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Reproduzindo de forma astuta, em espaços públicos, figuras renascentistas, barrocas e de outros estilos não-contemporâneos, o artista francês Žilda tem deixado sua marca em cidades europeias (Fotos: Žilda )

Se você estiver, por acaso, passeando um dia desses por Nápoles, Paris, Roma, Belgrado ou Hamburgo, não estranhe ao se deparar em becos e paredes improváveis imagens que parecem vindo diretamente do século XVIII.

Não se tratará de uma alucinação, muito menos do resultado de alguma máquina do tempo obscura. Você provavelmente estará tomando contato pela primeira vez com a obra do artista Žilda.

Nascido e radicado em Rennes, França, ele faz a linha “misterioso”, posando para fotos sempre de costas e utilizando um capuz, e sem nunca revelar o nome verdadeiro.

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Žilda, que só aparece em público de costas e encapuzado, em ação

Gosta de pesquisar em bibliotecas nomes menos conhecidos da arte, predominantemente representantes dos estilos Renascimento e Barroco – mas sem descartar, mitologia grega, lendas celtas e toques de erotismo – e transpor algumas destas criações de 300 ou mais anos de idade a cenários urbanos abandonados.

“Me divirto muito transformando [estas figuras] em minhas, fazendo-as renascer fora e em público”, diz Žilda em trecho do vídeo abaixo (em francês, com legendas em inglês):

O talentoso encapuzado é capaz de caminhar por horas a fio atrás dos cantinhos e cubículos mais estranhos das cidades europeias onde atua. Muitas de suas intervenções “dialogam” com o entorno. A escolha do lugar ideal não é sempre necessariamente estratégica: ele admite que em alguns dos rincões não terá muita chance de ver seu trabalho exposto a um grande número de pessoas.

“Não me importo muito com que meu trabalho seja contemplado por muita gente. O importante é a obra existir”, explica. Como pinta em papel – utilizando tinta acrílica, óleo e guache – e cola os resultados nas paredes, frequentemente seus trabalhos são estruídos pelo vento, a chuva e os transeuntes. Ciente disso, ele costuma até substituir suas criações que já estão desgastadas por novas pinturas.

Sobre as eventuais patrulhas conceituais que possam recair nos ombros de quem realiza street art, Žilda é contundente ao se desvencilhar de um gênero “contestador” estereotipado. “Não é porque trabalhamos na rua que temos obrigatoriamente que criar obras críticas à publicidade, às guerras ou à pobreza no mundo”, afirma. “Me interesso por emoção, e emoção geralmente vem de temas trágicos”.

A seguir, mais amostras do trabalho de Žilda:
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9 Comentários

Dulce Regina em 31 de outubro de 2013

Sensacional ! Um artista e tanto ! Pena suas obras serem destruídas pelo vento, chuva e transeuntes. O bom seria que ele encontrasse uma alternativa para preservá- las.

Ricardo em 30 de outubro de 2013

Para descansar do caos Brasil, nada melhor que a arte do artista francês que invade de forma magnifica os espaços públicos, secundado com o vídeo do Haiti. Gratíssimo, Setti ,melhorou em muito nosso dia!!

Maria Luz em 25 de outubro de 2013

A beleza da arte atenua a poluição do espaço público e, por vezes, interage com ela e lhe dá significado. O artista anônimo divulga os "anônimos" que foram ofuscados por contemporâneos famosos, em reverência tardia mas válida. Obrigada,Setti.

moacir 1 em 22 de outubro de 2013

Setti, Ainda não consegui superar a pintura renascentista. E ver suas figuras aí,humanizando o concreto,o aço e o caos urbanos, me encanta. Muito obrigado abc

titus em 20 de outubro de 2013

É por isso que eu sempre dou uma passada por aqui: quando a gente se sente sufocado pelas coisas revoltantes da política, o Setti abre uma janela bacana para arejar o ambiente. Obrigado, caro Titus. Comentários como o seu são um estímulo para continuar fazendo o trabalho. Um abração

Fernando Pawwlow em 20 de outubro de 2013

Obrigado pela franqueza e pela confiança, caro Fernando. Um abração

Bruno Sampaio em 20 de outubro de 2013

Não sou muito chegado a grafite, arte de rua e eteceteras por conta da mesmice, das carrancas horrorosas copiadas de grafiteiros americanos e da poluição visual que é gerada pelo simples fato de praticamente QUALQUER parede de uma grande cidade ter que, obrigatoriamente, estar coberta por uma dessas "obras". Tudo que é demais enjoa, o silêncio, inclusive visual, é fundamental. Mas esse cara é muito bacana mesmo. Obrigado pelo post Setti, tem coisas que eu só vejo por aqui.

Fernando Pawwlow em 20 de outubro de 2013

Seu relato, que não publico a seu pedido, mostra como o sujeitinho faz tudo, literalmente tudo, para aparecer. O blogueiro anônimo, não a celebridade. Obrigado pela informação e lamento pela celebridade. Fez e faz papel de otário. Abração

Marco em 20 de outubro de 2013

D. Setti, perfeito contraste! Abs.

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