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Saif el Islam, o presumível herdeiro do ditador Kadafi: ou o Tribunal de Haia, ou vida de fugitivo

Saif el Islam, o filho predileto e presumível herdeiro do falecido ditador líbio Muamar , está provavelmente escondido em algum ponto das vastidões do Deserto do Saara, como descrito pelo site de VEJA.

Há, porém, uma chance de que ele reapareça e, temendo ter o mesmo destino de um de seus sete irmãos, Mutasim, massacrado depois de ser capturado vivo pelos rebeldes líbios no dia 20 do mês passado, se entregue ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. O promotor-geral do Tribunal, o jurista argentino Luis Moreno Ocampo, vem fazendo sucessivos contatos com intermediários do filho do ditador e já lhe ofereceu um “processo justo”, com presunção de inocência.

O silêncio de Moreno Ocampo nos últimos dias parece ser um sinal de que as tratativas progridem.

Ajudado por nômades tuaregues

O Tribunal expediu uma ordem de captura contra Saif el Islam – “A Espada do Islã”, em árabe – por sua participação nos crimes contra a Humanidade de que é acusado o regime deposto depois do levante popular contra Kadafi iniciado a 15 de fevereiro.

Serviços de informações dos países da OTAN, que ajudaram os rebeldes a derrubar Kadafi, acreditam que Saif, um arquiteto de formação de 39 anos de idade, esteja sendo levado de um ponto a outro do inescrutável Saara por tuaregues, povo nômade a quem Kadafi proporcionou gentilezas durante seus 42 anos de poder e que vivem em trânsito entre três países que fazem fronteira coma Líbia – o Níger, Mali e Argélia.

Dias atrás, o promotor Moreno Ocampo havia distribuído um comunicado em que, a certa altura, dizia: “Por meio de canais de informações, soubemos que um grupo de mercenários estaria disposto a trasladar ao filho de Kadafi a um país africano que não seja integrante do Tribunal Penal Internacional”.

A segurança de uma cela em Haia

Esta é, de fato, outra possibilidade. Um país-pária como o Zimbábue do ditador Robert Mugabe, por exemplo, muito próximo a Kadafi, poderia ser uma escolha. Mas mesmo países próximos ao Ocidente, como o Quênia, têm se revelado reticentes em entregar criminosos ao Tribunal, como é o caso do ditador genocida do Sudão, Omar el Bashir.

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Tribunal Penal Internacional – ICC na sigla em inglês:  cela segura (Foto: Divulgação)

Mas Moreno Ocampo e assessores estão se esforçando para convencer Saif de que é melhor e mais seguro entregar-se ao Tribunal e recolher-se a uma de suas confortáveis celas, em Haia, na Holanda, onde já se hospedam criminosos como vários dos genocidas sérvios e o ex-ditador da Libéria, Charles Taylor.

Ele teve participação considerada “indireta” nas barbaridades do regime do pai e, quem sabe, uma pena não muito longa lhe seja preferível à condição de um fugitivo obrigado a viver sob proteção contínua e exposto, entre outros riscos, a ser morto por agentes do novo governo líbio.

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6 Comentários

Diocleciano em 04 de novembro de 2011

Os tais rebeldes querem dizimar a família do Kadaff inteira; isso não deveria ser permitido. Esse filho do Kaddaf deveria até ter o direito de disputar eleição na Líbia. A ONU deveria intervir novamente se a situação desembocar em outra ditadura.

AFORTUNATTA em 04 de novembro de 2011

Será provavelmente morto , já que se ele abre a boca muitos politicos europeus .........

Lucia s. em 04 de novembro de 2011

Que vergonha para os tuaregs. Até pouco tempo respeitsva este povo, agora...

Tuco em 03 de novembro de 2011

. Se vier para o Brasil, será tratado como herói, pela corja petista. Já o povo, bundão, abaixará a cabeça e fará de conta que nada está acontecendo. .

Reynaldo-BH em 03 de novembro de 2011

Setti, um off topic proposital. Parece que a discussão no BR, hoje, está ainda mais manequeísta. Contra ou a favor Lula estar se tratando no Sírio-Libânes ou na UPA de Caxias, via SUS. E pior: entre os que exageram na dose e os que usam - e vão usar - duas novidades: o destempero de quem demonstra um ódio literalmente moral (será usado contra todos os opositores) e o endeusamento de Lula (usado a favor do lulopetismo)! Neste tema, já tenho idade para me incluir fora! Só mais uma face horrível deste país que nunca para e me surpreender: para o lado errado da balança. Dito isso, e a Grécia? Segue um texto-provocação. Acho que você é contra o que se segue. Que bom! Assim, o papo rende. Hehehe. Abraços. .............. “Alguma coisa está fora da ordem. Fora da nova ordem mundial.” (Caetano Veloso). Lembre-me imediatamente destes versos de Caetano quando li as reações contra George Papandreou e a Grécia. Vindo de todos os lados. Era o”anti-cristo” personificado. O homem que provocaria a ruína da Europa e talvez do mundo. Os mais comedidos acusavam-no de ser um político à busca de sobrevivência. Que fosse. Li poucas – quase nenhuma – análise mais isenta. Só trechos que diversas visões que escaparam dos críticos mais afoitos. Nos moldes proposto no novo acordo grego, a Grécia tem uma sobrevida até 2020. O endividamento – mesmo com o perdão de 50% - permaneceria desde o momento zero em 100%! Hoje, está em 150%. Porém creio que problema é mais intenso. Reduziu-se tudo a valores financeiros para ium estado membro da União Europeia que está quebrado e pode ocasionar ainda maiores prejuízos. A pergunta é: para quem? É um momento histórico. A UE não é uma só nação e nem mesmo uma federação. São países diversos unidos por um plano econômico comum. Que tenta tratar como iguais, os absolutamente desiguais. Que criou um mercado comum imenso . Por que o receio de um plebiscito neste momento? Seria por que a Islândia ao ser questionada se o pequeno país quebrado por banqueiros ingleses deveria se submeter às exigências do Reino Unido, disse um sonoro não? Ou o acordo de Lisboa ter sido aprovado nos moldes e ideias que o plebiscito anteriormente proposto e igualmente rejeitado? Só houve – e há – um acordo de Lisboa porque dispensa aprovação em votos. Pela primeira vez a Europa teria que definir-se efetivamente o que venha ser: Uma Zona de uma moeda ou um projeto de integração. Alemanha e França falam, agem e impõem regras para todo o continente. Ficou evidente e transparente que existem duas potencias hegemônicas (ou uma e meia...) que detém poder de veto, dinheiro e poder para decidir o que fazer, como e onde. Em toda a Europa. Os países ditos “periféricos” – denominação que estranhamente incluem TODOS os outros – já não possuem autonomia econômica. Com a Grécia, avançou-se na autonomia política. Democratas de primeira hora apareceram lívidos defendendo que.. . não se escute o povo! Qual argumento? Que o povo não sabe avaliar, escolher e votar? A equação chegou ao nível do cinismo: a proposta era (ou é, segundo as últimas notícias): “precisamos quebrar de vez a Grécia para evitar que quebremos os bancos”. “Vamos socializar os prejuízos para privatizar lucros.” Sinceramente, nada contra se esta for a escolha de quem vai pagar a conta. Mas sequer aceitam dar estas opções aos diretamente interessados. Depois disto tudo, fica a pergunta: o que vem a ser a Comunidade Europeia? Para que serve o Parlamento Europeu? Qual a importância e relevância este parlamento possui? Se os bancos não estivessem alavancados em excesso com os tais títulos soberanos (gregos, portugueses, italianos, espanhóis, irlandeses, etc) haveria este fervor em “salvar” uma união que ruiu no primeiro teste de stress (como eles gostam de citar em relação à banca)? A arrogância de Merkel e Sarkozi não são somente fruto de personalidade pessoal ou traços culturais. Era autodefesa dos próprios interesses. Os planos de recuperação impostos a toda a Europa, fruto de manter a competitividade destas duas economias. Pode-se condenar um preso a trabalhos forçados. É a mão de obra mais barata que existe. Exceto se os trabalhos forem tão pesados que matem o cliente. Papandreou queria uma saída política ao ouvir o povo grego? Foi uma jogada demagógica buscar dividir – no último momento – a carga das decisões tomadas? Quis confrontar o plano à penalização da Grécia fora da Zona Euro? Pode sir tudo isto junto. A resposta dada pela UE, FMI e especialmente Merkel/Sarkozy foi pior. Cada europeu deve estar perguntando: valeu a pena perder a autonomia financeira e a própria moeda em nome de um mercado maior que mais nos penaliza do que ajuda? Vale a pena perder a autonomia politica de definição dos próprios caminhos? Os países que tiveram eleições pós-crises foram eleitos com UM discurso: SIM! nós nos submetemos! Não se trata e esquerdismo barato, esta doença infantil que na minha idade, já é passado. Trata-se, antes, de respeito aos povos. E à vontade destes. Alemanha e França não desrespeitaram a Grécia. Humilharam a Europa. Com a conivência desta. Haverá saída? Não sei. Tudo neste caso é novo. A UE foi imaginada e criada para ser o eterno céu de brigadeiro. Esta é a primeira tempestade real. Uma coisa é certa: neste voo faltam pilotos, pistas de pouso e parece que até aviões confiáveis. Mas sobram empresas que leasing que, como em toda a aviação mundial, são as verdadeiras donas das empresas.

Caio Capistrano em 03 de novembro de 2011

Não tenho tanta certeza de que Saif pretenda se entregar. Seria mais cômodo pra ele usar as cerca de 20 toneladas de ouro que a alta cúpula do regime de Gaddafi saqueou do banco central líbio em sua fuga de trípoli, e contratar mercenários para transportá-lo para o Zimbábue, onde de lá, ele poderia ter acesso as inúmeras contas que seu pai muito provavelmente deixou em paraísos fiscais como Liechtenstein, Mônaco, entre outros...

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