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Caçador agarra-se à presa de um mamute siberiano: peça valiosíssima (Fotos: Evgenia Abrugaeva)

Publicado originalmente em 3 de maio de 2013 às 18h45.

Campeões-de-audiência

 

 

 

 

Um dos assuntos que mais intrigam e fascinam os estudiosos dos mamutes é o mistério em torno de sua extinção. A maioria dos exemplares da espécie deixou de existir há aproximadamente 10.000 anos, em decorrência da última era glacial.

Mesmo assim, existem evidências cientificamente comprovadas de que um grupo de animais gigantes, concentrado sobretudo na ilha de Wrangel, localizada na porção de Oceano Ártico entre a gelada região russa da Sibéria e o Alasca, parte do território dos Estados Unidos, resistiu bravamente, durando cerca de 6 mil anos a mais.

Na região abundam provas da existência destes “mamutes recentes”, que sobreviveram em grande parte por haverem sido congeladas. Entre as quais as enormes e cobiçadíssimas presas de mamute, das quais deriva o marfim. A busca por estes ganchos em tamanho supersize movimenta a economia local, tanto no âmbito legal quanto no mercado negro.

Ao contrário do que parece, o comércio dessas presas preciosas é legal (embora, como sempre, exista o mercado negro, não autorizado e não controlado).

Ele aumentou brutalmente com o aquecimento global, que provoca o derretimento da tundra (solo típico de áreas próximas ao Polo Norte) em regiões da Sibéria e deixa expostos esqueletos desses imensos animais extintos.

Mais surpreendente ainda, o comércio tem o apoio de ambientalistas e conservacionistas — o marfim dos mamutes da Sibéria atende a boa parte da demanda mundial por marfim, sobretudo da Ásia, e poupa os elefantes, ameaçados de extinção.

As presas desse patrimônio paleontológico que a Rússia desperdiça são transformadas em esculturas e objetos de decoração que são postos à venda por preços altíssimos.

Autora de trabalhos fotográficos bastante originais, a fotógrafa Eugênia Abrugaeva, nascida na cidade siberiana de Tiski, perto desta terra encantada de mamutes tardios, acompanhou a ação destes caçadores de presas.

O resultado é um interessante ensaio, publicado pelo site da revista National Geographic. Abaixo, uma seleção destas fotografias:

 

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Yuka, um jovem mamute cujos fósseis foram encontrados há poucos anos na vila siberiana de Yukagir
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Caçadores carregam presas de mamute na costa norte da Sibéria; uma boa peça pode garantir o sustento de suas famílias por um inverno inteiro
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Às margens do lago Bustakh, caçadores pesam e medem as presas; na vila de Kazachye, elas são vendidas por entre US$ 50 e 250 a libra (0,45 kg)
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Os aventureiros, que chegam a perder 10 quilos durante os cinco meses de “caça”; há pouquíssima comida disponível na região, e eles precisam racionar os alimentos
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Este homem não tem permissão para procurar presas, e por isso camufla a sua cabana na ilha siberiana Bolshoy Lyakhovskiy; a ideia é não ser localizado por helicópteros da guarda costeira russa
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Na mesma ilha, dois homens cavam para retirar um crânio de mamute encontrado
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Esta valiosa presa, estimada pelo seu descobridor em “milhares de dólares”, demorou vários dias para ser retirada do solo congelado
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O trabalho, muitas vezes, vale a pena para os caçadores; mesmo que os trabalhadores possam ficar até semanas incapacitados de limpar ou secar suas roupas
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É aí que entram eles, os chineses: 90% das presas acabam vendidas à China; na foto, um barquinho começa a sua odisseia comercial rumo ao à segunda maior economia do mundo
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Artesãos chineses trabalham em presas de mamute: tradição milenar que rende até milhões de dólares por peça

 

VEJAM TAMBÉM: 

A arte de ressuscitar animais extintos

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13 Comentários

pedro em 28 de maio de 2014

gostei do comentario do sr. julio cezar

Julio Cezar em 26 de maio de 2014

Como 10.000 anos ? SE o pastor diz que o mundo tem aproximadamente 6.000 anos. Acho que sua informação não procede e ele está certo.

danilo em 25 de maio de 2014

Parabéns Ricardo Setti pelos assuntos sempre interessantes e importantes.

Daniel em 06 de maio de 2013

Essas peças deveriam ser preservadas? Sim, sem dúvida deveriam. Entretanto, não sei se o conhecimento sobre os mamutes iriam muito além do que já se sabe sobre eles, então não melhor que essas peças sejam comercializadas, do que ainda nessa geração sermos obrigados a ver e estudar ELEFANTES apenas pelos seus vídeos, fotos, ou possíveis fósseis existentes, e lamentar e extinção deles? O mercado de marfim existe, é forte, e quem é que vai acabar com ele? Ninguém vai, é impossível, assim como é impossível acabar com o tráfico de drogas.

José Eduardo em 06 de maio de 2013

Absurdo se permitir que achados como estes possam se transformar em simples objetos de uso e de enfeites domésticos. A história da vida sobre a terra perde muito com este negócio.

Zaratrusta em 05 de maio de 2013

Caro Setti, Interessantíssima reportagem! Parabéns pela escolha e oportunidade de conhecer essa realidade que até então só havia ouvido comentários! É impressionante a insensatez pecuniária sendo promovida com um bem que deveria ser tratado como patrimônio da humanidade! Pelas condições de conservação sob o terreno congelado, quiçá a engenharia genética não conseguiria colher o DNA e preservá-lo para a posteridade? (ao estilo Parque dos Dinossauros...) De qualquer forma é uma fonte com potencial de estudos inusitada, que deveria ser preservada!

Leonel em 04 de maio de 2013

Ontem, o perfil da Veja no facebook publicou esse texto, e claro, abri os comentários para rir um pouco, pois como esperado, não faltaram ecologistas de apartamento indignados com a CAÇA dos mamutes, e com a "disposição humana para matar". Hahahahahaha... De todo modo, Leonel, eu, pessoalmente, fico estarrecido com o fato de a Rússia permitir que esse patrimônio paleontológico seja detonado dessa forma. Abraços

Jonas Calsem em 04 de maio de 2013

Inacreditável que se perca valiosos pedaços da história evolucionista pela futilidade humana, fora a perca genética de presas de um animal extinto, até onde pude ver, muito bem conservadas. Até entenderia se fossem destruídas para algum tipo de pesquisa científica. Agora para criar peças de decoração? Na minha humilde opinião, órgãos internacionais deveriam agir, porque, mesmo estando sobre território Russo ou de quem quer que seja, as presas são patrimônio da humanidade e como tal, deveriam ter fins mais nobre.

Leonardo Cotts em 04 de maio de 2013

Na verdade o patrimônio é paleontológico, e não arqueológico. E deveria estar depositado em um museu e sendo fonte de pesquisa geradora de conhecimento, tal como, parte de um acervo disponível para a população ter contato e informação. Material paleontológico não é de uma pessoa, é de todos, e deve ser disponibilizado a público sempre que descoberto.

jose sebastiao afonso em 04 de maio de 2013

A humanidade é ainda primitiva e bárbara. Se "deliciar" com restos mortais de outro ser vivo, muitas vezes conseguidos através de atrocidades. Depois reclama do destino, que não merecia este sofrimento, esquecendo o rastro de dor e sangue que plantou em sua insignificante e desprezível existência.

Angelo Losguardi em 04 de maio de 2013

Exato, é um patrimônio arqueológico, Setti. E pelo que se vê nas fotos, existem exemplares belíssimos (e assustadoramente longos, imagino o tamanho desses bichos). Fiz a pergunta anterior porque já soube de chineses dando finalidades bizarras a restos de outros animais, moendo, transformando em pó e fazendo "afrodisíacos". Temia que fosse outro caso assim de extrema ignorância. Não deixa de ser, não é, Angelo?

Angelo Losguardi em 03 de maio de 2013

Muito interessante. Não ficou muito claro a mim, no entanto, a finalidade de uso dessas presas. Fazem com elas só esses artesanatos da foto? Em praticamente todos os casos, sim. São caríssimos e muito apreciados, especialmente na Ásia. Acho isso uma completa loucura, Angelo. Um patrimônio arqueológico que a Rússia detonou.

Christian Herzog em 03 de maio de 2013

Tudo pelo dinheiro, que merda!

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