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Eleições parlamentares na França: Marine Le Pen, ex-candidata presidencial da extrema direita, vai enfrentar em seu próprio feudo o ex-candidato da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon (Fotos: telgraph.co.uk)

Já é sabido que os candidatos da extrema direita e da extrema esquerda derrotados no primeiro turno das eleições presidenciais na França, a 22 do mês passado, travarão um interessante combate direto, concorrendo a uma cadeira de deputado pelo mesmo distrito, nas eleições legislativas do próximo dia 10.

De fato, o comunista Jean-Luc Mélenchon, que concorreu à Presidência pela Frente de Esquerda, decidiu, num forte golpe publicitário e num gesto de audácia, enfrentar a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen – terceira colocada na disputa presidencial – no próprio feudo dela. Trata-se da 11ª circunscrição, que inclui a cidade de Hénin-Beaumont, 25 mil habitantes, a 25 quilômetros de Lille, no norte da França e a poucos minutos de automóvel da fronteira com a Bélgica.

Parada dura para o comunista, por duas razões:

1. É uma revanche da eleição presidencial, na qual Mélenchon surpreendeu e chegou a 11,1% dos votos, mas muito atrás da candidata neofascista, com 17,9%.

2. Nessa circunscrição, Marine Le Pen bateu folgadamente Mélanchon no primeiro turno das presidenciais, com 31,42% dos votos contra apenas 14,85 do candidato da Frente de Esquerda. Não vai ser fácil virar esses números.

Reduto comunista virou de extrema direita

Mas o objetivo deste post não é só oferecer dados sobre a curiosa disputa: é ressaltar que essa circunscrição e o entorno de Hénin-Beaumont, onde a extrema direita fascistoide francesa deita e rola nas eleições, foi importante área de mineração e siderurgia e um dos berços do movimento operário francês.

Ali sempre foi reduto do Partido Comunista, hoje reduzido a uma sombra do que foi (tem 13 deputados na Assembleia Nacional, de 577 membros). Mas as pesquisas de opinião revelam: o eleitorado comunista hoje vota na extrema direita!

É a velha história: os extremos se tocam. Para quem não sabe, um dos baluartes do voto da Frente Nacional é um contingente que votava em peso nos comunistas: operários brancos.

Mélenchon está tentando recuperar para a esquerda um seu ex-reduto onde a pregação xenófoba e reacionária de Marine Le Pen encontra forte eco.

O candidato comunista aposta que o sistema francês de segundo turno também para as eleições parlamentares o favoreçam: se no primeiro turno, dia 10, nenhum candidato do distrito ou circunscrição obtiver maioria absoluta (50% dos votos mais 1), todos os que tiverem alcançado pelo menos 12,5% dos votos vão para o segundo turno, a 17 de junho, e o que amealhar maioria, mesmo simples, de votos, estará eleito. Sempre há composições, candidatos desistem para apoiar outros e, aparentemente, Mélenchon acredita ter chances.

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Cavalcanti em 01 de junho de 2012

Sempre se tocaram e sempre se tocarão.

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