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A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e a atriz Meryl Streep, que a representa no filme (Fotos: VEJA/Divulgação)

Ela quebrou a espinha dos todo-poderosos sindicatos, capazes de parar o Reino Unido a um estalar de dedos, privatizou estatais imensas, pesadas e deficitárias, desregulamentou a legislação financeira, mexeu na legislação trabalhista, facilitando demissões, aplicou com rigor o que viria a se denominar “políticas neoliberais” e não hesitava um milímetro em revogar, caso necessário, conquistas que sucessivos governos trabalhistas haviam assegurado.

O resultado de sua gestão (1979-1990) foi uma revolução e um enorme revigoramento da economia britânica — e, nessa trajetória, foi impiedosa com os custos sociais das reformas que impôs ao vencer três eleições sucessivas.

No plano externo, foi aliada firme do presidente republicano Ronald Reagan em seus embates com a União Soviética — que terminaram no desmantelamento do comunismo após a queda do Muro de Berlim, em 1989–, cética em relação à União Europeia e responsável pela humilhante derrota militar imposta pelo Reino Unido à ditadura militar argentina, em 1982, depois da invasão das Ilhas Malvinas por ordem dos generais então no poder.

Não por acaso, um filme sobre a vida de personagem tão marcante está causando grande debate no Reino Unido.

Da Agência EFE, de Londres

Margaret Thatcher foi admirada e igualmente odiada pelos britânicos, e o filme sobre sua vida, protagonizado por Meryl Streep, não deixou indiferente a crítica e nem os amigos da ex-primeira-ministra do Reino Unido, que consideraram o longa-metragem um “insulto”.

(NO FINAL DA CONTINUAÇÃO HÁ UM TRAILER DO FILME. NÃO PERCA).

Enquanto a imagem da carismática governante de 86 anos, retirada da vida pública devido ao seu delicado estado de saúde, circula em todas as partes com os cartazes do filme A Dama de Ferro, seus admiradores e opositores voltaram a abrir um debate para discutir seu legado.

Críticas ao filme, elogios a Meryl Streep

A crítica é unanime em reconhecer o impressionante trabalho da atriz Meryl Streep no papel de Thatcher ao longo de sua vida adulta, mas alguns de seus próximos preferiram que o filme se distanciasse do que consideram uma caricatura.

O filme, que estreará somente no dia 6 de janeiro no Reino Unido, retrata uma Thatcher idosa, solitária e afetada pela demência, enquanto tenta se lembrar de alguns episódios de sua complexa vida.

Em uma determinada cena, Thatcher se queixa em uma pequena loja dos preços do século XXI, mas, em outro momento, ela aparece desorientada e sem perceber que seu inseparável marido, sir Denis Thatcher, morreu.

Amigos e familiares da implacável governante, que controlou com mão firme o Reino Unido de 1979 a 1990, qualificaram o drama dirigido por Phyllida Lloyd, a mesma do longa Mamma Mia, como uma “fantasia esquerdista”.

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O cartaz de “A Dama de Ferro”, com a figura de Meryl/Thatcher: grande polêmica

Um “lixo”, ou uma “história feminista”

Segundo revelações do jornal [conservador] The Daily Telegraph, alguns de seus antigos colegas e companheiros de Gabinete quiseram se distanciar do filme, já que esse resgata alguns polêmicos episódios, como a Guerra das Malvinas, que Thatcher comandou com firmeza.

Lorde Bell, um assessor próximo da Dama de Ferro nos anos 1980, disse que não pensa em divulgar esse “lixo”. “Seu único objetivo é fazer Meryl Streep ganhar dinheiro. Não fará nenhuma diferença no lugar que Margaret Thatcher ocupa na história e no que ela conseguiu”, questionou o antigo assessor. [Meryl Streep, porém, é apenas uma atriz contratada de um filme produzido pelo britânico Damien Jones].

No entanto, para o jornalista Matthew Parris, ex-deputado conservador e colaborador de Thatcher, trata-se de uma história feminista.

“É sobre os preconceitos dos homens e a visão das mulheres. Fazia tudo pelo Reino Unido, mas também fazia pelas mulheres”, diz ele ao jornal The Times. Segundo Parris, o filme transformou Thatcher em “heroína de uma história de mulheres”.

Imagens de arquivo também são usadas na obra, que mostra os grandes protestos contra o imposto conhecido como poll tax e como um dos manifestantes se aproxima da limusine da então primeira-ministra para chamá-la de “monstro”.

Ela mudou o Reino Unido para sempre

A era Thatcher foi um tempo de mudanças econômicas e sociais que transformou o Reino Unido para sempre e que não deixa ninguém indiferente, assim como o filme, que dificilmente iria agradar a todos.

O Daily Telegraph assegura em sua crítica que o filme “é equilibrado, duro e compreensivo como a protagonista”.

“Como as pessoas vão reagir depende da imagem que possuem dela. Seria amável demais para os sindicatos, mas os republicanos americanos terão inveja de não ter um candidato com uma fração da convicção de Thatcher”, ironiza o crítico.

Neste sentido, o jornal [de centro-esquerda] The Guardian opina que o filme mostra “pouca consciência do mundo exterior, o custo humano e o efeito de suas discutidas políticas governamentais” e, por isso, o qualificam como uma espécie de “Thatcher sem o thatcherismo”.

O que é uma unanimidade entre os críticos é a interpretação de Meryl Streep, que apesar de não ser britânica, conseguiu personalizar a Dama de Ferro e, inclusive, imitar seu peculiar tom de voz.

“O sorriso, a entonação, as posturas. Ela consegue encontrar a mulher em uma figura caricata”, destaca o [igualmente conservador] The Times em relação à atriz, que “fez tudo muito bem”.

O mais crítico The Guardian considera que Meryl Streep é “a grande arma deste filme, às vezes tolo e previsível”.

Veja o trailer do filme no vídeo abaixo:

httpv://www.youtube.com/watch?v=hf5vC6eHtag

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Nenhum comentário

Matemática em 25 de novembro de 2011

Pois é, caro Ricardo. O mundo se ressente da ausência de líderes como a Sra. Margareth Thatcher. Antes de tudo, estamos em uma crise de lideranças verdadeiras, principalmente na Europa hoje. Que a Sra. Angela Merkel possa desempenhar bem a responsabilidade que lhe cabe na Alemanha com euros e disciplina fiscal.

Jefff em 25 de novembro de 2011

Amigos e admiradores de FHC univo-nos! O PSDB de São Paulo está com dificuldade para vender os convites de R$ 1 mil para um jantar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, programado para o dia 5 de dezembro, em Higienópolis. Por enquanto, só 100 dos 500 convites foram vendidos. O evento está sendo organizado pelo diretório estadual para arrecadar fundos para o partido.

Pedro Luiz Moreira Lima em 25 de novembro de 2011

Amigos SergioD,Setti e Jeff: Primeiro ao ao SergioD ,excelente analise e de grande aprendizado - li com atenção. Acho a Dama de Ferro uma ditadora cruel e utilizou de todas as forças do Estado e com a ajuda da Grande Imprensa Conservadora a eliminar o contraponto do Capitalismo - os SINDICATOS - para mim jamais prestaria nenhuma homenagem a Dama de Ferro - CAPITALISMO sem organização SINDICAL - pode até se fingir de DEMOCRACIA mas na realidade gera o que gerou na Europa e EUA - CONCENTRAÇÃO de RENDA ESCANDALOSA e um dia a PLEBE IGNARA IRÁ COBRAR - destruir organizações trabalhadoras se consegue - para sempre nunca!É a minha opinião e aprendi muito com seu post. Amigo Setti: O Jeff é um excelente contraponto em seu blogue,é uma pessoa (não o conheço) de grande força em suas opiniões e um cara esforçadíssimo na luta por sua vida - sua resposta(do Jeff) dada a um da lista - depois de grosseiramente atacado - contou todo seu esforço para ser o que é hoje - uma pessoa que tenho maior respeito. A resposta que deu a voce - não se irrita - como dissesse "Pô Setti! não entende?" mas sem agressividade - é uma pessoa que traz o CONTRAPONTO assim como eu - não briga com ele não.Tenho certeza que o Aff dele foi muito mais um PUXA VIDA do que agressáo e quer saber Setti!!! Aff, Setti briga náo! Jeff - náo sou seu advogado e nem preciso,voce sabe se defender muito bem.Da uma maneirada e diga ao Setti - que o Aff seu foi apenas um desabfo entre amigos. Abra;os Pedro Ghandi(brincando!)

Leonardo Carvalho em 24 de novembro de 2011

Não houve erro algum em desregulamentar o sistema financeiro. Thatcher e Reagan fizeram a coisa certa e é uma bobagem atribuir a ela a crise economica atual, mais de 17 anos após o seu governo. Margaret Thatcher mudou o mundo para melhor e ajudou a por um fim no cruel sistema Comunista.

SergioD em 24 de novembro de 2011

Ricardo, Margaret Thatcher foi um marco em sua época pois reverteu uma tendência de encolhimento econômico da Inglaterra. No entanto temos de por algumas coisas nos seus devidos lugares. O encolhimento econômico do Reino Unido já vinha se evidenciando desde o final da Segunda Grande Guerra. Começou mesmo no final da Primeira, mas a derrocada, assim como a do seu Império, ocorreu depois da Segunda. Com a injeção de dinheiro proporcionada pelo Plano Marshall a economia britânica começou a se recuperar e a incorporar as benesses do estado do bem estar-social. O choque do petróleo de outubro de 1973 abalou profundamente sua economia, causando um período de instabilidade que só piorou em fevereiro de 1979, quando ocorreu o segundo choque, causado pela revolução Islâmica do Iran. Seu governo teve nas receitas da exploração do Petróleo do Mar do Norte um impulso que os trabalhistas, a que substituiu, não tiveram. Aquelas gigantescas reservas de petróleo já eram conhecidas, porém somente o segundo choque do petróleo fez com que sua exploração se tornasse economicamente viável. Os custo sociais de sua reformas foram grandes. A guerra com os sindicatos foi impressionante, mas, mais uma vez, o Mar do Norte veio em seu auxílio. Os sindicatos dos mineradores de carvão eram os mais poderosos pois abasteciam as usinas termoelétricas inglesas. Com as gigantescas reservas de gás natural descobertas entre a Escócia e a Noruega, o governo britânico estimulou a implantação massiva de usinas termoelétricas a gás natural o que reduziu drasticamente a importância do carvão como combustível, reduzindo consequentemente o poder dos sindicatos dos mineiros, que em certos momentos pressionavam absurdamente o governo com suas reivindicações. Em 1981/82, seu governo vinha numa espiral descendente de popularidade e já se falava na volta dos trabalhistas ao poder em 1983. Nesse momento foi de grande ajuda a atitude mal calculada dos ditadores argentinos que, para aplacar seus problemas internos, decidiram invadir as Ilhas Malvinas. Sua atitude irresoluta em mandar a frota inglesa para o Atlântico Sul e recuperar a ilhas, com apoio tecnológico total dos EUA, assim como o orgulho nacional, lançou sua popularidade novamente a extratosfera, garantido assim sua reeleição em 1983. Interessante que com todo o seu neo-liberalismo, que foi adotado dois anos depois nos EUA com a eleição de Ronald Reagan, MRs Thatcher pouco fez para alterar o sistema da saúde público do Reino Unido. Chegou mesmo a aperfeiçoa-lo em determinados instantes. Seu legado fica para a história. Hoje a Inglaterra tem uma economia muito mais ajustada que na década de 1970, e não adiante falar que seu modelo permitiu ocorrer a crise atual. Num regime liberal esses problemas podem ocorrer e cabe a sociedade, através de eleições livres decidir o que pretende para o seu futuro. A sociedade britânica sofreu muito quando da implantação de suas reformas. Os índices de desigualdade nunca mais voltaram ao patamares alcançados na década de 1960. No entanto, não creio que o povo do Reino Unido tenha qualquer rancor de sua Dama de Ferro. Ao que me lembre, foi ela o primeiro mandatário ocidental a entender o desafio que Sadan Hussein lançava ao invadir o Kwait. Creio que sem sua pressão sobre os EUA e a ONU o Kwait seria até hoje uma província iraquiana. Vou esperar ansioso a estreia do filme no Brasil. Maryul Streep é uma de minhas atrises favoritas, e certamente repetira o desempenho Hellen Mirren em A Rainha. Grande Abraço

alvaro em 24 de novembro de 2011

O grande erro de Tatcher ,e também de Reagan, foi desregulamentar o sistema financeiro. O ser humano, infelizmente, não se auto-regula. Deu na crise do subprime em 2008.

Jeff em 24 de novembro de 2011

Não gosto da politica economica de Thatcher que levou o sistema financeiro mundial a bancarrota. Mas adoro a politica Thatcher que tem convicções e fala o que pensa. Detesto politicos mornos e insossos.

Jeff em 24 de novembro de 2011

Os criticos dizem que o filme é mais pessoal que politico. Com coisa que os telespectadores aguentariam um filme de quase duas horas com temas só de politica. Amor e revolução do SBT aprendeu isso muito bem!

Bruno Guerra em 24 de novembro de 2011

Caro Setti, . Li os comentários dos seus leitores e são muito interessantes. Um menciona o naufrágio economia europeia, e como o Brasil está correndo e com vontade para o mesmo. . De Margaret Thatcher guardo um curto mas intrigante comentário: "o socialismo acaba quando acaba a riqueza dos outros". . No centro da concepção socialista está o conceito da divisão: dividir tudo, a riqueza, os problemas, as injustiças. Assim fica um pouco para cada um. E fica menos do que quer que inicialmente tenha sido. . Existe um outro que é o dos consensos...quando alguma coisa surge e é necessário decidir, tomar partido... vamos arrumar aqui um consenso, dividir a irresponsabilidade daquilo que decidirmos e assim todos seremos culpados pelo desastre que dai irá resultar... . Enfim, se as empresas de sucesso e vencedoras fossem orientadas pela divisão e pelos consensos hoje o mundo seria mais pobre globalmente. E sendo mais pobre, há menos para dividir :) . Abr, BR

Angelo Losguardi em 23 de novembro de 2011

Poxa, achei a tal da entonação da voz dela algo bem tosco. Muito caricato e forçado. Vamos ver como vai ser o filme no fim das contas. Fato é que há mais de 50 anos a esquerda está promovendo uma guerra de valores. E os conservadores, tolos, só pensam em economia. Se esse filme for só mais um panfleto criado pra corroer a imagem dos conservadores, não ficarei surpreso.

Thiago em 23 de novembro de 2011

Esse tipo de coisa eh extremamente comum. Se o sujeito nao for um heroi da esquerda chic - estilo Chico Mendes ou Guevara - os filmes sempre acham uma forma de denegrir a imagem do "homenageado". Foi assim que fizeram com o Reagan nesse ultimo documentario americano, foi o que o Clint Eastwood(!) fez com o Hoover e assim sera com todos os outros. Eh uma forma de reescrever a historia para enganar os que nao presenciaram os fatos. So nao concordo que o Guardian seja de centro-esquerda. Se for, ate o Granma e o Pravda tb sao...

marco loss em 23 de novembro de 2011

O mundo tá muito mal-humorado, vendo implicações de extrema importânca em qq coisa, principalmente se for algo filmado. Q tal assistir e simplesmente apreciar mais um espetáculo de interpretação, assim como no totalmente idiota Diabo Veste Prada?

Marco em 23 de novembro de 2011

Amigo Setti: Aqui no Brasil, essa questão é sempre tratada como pré-eleitoral e impopular,parece q isso não a preocupava , por isso seu sucesso politico, ético e filosófico. Abs.

Marco em 23 de novembro de 2011

Amigo Setti: Uma vez vi um excelente documentario sobre ela, se não me engano no GNT,não me pareceu claro q ela tenha sido a pioneira nas privatizações,mas d um outro modelo a pioneira foi a ex comunista Rússia e outros partidos trabalhadores de esquerda, com os famosos Voucher, q é os q estão nas mãos do PT hoje, além das informações privilegiadas,disfarçadas de difusões de propriedade, ou melhor capitalismo de Estado, com a participação dos fundos de pensões dos trabalhadores e do partido. Esse foi o 1 modelo de privatização Russo, até hoje adotado pelo PT. O modelo de M. Thatcher, é o q FHC utilizou, o capitalismo do Povo, para não haver atraso tecnologico e defasagem nas estatais. Acho esse modelo excelente pq já se tornou consensual no mundo. 1) q reduz a taxa de corrupção, 2)Acaba com os dividendos pífios q não podem ser contestado judicialmente, 3)melhora o fluxo de caixa do governo, 4)Democratiza o Capital. 5) O Governo se concentra apenas no Social. Antitese para isso seria um um filme do Lula e o Brizola a preço de banana. Abs.

Ismael em 23 de novembro de 2011

O que me impressiona é que em menos de 20 anos, e 20 anos é pouco tempo, a Inglaterra e a Europa submergiram numa crise sem precedentes e ao que parece não escaparão de uma nova incursão por políticas de austeridade para sobreviver. Acho que o que M. Thatcher fez foi pouco. Fica evidente que a antítese de um Estado empreendedor (tipo o que temos aqui) foi tão nocivo quanto um Estado liberal. A Europa avançará para um modelo mais moderno, regulador mas enxuto. Porém, antes disso muita gente terá de pagar a conta com desemprego e quebra de algumas empresas e países.

duduvieira10 em 23 de novembro de 2011

Pois é meu prezado RS; Sonho de pobre dura pouco mesmo, vê que ironia do destino; quando a imprensa, os amigos, principalmene o ex-Pres. Lulalá falava sobre a futura Pres. Dilma: Gerentona, Exigente, Durona, Competente, não levava desafora pra casa, eu cá com os meus botões, será ótimo! agora o Brasil entra nos trilhos!! vamos ter uma Dama de Ferro, tipo assim: Margaret Thatcher dos trópicos! mas aí meu caro Setti, acordei, era apenas "Um sonho numa noite de verão" SdS

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