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Jogadores do Borussia Dortmund agradecem apoio da torcida após jogo: não é qualquer um que encara o Signal-Iduna Park lotado (Foto: EFE)

Apesar da derrota de ontem para o Real Madrid por 2 x 0, no fervilhante Estádio Santiago Bernabéu, em Madri, que timaço, o do Borussia Dortmund, não? Aqueles 4 x 1 sobre o Real na semana passada foram espantosos. E, com uma defesa de ferro, em que se sobressai o zagueirão Hummels, cobiçado pelo Barcelona, um técnico ousado e criativo, craques como Götze ou Lewandowski, um futebol veloz moderno e — vejam bem — uma média de idade de apenas 24 anos, esse time, se não for desmontado, vai longe.

A caminhada passará por duro teste no dia 25 de maio, finalíssima do melhor campeonato de clubes do mundo, a Liga dos Campeões da Europa.

Se a torcida do Real ontem teve um comportamento espetacular, a do Borussia, na semana passada, não foi diferente. Chama a atenção o impressionante estádio do time, Signal-Iduna Park, que mais lembra um “alçapão” sul-americano clássico como La Bombonera, do argentino Boca Juniors, do que as típicas arenas europeias.

Parede humana

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Parece La Bombonera, mas não é (Foto: Borussia Dortmund)

Imenso, o estádio tem capacidade de até 80 mil espectadores, e por isso é considerado o maior da Alemanha e um dos maiores da Europa (dependendo do critério, chega a ser o quarto). Seus dois níveis de arquibancadas são altíssimos e bastante inclinados, o que gera uma “parede” humana negra e amarela  – as cores do clube – de intimidar qualquer equipe grande.

A estes elementos se agrega a fidelidade dos torcedores, que sempre lotam suas dependências: na temporada 2011-2012 quebraram recorde germânico com o total de 1,37 milhões espectadores.

Tudo isso ajuda a entender a presença do Borussia Dortmund no 13º lugar da recém-publicada lista da revista Forbes de clubes de futebol mais ricos do mundo (a mesma que trouxe o Corinthians em 16º).

A Seleção Brasileira jogou lá – em duas copas 

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O estádio em foto de arquivo de data desconhecida, quando ainda se chamava Westfalenstadion e não passara pela reforma para a Copa de 2006

A semifinal do Borussia Dortmund contra o primeiro colocado deste ranking de times ricos, o Real Madrid de José Mourinho, não foi, é claro, a primeira vez que este estádio recebeu um grande evento futebolístico.

Erguido em 1974 com o nome Westfalenstadion, em referência ao Estado alemão de Renânia do Norte-Vestfália – do qual Dortmund faz parte – foi sede das duas copas organizadas pelos alemães, a daquele ano e a de 2006 (já rebatizada).

Os brasileiros com memória talvez recordarão: na copa de 1974, a Holanda de Johan Cruyff despachou o Brasil lá; trinta e dois anos depois, em 2006, a Seleção teve mais sorte, vencendo as partidas contra o Japão (4×1) e Gana (3 x 0) no estádio.

Venda e recompra

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Vista aérea do estádio em imagem recente (Foto: Borussia Dortmund)

Curiosamente, o clube quase chegou ao mundial de 2006 sem ser mais o dono do estádio. Com graves problemas financeiros, em 2002 o Borussia teve que vender o Westfalenstadion para um grupo de investidores.

A solução só viria três anos depois quando seus dirigentes chegaram a um acordo para a recompra em parcelas, reforma e a venda dos naming rights da arena, ou seja, a atribuição do nome de uma empresa ao estádio em troca de pagamento. Até 2021 ela se chamará Signal-Iduna Park, o nome de uma companhia de seguros alemã em troca de quantia estimada em 4,5 ou 5 milhões de euros anuais (algo entre 11,8 e 13 milhões de reais).

Assistam abaixo a um vídeo produzido pelo clube para mostrar as dependências do Signal-Iduna Park e a festa promovida pela torcida. Para quem pensava que os alemães eram “frios” neste quesito, recomendo saltar diretamente ao tempo 4’20” do clipe.

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4 Comentários

Tcheves em 02 de maio de 2013

Setti, a torcida do Borussia é a mais atleticana das torcidas europeias. Fanática demais. Quanto ao estádio, penso diferente. Não parece quase nada com a Bombonera, nem na inclicação. A Bombonera tem menos da metade da capacidade que o estádio alemão e a inclinação do anel superior é tamanha, que demanda guarda corpo. Temos inclinação parecida com a Bombonera no anel superior no novo Mané Garrincha e no anel superior do Independência. Sim, a Bombonera é menor, e muito mais subdesenvolvida. Mas um lembra um pouco o outro. Foi só isso que quis dizer. E amigos meus, alemães ou brasileiros que lá estiveram, me contaram que lembra de alguma forma o glorioso estádio do Boca.

João em 01 de maio de 2013

Ricardo Setti. Essa torcida do Borussia Dortmund é fantástica! E o clube também tem ingressos a preços populares. Coisa que os nossos dirigentes não pessam em fazer. Eu gostaria que você fizesse um texto sobre a vergonha que a FIFA quer fazer em mudar o nome do jogador mais importante da história das Copas do mundo, Mané Garrincha. 1958 e 1962 principalmente quando Pelé se machucou e ele praticamente sozinho ganhou a Copa para nós fazendo gol de tudo quanto é jeito! Vai se catar FIFA! Um abraço e até a próxima. Não entendi, caro João. A Fifa quer mudar o nome do quê? Se você estiver se referindo ao Estádio Nacional de Brasília, que se chamava Estádio Mané Garrincha, a decisão oficial foi a de denomina-lo Estádio Nacional Mané Garrincha. Abraço

carlos nascimento em 01 de maio de 2013

Não dá pra resistir. Bayern 7 x 0 Barcelona. Uma aula de futebol, tático, técnico, emocional, de entrega, etc....E agora, será que vamos continuar falando do pessoal da marginal do Tietê ??? paciência tem limite. Não ofenda o Timão, que joga o futebol mais moderno do Brasil, Carlos. Dentro de minutos sai um longo post sobre a possibilidade de o campeonato alemão tornar-se a grande referência do futebol. Abraço

Marco em 01 de maio de 2013

Don Setti, Como de praxe comentou fielmente o q aconteceu em campo, ontem. Não vi os dois jogos, então fui perguntar para um amigo hj e ele me relatou exatamente o q tu "disse". E meu amigo, para aumentar tua aflição para o dia de Hj, e demais esportistas. Em libertadores,ou mata-mata. O 1 jogo é q decide. Quem sair vivo ou matar bem. Praticamente passa... Outra coisa uma aula de como se deve comportar uma torcida passional de futebol, num estádio. Belo vídeo educativo. E a Bamboneira hj vai pulsar. Espero q em paz! Abs. Eu também. Os torcedores na Europa, mesmo os mais fanáticos, já não praticam violência nos estádios, depois de uma série de providências tomadas pela Uefa e pelas autoridades dos diferentes países. Ainda há grupos violentos e baderneiros, mas estão sempre sob vigilância e são alvo de medidas preventivas. Abração!

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