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O zepelim do projeto Pegasos em pleno voo: veículo ideal para investigações sobre poluentes (Foto: Blog Pegasos)

Para muita gente, um zepelim passeando no ar em pleno 2012 só pode significar uma nova campanha publicitária ou mera excentricidade turística.

Não é, definitivamente, a visão que os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Jülich, sediado em cidade de mesmo nome no oeste da Alemanha, têm da simpática modalidade de aeronave inventada no final do século XIX.

Para eles, este gigante oval voador vem se tornando o melhor aliado na investigação dos fenômenos por trás das grandes alterações climáticas da atmosfera, causadas ou não pelo ser humano, e que ocupam cada dia mais os noticiários e debates científicos e políticos.

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Decolando para mais um voo na Holanda (Foto: Blog Pegasos)

Desde maio, flutua nos céus europeus o zepelim de 75 metros de comprimento do projeto Pegasos, coordenado pelo Jülich, financiado pela União Europeia – o valor se aproxima dos 7 milhões de euros (cerca de 17,5 milhões de reais) – e cujo objetivo é “investigar a relação entre a composição química da atmosfera e as alterações climáticas”.

Abaixo, registro em vídeo do Pegasos voando em Cabauw, Holanda, no mês passado:

As vantagens do zepelim

Mas… por que um zepelim? Segundo o site Jülich, que durante as estimadas 20 semanas de coleta de dados contará com o auxílio de técnicos de 15 países europeus, o dirigível é o veículo mais adequado porque voa devagar, paira no ar, ganha e perde altitude de forma vertical e pode aguentar voos de até 24 horas, ainda que carregue – como é o caso do Pegasos – uma tonelada de equipamento.

Não à toa, desde 2007 a entidade vem realizando testes no formato.

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Pilotos participam de teste no zepelim em 2011 (Foto: Blog Pegasos)

Além de todas estas vantagens, o zepelim, de acordo com os pesquisadores, serve à perfeição ao propósito do projeto porque permite que os estudiosos se aprofundem na análise da faixa entre os 100 e os 1.000 metros de altitude, pertencente à chamada Troposfera.

Região importante, mas pouco explorada

Embora se trate de um lugar no qual se “decide o futuro” da maioria dos poluentes emitidos na Terra, esta zona – onde a proporção de partículas em suspensão é maior, o que favorece o estudo – até hoje foi relativamente pouco contemplada pela ciência.

Ainda segundo os responsáveis pelo Pegasos, informações sobre esta região são necessárias para “a compreensão de processos atmosféricos com detalhes” e “o rastreamento dos gases com precisão e flexibilidade”.

Na mira dos cientistas estão os segredos que possam ser desvendados sobre o comportamento de, entre outros componentes, óxidos de nitrogênio, ozônio e, especialmente, aerossóis e hidroxilos, considerado pelos entendidos em química como uma espécie de “detergente da atmosfera”.

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Aspecto exterior da cabine do zepelim (Foto: Blog Pegasos)

Fácil de dirigir nestes cenários, o zepelim tem tudo para fazer a alegria dos especialistas que, após partirem de terras germânicas, rumou ao sul da Itália, conforme noticiado no post mais recente do blog do projeto, atualizado no dia 12. Em seguida, deve subir novamente pelo continente até chegar à Finlândia, já que o plano envolve a análise do ar em diferentes condições geológicas e territoriais.

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O sol mal nasceu e o Pegasos já retorna de uma exploração em Roterdã, Holanda (Foto: Blog Pegasos)

Assistam a reportagem da filial portuguesa do canal de TV Euronews prévia ao lançamento do Pegasos, com imagens internas do zepelim, entrevistas com os pesquisadores e mais detalhes desta missão:

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3 Comentários

Luiz Pereira em 29 de junho de 2012

Setti, POr ser um país com dimensões continentais e escassa malha ferroviária, o Brasil deveria encomendar estudos aos alemães visando desenvolvimento de zeppelins maiores. Boa parte da safra do Centro-Oeste poderia ser escoada através deles, poupando a malha viária. abs

Willer em 29 de junho de 2012

Por incrível que pareça fico sabendo das novidades tecnológicas da Alemanha através de você e do Tuco.

Marco em 29 de junho de 2012

Dom Setti: Parabéns pela tecnologia, mas não vou perder a piada, esse negócio de tempo e clima, às vezes no meio desses voos procurando manchas, muitas vezes acabam em idealismo vidente e adivinhação q mais destrói do q salva. Abs.

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