EUA reconhecem que Brasil está mudando em relação ao Irã, mas Obama não vai apoiar ida do Brasil ao Conselho de Segurança

Hillary: diante da pretensão do Brasil, chavão diplomático

O governo brasileiro já está conformado com a evidência de que o presidente norte-americano Barack Obama, que chega a Brasília no próximo dia 19 para visita oficial de dois dias ao país, não vai declarar apoio às pretensões do Brasil de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Por mais produtivas e revestidas de clima favorável que tenham sido as conversações mantidas no final do mês passado, em Washington, entre o chanceler Antonio Patriota e a secretária de Estado Hillary Clinton, tudo o que Hillary disse a respeito das pretensões brasileiras foi lançar mão de um chavão diplomático: “Esperamos ter um diálogo construtivo com o Brasil sobre esse tema [a reforma da ONU] durante a viagem do presidente e no futuro”.

Obama favorece Índia, Alemanha e Japão

Hillary deu indícios de que Obama, diferentemente do que ocorria com o antecessor, George W. Bush, tem interesse na reforma da ONU e de seu Conselho de Segurança, mas nada disse sobre a antiga reivindicação brasileira.

O presidente dos Estados Unidos declarou solenemente seu apoio a que a Índia integre de forma permanente o Conselho, em discurso feito ante o Parlamento indiano, em novembro passado. Antes disso, já havia deixado claro que também apoia as pretensão do Japão, terceira economia do planeta, e da Alemanha, o mais rico e populoso país da União Europeia – ambos sólidos, quase incondicionais aliados de Washington.

O silêncio americano ao Brasil tem como principal razão as calorosas relações mantidas com a ditadura do Irã durante os 8 anos do lulalato. Começou a ir por água abaixo quando o Brasil se tornou o único país de porte a acolher, e calorosamente, um pária internacional como o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na visita oficial que fez em maio de 2009.

Amizade com o Irã durante o lulalato foi dedo na tomada

Continuou com as contínuas declarações de “amizade” de Lula ao tirano, deu mais um passo com a visita, igualmente calorosa, do ex-presidente a Teerã, em maio do ano passado, foi adiante com a omissão do Brasil em condenar as violações dos direitos humanos do regime dos aiatolás e afundou de vez quando o país se absteve, em junho, de condenar o Irã na ONU pelo desenvolvimento de um programa nuclear que se sabe voltado à obtenção da bomba atômica.

Como já escrevi antes, “o Irã dos aiatolás toca a fibra mais sensível para os interesses mais cruciais da superpotência: sua segurança nacional. Teerã virou prioridade número 1 para os EUA por, simultaneamente, financiar o terrorismo – principal inimigo de Washington –, prosseguir nos esforços para obter a bomba atômica e não esconder seu propósito de varrer do mapa Israel, principal aliado norte-americano no Oriente Médio”.

Ao aproximar-se de forma tão inequívoca e inconsequente do regime iraniano, a diplomacia do lulalato enfiou o dedo numa tomada de altíssima voltagem.

Os Estados Unidos estão dando sinais de que reconhecem a sensível mudança de posição do governo da presidente Dilma em relação ao tema, por vários gestos praticados e declarações emitidas, mas a administração Obama considera que ainda é cedo demais para deixar de lado sua resistência.

.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 − três =

14 Comentários

  • Candida

    Eu acho bom mesmo ir devagar com o Andor porque aqui no Brasil quem diz o que faz com politica externa é o presidente e não a vontade do povo brasileiro. Portanto, quem garante que isso náo é apenas aquela velha história de enganar o bobo na casca do ovo? Ainda mais que a esperança do PT é trazer o lulalato de volta em 2014 ate 2000 e sempre. Portanto, vão mesmo muito de vagar.

  • Paulo Bento Bandarra

    Não é apenas com o Irã que nossa reputação foi por águas abaixo. Foi pelo incondicional apoio aos ditadores cubanos virando as costas para o povo oprimido por 50 anos, seu apoio a Hugo Chávez, ditador da Venezuela, pelo apoio ao aventureiro Manuel Zelaia, e a constante oposição aos EUA. Por enquanto Dilma apenas virou as costas ao Irã. No resto mantém intacto apoio. Por sinal, o Brasil tem a décadas uma política externa duvidosa e variável.

  • Mauro Pereira

    Caro Ricardo Setti, boa noite.
    Esse reconhecimento americano é tão fraudulento quanto a mudança do Brasil em relação ao Irã. São somente movimentos inconsequentes nesse grande tabuleiro internacional de interesses nem sempre confiáveis. Tudo continua como antes…

  • carlos nascimento

    Precisamos em primeiro lugar resolvermos os nossos graves problemas educacionais, éticos, em seguida eliminarmos as parcerias abjetas e ultrapassadas, como as mantidas com Castro e Chavéz, em nosso quintal, diminuirmos o grau de impunidade e corrupção interna, atingirmos melhores padrões de decência em nossas Instituições, como podemos oferecer ao Mundo, alternativas de posições, se ainda temos um STF que não consegue resolver pequenos imblógios, como: ficha limpa, salário minimo, terrorista italiano, mensalão, entre outros casos, primeiro temos de fazer o dever de casa, para em seguida pleitearmos outros tipos de Tribunas.
    Além de nossos governantes serem estadistas ao invés de ESTADISTAS, tendo como exemplo a formação das comissões congressuais, em sua maioria com politicos enrolados em diversos processos e situações nebulosas.

  • jonas /RS

    Os americanos têm que entenderem que essa era uma obssessão do Lula,não da Dilma. E por mais que digam que um é o mesmo que o outro( e vice-versa,como se diz…)o fato é que não são não. Tanto,que pelo que a Dilma disse e fez em termos de Irã,por exemplo,mostra que ela,mesmo sendo ministra dele,discordava do que vinha sendo feito,em parte,pelo menos. Lógico que sendo ministra de área totalmente à parte desses assuntos,não daria,como não deu palpite,mas,agora como presidenta a bola está com ela. E ela já mudou a jogada no que diz respeito aos direitos humanos e é provável que termine por aí as divergências com o que vinha sendo feito. Já nesse negócio de conselho de segurança do ONU,pode até que ela não diga que não queira,mas,também não fará grandes esforços por isso não. Primeiro que ela é mais caseira mesmo que o Lula,depois,que no frigir dos ovos,isso nem dá grandes benefícios pra país nenhum . Só acaba indispondo o país com algum outro,por um voto aqui,outro ali que contrarie interesses. No fundo isso já tinha virado birra do Lula,uma vaidadezinha pessoal que se conseguisse,nem daria muita importância depois. Igual criança,que quando ganha um presente,fica toda feliz,dali há pouco já nem se lembra do tal,deixando num canto.

  • J.B.CRUZ

    Espero que a parceria EUA e BRASIL, promissora em longas décadas, interrompidas nos 8 anos do LULATO, volte novamente a irmanar os dois Países..compreendo a indecisão Americana quanto ao BRASIL ser permanente no consêlho da ONU,mas ao mesmo tempo vejo no novo governo (DILMA) e o novo Ministro das relações Exteriores ANTONIO PATRIOTA, seriedade em reatar de vez os laços fraternos entre BRASIL e EUA..¨O QUE É BOM PARA OS E.E.U.U., É BOM PARA O BRASIL¨..Lembra desta frase, CARO: SETTI??.

  • J.B.CRUZ

    CARO:SETTI!.
    ¨O QUE É BOM PARA OS E.E.U.U, É BOM PARA O BRASIL!¨
    A parceria boa para os 2 povos,(AMERICANOS e BRASILEIROS) voltou!!!!!

  • Martha

    Essa nova postura da “presidenta” é uma mudança de estratégia para conseguir seus objetivos. Os petistas sabem muito bem a diferença entre o certo e o errado e quase sempre optam pelo lado errado se este lhes favorecer. Antes de ser eleita, ela teve muitas oportunidades de se manifestar e nunca o fez, muito pelo contrário, vide seu renegado programa de governo, que por sinal, até hoje, ainda não apareceu o definitivo. Eles acham que podem atuar no plano internacional como fazem na Banânia.

  • Maurício Torres Amorim

    Um comentário absolutamente pueril e desnecessário: não pude deixar de notar, vendo esta foto de Mrs. Clinton que ilustra o post, que ela parece ter envelhecido “pior” que o marido. Bill Clinton, com todas as marcas da idade que tem (um ano mais velho em relação à Hilary), parece mais “enxuto”, jovial e ainda guarda traços de algum gênero de galã, a exemplo do Robert Redford da maturidade (e vítima de doença degenerativa, cuja designação não me lembro agora).

    A propósito, em algumas fotos o Clinton é muito parecido com o Redford.

    O Clint Eastwood é outro que mantém o charme e a elegância, mesmo aos 81 anos de idade (31 de maio/2011). Não faz tanto tempo e ele ainda foi capaz de atear paixão insana em uma pudica e quase assexuada Meryl Streep no belíssimo, delicado e melancólico The Bridges of Madison County. 🙂

  • duduvieira10

    Meu prezado R. Setti certamente; com tantas atrapalhadas do Itamaty que fez o Grande Barão de Rio Branco virar no túmulo várias vezes, seria incoerente apoiar o Brasil. sds.

  • LIMA

    SETTI.
    OS CONSELHEIROS DA ONU NÃO GOSTAM DO CHEIRO DE GRAXA. O GENIO DA LAMPADA, NEM USANDO O MELHOR PERFUME DO MUNDO, CHEGA LÁ.

  • Eraldo

    Interessante que todo mundo se preocupa com o Irã,será que seria por causa do petróleo?E como fica o povo sofrido do Haiti.Saudades de Zilda Arns,Deus te abençoe onde estiver.

  • José Antonio Alves

    Na verdade o que os EUA quer é controlar o mundo e para isso conta com o apoio de alguns paises. Pelo que se vê, o escopo dos americanos sempre foi interferir na soberania de uma ãção, impondo sua vontade e quando não se concorda com eles, começam a praticar boicotes. Se o Brasil não serve para ser membro permanente do conselho da ONU, o que esse preseidente vem fazer aqui. Como bem colocado pelo Eraldo, tem muitas coisas para os americanos se preocuparem além de intervir nos assuntos internos de um pais. Ninguem vai lhes ensinar como governar, logo não se pode deixa-los fazer.

  • tatiana

    é muita conversa,confusão,obama pra lá,israel pra cá,irã no meio,está muito chato.