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Uma antena do supertelescópio ALMA transportada do centro de operações, a 2.900 metros de altitude, até seu lugar definitivo em Chajnantor, no Chile, a 5 mil metros de altitude (Foto: Carlos Padilla / ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

Se quiserem ver as fotos deste post em tamanho maior, basta clicar em cada uma delas

Por Rita de Sousa

O telescópio ALMA (Atacama Large Milimeter/Sub-milimeter Array) é um projeto ambicioso.

Desde o século passado, em 1995, astrônomos europeus, norte-americanos e japoneses estudam a possibilidade de construir grandes conjuntos de radiotelescopios milimétricos/submilimétricos e discutem diferentes tipos de observatórios possíveis.

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O McNaught, que foi visível na Europa e no Hemisfério Sul em janeiro de 2007, foi capturado novamente pelo supertelescópio no Chile (Foto: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

Foi depois de investigações minuciosas, e o consenso que uma comunidade sozinha não teria condições de realizar tal façanha, que encontraram terreno propício no Chile.

A 5 mil metros acima do nível do mar, com clima extremamente seco, o Planalto de Chajnantor, porção do deserto do Atacama nos Andes chilenos, propicia observação rara, já que em outras paragens da Terra a umidade impede a obtenção de imagens de alta definição de lugares distantes na imensidão do espaço.

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Uma majestosa vista da miríade de estrelas e poeira que formam a Via Láctea, e que nesta imagem se derrama sob o céu de Chajnantor, no Chile (Foto: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

Após muito estudo, investimento e perseverança, finalmente foi inaugurado, em março, o ALMA, um conjunto de 66 antenas com tecnologia de ponta para observar o universo através de ondas de cumprimento milimétricos e submilimétricos, mil vezes mais longos do que comprimentos de ondas visíveis.

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Diagrama do efeito da lente gravitacional em galáxias distantes com formação estelar. Mostra como a luz de galaxias distantes se distorce pelo efeito gravitacional de uma galáxia mais próxima da Terra, que atua como uma lente e faz que a fonte mais distante pareça distorcida, mas mais brilhante, formando característicos anéis de luz, conhecidos como anéis de Einstein. Uma análise da distorção revelou que algumas galaxias distantes com formação estelar são tão brilhantes como 40 milhões de milhões de sóis, e têm sido aumentadas pela lente gravitacional mais de 22 vezes (Imagem: L. Calçada (ESO), Y. Hezaveh / ALMA / ESO / NRAO / NAOJ)

Trata-se de um projeto astronômico (literal e figurativamente), um telescópio gigante e único, resultado de uma parceria entre a Europa, América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com o Chile.

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Uma equipe de astrônomos, utilizando o ALMA, pode detectar a localização de mais de 100 das galáxias com maior formação estelar no universo. Esta imagem mostra uma seleção destas galáxias. As observações do ALMA, em medidas submilimétricas, se mostram em laranja/vermelho e deixam ver uma imagem infravermelha da região observada com a câmara IRAC, instalada no telescópio espacial Spitzer. O melhor mapa que se havia feito até o momento dessas poeirentas galáxias distantes foi produzido pelo telescópio APEX (Atacama Pathfinder Experiment), mas as observações não eram suficientemente precisas para identificar essas galáxias de maneira inequívoca em imagens captadas em outros comprimentos de onda. O ALMA demorou apenas alguns minutos para localizar cada uma delas em região equivalente a 1/200 da maior mancha do APEX, e com uma sensibilidade 3 vezes maior (Foto: J. Hodge et al., A. Weiss et al. / ALMA / ESO / NAOJ / NRAO / NASA / Spitzer Science Center)

Entre observações inimagináveis na incessante busca à origem do Universo, o ALMA já detectou galáxias dos tempos iniciais do Universo, ou seja, detectou, em meio a poeira que tornam opacas muitas observações, mais de 100 galaxias com maior formação estelar no universo.

Agradecemos ao leitor Renato Carvalho a sugestão deste post.

Este vídeo, de 16 minutos, apresenta o ALMA desde as suas origens décadas atrás até os primeiros resultados científicos recentes

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Esta impressão artística mostra o disco de gás e poeira cósmica ao redor da jovem estrela HD 142527. Graças ao ALMA, astrônomos podem ver grandes correntes de gás que fluem através de um espaço vazio no disco. Estas são as primeiras observações diretas destas correntes originadas, segundo se acredita, por planetas gigantes que capturam o gás na medida em que crescem, e que constituem uma etapa-chave no nascimento desses corpos celestes (Foto: M. Kornmesser / ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

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Esta imagem mostra a estrela-anã marrom ISO-Oph 102, na região de formação estelar de Rho Ofiuco. Sua posição está marcada com uma cruz. Esta imagem em luz visível foi criada a partir de imagens capturadas pela sonda Digitized Sky Survey 2 (Foto: Davide De Martin / ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

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Observações realizadas com o ALMA revelaram a existência de uma inesperada estrutura espiral em material que rodeia a velha estrela R Sculptoris. Esta forma nunca tinha sido vista antes e provavelmente se deve a uma estrela companheira oculta orbitando a R Sculptoris. A informação proporcionada pelos novos dados descobertos pelo ALMA revelam a presença de um “envelope” em volta da estrela, que aqui vemos como um anel circular exterior, assim como uma estrutura espiral muito clara em material do interior (Foto: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

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Uma equipe encontrou moléculas de glicolaldeído – uma forma simples de açúcar – no gás que envolve uma jovem estrela binária de massa similar ao nosso sol, chamada IRAS 16293-2422. É a primeira vez que se encontra açúcar ao redor de uma estrela desse tipo, descoberta que demonstra que os componentes básicos da vida se encontram no lugar e no momento certo para se incorporar aos planetas que se formam próximos a uma estrela. Esta imagem mostra a região de formação estelar Rho Ophiuchi, captada por luz infravermelha pelo WISE (Wide-field Infrared Explorer) da NASA. IRAS 16293-2422 é o objeto vermelho ao centro do pequeno quadrado. A imagem insertada é uma ilustração da estrutura molecular do glicolaldeído (C2H4O2). Os átomos de carbono estão representados em cinza, enquanto os de oxigênio aparecem em vermelho e os de hidrogênio em branco. Na imagem infravermelha, as cores azul e turquesa representam a luz emitida em comprimentos de onda de 3,4 e 4,6 micrômetros, proveniente principalmente de estrelas. O verde e o vermelho representam a luz em comprimentos de 12 e 22 micrômetros, respectivamente, emitida em sua maioria por poeira (Foto: ESO / L. Calçada y NASA / JPL-Caltech / Equipo de WISE)

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Esta nova imagem da galáxia elíptica gigante Centauro A combina observações do ALMA com observações em luz visível da mesma galáxia. As novas observações do ALMA, representadas como uma gradação de azul nesta imagem, revelam a posição e o movimento das nuvens de gás na galáxia. Tratam-se de observações mais detalhadas e sensíveis já realizadas, e o ALMA foi configurado para detectar sinais de comprimento de onda aproximada a 1,3 milímetros, emitidas por moléculas de gás de monóxido de carbono. O movimento do gás na galáxia, refletido nas mundanças de cor nesta imagem, provocam leves mudanças no comprimento de onda devido a um fenômeno denominado efeito Doppler. As cores violeta e azul escuro marcam o gás que se destaca e o celeste corresponde ao gás que se afasta. Pode-se deduzir que o gás localizado à esquerda do centro da galáxia se aproxima de nós, enquanto que o gás da direita se distancia, do que se infere que o gás orbita ao redor da galáxia. As observações do ALMA estão superpostas a uma imagem ótica do Centauro A produzida pelo WFI (Wide Field Imager) do telescópio de 2,2 metros de MPG/ESO instalado no observatório La Silla, do ESO no Chile

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Esta imagem mostra o anel de poeira ao redor da brilhante estrela Fomalhaut, visto pelo ALMA. A zona azul mostra uma imagen anterior obtida com o telescópio espacial Hubble, da NASA/ESA. A nova imagem do ALMA forneceu aos astrônomos uma informação fundamental para dar um passo adiante no conhecimento de um sistema planetário próximo e proporcionou respostas importantes sobre como esse tipo de sistema se forma e evolui. E isso porque o ALMA só observou a parte do anel. (Foto: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO :: Imagen de luz visible: telescópio espacial Hubble de NASA/ESA)

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Esta imagem de múltiplos comprimentos de onda mostra as duas galaxias espiral em colisão chamadas Antena, de onde se aprecia a evolução dos processos de formação de estrelas. A agitação gravitacional provocada por essas duas grandes e densas espirais que se fundem uma na outra destrói as formas das duas galáxias e provoca a colisão de nuvens de gás e poeira nas regiões onde se formam novas estrelas. Aqui vemos linhas curvas cheias de estrelas e gás, semelhantes a largas antenas de insetos. As estrelas mais antigas têm um brilho branco claro, enquanto o gás, observado em longitudes de onda de rádio, se vê em azul. (Foto: J. Hibbard / NRAO / AUI / NSF :: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO :: HST /NASA / ESA / B. Whitmore STScI :: NOAO / AURA / NSF)

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Esta figura mostra a espiral NGC253, com uma imagem ótica de toda a galáxia à esquerda. As imagens preliminares do ALMA mostram nuvens de gás densas no centro da galáxia: o painel central mostra a linha de CO J=2-1 a 230 GHz, enquanto o painel da direita mostra a emissão do contínuo junto com a linha de CO J=6-5 a 690 GHz superposta (contornos). A pequena elipse no extremo inferior esquerdo de cada imagem indica a resolução angular, que na prática representa o tamanho do feixe formado quando se combinam os sinais das antenas. Foram utilizadas seis antenas para as observações em 230 GHz e apenas quatro em 690 GHz.

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Imagem do centro galáctico criada a partir da combinação de dados do ALMA e do VLA (Very Large Array). O buraco negro supermassivo está marcado com seu símbolo tradicional Sgr A*. As áreas azuis e vermelhas, detectadas pelo ALMA, delatam a presença de monóxido de silício, uma indicação do processo de formação de estrelas. As áreas azuis apresentam as velocidades mais altas, de até 150-200 quilômetros por segundo. A área verde, correspondente a dados obtidos com o VLA, mostra gás quente ao redor do buraco negro e representa uma área de 3,5 por 4,5 anos-luz (Foto: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO)

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A nebulosa de Órion

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Antenas do ALMA sob o belo céu do deserto de Atacama

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Grupamento de antenas do ALMA nos Andes chilenos

 

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11 Comentários

ANTONIO HERICO DE PONTES em 19 de outubro de 2014

impressionantes imagens ,que só demonstram a existencia de um DEUS TODO PODEROSO

jotapai em 17 de maio de 2013

Caro Setti: Belíssimas imagens que mostram nossa pequenez diante desse assombroso espetáculo que é o universo. Abraço

Corinthians em 16 de maio de 2013

Setti, Obrigado por continuar a colocar este tipo de post em seu blog. Realmente impressionante,

neil.ferreira em 16 de maio de 2013

SR EDITOR A verdade está lá fora.

Renato Carvalho em 16 de maio de 2013

Quem agradece sou, Setti, por você nos presentear diariamente com essa magnífica revista eletrônica de altíssimo nível – não estou exagerando! – onde se cultivam os mais nobres valores como beleza, verdade, criatividade e humor. Parabéns!

P Faustini em 16 de maio de 2013

Frente a estas imagens até o Lulla se acha pequeno eheheh

Kitty em 16 de maio de 2013

Olá caro amigo Ricardo, É impossível não passar por aqui nesta seção, sem nos surpreender com a variedade dos temas, um mais empolgante que o outro.O vídeo sobre o começo do projeto ALMA é impressionante pela abrangência da pesquisa. Sucinta, mas muito interessante a matéria. Impressiona os poderosos telescópios que escrutinam o Cosmos na incessante busca de algum sinal, por minimo que ele possa vir a ser e, que pode levar, ao descobrimento de algum fato novo sobre a origens cósmicas. As fotos são realmente de tirar o fôlego e as achei, também, muito instrutivas e interessantes. Sou daquelas pessoas que acreditam que há outras vidas nessa incomensurável vastidão que é o espaço sideral. Espero que algum dia possamos saber que esta possibilidade não é ciência ficção, mas sim um fato verdadeiro! Um abração, Kitty

moacir em 15 de maio de 2013

Setti, Obrigado a você e ao Renato por este post.Eu havia lido,em março,sobre a inauguração do ALMA,mas essas imagens são de tirar o fôlego.É como se tivessem inventado o fogo - ou a luz elétrica? - na busca das origens do Universo. Abraço

SergioD em 15 de maio de 2013

Ricardo, quando estive no Atacama em 2011, presenciei o transporte de pelo menos duas dessas antenas pela estrada. A foto no post não dá a sua dimensão real. Sugiro um post sobre o moderno Observatório do Monte Paranal.

Fernando Lins em 15 de maio de 2013

Complementando: é incorreto usar a expressão "x" vezes menor, quando "x" for igual ou maior que um, pois "vezes" significa multiplicar, e portanto não pode descrever alguma coisa menor em relação a outra. É ilógico dizer que algo é "x" vezes menor, pois implica numa dimensão negativa. Este erro decorre da preguiça de ou pior, ignorância de como usar frações. Na matéria, ao invés de dizer "200 vezes menor" diga-se "1/200" ou "um duzentos avos" que é o termo correto. Perfeito, caro Fernando. Muito obrigado.

Fernando Lins em 15 de maio de 2013

Sr. Ricardo Setti, sou leitor assíduo (diário) de seu blog. Parabéns pelas sempre interessantes matérias. Mas quero pedir que sejam feitas as seguintes correções na presente matéria: trocar "longitude" por "comprimento de onda" pois longitude significa "distância, lonjura (no sentido de longe) e astronomicamente é o termo usado para designar a distância de um plano polar a outro. Também está incorreto o uso do termo "satélite(s)" às antenas do Observatório ALMA; "antena" já é o suficiente. Satélite refere-se a um corpo celeste, natural ou artifical, que gravita outro. Caro Fernando, muito obrigado pelas observações. Abraços

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