Image
Ángeles Espinosa: expulsa pelos “crimes de viajar sem permissão” e de entrevistar o filho de um falecido aiatolá dissidente

Em se tratando do governo de Mahmoud Ahmadinejad, cujo regime pratica o abominável apedrejamento de mulheres como punição para suposto adultério, apto a todas as supressões de liberdades que estiverem a seu alcance e das formas mais bárbaras de repressão, decisões como a divulgada hoje, de que a credencial de uma correspondente estrangeira no país foi cassada, nem surpreendem mais.

Mas ainda precisam – e como – ser criticadas e lamentadas. Ao deter e expulsar a jornalista Ángeles Espinosa, que durante os últimos cinco anos foi correspondente no Irã do respeitado jornal El País, de Madri, o regime dos turbantes enlouquecidos dá ao mundo mais uma amostra de como quer afundar de vez a nação nas trevas da censura.

É claro que ninguém da ditadura de Ahmadinejad deu qualquer explicação sobre a decisão, mas parece evidente que está ligada à viagem da jornalista de Teerã até a cidade de Qom, considerada sagrada pelos xiitas, para entrevistar Ahmad Montazeri, filho do falecido aiatolá dissidente Hossein Ali Montazeri. A viagem foi em julho, mas Espinosa cometeu um duplo crime aos olhos do regime: saiu de Teerã sem permissão das autoridades, e entrevistou alguém maldito pela ditadura.

Para não perder o costume, ao mesmo tempo em que se anunciava a expulsão de Espinoza, outros dois jornalistas estrangeiros foram presos depois de entrevistarem um dos filhos de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher condenada à morte por apedrejamento devido a um suposto adultério, ao qual o regime acrescentou depois um assassinato que ninguém comprovou. A sentença acabou suspensa após pressão internacional, embora não se saiba o que vá ocorrer com Sakineh.

A agência estatal de notícias não deu detalhes sobre as detenções, dizendo apenas que se tratava de “dois estrangeiros que se apresentaram como jornalistas” O site do jornal britânico The Guardian informou tratarem-se de jornalistas do semanário alemão Bild am Sonntag.

De acordo com a ONG internacional Reporters Without Borders (Repórteres sem Fronteiras), o Irã é o país do mundo que mais prende jornalistas (pelo menos 50 profissionais estariam atrás das grades no país por fazerem o seu trabalho).

Recentemente, o El País enfrentou o mesmo problema com outra ditadura, a cubana, que suspendeu autoritariamente a credencial do jornalista Mauricio Vicent, por vinte anos correspondente na ilha governada pelos irmãos Castro.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

seis + dezessete =

Nenhum comentário

Luiz em 11 de outubro de 2011

É UM DOS MUITOS AMIGUINHOS DO LULA; QUEM SABE ELE VIAJA PARA O IRÃ E INTERCEDE POR ELES???

Reynaldo-BH em 10 de outubro de 2011

Não minorizo o papel da jornalista in loco, como deveria ser. O que me assusta são os antolhos dos ditadores que insistem em não entender que até estes absurdos são notícias. É um mundo novo, tenho sempre dito. E eles, tiranos, não vão conseguir silenciar milhares de "repórteres" com um Iphone ou Blackberry em mãos. Nesta nova visão de mundo, a solidão do ditador é ainda maior. Assim será. É um caminho sem volta. Só os cegos ou loucos não entendem. É o caso.

Uber em 10 de outubro de 2011

Menos mal... Poderia ter sido presa, apedrejada, levado chibatadas...

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI