Com a rivalidade feroz, visceral que existe na Espanha entre os times e as torcidas do Real Madrid e do Barcelona, causou grande impacto a declaração do técnico do Barça, Pep Gardiola – justamente ele –, concordando com o goleiro madridista Casillas em que o atacante Raúl “é o maior jogador espanhol da história”.

Raúl, ídolo quase religioso da torcida do Real, viu-se esnobado pelo técnico chileno Manuel Pellegrini durante o ano em que o ex-treinador do Villareal dirigiu o time merengue. O megastar português José Mourinho, que substituiu Pellegrini, deixou claro que o craque e capitão do Real não teria escalação garantida.

Raúl, então, decidiu mudar de vida aos 33 anos, 16 deles no “maior time do século XX”, pelos títulos conquistados, e se transferiu para o mediano Schalke 04, da Alemanha. Muita gente estranhou, mas Raúl tem claramente pelo menos um objetivo: tornar-se, antes de pendurar as chuteiras, o maior artilheiro da história das competições européias – coroando uma carreira impressionante, que, em matéria de títulos em clube e estatísticas, só se pode comparar com pouquíssimos, como Pelé. Acredite e confira a seguir. Mas antes veja no vídeo abaixo este golaço de Raúl logo em sua segunda partida pelo Schalke, quando marcou duas vezes na vitória de 3 x 1 de seu novo time diante do poderoso Bayern de Munique, o que lhe valeu, no dia 1º de agosto passado, o primeiro título na Alemanha: o de campeão da Total Cup.

DEZESSEIS VEZES CAMPEÃO – Pellegrini não conseguia encaixar Raúl num ataque que recebeu uma estrela contratada a peso de ouro, o português Cristiano Ronaldo (93 milhões de euros, a maior transação já feita no futebol mundial), vindo do poderoso Manchester United, e a promessa francesa Karim Benzema, artilheiro do campeonato francês no ano anterior pelo Lyon e trazido a preço também salgado – 35 milhões de euros.

Além do mais, o jovem argentino Gonzalo Higuaín, contratado no final de 2006 ao River Plate, resolveu desencantar e começou a estufar as redes adversárias com intenso ritmo.

A vinda em maio do treinador megastar da Inter de Milão, José Mourinho, para o Real, não mudou muito a situação. A despeito de anunciar seu respeito por Raúl, Mourinho disse que não lhe poderia garantir um número determinado de “minutos de jogo” – na Espanha, costuma-se acompanhar a escalação dos jogadores pelo número de minutos jogados.

E isso mesmo diante do impressionante cartel do grande símbolo do clube: 16 títulos conquistados. Raúl obteve seis títulos de campeão da Liga Espanhola, quatro da Supercopa da Espanha, três da Copa da Europa, um da Supercopa da Europa e dois títulos mundiais de clubes (que na Espanha ainda se chamam de “intercontinentais”).

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Raúl diante de sua impressionante coleção de troféus

ARTILHEIRO DE QUASE TUDO – Seus números realmente marcantes são os pessoais. Vamos lá, primeiro aos gols:

• Maior artilheiro da história do Real Madrid, com 323 gols, 16 à frente do legendário hispano-argentino Di Stefano, hoje presidente de honra do clube, e antes também de nomes como o fantástico húngaro Puskas e os espanhóis Gento e Butragueño.

• Maior artilheiro do Real Madrid no campeonato espanhol, com 228 gols, 12 mais que Di Stefano e de novo à frente de Puskas e Butragueño, como também de Santillana e do mexicano Hugo Sánchez.

• Terceiro maior goleador do campeonato espanhol em todos os tempos, com 228 gols, atrás apenas do basco Zarra e de Hugo Sánchez. Para ultrapassar Zarra ele precisaria continuar jogando na Espanha tempo suficiente para marcar mais 24 gols.

• Maior artilheiro do Real em competições européias, com 67 gols, contra 49 de Di Stefano, o segundo maior.

• Maior goleador da história da Copa da Europa, com 66, seguido pelo holandês Van Nilstelrooy, com 60, e o ucraniano Schevchenko, com 57, que, embora em fim de carreira, ainda estão ativos e poderão alcançá-lo. O quarto maior, o francês Thierry Henry, está fora da lista porque, aos 33 anos, transferiu-se para o New York Red Bulls.

• Maior goleador da história da seleção espanhola, com 44 gols, marca igualmente alcançada este ano por alguém que deverá superá-lo – David Villa, do Barcelona, que aos 28 anos tem muito futebol pela frente.

• Segundo maior goleador em competições européias, com 67 gols, somente dois a menos do que o grande artilheiro alemão dos anos 70, Gerd Müller. Se marcar três vezes na atual Champions League, Raúl terá chegado lá. A persegui-lo, novamente Shevchenko (62 gols) e Van Nilsterooy (60), além do italiano Inzaghi (61).

JOGO ESPECIAL NA FUTURA DESPEDIDA – Vejam agora o cartel de Raúl em número de partidas disputadas:

• Jogador que mais atuou até hoje com a camisa do Real, com 741 partidas oficiais. O segundo colocado é Manolo Sanchís, com 710. Roberto Carlos, hoje no Corinthians, ocupa o décimo lugar na lista, com 522 disputas.

• Jogador que mais jogou pelo Real no campeonato espanhol – 550 participações, contra 523 do segundo colocado, Santillana.

• Segundo atleta em número de partidas disputadas pelo campeonato espanhol, com 550, bem distante do goleiro Zubizarreta, atual diretor esportivo do Barcelona, que atuou 622 vezes.

A despedida de Raúl do time que representou como ninguém se deu em julho passado, em uma discreta cerimônia para poucos madridistas ilustres. Ganhou discursos, medalha e outras lembranças, e a promessa do presidente Florentino Pérez de que, ao decidir se aposentar, vai atuar de novo com a camisa 7 do Real Madrid pela última vez em uma partida especialmente dedicada a ele.

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5 Comentários

Marco em 21 de outubro de 2010

Caro R. Setti: E o Tite no Timão, vou te dar uma informação de cocheira aqui do Sul, ele é conhecido como um Pastor um Lord diante das camaras e um Gangster no Vestiário. Um desagregador tanto no Inter como no Grêmio. Será q o vestiário do Corinthians tem dentes ? Vamos Ver... acho q vc torce para o Palmeiras, mas pelos comentários inicias aposto no Corínthians ? Abs. Você acertou, graças a Deus sou corinthiano, hahahaha. E não sei detalhes sobre o trabalho do ite nos bastidores, mas gostei das passagens anteriores dele pelo Timão.

carlos nascimento em 27 de setembro de 2010

O Raúl já é parte da história do Clube, seu nome será imortalizado pelas conquistas angariadas nos últimos anos, agora, todo craque deve ter consciência do peso da idade em seu desempenho, suas condições fisicas já não suportam a dura realidade do esporte de competição, andou forçando demais sua permanência no Time, criou animosidades e talvez tenha sido pivô das últimas brigas internas, tanto com a Direção do Clube como junto ao elenco, já era hora de se retirar de cena, evitando manchar o seu curriculo glorioso. Aliás certos jogadores famosos deveriam se espelhar no "rei" Pelé, que com sua inteligência soube sair de cena na hora certa, no auge, servindo de guia para quem deseja ter seu nome preservado. Raúl, Romário, Beckman, Ronaldo, esticaram a corda em demasia, o preço são manchas em suas biografias, o esporte competitivo não perdoa vaidades.

Jose figueredo em 26 de setembro de 2010

Enorme surpresa e frustação(sua saída,pelo menos minha),da torcida merengue,Raul(nunca soube uma virgula,que desabone a sua idoneidade moral e profissional)é um exemplo a ser seguido para quem almeja ser um verdadeiro craque(em todos os segmentos)temos aqui quem está precisando deste espelho.É um campeão(nato)

Roberto Marucelli em 26 de setembro de 2010

Sensacional texto, Ricardo. Sempre gostei do Raul, mas não sabia que a carreira dele era tão fenomenal. Beleza parabéns.

Marco em 26 de setembro de 2010

R.Setti: Esse " sabe " . Mas é melhor sair por cima, antes q a carreira de "Ex " Chegue ! O q achas do Rooney, sei não, acho um tremendo "Vigário". Abs.

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