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Ali se esquiva de golpe aplicado por Frazier: Luta do Século (Fotos: John Shearer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Um evento com magnitude para ser apelidado de “Luta do Século” precisava de uma cobertura jornalística à altura.

E é claro que  a revista Life, presente em boa parte dos eventos que definiram a história americana no século XX, não poderia ter ficado de fora do confronto que, em 8 de março de 1971, opôs Muhammad Ali e Joe Frazier (1944-2011) no mitológico ginásio Madison Square Garden, em Nova York.

Tira-teima

Então os dois maiores boxeadores do mundo – e, sem dúvida, dois dos maiores nomes do ringue em todos os tempos –, eles subiam ao ringue para um tira-teima sobre quem era realmente o melhor peso-pesado: Ali, detentor do cinturão até 1967, ano em que foi banido do boxe e preso por recusar-se a alistar-se para a Guerra do Vietnã, ou Frazier, que na ausência do rival assumiria o “trono”.

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Reprodução da capa da “Life” com a reportagem que inclui parte das fotos publicadas neste post

A seleção de fotos presente neste post, todas assinadas por John Shearer, reúne imagens publicadas originalmente em edição de 5 de março de 1971 da Life, em cuja matéria de capa se retratavam os bastidores dos preparativos do célebre embate, que rendeu 2,5 milhões de dólares a cada participante — uma fortuna ainda hoje, uma fábula na época.

A compilação inclui também cliques que ficaram de fora daquele número – alguns inéditos até recentemente – que mostram o ambiente no grande dia e momentos da própria luta, equilibradíssima, vencida por Frazier por pontos após 15 assaltos (com direito a queda de Ali após entrada de um dos temidos ganchos de esquerda do rival).

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Sempre entre o gozador e o provocador, Ali (à esquerda) foi até o centro de treinamento de Frazier em Filadélfia para gozá-lo, antes da luta

 

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Fãs acompanham Frazier treinando
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Brincalhão, Ali finge usar admirador como “sparring” no estacionamento de um supermercado em Miami Beach
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Frazier corre em companhia de seu cão, em preparação para a luta
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Outro flagra de Ali com tietes em Miami Beach
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Frazier mostra o seu lado cantor à frente da banda The Knockouts, em janeiro de 1971 (foto não publicada pela “Life” até este ano)
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Chega o grande dia: o público no Madison Square Garden era estiloso… (Foto não publicada até este ano)
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…e recheado de celebridades: aqui vemos “apenas” Miles Davis, um dos deuses do jazz, mas gente como Frank Sinatra, Norman Mailer e Woody Allen também estava lá (Foto não publicada até este ano)
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George Foreman, que nos anos seguintes protagonizaria duelos de titãs com ambos os astros da “Luta do Século”, quis ver a ação dos “colegas” de perto (Foto não publicada até este ano)
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Vence Joe Frazier! (Foto não publicada até este ano)
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Uma vitória que custou caro: assim ficou o rosto de Joe Frazier após a luta (Foto não publicada até este ano)

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3 Comentários

carlos nascimento em 25 de março de 2013

Ricardo, Grato pelas explanações, fica o alerta para os diversos dirigentes esportivos de nosso País, a decadência do boxe americano, me faz pensar seriamente sobre os graves problemas do FUTEBOL brasileiro, na toada que segue pode muito bem mergulhar em crise idêntica, a desorganização, a falta de transparência, o véu escuso das maracutaias, podem levar a esse caminho. A LIFE era uma revista espetacular, ela deveria ter incorporado bons textos e conteúdos, agregada aos padrões das imagens, tenho certeza de que seguiria o seu caminho de sucesso. Ela deveria ter se inspirado na nossa VEJA, que é imortal, graças ao padrão de seu corpo de jornalistas, estilo AN, RA, RS, entre outros. abração Carlos Nascimento.

carlos nascimento em 25 de março de 2013

Ricardo, Muito bom relembrar esse mágico acontecimento, a mística do mundo do boxe tinha um glamour todo especial, naqueles tempos a mídia ainda engatinhava, comparando-se aos padrões e ritmos atuais, apesar de muito jovem à época, lembro-me do "frenesi" que envolveu esse combate, além do charme e folclore que a figura carismática de ALI & CASSIUS provocava. Apesar de poucos comentários registrados, o assunto merece um olhar atento, veja essas questões: - Ali ou Cassius, em sua opinião como ele deveria ter seguido com sua biografia, a religião adotada gerou influência positiva ou negativa ? - Hoje o boxe americano vive uma fase decadente, o MMA explodiu pela força midiática, quais razão levaram a esse estágio ? - Qual a importância de Don King, ontem e hoje, o que ele anda fazendo ultimamente ? Para finalizar uma curiosidade, a LIFE tem o mesmo nível de audiência hoje nos EUA, ou o advento da NET acabou por minimizá-la ? Abração Carlos Nascimento. Caro Carlos, vamos lá: 1. Não sei dizer ao certo o quanto a religião muçulmana, à qual o ex-Cassius Marcellus Clay aderiu, mudando seu nome para Muhammad Ali, influenciou em sua carreira. Tenho impressão de que ela teria sido similar, porque sua personalidade única e fortíssima foi sempre o que predominou, acima de religiões. 2. Acho que o boxe está em decadência por excesso de diferentes organizações "mundiais", que nunca conseguiram se unir, por falta de transparência, por corrupção e por falta de visão de futuro de seus dirigentes. O MMA é muito mais organizado e mais ágil -- além de que trocou a história de ranking, que muitas vezes era visto no boxe como fonte de arranjos, de marmelada, pela disputa torneios em sequência, dos quais extrai seus campeões. 3. Não tenho acompanhado notícias sobre o Don King, que já deve estar baixando de ritmo porque tem 82 anos. Lembro-me, porém, que no ano passado ele anunciava a intenção de entrar no mundo do MMA. Não sei dizer se já o fez. 4. A revista LIFE morreu, Carlos. Sob diferentes formatos, foi uma grande revista semanal até 1972, depois saía em ocasiões especiais, mais tarde se transformou em mensal e, como mensal, desapareceu no ano 2000, por aí. Era uma revista de reportagens calcadas em grandes imagens, e foi sendo morta pela TV e pelo que veio depois. Um abraço

Marco em 23 de março de 2013

D. Setti; Realmente, um grande acontecimento, acho q o primeiro, q mostra q com punhos e músculos se pode ficar milionário! Abs.

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