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No Chile, José Tohá, assassinado pela ditadura de Pinochet

Levei um choque, mas não estranhei, ao saber da morte trágica nas mãos da ditadura de Pinochet, em março de 1974, num hospital militar, do homem alto que apare ao lado do presidente chileno Salvador Allende: José Tohá, na foto quando ministro da Defesa.

Tohá, jornalista, fora uma de minhas fontes quando, nos primórdios da carreira jornalística, fui enviado em setembro de 1970 pelo Jornal da Tarde para cobrir as negociações políticas que se seguiram no Congresso à eleição do marxista Allende como presidente. Sem ter obtido maioria absoluta, a Constituição exigia a confirmação do eleito por deputados e senadores.

Tohá foi preso pelos golpistas que derrubaram Allende no mesmo dia do levante, 11 de setembro de 1973, e transferido para um estabelecimento militar na gelada ilha de Dawson, no extremo sul do Chile. Foi barbaramente torturado a ponto de, com 1,92 metro de altura, chegar a pesar 49 quilos. Muito enfraquecido, removeram-no em fevereiro de 1974 para o Hospital Militar de Santiago. A alegação de um suposto “suicídio” no hospital apenas algumas semanas após – mais precisamente em 15 de março – seria desmentida anos depois por uma autópsia: foi assassinado por sufocamento.

Tohá era diretor do jornal socialista Última Hora quando me foi apresentado pelo jornalista mineiro então exilado no Chile José Maria Rabelo, que me ajudou enormemente com contatos na esquerda e se tornaria um amigo muito querido.

(Foto: El Mercurio)

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