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O soldado raso Ben Frater, 21 anos, antes, durante e depois do Afeganistão: as expressões não mentem (Fotos: Lalage Snow)

A ideia é brilhante, e o resultado emocionante e revelador: registrar, em closes faciais, imagens de soldados britânicos antes, durante e depois de seu serviço no Afeganistão.

Pode-se ver a tragédia, a dor e o horror que a guerra causa nos jovens — mesmo soldados profissionais, como são os britânicos, e não recrutas de um serviço militar obrigatório.

O projeto, batizado We Are The Not Dead (Tradução livre: “Somos os Não-Mortos”), é de autoria da fotógrafa, jornalista e cineasta Lalage Snow, nascida em 1981 em Belfast, Irlanda do Norte. Atualmente residente em Londres, ela trabalhou na iniciativa durante oito meses do ano passado, quando morou em Cabul, no Afeganistão.

Imagens que falam

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Outro soldado raso, Steven Gibson, 29, que retornou com as costas lesionadas após uma explosão. É impressionante como em poucos meses os soldados parecem envelhecer

Em março, ela clicou e entrevistou uma série de integrantes do Primeiro Batalhão do Regimento Real da Escócia em Edimburgo, enquanto se preparavam para embarcar; repetiu o procedimento no final de junho, em Nad Ali, distrito na província afegã de Helmand, sudoeste do Afeganistão, captando os rostos e as impressões dos soldados em plena ação no front; de volta à Escócia, esteve mais uma vez com os mesmos militares em outubro, já com suas missões finalizadas.

Imagens costumam ser mais eficientes do que palavras quando a intenção é ilustrar os efeitos de uma guerra em um ser humano. No caso da série fotográfica criada por Snow, não foi diferente.

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O “lance corporal” (posto do Exércio britânico entre soldado de primeira classe e cabo) David McLean, 27, que recebeu tiro na perna

Reparem as expressões ainda relativamente serenas dos soldados antes de embarcarem, a adrenalina e a tensão de seus olhares durante a temporada afegã e o desolamento vazio, sem contar o aspecto mais envelhecido, dos semblantes pós-conflito. A maioria, entre outras barbaridades, presenciou atentados a bomba, e alguns retornaram à Escócia feridos.

Depoimentos reveladores

Mesmo assim, não apenas os retratos “falam” em We Are The Not Dead. A justaposição dos depoimentos de antes, durante e depois também são muito reveladoras.

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O sargento Alexander McBroom, 24: “medo e apreensão”

Um dos combatentes, o sargento Alexander McBroom, por exemplo, diz em sua entrevista inicial: “não estou preocupado em ir, afinal é meu trabalho”.

Ao longo de sua estada no Afeganistão, porém, afirmaria: “experiência “abriu os meus olhos”. Após o retorno, mencionaria “o medo de sempre, a apreensão sobre o que acontecerá se eu for atingido por alguma bomba”.

Uma voz para os soldados

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O soldado raso Steven Anderson, 31

“Conforme a contagem de corpos dos militares britânicos crescia e as ramificações políticas da presença do Exército britânico no Afeganistão se complicavam, cada vez mais soldados sentiam que não tinham uma voz, ou que ao menos não estavam sendo ouvidos”, afirma Lalage Snow.

“O We Are The Not Dead é uma tentativa de dar a estes jovens homens e mulheres uma chance de falar”.

Confiram mais imagens:

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Outro soldado raso, Sean Patterson, 19
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Mathew Hogson, 18, também soldado raso
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Jo Yavala, 28, idem
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Chris MacGregor, 24, idem, ferido no joelho

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12 Comentários

RODRIGO em 22 de maio de 2013

Eu vou colocar minhas fotos antes de depois de seguir carreira na Marinha. Sei que não se compara a experiencia de uma Guerra, mas o resultado é parecido. Consegui passar num concurso público e me demiti, já era Capitão. Não recomendo, o esforço e o suor não compensam.

Carlos Steinsfield em 21 de maio de 2013

Ainda que existisse uma máquina fotográfica que registrasse a alma, em alguns casos, a foto do "depois", já não seria mais possível, pois ela (a alma) já não existiria mais. Aliás, alguns, não tem necessidade de ir para uma guerra para perder a alma, como podemos facilmente comprovar, lendo alguns comentários aqui.

Rafael em 21 de maio de 2013

È claro que ir à guerra deixa marcas em qualquer pessoa, mas, em todas as fotos, elas estão sutilmente ressaltadas por variações de ângulo e iluminação. Parece que a fotógrafa andou tirando lições com aquelas fotos "antes e depois" de anúncios de maquiagem ou pautou seu trabalho pelas suas próprias convicções.

Domenico Sabattino em 20 de maio de 2013

Só percebí que emagreçeram e nada mais. FAIL !

Dulce Regina em 20 de maio de 2013

Homens corajosos. Pior que a aparência física é, a dor psicológica que carregarão para sempre. Infelizmente, a PAZ é uma utopia.

jane carvalho sandes em 20 de maio de 2013

Imagine o caso do soldado americano de 22 anos que até hoje está em cativeiro com os talibans. Bowe Bergdahl foi capturado em 30 de Junho de 2009. Ele estava com apenas duas semanas no Afheganistão. Uma petição corre o mundo para pedir ao Obama para trocar de prisioneiros. Caso alguém queira assinar deixo o link e sobretudo meus agradecimentos. Cara Jane, cortei o link porque as regras para publicação de comentários no blog vedam a divulgação de abaixo-assinados, manifestos ou o que sejam, mesmo por boas causas. A razão é simples: se assim não fosse, choveriam mensagens de todos os lados com esse tipo de material, e o propósito do espaço é propiciar aos leitores a oportunidade de comentar os posts e as questões levantadas pelo blog. Abraço

Marco Antonio (Curitiba - PR) em 20 de maio de 2013

Se embaralhar a ordem de cada trio de fotos, ninguém vai perceber a diferença. Teve umas que o antes parecia pior que o depois.

Flavico em 20 de maio de 2013

Fotos impactantes? Não vi muita diferença entre as fotos. Se as fotos fossem clicadas sob as mesmas condições de luz e ambiente, atá daria para comparar.

wilson em 19 de maio de 2013

Ele foram para uma guerra não foram para a praia.

Fernando X em 18 de maio de 2013

Terrível! . Não sei o quê dizer...

Marco em 18 de maio de 2013

Don Setti, Como em tudo na vida ou em qualquer especialidade. As reações são quando voz da consciência fala de diversos modos, ou seja a reflexão própria. Às vezes tb pode ser confundida como tipo personalidade fraca. Ou corajosa... Abs.

José Figueredo em 18 de maio de 2013

Além das bombas e tiros,a adrenalina em doses maciças e diárias estraçalham os corpos dos jovens,vitimas das imbecilidades das guerras.Chamam a atenção os olhos esbugalhados , a face pálida e com certeza uma tremedeira muscular infernal.

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