nas duas cidades autônomas que, herança colonial, a Espanha tem plantadas na costa de Marrocos: Ceuta e Melilla.

* Capitais de província: das 50 capitais provinciais que se espalham pelas comunidades autônomas, o PSOE só alcançou a vitória em 4, contra nada menos que 43 do PP.

* As maiores cidades: as 4 maiores cidades espanholas, entre as quais apenas Sevilha – antigo bastião socialista – estava em mãos do PSOE, agora são governadas por conservadores: pelo PP, que já estava no poder, Madri e Valência e, agora, Sevilha (terra natal do maior líder histórico do PSOE vivo, Felipe González, que venceu 4 eleições consecutivas e governou por 14 anos a partir de 1982); e Barcelona, pelos nacionalistas de centro-direita Convergencia i Uniò.

* Cidades importantes: o PP venceu, em grande número de casos desalojando o PSEO, em uma fileira de cidades que, por seu peso demográfico, econômico, histórico, cultural ou simbólico são extremamente importantes, e de que boa parte dos leitores já ouviu falar ou mesmo conhece.

Vejam só: além das já citadas, e sem preocupação de colocar em alguma ordem: Zaragoza, Toledo, La Coruña, Málaga, Múrcia, Palma de Mallorca, Alicante, Valladolid, Vigo, Cartagena, Castellón, Burgos, Segóvia, Salamanca, León, Ávila, Cádiz, Grnada, Almería, Palma de Gran Canaria, Santander, Oviedo, Logroño, Cuenca, Ciudad Real e até Vitória, capital do País Basco – entre outras.

“Acabar com essa agonia”

Agora, com razão, os meios políticos perguntam como poderá Zapatero, diante do evidente repúdio nas urnas de seu partido não antecipar as eleições e permanecer governando, “para fazer as reformas necessárias”, como diz, até março do ano que vem.

Antes disso, porém, o partido precisa resolver quem será seu candidato para enfrentar Rajoy, e discute abaixo

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2 Comentários

dom álvares cabral do sul em 25 de maio de 2011

Amigão, este blog tem perspicácia e lógica. Enfim, a pouco tempo diziam nessas nossas bandas sobre a Crise Economica, esta seria apenas uma "marolinha" e, não foi necessário varrer a felicidade para debaixo do tapete... Mas agora com a Crise Política Mundão afora, inclusive, imaginem em a sofisticadíssima Espanha e ninguém dá a mínima atenção, exceto este Belíssimo Blog. Mas haverá um momento, nele nós também teremos de varrer a casa, ou será marolinha também? Obrigado pelo "belíssimo blog". Espero que as piores previsões não se realizem. Afinal, vivemos todos "neste país", que é ou deveria ser nosso, não? Abração e volte sempre.

José Geraldo Coelho em 25 de maio de 2011

Espanha, Espanha, Espanha. A mi nom me gusta Espanha.

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