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Cidade de Al Musayyib, 27 de maio de 2003: criança salta filas com dezenas de corpos assassinados por forças de Saddam Hussein durante uma rebelião xiita (Foto: Marco Di Lauro – Getty Images)

A serviço do jornal The New York Times, o fotógrafo Michael Kamber, nascido em 1963 no estado americano do Maine, cobriu a Guerra do Iraque praticamente inteira, da invasão por tropas dos EUA em março de 2003 a até depois do término da retirada dos soldados em dezembro de 2011.

Durante este longo período, sempre que voltou a seu país, Kamber, que possui no currículo coberturas em enfrentamentos bélicos na Somália, em Israel e no Afeganistão, entre outros, nunca se conformou com o pouco que seus compatriotas sabiam sobre os horrores do conflito.

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O fotógrafo Michael Kamber (Foto: Leica Camera)

E foi esta insatisfação que o estimulou a organizar, em maio do ano passado, um livro no qual compila algumas das melhores imagens da guerra feita por ele e mais de 30 outros colegas, dos quais obteve, em entrevistas, bastidores de cada fotografia publicada.

Photojournalists on War: The Untold Stories from Iraq (tradução: “Fotojornalistas em Guerra: As Histórias Não Contadas do Iraque”), que não ganhou edição brasileira, traz um conjunto de registros visuais essenciais. Algumas das fotografias nunca haviam sido publicadas. Todas são bastante fortes.

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Kirkuk, abril de 2004: homens se refugiam após explosão em estrada (Foto: Stanley Greene – Noor)
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Barsa, 26 de maio de 2004: mulher procura pelo marido após explosão em fábrica de gás líquido (Foto: Lynsey Addario)
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Bagdá, 11 de julho de 2003: soldados americanos nadam na piscina do palácio abandonado por Uday Hussein, filho de Saddam Hussein; ele seria morto em conflito com forças americanas 11 dias depois (Foto: Ed Kasi – VII)
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Bagdá, julho de 2004: um dos guarda-costas do clérigo xiita Mohamed Ali Sageer segura uma pistola (Foto: Ed Kashi – VII)
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Fallujah, 13 de novembro de 2004: o primeiro-sargento Brad Kasal após ser alvejado por sete balas disparadas por insurgentes; ele quase perderia a perna (Foto: Lucian Read)
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Fallujah, 23 de novembro de 2004: integrantes do batalhão 3rd Marines vasculham casa após ataque insurgente que vitimou um soldado americano e feriu outros (Foto: Scott Petterson – Getty Images/CS Monitor)
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Tal Afar, 18 de janeiro de 2005: a menina Samar, de 5 anos, chora após os pais serem mortos por membros da 25ª Divisão de Infantaria dos EUA; os soldados dispararam na família após o carro que a transportava aproximar-se de uma patrulha (Foto: Chris Hondos – Getty Images)
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Observado por soldado americano que fuma um cigarro, cidadão iraquiano desmaia durante revista (Foto: Guy Calaf)
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Qubah, 24 de março de 2007: diante da família, homem é marcado com caneta por soldado americano; o método era usado para garantir que os habitantes da vila não saíssem dali após ataque de insurgentes (Foto: Yuri Kozyrev – Noor)
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Baiji, 8 de fevereiro de 2008: homem vendado e algemado sob suspeita de colaborar com insurgentes iraquianos (Foto: Eros Hoagland – Redux)
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Bagdá, 4 de julho de 2008: 1215 soldados americanos rezam no palácio Al Faw, uma das antigas residências de Saddam Hussein, em cerimônia de realistamento (Foto: Ashley Gilbertson – VII)
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Sadr, fevereiro de 2009: Rena (à direita) perdeu a perna esquerda e teve a direita danificada em ataque aéreo americano ocorrido no ano anterior. A ofensiva matou sua irmã e o bebê de nove meses que carregava na barriga (Foto: Farah Nosh)
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Milwaukee, EUA, 23 de novembro de 2003: Alan Jermaine Lewis, fuzileiro americano então com 23 anos que perdera as duas pernas e tivera um braço quebrado em seis partes quatro meses antes; o motivo foi a explosão de uma mina sobre a qual passou o Hummer que dirigia na Estrada 8, em Bagdá. (Foto: Nina Berman – Noor)

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22 Comentários

julio nascimento em 25 de setembro de 2014

Nascer em um país desses e um azar desgraçado!

Amon Goth em 27 de julho de 2014

Apesar de perversa...a guerra é a higiene da espécie humana!

Falcão em 17 de julho de 2014

isso tudo é um grande absurdo. A guerra só gera dor e destruição ceifando milhares de vidas inocentes.

Sebastian em 15 de abril de 2014

Não há e nunca houve paz depois da Segunda Guerra Mundial. Todo ano existem banhos de sangue iguais, só que de menor escala. Não há ano em que não haja conflitos. Mas logo estarão dizendo que "há paz e segurança". E então virá o fim.

Marcelo em 12 de abril de 2014

O FALSO PRETEXTO. O MUNDO DEVE DESCULPAS ETERNAS AO IRAQUE. O Estados Unidos fez uma guerra contra um povo (praticamente desarmado após de 10 anos de embargo). Sobre uma falsa alegação colocou o mundo contra o Iraque. Agora é da obrigação do mundo cobrar dos Estados Unidos (reconstruir o Iraque), já que é o mínimo, pois vidas inteiras destruídas. Pedir perdeu ao povo Islâmico e como também pedir perdão a cada país que foi envolvido enganosamente. Esta ação americana, depois da Segunda Guerra mundial mostrou para o mundo, o quanto continuamos selvagens e preso a nossas convicções, ainda que sejam totalmente equivocadas.

Rod em 11 de abril de 2014

A foto da criança é muito forte!!

antonio em 08 de abril de 2014

bastava apenas um pouco de capitalismo pra essa guerra não acontecer. o capitalismo precisa de paz. o totalitarismo não.

Gustavo Monteiro em 01 de abril de 2014

Eu diria que a foto que mais me sensibilizou foi a da menina Samar. Como em todas as guerras, quem mais sofre são os civis.

Ivan Roberto Xavier em 31 de março de 2014

Sem querer parecer arrogante mas na última foto fuzileiro saiu escrito errado Caro Ivan, você não pareceu de forma alguma arrogante. Muito pelo contrário, me prestou um favor. Já corrigi o erro, e aproveitei para repassar as demais legendas, nas quais encontrei mais dois probleminhas, já acertados. Então, o que faço é lhe dizer: obrigado! E volte sempre aqui. Abraço

Pedro Henrique em 28 de março de 2014

Isso acontece em toda a parte, inclusive nas nossas cidades brasileiras, o mundo do narco tráfico na américa do sul possui um site em que mostra esquartejamentos que fazem. Nas nossas favelas, nossos políticos que precisam calar a boca dos jornalistas. Enfim, amigos isso acontece toda hora. O ser humano ainda é ignorante.

geroldo zanon em 28 de março de 2014

Nós aqui no BRASIL do PT morrem muito mais gente do que na guerra do IRAQUE e o governo não faz nada é a 1º vez que faço este comentario

Paulo em 28 de março de 2014

Engraçado como abundam cenas de guerra dos americanos, mas "inexistem" de chineses ou russos. Por que será ? Entre outras razões, porque chineses e russos, governados por ditaduras diferentes, mas ditaduras, querem ver o diabo no campo de batalha mas não fotógrafos e jornalistas independentes. Simples assim.

Lucas Mack em 25 de março de 2014

Caramba , que horrível é a guerra ! Até quando o ser humano ter que ir antes de enxergar que somos todos irmãos , a foto da menina é chocante e a última é muito semelhante ao Presidente OBAMA em pose de arrependimento , é claro com muito respeito pois quem inicio essa carnificina foi o louco BUSH . Apesar de cenas fortes a revelação é necessária para quem desconhece os feitos colaterais da Guerra , é melhor assim de forma mais dura mas não envolvente que criamos uma conciência coletiva do que deve ser EVITADO. Valeu Setti sempre eclético nos traz além da descontração também o conhecimento da história.

Ismael em 25 de março de 2014

Juro que se não fosse espírita, seria ateu com certeza. Qualquer um que veja isso, não pode acreditar em algo inteligente e superior, porém, como há tantas outras maravilhas na vida, e como se vê a força que emerge dessas tragédias, a gente realmente conclui que o amor supera a dor humana e essa força interior que nos fará superar essa tragédia tem uma origem divina.

Joel Lima em 25 de março de 2014

As fotos são fortes - e o pior é saber que há piores, muitíssimo piores. E a que mais dói é a da menina Samar. Talvez só a grande poesia consiga descrever esta barbárie. E me lembrei do poema "Os homens ocos", de TS ELiot. Abaixo, o poema: Nós somos os homens ocos Os homens empalhados Uns nos outros amparados O elmo cheio de nada. Ai de nós! Nossas vozes dessecadas, Quando juntos sussurramos, São quietas e inexpressas Como o vento na relva seca Ou pés de ratos sobre cacos Em nossa adega evaporada Fôrma sem forma, sombra sem cor Força paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaram De olhos retos, para o outro reino da morte Nos recordam – se o fazem – não como violentas Almas danadas, mas apenas Como os homens ocos Os homens empalhados.”

antipetista em 25 de março de 2014

é a guerra. devem ter mais de centenas ou milhares de imagens piores do que estas e que ninguem saberá.

ana perwin fraiman em 25 de março de 2014

Acompanho de perto o site, maravilhosamente editado. Um orgulho!!! Muitíssimo obrigado, cara Ana. É uma honra pra mim. Abraço

Cau Marques em 25 de março de 2014

Não tem problema. O importante é que os grandes fabricantes de armas estejam felizes, em suas mansões.

Roberto Souza em 24 de março de 2014

Caro Setti, é impressionante a nossa incapacidade de avaliar com clareza as coisas no momento em que elas acontecem. Como sempre, precisamos de tempo para entender a dimensão das barbáries e ainda precisamos de livros, fotos, depoimentos para avaliar um pouco melhor os acontecimentos. Por mais que sejamos bem informados, esses acontecimentos nos parecem menores quando estão acontecendo e vão nos surpreendendo ao longo do tempo, na medida em que vamos relembrando ou estudando a história. Parabéns e obrigado por mais esse presente aos leitores do blog. Um abraço!

rodrigo santos em 24 de março de 2014

Nossa Ricardo, dessa vez as imagens sao bem fortes. Minha mae ficou chocada com a da menina Samar.

José Aurelio silva em 24 de março de 2014

Fotos marcantes, para ficar para toda historia, mas fica a marca de quem quer dizer que para se pegar um ditador, tem que matar milhares, isso sim é que mais marcou nessa guerra.

Antoninho em 24 de março de 2014

Realmente revelacoes muito duras.

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