FOTOS IMPERDÍVEIS: Um comovente retrato da vida em torno do surgimento do Muro de Berlim

Life-Paul-Schutzer

Uma mão solitária sobre a muralha em agosto de 1961 (Foto: Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Não é exagero considerar a divisão de Berlim, oficializada em 13 de agosto de 1961 com a construção da muralha que determinaria duas novas cidades, uma das grandes tragédias políticas e humanas do século XX.

Antes de tudo o que representaria simbolicamente – início para valer da Guerra Fria, conflito capitalismo x comunismo -, a estúpida muralha erguida pela assim chamada República Democrática Alemã, satélite de Moscou, separou famílias, casais e amigos, e ao longo de sua existência ignóbil foi cenário de dramáticas cenas de pessoas tentando fugir da opressão.

Foi derrubada, finalmente, em 1989, depois de uma fulminante sucessão de manifestações que culminaria com o fim da Alemanha comunista e a reunificação do país.

Conhecida por sua excelência em fotojornalismo desde 1936, a revista norte-americana Life publicou em seu site oficial uma série inédita de 28 retratos realizados durante a criação do Muro de Berlim — que a propaganda ocidental rapidamente transformaria em Muro da Vergonha — e os primeiros meses das vidas cotidianas das pessoas afetadas por ele.

As comoventes imagens são de Paul Schutzer, fotógrafo americano que faleceria aos 37 anos, em 1967, enquanto cobria a Guerra dos Seis Dias, entre Israel e seus vizinhos árabes Egito, Jordânia e Síria. Abaixo, algumas selecionadas. O pacote completo de fotografias pode ser visto aqui.

Life-Muro-de-Berlim

Crianças da Alemanha Ocidental brincam de imitar o Muro, em agosto de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Life-Muro-de-Berlim

Soldado da Alemanha Oriental devolve bola de futebol que caiu do “outro lado”, em junho de 1962 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Life-Muro-de-Berlim

Habitantes de Berlim Ocidental acenam para parentes no lado oriental, em dezembro de 1962 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Protestos de moradores de Berlim Ocidental contra a construção do muro, em agosto de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Civis de Berlim Ocidental observam soldados do outro lado, em agosto de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Homem trabalha na construção de trecho do Muro, em agosto de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Jovem tenta saltar do lado oriental para o ocidental, em outubro de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Soldado da Alemanha Oriental tenta atrapalhar trabalho do fotógrafo, em agosto de 1961 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Pássaro preso em arame sobre o Muro, em janeiro de 1962 (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

(Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

O mesmo jovem de uma das fotos anteriores por fim consegue superar a muralha e é acolhido por policiais da Alemanha Ocidental. Várias centenas de outros morreram ao tentar a mesma coisa, e o número oficial de mortos não foi estabelecido ainda  (Paul Schutzer—Time & Life Pictures/Getty Images)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − nove =

Nenhum comentário

  • Marcondes Witt

    Pena que não se aprendeu com a história: muros sendo construídos em Israel para evitar os palestinos, nos EUA para evitar os mexicanos.

  • Roberto Souza

    Mais um dos seus “achados” sensacionais, caro Setti.

    Muito obrigado, meu caro Roberto.

    Que bom que você gostou.

    Abração!

  • Marcus

    Sensacional!
    Difícil imaginar a incredulidade dos alemães quando viram essa aberração sendo construída. Também é curioso como os governos comunistas gostam de se autointitular “democráticos” ou “populares”.

  • wilson

    Piada o nome oficial da Alemanha Oriental:
    Republica Democratica Alemã.

    Os comunistas eram especializados nesse tipo de piada, Wilson. Todas as ditaduras sanguinárias e liberticidas se chamavam “República Popular (…)” ou “República Popular e Democrática (…)”.

    Aliás, a truculenta e horrível ditadura chinesa se chama “República Popular da China”.

    A carta de direitos da União Soviética era, com dizia o J. R. Guzzo, um conjunto de “magníficas ficções”: tratava-se de uma ditadura feroz, como as demais, ou mais ainda.

    Isso denota a preocupação deles em usar a linguagem da democracia que eles sempre desprezaram como “democracia burguesa”, como faz, aliás, muita gente do PT.

    Abraço

  • Mariazinha

    No Brasil temos muitas viúvas do Muro de Berlim.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Setti>
    Faça desta notícia um POST.
    Abração
    Pedro LUiz

    Levante Popular ‘esculacha’ militar que comandava sessões de tortura

    Alvo desta vez foi capitão que teria sido um dos torturados ‘mais furiosos’ do período da ditadura

    Por: Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil

    Mulher segura cartaz com a foto do militante Virgílio Gomes da Silva, uma das vítimas do capitão (Foto: Marcelo Camargo)

    São Paulo – Movimentos sociais, liderados pelo Levante Popular da Juventude, fizeram hoje (20), na região da Avenida Paulista, no centro de São Paulo, uma manifestação para expor publicamente um ex-militar reformado acusado de ter comandado sessões de tortura e homicídios durante a ditadura militar. O tipo de manifestação é inspirada em ações similares feitas na Argentina e no Chile chamadas de Escracho.

    Cerca de 60 pessoas, segundo a Polícia Militar, fizeram uma pequena caminhada pela Avenida Paulista até a Rua Manoel da Nóbrega, endereço onde vive atualmente o ex-militar Homero César Machado, que chefiou equipes de interrogatório no antigo DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) entre os anos de 1969 e 1974.

    “O que fazemos aqui é reivindicar a memória das pessoas que lutaram contra a ditadura militar e também reivindicar o presente, porque hoje vemos esses torturadores impunes. Esse torturador [Machado] vive tranquilo em sua casa, não foi julgado e nem condenado, vive com aposentadoria paga com dinheiro público. O que ficou impune na ditadura dá carta branca para que esses crimes continuem acontecendo”, disse Paula Sacchetta, da Frente de Esculacho Popular.

    Durante a caminhada, manifestantes colaram, em postes e latas de lixo, cartazes com fotos de pessoas que teriam sido torturadas por Machado na época da ditadura militar e distribuíram folhetos para a população informando que “um torturador mora neste bairro”.

    A frente do prédio onde Machado mora, familiares de Virgílio Gomes da Silva, que foi morto e torturado durante a ditadura militar, seguraram um megafone para dizer aos vizinhos que ali “mora um torturador”. Uma coroa de flores foi depositada em frente ao prédio e gritos e faixas lembravam um dos lemas do movimento: “Se não há Justiça, há esculacho popular”.

    A viúva de Virgílio Gomes da Silva, Ilda Martins da Silva, acompanhou a manifestação de hoje com seu filho, Virgílio Gomes da Silva Filho e uma neta. “Ele [Virgílio Gomes da Silva] foi morto e torturado [na ditadura militar] e está desaparecido há 42 anos”, disse ela. Ilda foi presa no dia seguinte com três de seus quatro filhos.

    “Quando eu fui presa, ele já estava morto. E eu não sabia. Fiquei presa com meus três filhos. Levaram eles para o Dops e, de lá, para um juizado. Ofereceram eles [meus filhos] para doação. Fiquei presa por nove meses, quatro deles incomunicável, sem poder ver meus filhos. Fui torturada tanto fisicamente quanto psicologicamente”, disse.

    O filho de Virgílio tinha 6 anos na época. “O que sabemos são relatos de companheiros que estavam presos na época. Sabemos que no dia 29 de setembro de 1969, ele foi preso numa emboscada. Levaram ele para o Dops [Departamento de Ordem Política e Social] e bastaram seis horas de tortura para conseguirem matá-lo”, disse Silva Filho. Segundo ele, Homero César Machado foi um dos torturadores de seu pai.

    A família de Vírgilio Gomes da Silva disse esperar pela condenação judicial dos torturadores da época. “Espero sim [condenação]. Não importa o tempo que dure para a justiça chegar”, disse o filho.

    O ato chamou a atenção de vários moradores da região. Vários deles apenas espreitavam a manifestação pela janela, mas alguns desceram de seus apartamentos para saber o que estava ocorrendo. “Cumprimento o cara [Machado] há anos e nunca imaginei. Fiquei com nojo. Quando vi as fotos [dos torturados estampadas nos cartazes] e li as histórias, fiquei mesmo revoltada”, disse Sandra Gaui, moradora de um prédio próximo.

    “Acho esses escrachos fundamentais porque, não é coisa dos atingidos ou das famílias. É coisa da sociedade, principalmente de jovens que abraçaram essa causa. É um pessoal que diz que a violência policial de hoje é fruto do passado e que os desaparecidos precisam ser localizados para se acabar com a impunidade”, disse Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos.

    Segundo Seixas, o capitão Homero “era um dos militares mais furiosos nas torturas”. Para ele, movimentos como esse contribuem para se fazer uma condenação moral dos torturadores, enquanto a condenação judicial ainda não ocorreu.

    A Agência Brasil não conseguiu falar com Machado. Um dos funcionários do prédio informou que Machado não estava no local no momento do ato. Uma vizinha de apartamento disse que há 15 dias ele não se encontra no prédio. “Ele sempre foi muito gentil e educado. Até tomei um susto agora com essas informações. Ele não está aí. As correspondências dele estão na mesinha do lado do nosso corredor”, disse Fernanda Teixeira de Carvalho Souza.

  • Tuco

    .

    Boa, Grande RSetti.
    Essas fotos são a comanda a ser
    cobrada de algo chamado civilização…


    .

  • Luiz Pereira

    Setti,
    Eis algo que nunca entendi: se o comunismo era tão bom, por quê as pessoas gostariam de sair da Alemanha Oriental?
    O mesmo vale para a Cuba “no” Libre de hj.
    abs

  • paulo trajano melo

    A humanidade não aprende com seu passado!!!!!!!!!

  • Luiz Almeida

    Que estas imagens sirvam para que não caia no esquecimento uma das maiores brutalidades contra a civilização e a liberdade. Saudações!

  • estudio silva

    fotografias fantásticas
    Um abraço de Portugal.

    estudio silva
    http://www.estudiosilva.pt