Vejam que loucura essa modalidade de esporte radical: o base jumping. Aqui, os participantes saltam de penhascos altíssimos, próximos a paredões de rocha pura, apenas com uma vestimenta especial, larga, que lhes confere o formato de objeto — ou ser — voador.

Trata-se da dificílima World Base Race, que desde 2008 se realiza próximo à cidadezinha de Innfjorden, no oeste da Noruega.

A disputa mostrada neste post foi narrada pelo site Environmental Graffiti, e as fotos são de Ivar Brennhovd.

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Dois participantes, lado a lado, esperam o sinal para começar a  corrida. A dose cavalar de adrenalina nesta competição é muito mais alta do que a da maioria dos outros esportes, já que a turma despenca 750 metros (2.500 pés) precipício abaixo, e um movimento errado pode significar despedaçar-se implacavalmente nas pedras do paredão.

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Na World Base Race disputa-se o título de “O ser humano voador mais rápido do mundo”.

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Base jumpers, os praticantes desse esporte radicalíssimo, acorrem do mundo todo a Innfjorden para competir: alguns são sérios concorrentes, enquanto outros participam apenas para se divertir. Muitos vêm apenas para assistir ao espetáculo emocionante, num cenário estupendo.

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Base jumping (base é um acrônimo do inglês das palavras edifícios, antenas, vãos e terra) nasceu oficialmente quando dois jumpers norte-americanos, Phil Smith e Phil Mayfield, saltaram de um arranha-céu em Houston, no Texas, em 1981.

A dupla já havia realizado saltos bem-sucedidos de antenas, vãos (pontes) e terra (falésias), e ao voar saindo do topo de um prédio foram os primeiros fazê-lo a partir de quatro tipos de plataformas diferentes. Desde então, o esporte evoluiu para incorporar equipamentos especializados, tais como wingsuits, esses trajes tipo Batman.

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Na foto acima, os dois concorrentes se prepararam para o longo voo livre.

Apesar das muitas melhorias nos padrões de segurança dos equipamentos, o base jump continua a ser uma atividade de alto risco e é significativamente mais perigoso do que o paraquedismo: mesmo levando paraquedas de segurança, a altitude muito menor percorrida pelos jumpers nos saltos significa a existência de uma margem de erro muito menor.

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O alto risco pode ser medido pela estatítstica da Noruega: um morto para cada 2.317 saltos entre 1995 e 2005. A partir da disputa da World Base Race, porém, nenhum acidente foi registrado em quatro anos e sete disputas.

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O lançamento inicial da plataforma é um momento crucial para os jumpers. Uma saída em falso ou sem o necessário impulso pode não propiciar tempo para corrigir o erro, diminuindo as chances de os paraquedas funcionarem adequadamente.

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Uma queda no início de um salto representa riscos adicionais. Skydivers têm muito mais tempo para construir a sua velocidade e trajetória, o que lhes permite controlar a descida. Base jumpers podem ter apenas alguns poucos segundos preciosos para acessar seus paraquedas, além de saltarem quase sempre próximos a uma parede sólida (pedra, aço ou concreto).

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O início da competição é a fase de qualificação, na qual os saltos de todos os participantes são cronometrados.

Seus tempos são usados ​​para selecioná-los e emparelhá-los com seus concorrentes para a eliminação. As duplas, em seguida, disputam uma chance nas próximas rodadas. A cada dupla que salta, o perdedor é eliminado, até que o campeão geral é coroado.

Não há categoria separada para homens e mulheres, e no final só pode haver um “Ser humano voador mais rápido do mundo”.

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Na World Base Race o vencedor não é pontuado por suas habilidades, mas puramente pela velocidade. Certamente é a única competição no mundo cujo objetivo é acelerar o máximo possível em direção ao chão – partindo de uma grande altura!

Desde o lançamento a partir das rampas de saída, os competidores devem fazer um caminho na vertical e, mais adiante, horizontalmente, sobre uma linha de chegada esticada entre duas árvores.

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No local onde estas fotos foram feitas, a distância horizontal até a linha é quase a mesmo que a da queda, ou drop – 800 metros (cerca de 2.600 pés). As duas distâncias são percorridas em cerca de 30 segundos, dependendo do atleta.

Para alcançar a linha de chegada, os competidores devem seguir um caminho mais ou menos mapeado, e acessar seu paraquedas no final para garantir uma aterrissagem segura. Cem metros depois da linha de chegada há um fiorde, proporcionando a segurança extra de um pouso na água para aqueles que abrem seus paraquedas a pouca altitude.

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Os organizadores do concurso salientam a importância da segurança no evento. Jumpers que, durante a queda livre, acessam seus paraquedas muito próximo ao fim do trajeto ou perdem o controle do dossel são imediatamente desqualificados.

A World Base Race certamente não é para todos. Antes de tentar isso, os concorrentes são aconselhados a ter completado mais de 100 saltos de base e pelo menos 50 saltos com wingsuit feitos de um avião. O slogan da competição diz tudo: “Conheça os seus limites”.

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Veja agora o vídeo do World Base Race 2011:

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5 Comentários

Alencar em 24 de janeiro de 2014

Ricardo, a múscia se chama Free Bird e é um dos hits mais tocados do Lynyrd Skynyrd. Valeu fera.

Paulo Roberto Nogueira em 16 de outubro de 2012

Espetacular. Esse blog é ótimo pela variedade de assunto. Obrigado, caro Paulo. Volte sempre!

Paulo Roberto Nogueira em 15 de outubro de 2012

Sensacional!!!!

Antony em 26 de abril de 2012

Isso que chamo de viver(ou voar) perigosamente!!!

Ricardo em 26 de abril de 2012

Primeiramente parabens pela matéria,gostaria de saber de quem é a trilha sonora do video. Grato

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