Artigo de 2005: Fim de Jefferson e Severino coloca a crise no lugar

Artigo de 2005: Fim de Jefferson e Severino coloca a crise no lugar Severino Cavalcanti acena após renunciar à Presidência da Câmara, em 21 de setembro de 2005 (Foto: Roberto Stuckert Filho - Agência O Globo)

E mais: Lula e o conhecimento sobre o Mensalão, o fim de Severino, a “musa do mensalinho”, a renúncia do bispo, o polêmico “furo” da Rede Globo, o boné e os trajes de César Tralli, franceses ensinam a “malufar”, Nelsinho Motta x JK – e o que sobrou do partido da ditadura

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Cassado finalmente o mandato do deputado Roberto Jefferson pelo expressivo placar de 313 votos a 156 e devidamente implodido o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), espera-se que os holofotes voltem a dirigir-se ao foco principal da crise: o vasto lamaçal de corrupção que assola o PT e o governo – e, sim, o papel do presidente da República nisso tudo.

A tropelia dos últimos dias, com fatos acontecendo praticamente de hora em hora, caiu do céu para aliviar a pressão brutal sobre o governo – o périplo novaiorquino de um acossado Severino, sua entrevista coletiva no domingo, o suspense sobre o cheque matador que finalmente acabou aparecendo na quarta, dia 14, renúncias e ameaças de renúncia de deputados envolvidos no “mensalão”, liminares obtidas no Supremo Tribunal Federal que atrasarão os processos de cassação, a expectativa do discurso que Jefferson faria na sessão da Câmara desta quarta-feira, 14, e por aí vai.

Os discursos do presidente Lula nos últimos dias e sua grotesca “entrevista coletiva” de 5 minutos, em pé num saguão de hotel na Cidade da Guatemala, de novo atiraram em várias direções, menos na que interessa – até porque os coleguinhas jornalistas não perguntaram o que deveriam (era mais importante saber o que Lula achava do caso Severino, por exemplo). E os temas a serem postos em pratos limpos continuam sendo quatro, expostos nas notas a seguir.

Sabia ou não do mensalão?

Jefferson disse, sem nunca ter sido desmentido ao longo de 100 dias, que preveniu cinco ministros de Lula sobre o mensalão, e que por duas vezes alertou o presidente a respeito do suborno. A revista “Veja” fez um levantamento e concluiu que em cinco diferentes ocasiões relatos sobre a compra de deputados para apoiar seu governo chegaram ao presidente. Se Lula efetivamente sabia e não tomou providências, pode ter incorrido em uma das hipóteses em que a Constituição prevê impeachment: o crime de responsabilidade.

Caixa 2 na campanha?

Três depoimentos prestados em CPIs deixaram claro com todas as letras que houve caixa 2 na campanha de Lula em 2002: os do publicitário Duda Mendonça, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do presidente do PL, ex-deputado Valdemar Costa Neto. Caixa 2 é crime eleitoral.

De onde saiu o dinheiro?

Continua um emaranhado de sinuosidades implausíveis a suposta explicação para o pagamento de uma dívida de 29 mil reais de Lula para com o PT em 2002. Nenhuma versão vinda a público até agora tem o menor poder de convicção. Partido político recebe dinheiro público e não pode, sob pena de violação da lei, emprestar dinheiro a ninguém.

Conflito de interesses

Não tem ainda qualquer explicação razoável como e por que uma gigante das telecomunicações como a Telemar resolveu investir 5 milhões de reais numa empresa de criação de conteúdos para a internet de um filho de Lula que não tinha dinheiro nem tradição alguma no mercado.

Sem Jefferson, Câmara melhora

Sua competência como orador, a boa dose de coragem física que comprovou em diversos episódios e a aura de ídolo pop que adquiriu depois de denunciar o mensalão não elidem a verdade cristalina de que a cassação de Roberto Jefferson não apenas é merecidíssima, como melhora o nível da Câmara dos Deputados.

Sobre a peculiaríssima ética de Jefferson basta recordar que ele cansou de reiterar sua opinião de que é a coisa mais normal do mundo um partido político nomear alguém de “confiança” para o comando de um órgão do Estado para, uma vez ali instalado, correr o pires entre empresas dele dependentes para reforçar cofres partidários.

Tal pai…

Bonitona, bem falante, e visibilíssima durante a concorrida sessão da Câmara que cassou o mandato de Jefferson, a vereadora do Rio de Janeiro Cristina Brasil (PTB-RJ) é nome certo para herdar os votos do pai no ano que vem.

Final do exato tamanho de Severino

É possível que o deputado Severino Cavalcanti, se não renunciar ao mandato, resolva manipular o regimento da Câmara para prorrogar ao máximo sua agonia até a inapelável cassação. São muitas as possibilidades para isso – nem vale aqui entrar em minúcias.

O importante, porém, é que o estapafúrdio Severino politicamente acabou de vez com a comprovação cabal de que embolsava um “mensalinho” desde seus tempos de 1º secretário da Câmara, em 2002, para permitir que o empresário Sebastião Buani continuasse explorando restaurantes na Casa.

Um cheque de 7.500 reais, descontado por uma secretária numa agência do Bradesco. Um final grotesto, de pé-de-chinelo, ao rés-do-chão, perfeitamente adequado ao porte de um político despreparado e indecoroso, cujo ponto alto numa longa carreira de usar cargos públicos como forma de amealhar e distribuir sinecuras foi dedurar, durante a ditadura militar, o padre italiano Vito Miracapillo como “subversivo”, até obter sua expulsão sumária do país.

Missão em Nova York

E tem a viagem de Severino a Nova York, para a “relevante missão” de um encontro de presidentes de legislativos realizado na ONU e sob o guarda-chuva da organização.

Mesmo se nunca tivesse existido o “mensalinho” no currículo do deputado, mesmo que jamais houvesse ocorrido sua patética trajetória como presidente da Câmara, vamos e venhamos: duas passagens de avião de primeira classe para Nova York (para ele e a mulher, Amélia), a companhia de dois assessores, hospedagem num hotelaço (Park Lane, vista total para o Central Park), carro alugado com motorista e outras mordomias – para menos de 5 minutos de um pífio, ridículo discurso de que ninguém no plenário tomou o mais longínquo conhecimento?

Um espanto

Durante sua importante missão, Severino teve “encontros bilaterais” com os presidentes dos parlamentos da Bulgária e da Bielorrússia.

Só Deus sabe o que pode ter sido a pauta dessas conversas.

“Mensalinho” já tem musa

Como é sempre curta no Brasil a distância entre a tragédia e a piada, já há quem tenha escolhido a “musa do mensalinho”. No caso, a bela mulher do empresário Sebastião Buani, Diana, que o acompanhou na entrevista coletiva concedida na sede da Associação Comercial do Distrito Federal. E que depois fez uma aparição no “Jornal Nacional” desta terça, 13.

Buani tem 54 anos e Diana, 30.

Tchau, mandato

A carta de renúncia encaminhada à Mesa da Câmara dos Deputados pelo deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ), o ex-“Bispo Rodrigues” da Igreja Universal do Reino de Deus, um dos envolvidos no escândalo do “mensalão” por ter recebido 400 mil reais do valerioduto, teve tudo de uma confissão adicional de culpa: ele abandona um mandato que lhe fora outorgado nas urnas por nada menos que 190.640 eleitores em 2002 sem uma única linha, ou mesmo uma só palavra, de explicação.

De fininho, não

Ainda que tentando sair de cena de fininho, Rodrigues certamente terá problemas à frente – entre outros, o fato de a deputada Cidinha Campos (PDT-RJ) ter-lhe imputado, em depoimento à CPI dos bingos, gravíssimas acusações por crimes de corrupção e assassinato.

O repórter de boné preto

Sobra bordoada para a Rede Globo e para o jornalista César Tralli por causa do visível privilégio – para dizer o mínimo – obsequiado pela Polícia Federal à poderosa organização e a seu repórter na espetaculosa cobertura da prisão de Flávio Maluf, filho do ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) – igualmente atrás das grades, após ter-se apresentado voluntariamente à PF –, por suposta intimidação de testemunha num processo que sofrem por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Tralli teria conseguido o furo lançando mão da esperteza de usar trajes semelhantes aos agentes da PF, inclusive óculos escuros e o célebre boné preto. A história da Carochinha, porém, não se sustenta. Misturar-se a experimentados policiais sem ser notado? É piada. E pegar carona num carro da polícia, com sirene ligada e tudo, conduzindo preso o filho de Maluf é algo que atropela as linhas que devem separar, com rigor absoluto, as profissões de jornalista e de policial.

Todo furo tem um preço. Certos preços, porém, o jornalista não pode pagar.

O boné estrangeiro do PF

O boné e os trajes de César Tralli ainda vão dar muito o que falar. Mas passou batido um segundo boné, esse de uso absolutamente descabido numa operação oficial, que apareceu durante o transporte de Paulo Maluf da sede do Instituto Médico Legal de São Paulo – onde se submeteu a exame para constatar sua incolumidade física – para a cela que ocuparia na Superintendência da Polícia Federal.

Um dos federais da escolta de Maluf, em vez de ter na cabeça o boné preto com o escudo da PF, usava um outro, do Tsahal – as Forças de Auto-Defesa de Israel, com inscrição em hebraico e inglês.

É a glória

O “Le Monde” explicou aos leitores o significado do verbo “malufar” (“malufer”, em francês, na adaptação feita pelo venerando jornal).

Mais uma vez, a Europa se curva diante do Brasil.

Com saudades da ditadura

Não tendo conseguido visitar na PF o amigo Maluf, a quem levava uma cesta com quibes e quindins, o deputado estadual Salim Curiati (PP-SP) protestou contra a prisão do ex-prefeito e o tratamento a ele conferido, e sentenciou:

– Estou com saudades da ditadura.

Deve estar mesmo. Pois só mesmo na ditadura um político inexpressivo, medíocre e sem votos como ele poderia ter sido, como foi, prefeito biônico de São Paulo (1982-1983).

Pausa verde

Será na próxima segunda-feira, 19, o lançamento do livro “Mata Atlântica – Vinte razões para amá-la” (Musa Editora, 104 págs., capa dura, R$ 69,00), da jornalista e ambientalista Regina Helena de Paiva Ramos, com prefácio do igualmente jornalista Marcos Sá Corrêa, colunista do nosso NoMínimo.

Com fotos da autora, aborda a história, o folclore e a utilização, na culinária tradicional e na medicina popular, de vinte espécies da floresta de maior biodiversidade da Terra – que é também, como se sabe, a mais ameaçada –, e mostra como elas influenciaram grandes nomes da arte brasileira, do poeta romântico do século 19 Gonçalves Dias ao compositor Tom Jobim.

Não ao “casuísmo do bem”

Ninguém vai contestar o caráter meritório do movimento iniciado com o manifesto “Da Indignação à Ação”, lançado dias atrás em São Paulo com o objetivo de mobilizar a sociedade, exigir a punição dos envolvidos no escândalo do “mensalão” e correlatos e discutir, em encontros públicos, propostas para um projeto de ampla reforma política.

Reunindo juristas, professores, ex-ministros, políticos da ativa ou já fora da vida pública e setores da igreja católica, o grupo, porém, defende uma proposta indefensável: que o prazo constitucional para alterar a legislação eleitoral e partidária para as próximas eleições – que se encerra no dia 30 próximo – seja estendido por uma emenda de urgência à Constituição, de modo a haver tempo de se discutir e implementar mudanças nas leis.

Não importa o objetivo, trata-se de um casuísmo. Quer dizer que “casuísmo do bem” vale?

Azeredo sumiu na hora H

Pegou mal, muito mal que o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) – acusado de ter usado dinheiro de caixa 2 em sua tentativa de se reeleger governador de Minas em 1998 – tivesse sumido de cena na hora da entrega coletiva, por presidentes de quatro partidos de oposição, do pedido de abertura de processo contra Severino no Conselho de Ética da Câmara.

O PSDB, contudo, integra o pedido porque Azeredo, embora sem dar as caras, assinou a papelada como presidente do partido.

Lá é lá, aqui é aqui

Empossado há sete meses como o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai, Tabaré Vázquez tem em mãos, para providências cujos detalhes ainda não anunciou, um relatório produzido pelos comandantes das Forças Armadas sobre a ação dos militares durante a truculenta ditadura que oprimiu o país entre 1973 e 1985.

Enquanto isso, no Brasil…

Tradição x suspeição

É inacreditável que um juiz de Direito use argumentos desse tipo, mas foi o que fez o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Colasso, ao afastar suspeitas de existência de conflitos de interesses no fato de o Banco do Brasil ter investido 3 milhões de reais entre 2001 e 2004 para patrocinar eventos promovidos por associações de juízes, de procuradores da República e de policiais federais.

A AMB, cujos integrantes julgam incontáveis causas em que o Banco do Brasil é parte, recebeu 1,4 milhão do BB para custear dois congressos nacionais de juízes em capitais aprazíveis, Natal (RN) e Salvador (BA). Na nota com que respondeu à divulgação das cifras, levantadas pela CPI dos Correios, Colasso, a certa altura, refere-se ao “(…) Banco do Brasil, cuja tradição secular elimina suspeições (…)”.

Desde quando “tradição secular” elimina suspeição de quem quer que seja?

Números relevantes

O Brasil recicla 1 milhão de latas de alumínio por hora.

Números irrelevantes

Pesa 1,5 tonelada a escultura da cabeça do ex-presidente Juscelino Kubitschek em pedra sabão, incrustada na fachada leste do Museu Histórico de Brasília, na Praça dos Três Poderes.

Nelsinho Motta x JK

Por falar em JK, o que será que deu no jornalista Nelson Motta? Como se faltassem criticáveis vivos na política, baixar o pau no ex-presidente Juscelino por ter… construído Brasília, inaugurada há 45 anos?

Nelsinho volta a argumentos muito utilizados pelo falecido Gustavo Corção, como a “conta impagável” da construção da capital.

Deixa de levar em consideração, porém, que, goste-se ou não de Brasília e do que ela representa, enxerguem-se ou não seus defeitos, JK alcançou plenamente o objetivo de ocupar o enorme interior despovoado do país: algo como 20 a 25 milhões de brasileiros vivem e trabalham hoje nos diversos Estados situados no “arco de influência” propiciado pela construção de Brasília e por sua crescente interligação rodoviária com o restante do país.

Sobra pra elas

Pobres secretárias de envolvidos nos atuais escândalos em Brasília.

Na plenitude da era dos telefones celulares, quando até de aldeias de índios perdidas no Alto Xingu se consegue falar com Nova York ou Paris, precisam jurar a jornalistas que não conseguiram encontrar seus chefes, que perderam contato com eles durante o fim de semana, que eles estão em alguma missão no interior, inatingíveis.

Cavalo de Tróia no blog de Cesar

O título da nota parece referir-se à Antigüidade, mas não: um cavalo de Tróia se instalava no computador de quem acessasse o site mantido pelo prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL). A informação, com base em aviso do Blog do Spyk, veio do leitor Sérgio Maidana, que pediu que a coluna fizesse um alerta a eventuais outros leitores.

Consultado, o prefeito confirma que o problema, sim, ocorreu, mas já está solucionado. “Nossa Juventude, que gera o blog, pegou”, conta Cesar Maia. “Estava no numerador, que por isso foi retirado.”

O prefeito vê um lado positivo na chateação:

– Quando atacam o blog fico até vaidoso, pois quem o faz acha que o blog está produzindo opinião.

Questão racial no “Family Feud”

É mesmo complicada a questão racial no Brasil, comprovou mais uma vez o programa de TV “Family Feud”, do SBT. Trata-se de uma espécie de jogo de família contra família (cinco integrantes cada), em que cada uma responde a perguntas cujas respostas devem corresponder ao que internautas previamente consultados consideram certas.

Um dia desses, enfrentavam-se duas famílias: uma de pessoas brancas, outra de pessoas negras. O apresentador Silvio Santos, como muitas vezes faz, perguntou a uma e outra famílias de onde tinham vindo seus antepassados. Uma integrante da família branca esclareceu: Itália. A da família negra retrucou: Portugal.

Não passou pela cabeça da jovem da família negra, nem dos demais parentes, incluir a África na resposta.

O PPB a caminho do fim

Com a debandada em seus quadros – deputados federais renunciando ou sendo cassados, um de seus principais quadros, o deputado Delfim Netto (PP-SP), arrumando as malas rumo ao PMDB, e até seu presidente de honra, Paulo Maluf, pretendendo filiar-se ao PTB levando muita gente quando sair da cadeia –, o PP dificilmente passa incólume pela peneira das próximas eleições.

Parece estar no fim.

É o que sobrou do partido da ditadura

Se assim for, terá sido a morte morrida do partido político nascido para apoiar a ditadura militar, a Arena, de que o PP, sob o disfarce do nome Partido Progressista – um dos vários que adotou ao longo dos anos –, é o legítimo herdeiro. Falecimento que terá demorado um bocado, e se dará 20 anos depois do fim do regime militar.

A Arena surgiu no começo de 1966, em seguida à extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, no final de 1965. Em 1979, depois de emenda constitucional que instituiu a liberdade partidária mas extinguiu os dois partidos existentes, Arena e MDB, metamorfoseou-se em Partido Democrático Social (PDS), e continuou levando o barco.

Para disfarçar mais um pouco, e então há muito controlado por Maluf, em 1993 virou Partido Progressista Reformador (PPR), aproveitando uma fusão com o minúsculo Partido Democrata Cristão (não o velho PDC de Franco Montoro, Paulo de Tarso e outros líderes históricos dessa corrente, mas uma contrafação de um único proprietário, o ex-deputado José Maria Eymael).

Recauchutagem e cirurgia plástica

Mais adiante, em 1995, nova fusão – dessa feita com o então Partido Progressista (PP), estranha mistura liderada pelo hoje senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o atual governador Joaquim Roriz (PMDB-DF), e ainda um certo Partido Republicano Progressista (PRP). Da nova recauchutagem apareceu o Partido Progressista Brasileiro (PPB). Como o PPR reunia remanescentes do velho ademarismo e integrou-se a um partido comandado por Maluf, críticos alfinetaram que o PPB enfim havia juntado duas históricas correntes do “rouba, mas faz”.

Finalmente, no começo de 2003, em nova cirurgia plástica que lhe conferiu também cores e logotipo novos, o PPB tornou-se o que é hoje: o Partido Progressista (PP), a que a crise do mensalão aplicou o beijo da morte.

Vermelhidão

Sabe-se lá onde o radicalismo da ala ultra-esquerda do PT vai parar. Veja-se o caso do ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, candidato da tendência Ação Popular Socialista à presidência do partido, nas eleições deste domingo, 18. Indagado pela “Folha de S. Paulo” sobre se Lula tem culpa ou é vítima da crise, optou pela culpa, em razão do gravíssimo crime de “ter aceito a idéia de ir para o poder através da via eleitoral e do marketing”.

Está certo que o ex-deputado não goste do marketing político. Muita gente também não, e existem boas razões para isso. Mas criticar Lula por “aceitar” a via eleitoral? O que é que o veterano político queria? A luta armada?

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