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O ar sombrio na redação da revista “Visão” tinha a ver com a barra pesada que foram 9 meses lá

Fernando Morais e eu à porta da acanhada Redação da Visão, na congestionada Rua 7 de Abril, no centro de São Paulo.

O ar sorumbático dos dois — ele um amigo querido, com quem dava grande prazer trabalhar e conviver, e vice-versa — reflete o clima sombrio em que vivemos durante 9 meses de permanência ali. Visão era uma muito boa revista quinzenal para onde um grupo de idealistas se transferiu em setembro de 1974, todos vindos do Jornal da Tarde, a convite do grande repórter Ewaldo Dantas Ferreira com o objetivo de fazer a melhor publicação possível.

Fomos mal recebidos por boa parte da Redação, e esse clima demorou a ser revertido. O pior, porém, seria tornar  objeto de uma campanha sórdida, pavorosa, movida por alguns meios, sobretudo — nunca fiquei sabendo as razões — pelo jornalista Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa.

Tratavam os jornalistas que se transferiram para a revista com os melhores propósitos como sendo um bando de cúmplices de manobra para supostamente destruir Visão e colocá-la “a serviço dos empreiteiros” — quando não escreviam ou diziam coisa pior.

Os suspeitos, na verdade, constituíam um grupo de profissionais muito conhecidos e respeitados em São Paulo. Rolf Kuntz, o redator-chefe, por exemplo, depois de períodos na Folha de S. Paulo e no Jornal do Brasil, tornara-se uma das vigas mestras da cobertura política e, posteriormente, econômica do Jornal da Tarde e titular da formação sólida que se espera de um professor universitário, carreira que ele conseguia administrar juntamente com a de jornalista. Rigoroso consigo próprio, texto impecável, Rolf também se revelou, ao longo da carreira, um grande formador de talentos.

O secretário de Redação, Carlos Brickmann, o Carlinhos — diminutivo desproporcional a sua figura de mais de 1,80 metro e 150 quilos –, era um talento excepcional que chegara a editor da seção Internacional da Folha antes dos 20 anos de idade, passara com êxito, como Rolf, pela sucursal paulista do JB e, como editor de Política do Jornal da Tarde, não deixava transcorrer uma semana sem conseguir um furo.

Nós outros que os seguimos tínhamos também a nossa bagagem.

Fernando Morais, o “Fernando Bê”, começara a carreira adolescente, em Minas Gerais, tivera uma atuação brilhante na área de Artes & Espetáculos do Jornal da Tarde e posteriormente se revelaria um ótimo repórter fuçador de política, participando de coberturas históricas como a da doença que afastou do poder o marechal-presidente Arthur da Costa e Silva e a do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, ambas em 1969.

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