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Juan Mata: estudos, livros, gastronomia, cinema e um blog (Foto: Fuera de Serie)

“Não sou nenhum bicho esquisito”, disse Juan Mata em uma entrevista coletiva em 2011, quando atuava pelo Chelsea, de Londres.

A resposta dirigia-se a um jornalista perplexo, que queria saber mais sobre as duas faculdades de Madri que Mata cursava, à distância, simultaneamente à sua carreira futebolística. Antes, o próprio repórter caíra na gargalhada ao lembrar o entrevistado que ele, filho de um jogador com passagem por pequenos clubes espanhóis, era “inteligente demais para ser jogador de futebol”.

Currículo de primeira

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Campeão do mundo em 2010 com a seleção espanhola: Mata è o primeiro à direita do capitão Iker Casillas, acima do presidente da FIFA, Joseph Blatter (Foto: RTVE)

Aos 25 anos de idade, o rapaz de pele clara e olhos azuis, nascido em Burgos, cidade da comunidade autônoma de Castilla y León, coração mais profundo da Espanha, possui um currículo invejável. Foi campeão mundial em 2010 e europeu em 2012 com a seleção espanhola, mesmo ano em que contribuiu para a conquista do primeiro título da Champions League europeia para o Chelsea, seu time entre 2010 e 2013.

Atuou contra o Corinthians na derrota dos londrinos na final do Mundial de Clubes no mesmo ano e, ao término da mesma temporada, após ser considerado pelo segundo ano consecutivo o principal nome do elenco estelar do Chelsea, despontou entre os seis finalistas do prêmio PFA, concedido aos melhores atletas da prestigiadíssima Premier League, da Inglaterra.

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Tentando superar o gigante Cássio, goleiro do Corinthians, na derrota do Chelsea para o alvinegro de Parque São Jorge no Japão, em 2012 (Foto: AFP)

Desde janeiro deste ano, porém, representa as vemelhíssimas cores de outro gigante inglês, o Manchester United, que aproveitou a não utilização do meia-atacante por José Mourinho – o então novo treinador do Chelsea – e pagou 44,7 milhões de euros na transação. Em junho estará no Brasil para a disputa de sua segunda Copa do Mundo com a camisa da Roja.

Preparação para o futuro

Tanta badalação, porém, não abala a rotina de Juan Manuel Mata García fora dos gramados, que de fato parece ser uma exceção no meio dos boleiros. O recém-convertido em Red, que começou a chamar a atenção quando atuava pelo Real Madrid Castilla (filial e time B do Real Madrid) e que deu seu primeiro salto profissional no Valencia em 2007, continua com seus estudos por correspondência, em marketing e ciências do esporte.

“Ainda sou jovem e espero continuar jogando por muitos anos, mas enquanto isso acho importante se formar, e ao mesmo tempo poder se desconectar do futebol com certa responsabilidade”, disse o craque em recente entrevista à revista espanhola Fuera de Serie. “Uma vez que acabe esta maravilhosa etapa do futebol, talvez faça coisas diferentes, que não estejam relacionadas a isso”.

Afeito às letras

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Com Maradona em Dubai, já como atleta do Manchester United, em imagem publicada em seu blog (Foto: One Hour Behind)

Entusiasta de gastronomia e cinema, garoto-propaganda dos luxuosos relógios suíços IWC, Mata, que atualmente está solteiro – ou pelo menos não divulga publicamente se está em algum relacionamento afetivo sério – , também se distingue da maioria dos colegas por ser um leitor assíduo de romances (com particular queda para o brilhante escritor japonês Haruki Murakami).

A relação com as letras vai um pouco mais além, já que ele mantém o blog One Hour Behind, com o qual repassa detalhes curiosos das partidas, publica fotos e revela um ou outro bastidor não captado pelos jornalistas.

“No futebol você pode encontrar repostas relativas à humildade, ao trabalho em equipe, à ambição, à vontade de melhorar e até às relações humanas”, refletiu o jogador na mesma entrevista. “O futebol responde a muitas perguntas vitais, e todos estes aspectos podem ser encontrados no jogo, o que não quer dizer que não possam existir outras paixões na vida; e na minha, eu sei que há”.

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8 Comentários

Rodrigo Santos em 25 de fevereiro de 2014

Antoninho, me referi a faculdades a distância, não a faculdades particulares. Você realmente entendeu o que eu quis dizer? Digo isso porque fiz uma pós-graduação a distância que foi sofrível. E me desculpe, mas me formei na Uerj em Direito e tive excelentes professores lá como Luis Roberto Barroso, por exemplo. Meu ensino jurídico foi tão sólido que no 9o período de faculdade eu já passei em um concurso público disputadíssimo no ramo do direito e agora estou me preparando para a magistratura federal. Espero ingressar na carreira em até dois anos. Quem faz a faculdade são os alunos e os professores. Não interessa se ela é pública ou particular. Na minha época de vestibular, os melhores alunos aqui do RJ iam para as públicas e para a PUC. Eu tenho orgulho de ser servidor público do judiciário e meu trabalho contribui muito para modificar a sociedade, várias são as ocasiões em que tive a oportunidade de ajudar a soltar pessoas inocentes, como prender e retirar da sociedade estelionatários e pedófilos. Abraços, não seja tão generalista assim.

S Fernandes em 25 de fevereiro de 2014

Tem alguns outros exemplos bastante agradáveis: o também espanhol Estebán Granero (antigo Real Madrid e atual Real Sociedad) estudava psicologia na Universidad Autónoma de Madrid. No twitter dele, havia sempre postagens com referências literárias. Tenho certeza de que muitos outros existem também. De toda forma é louvável, e até mesmo invejável, ver pessoas com tanto dinheiro que sentem a necessidade de exercitar outra coisa além do físico.

Antoninho em 25 de fevereiro de 2014

Rodrigo Santos,nada e mais ineficiente q as universidades publicas, q nao sao gratuitas em nada, sao os custos alunos medios mais caros do mundo.Colocados em maos dos piores carater sociais em projetos ruins e politicamente duvidosos. Ninguem no mercado investe nesse tipo de ensino duvidoso. E muto mais certo se ter perda com projetos, do q com qualquer outra atividade particular. Ou seja, aprovacao em universidades publica, para o mercado nao serve para nem oferecer hipoteses, mesmos para os mais aptos na pratica. E lamento o estado lhe conceder um desperdicio de estudo, muito maior q qualquer outro particular. Ou, como contribuinte mais ainda, por esse desperdicio de dinheiro improdutivo.

Vera Scheidemann em 25 de fevereiro de 2014

Caso excepcional mesmo. São raros os jogadores que usam a cabeça para outras coisas além de cabecear a bola. Vera

Rodrigo Santos em 25 de fevereiro de 2014

Ricardo, se as faculdades a distância foram iguais as brasileiras, onde pagou passou, e exercícios e provas que valem nota são feitas com consultas, o milagre restará explicado. Louvável a atitude dele, mas será que dá realmente para cursar duas faculdades sérias, que exigem estudo e dedicação ao mesmo tempo e ainda jogar futebol e treinar com qualidade? Num país sério, como se tornou a Espanha, dá, sim.

TeresaQ em 24 de fevereiro de 2014

E ainda é bonito!

Marcos em 24 de fevereiro de 2014

Joga muito, um craque!

Antoninho em 24 de fevereiro de 2014

Isso q se pode chamar de jogador aplicado dentro e fora do campo.

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