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Jovens sem emprego protestam no Reino Unido, 11º colocado entre os 27 países da União Europeia em matéria de desocupação de pessoas de 18 a 24 anos: pastinhas de executivo — uma ironia — e o lema “prontos para trabalhar”

Um dos grandes indícios do quanto convulsa anda a economia da Europa é a situação indefinida dos jovens do continente.

Mais fácil – do ponto de vista das empresas – de demitir do que, por exemplo, funcionários com mais anos e experiência, a população de entre 18 e 24 anos tem pago caro o pato da crise. Na Espanha, principalmente, os índices são assustadores: cerca de metade da população dessa faixa etária disposta a trabalhar se encontra desempregada.

Para completar o cenário desanimador, razões como os drásticos cortes em áreas de incentivos públicos a bolsas universitárias ou o próprio aperto de cinto da juventude ou de suas famílias – em muitos casos ainda responsáveis pelas contas bancárias de seus integrantes caçulas – vêm contribuindo para o aumento no índice dos que além de não trabalhar, também não estudam. São os que os espanhóis chamam de ni-ni (“nem-nem”).

Um recente estudo do Cedefop (Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional) listou as porcentagens de ni-nis de cada um dos 27 países membros da União Europeia, comparando dados computados em 2007 e 2010. O resultado traz algumas interessantes revelações.

Itália preocupa

Por exemplo: se por um lado não chega a ser surpreendente que a Bulgária, uma das nações mais pobres do bloco, seja a número 1, com taxa de 27,8% de desocupação juvenil, é preocupante que a outrora rica e próspera Itália, no momento enfrentando gravíssimas dificuldades financeiras, logre um bicampeonato no ranking, com o agravante de seus bamboccioni — jovens de 30 anos ou mais que moram com os pais e não fazem nada —  terem se expandido dos 20,1% de quatro anos atrás para 24,2%.

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Jovem com curso superior protesta contra o desemprego em Milão: muitos não trabalham, nem estudam (Foto: AP)

É alarmante, aliás, o dado do levantamento segundo o qual apenas quatro países exibiram melhora neste aspecto: Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Malta, todos com sensibilíssimas, quase imperceptíveis, quedas no contingente dos “nem-nem”. Safa-se também a Polônia que, vivendo um supreendente boom econômico em meio à crise europeia, manteve os mesmos 14,5 % de 2007.

Uma piora generalizada

O resto dos 22 países viu uma autêntica disparada da falta de perspectiva de seus jovens, com destaque para Irlanda (3º lugar no ranking, saltando de 12,5% para 24,2%), Espanha (5º posto, passou de 13,8% a 22,4%) e os países bálticos, Letônia (4ª colocação), Estônia (8ª) e Lituânia (10ª), que também praticamente dobraram seus índices.

As outras duas grandes economias europeias além da Alemanha – Reino Unido e França – observaram crescimento mais brando (um pouco menos de 3% em relação ao estudo anterior), mas ocupam posições desconfortáveis no ranking, 11ª e 14ª, respectivamente. Para a “condenada” Grécia, mais uma má notícia: aparece em 6º lugar com 20,6%– 5 pontos a mais do que em 2007 – de jovens sem profissão ou estudos.

Quanto aos cinco países mais bem colocados, ou seja, contando a partir do 27º da lista, temos: Holanda (5,9% sem estudar ou trabalhar), Luxemburgo (6,9%), Dinamarca (8,1%), Áustria (8,8%) e a Eslovênia (8,9%), ex-integrante da ex-Iugoslávia comunista.

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Ailton em 25 de dezembro de 2011

Sr Dionízio Gonçalves; Usou os meus números e minha forma de escrever para me paródiar? Meu jovem que delírios são esses? Vejo que você alterna momentos de grande sabedoria ao falar da guerra civil espanhola e sua consequente migração como resultado, com momentos de puro surto psicótico, você se prendeu a um fantasia só sua meu caro, (quiça dos 4%) muito própria de quem não aceita a realidade e se enclausura em uma espécie de mundinho particular, um mundo alternativo onde seus heróis nunca falham e são eternos e semi-deuses. Dionizio, caí na real!, é triste destruir uma fantasia, más FCH não correspondeu ao esperado em seu governo, ele foi muito fraco, foi manipulável e o resultado foram esses 40 milhões de brasileiros na mais absoluta miséria, foi uma taxa de 25.78% de desemprego, uma dívida de U$170.0 bi com o FMI para seu mandato chegar ao fim, foi a debandada de grande parte dos nossos parques industriais para países do cone sul ou México, no governo do 'grande homem', meu caro Dionisio, o país quebrou sim, quebrou uma dezena de vezes, bastava um Burundi quebrar por pedir moratória de U$10 milhões, para nos conhecermos uma gigantesca onda de falencias aqui dentro, o que no governo PT nunca aconteceu, veja que os EUA e Europa quebraram e Brasil continua incólume, com crescimento de 3%,é baixa? É! porém essa é uma taxa que nunca foi alcançada pelo tucanos entre 1995 a 2002, crescimento era sempre entre zero a 1,8%aa.. Dionizio, nossa classe média na era FHC era formada por apenas 19 milhões de pessoas, hoje são 105 milhões, nosso PIB em 2002 era de U$550bi, hoje é deU$2,20tri, nossas reservas eram zero desde 1972, hoje são de U$400bi que as compõe, Você usou pouco de sarcermo ao me parodiar. Vojo que voce é baiano ou mora aqui, então? Percebe o que havia antes de 2002 em nosso estado, percebe o vemos agora pelas janelas do nossos carros? não tem um baiano que não esteja perplexado como o que era a Bahia e o que é agora, parques industriais aforam da noite para o dia, o que ontem eram terrenos baldios, hoje são complexos petroquimicos, parques quimicos são inaugurados, gigantescos complexos de celuloses vieram, ao funcionar projetará o nosso PIB para U$221 bi (Argentina é de apenas U$200bi). Estado virou um parque automotivo, já conta com cinco montadoras(Ford, Scânia e Volvo automoveis de passeio, Jac e Effa,(no momento Wagner negocia para trazer a BMW para a Bahia, montadora alemã anunciou sua saida da Europa para o Brasil. Dionísio, basta ver o que era havia pela janela de seu carro e ver o que há agora. se tiver um pouco de 'boa vontade' vai perceber que alguma coisa mudou na era PT, perceberá, já que estamos no estado que mais sentiu essas mudanças. Meu caro, você usa os mesmos números das realizações do Lula, só que, os atribuem ao Fernando Cardoso, meu pequeno jovem, acho que até o próprio FHC deve estar às gargalhadas pelo que foi escrito.

SergioD em 22 de dezembro de 2011

Ricardo, creio que o leitor Dionízio acha que FHC governou de 1994 a 2010. Pelo que me lembre os índices de desemprego no último ano de seu mandato eram horríveis, assim como ao longo de seus longos oito anos foram criados apenas 900.000 empregos. Concordo, como já falei aqui diversas vezes, que o governo FHC foi muito importante no ajuste estrutural da economia Brasileira. A renegociação da dívida dos estados, coisa que deveria ser feita urgentemente entre os membros da Comunidade Européia, a lei de responsabilidade fiscal, que não foi apoiada pelo PT mas elogiada até por Lula posteriormente, o Proer, medida que permitiram nossos bancos passarem incólumes pelo furacão financeiro de 2008, a instalação do regime de metas de inflação e do câmbio flutuante, embora tenha sido imposição do FMI após a quebra do país em janeiro de 1999, as boas privatizações, são méritos dele. No entanto seu governo não conseguiu avançar na criação de empregos, no aumento de nossas reservas internacionais, no estímulo da economia. Embora tenha criado a semente dos planos sociais amplificados largamente durante os governos do PT, não teve a sensibilidade de aportar mais recursos para os mesmos devido a uma visão de que com o desenvolvimento econômico o mercado acabaria absorvendo os pobres e indigentes. O que vimos foi justamente o contrário. Com o bolsa família, milhões de pessoas deixaram de ser indigentes e passaram a ser apenas pobres. Com os estímulos creditícios a economia, milhões de pessoas deixaram a pobreza e passaram a fazer parte das classes C e B, impulsionando fortemente o PIB. Faltou essa visão e sua implementação para que o governo de FHC tivesse uma melhor avaliação. Não foi atoa que Lula venceu Serra em 2002, Alkimim em 2006 e Dilma o Serra de novo em 2010. Concordo que o desenvolvimento da economia mundial entre 2002 e 2008 ajudou bastante, mas faltou a FHC uma visão de governo para todos os brasileiros e não apenas para as classes A e B. Grande Abraço

ALCIONE em 22 de dezembro de 2011

Segundo o dionisio Gonçalves devemos tudo o que desfrutamos hoje ao "príncipe fhc"... kkk! Desculpe-me, não pude me conter! Acorda Dionísio! o "cara" vendeu o Brasil, só uma, por exemplo, a Vale é uma empresa que deve valer mais do muitos países e têm reservas para suprir o MUNDO por 400 anos e os (fhc e serra e cia...) deram de presente por um valor que hoje ela deve faturar por mês! Leia o livro, veja os documentos e tira a venda. Não é possível ser tão cego e trouxa assim para não ver o óbvio. No tempo do fhc o povo mendigava nas ruas, sem emprego e sem assistência. Ele criou sim, muitos planos, mas era só de gaveta, sabe, para enganar trouxa. Hoje o Brasil é uma grande nação graças as ações reais de um homem; Lula e a continuação de Dilma. Olha, sinto dizer mas o PT vai continuar muuuuuitos anos comandando esse país e vais ter que ouvir muitas vezes o mundo gritar que o Brasil HOJE é um exemplo de competência em distribuição de renda entre TODO O POVO e não apenas entre uma elite, como era em idos fhac's. Congratulações petistas. PS. Eles "meteram" a mão sim, agora há documentos e fontes onde possas comprovar.

dionizio Gonçalves em 22 de dezembro de 2011

Espanha vive hoje o que o Brasil viveu na decada de noventa, decada em que falimos oito vezes devido aos governos de Collor e Itamar, graças ao FHC, hoje temos um país de economia consolidado, uma economia forte, FHC conseguiu colocar o Brasil entre as seis economias mundiais. Gerou 17 milhões de empregos, e fez Brasil criar uma reserva internacional de U$400bi com crescimento, fez com que 105 milhões de brasileiros subissem para classe média. Querem roubar as realizações do nosso grande presidente FHC, mas estamos aqui para defende-lo. Se depender de mim, nenhum petralha usurpará as realizações desse grande homem.

dionizio Gonçalves em 22 de dezembro de 2011

Provavelmente emigrem para o Brasil, só a Bahia possui um colonia de 500 mil espanhóis, todos fugidos da ultima grande guerra civil naquele país(1936/1939). Na época, Francisco Franco deu um golpe de estado, destituiu os Bourbons, dinastiaa familiar mais antiga no poder na Espanha, fazem 1200 anos de poder. Golpe de estado levou o país a uma das mais sangrentas guerra civis, 28% dos Espanhois morreram, que sobreviveu, tiveram que emigrar, e maioria vieram para Bahia, escolha foi devido clima ser idêntico ao da peníssula hibérica.

SergioD em 21 de dezembro de 2011

Ricardo, o que é preocupante é o que esse ambiente pode causr na mente das pessoas. Na década de 1930, uma situação análoga levou a uma tragédia de proporções inusitadas. Não custa nada para que dentromem pouco vermos eses jovens serem cooptados por políticos oportunistas, racistas, xenófobos e, por conseguinte, pouco afeitos às regras do jogo democrático. Bem, Pedro, esse, que você publicou externa o que oenso da situação. Não tive até agora vontade de ler o livro, pois muitas de sua informações já eram conhecidas. O que ele temd novo é a documentação. Nisso ele se diferencia de muita outras reprtagens que praticam o ataque baseados apenas em suposições. Comprei o livro para a minha esposa. Ela tem mais paciência que eu para esse tipo de liteatura. Entro em contato depois para discutir o que ela vai me informando. Grande abraço Ricardo e Pedro.

Pedro Luiz Moreira Lima em 21 de dezembro de 2011

Querida Alcione: Devemos todos e insistir e forçar essa CPI e exigir que não haja acordos, Um grande abraço Pedro Luiz

Marco em 21 de dezembro de 2011

Amigo Setti: O Brasil tbm já está nessa situação, não tenho certeza, mas se não me engano o 1 emprego agora está surgindo somente aos 24 anos. Desculpe não tive tempo de pesquisar e ando com a memória um pouco falha. Abs.

ALCIONE em 21 de dezembro de 2011

Desculpa, a resposta é ao leitor Pedro Luiz Moreira Lima, as 16:02

ALCIONE em 21 de dezembro de 2011

Caro Jorge, não há mesmo muitas novidades no livro do Amaury, pois tudo o que ele fala já foi dito por outras pessoas, muiiiiitas! E as pessoas acusadas negavam e a mídia... calava. A novidade é que ele junta documentos, provas. E o que acontece? Vem o próprio Serra e diz que é "tudo lixo" e a mídia... claro que considera as palavras seu gurú e do seu príncipe superiores aos fatos. É "prá acabá!". Forte abraço.

ALCIONE em 21 de dezembro de 2011

Se eles tivesse governos "burros" (segundo a "grande mídia...)como o Lula e a Dilma... talvez eles não estivessem passando por esses problemas! Desculpe-me o sarcasmo, pois o assunto é sério, mas não posso deixar de dar uma espetadinha, afinal é duro ver escrachado o governo do PT da forma que é, apesar de tantos fatos positivos e relevantes como a situação é tão bem tratada pelo Sr. Poxa, se os "home" tão na m... com toda aquela gente letrada (até rei que manda (mandava) o "porque não te calas" no território de seu pais, onde denuncia frente-a-frente, que seu povo foi espoliado por séculos e mesmo assim tantos "inteligentes" apoiaram o "tal" rei. Quando qualquer um (que quer) ver os progressos e a fortaleza econômica que se encontra hoje o Brasil, a melhora social e politica , etc. e mesmo assim todo dia na "grande mídia" só o que se vê são matérias e comentários negativos, embora os dados oficiais ou confirmados na rua, como o bem estar das pessoas, etc. desminta os fatos divulgados. Não há mais nada a melhorar? Claro que há, mas só o que já foi feito deve dar direito ao reconhecimento midiático, porque o reconhecimento popular ficou claro nas últimas eleições. E nem precisa ser tão inteligente para poder fazer um prognóstico para as próximas eleições! Abraços.

jorge dias em 21 de dezembro de 2011

Ricardo, O que mais me impressiona é a quantidade de europeus, principalmente da Espanha e de Portugal,que estão vindo trabalhar no Brasil, principalmente nos cargos de média gerência e executivos. A taxa de conversão do euro tem se mostrado muito atraente para estes expatriados, que conseguem ganhar salários em valores quase equivalentes ao que receberiam na Europa. Porém a grande surpresa acontece quando descobrem os custos de moradia, escola, plano de saúde, transporte, IPVA, seguro e todos os encargos que só existem em nosso Brasil maravilha e compraram com o salário recebido com todos os descontos de praxe e acabam no vermelho. As empresas ficam felizes da vida porque não precisaram contratar os brasileiros, que são considerados mão de obra cara neste nível de profissionais e os expatriados precisam cumprir o contrato e aceitar a roubada que se meteram. O governo poderia ajudar e proteger um pouco o profissional brasileiro,que hoje já enfrenta dificuldades com esta invasão.

Pedro Luiz Moreira Lima em 21 de dezembro de 2011

Amigo Setti: O artigo do Paulo Moreira Leite na Época esta muito bom e apimenta o debate da CPI da Privataria. Um grande abraço Pedro Luiz Da Época Sobre “Privataria Tucana” PAULO MOREIRA LEITE Confesso que eu já havia chegado à página 56 do livro Privataria Tucana e me perguntava: cadê a novidade? Segui fazendo a mesma pergunta por várias páginas seguintes mas, ao final, cheguei a outra conclusão. Entre tiros fora do alvo, disparos de bala de festim e muito palavrório dispensável, o livro tem o que dizer. O livro não prova nada por A + B contra José Serra. Faz um passeio documentado pelo círculo em volta de alguns personagens de seu círculo. Também refaz, com mais detalhes e muitos documentos que não se conhecia, a montagem dos grupos que venceram as privatizações. De tanto ler a crítica de que o governo Lula adora distribuir recursos baratos do BNDES para empresas amigas, você pode concluir que, como tantos outros costumes de nossa vida pública, esse costume que hoje se condena foi patenteado no governo FHC. soureiro tucano Ricardo Sérgio é desossado em vários documentos. A filha e o genro de Serra também. Você não precisa acreditar em tudo o que lê, mas pode pensar. O jornalista Mauro Santayanna, que foi assessor de Tancredo Neves, acha que o livro reabre o debate para rever as privatizações. Amaury Ribeiro Junior, o autor, sistematiza, explica, avalia. Seus documentos mostram a montagem e desmontagem de sociedade destinadas a tirar dinheiro do país e depois mandá-lo de volta. Amaury tem aquele estilo de dizer mais do que pode provar, mas convém não desprezar seu retrospecto. Um dos envolvidos já foi derrotado ao tentar processá-lo na Justiça. Numa das primeiras conversas que tive sobre o livro, um ex-ministro lamentava que nossa vida pública tenha sido transformada numa guerra de lama e dizia que Privataria Tucana fazia parte disso. O cenário era muito apropriado. Estávamos num simpático restaurante nos Jardins, em São Paulo. Algumas mesas ao lado, jantava um dos acusados nas investigações no Ministério do Turismo. Antes de conversar com o ex-ministro, pude ouvi-lo falar sobre seu caso. Ele jurava que não tem responsabilidade nenhuma sobre qualquer irregularidade. Dias antes de começar a ler Privataria Tucana, um twitter do PSDB exigia investigação sobre o ministro Fernando Pimentel. Pode não ser errado, mas é engraçado no momento. Logo depois que terminei, um senador tucano queria que um executivo da Caixa Econômica viesse a ser chamado para prestar depoimento sobre outro caso. A questão é mesmo de lama. Em São Paulo, o PT quer investigar a prefeitura de Gilberto Kassab sobre o Controlar. Quem não quer levar a sério aquilo que Amaury Ribeiro escreveu acha possível levar a sério tudo o que se diz sobre os ministros do governo do PT? Por quê? Têm mais documentos? Foram mais a fundo? “O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade,” escreve o professor Vladimir Safatle. Amaury faz – em alguns casos, com notável superioridade, pois tem apoio em documentos – o mesmo que outros jornalistas do ramo também fazem. Insinua, afirma, adjetiva, sugere. Lamentavelmente, a discussão sobre corrupção no Brasil transformou-se naquilo que não poderia ser – arma política. Todos denunciam, em público. Todos se aproveitam, em privado. Não há princípios, mas conveniências. E é por isso que nada acontece e dificilmente alguma coisa acontecerá, me diz o ex-ministro antes de nosso jantar terminar. A manutenção de um sistema que gera tantos benefícios interessa a muitas pessoas. E é por isso que todos os partidos ficaram em silêncio, até agora, diante das descobertas feitas na CPMI do Banestado. Por um pacto de cavalheiros da triste figura, ficou combinado que os segredos apurados não viriam a público. Foi nesta CPMI que Amaury encontrou a principal matéria-prima de seu livro.

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