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VENEZUELA EM 1974: Uma das figuras mais interessantes que conheci – Juan Pablo Pérez Alfonzo, idealizador e fundador da OPEP

Quando fui entrevistá-lo em sua imensa casa coberta de hera no bairro de Los Chorros, na parte alta e nobre de Caracas, em novembro de 1974, o advogado, diplomata e ex-ministro Juan Pablo Pérez Alfonzo parecia ter mais do que seus 70 anos.

Pérez Alfonzo abrigava em seu currículo uma vida pública agitada, que implicou, entre outros percalços, em exílio e em cadeia durante ditaduras na Venezuela, mas no qual luzia o título de idealizador, articulador e fundador de uma entidade que jogou nas décadas de 70, 80 e 90 um papel crucial na economia do planeta, e cujo peso ainda não é desprezível: a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com sede em Viena.

Dotado de uma cortesia simples e desarmada, inerente a determinados bem nascidos, era uma figura exótica: cabeça raspada a navalha (algo pouco usual na época), vestido formalmente, com camisa social e paletó, mas com um daqueles estranhos sucedâneos de gravata vistos no Sul dos Estados Unidos e imitados por cantores sertanejos brasileiros — dois fiapos grossos unidos, na altura do gogó, por uma espécie de medalhão.

No meio de seu quintal sombreado por árvores de grande porte, onde nos sentamos a duas poltronas de jardim para a entrevista, que anotei em bloco mas também gravei, havia um automóvel esportivo inglês, um MG, já meio corroído pela ferrugem, disposto sobre uma espécie de pedestal.

— Este é um monumento à negligência dos venezuelanos — esclareceu ele, contando que o carrinho fora adquirido por ele, e utilizado, durante uma longa estadia no México. Ele despachou o veículo por um navio venezuelano e, ainda durante a viagem, começou a deteriorar-se. Os trâmites burocráticos necessários a seu desembaraço na alfândega do porto de La Guaira, próximo a Caracas, tornaram-no imprestável.

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