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Sarkozy se despede de François Hollande, sob os olhares da namorada do novo presidente, Valérie Trierweiler (à esquerda) e da ex-primeira-dama Carla Bruni, ainda acima do peso devido à recente gravidez (Foto: AFP)

Sei que leitores mais conservadores não vão gostar muito deste post, mas acho que a França, a velha, boa e tolerante França, deu hoje uma lição de civilidade ao mundo, na posse do presidente socialista François Hollande.

Não foi apenas o clima de cordialidade em que se deu a transmissão de cargo do conservador Nicolas Sarkozy para Hollande, adversários duros durante a campanha eleitoral. Nem a confraternização com políticos de outras tendências convidados para a cerimônia – como o ex-presidente Jacques Chirac, conservador como Sarkozy e seu patrono, e que acabou, a dias da eleição, declarando que não votaria no ex-afilhado, mas em seu rival.

Nem me refiro, tampouco, ao fato de estar presente a uma cerimônia que fez parte da festa de posse, no Hôtel de Ville – magnífica sede da Prefeitura de Paris – a ex-companheira de Hollande e sua ex-rival dentro do Partido Socialista, Ségolène Royal, mãe dos quatro filhos do presidente e candidata, ela própria, ao Palácio do Eliseu em 2007, derrotada por Sarkozy.

Prefiro me deter no fato de que a vida pessoal do presidente, especialmente sua vida sentimental, passaram longe de qualquer patrulhamento. Lá estava, no Eliseu, pela primeira vez na história da V República, fundada em 1958 – e, ao que se sabe, de qualquer das repúblicas anteriores –, não a cônjuge do presidente, mas a namorada, a companheira, ou como queiram — Valérie Trierweiler, a bela e classuda jornalista de 47 anos com quem Hollande, 58 anos, está envolvido desde 2004 e com quem vive desde 2007.

(Curiosamente, a própria TV estatal francesa havia informado, na véspera, que Trierweiler não estaria no Eliseu para a cerimônia — o que registrei em post anterior).

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Valerie Tierweiler, a bela jornalista de 47 anos: namoro com o presidente começou quando os dois tinham outros parceiros (Foto: revista ELLE)

Os dois não têm planos de casar, e praticamente ninguém na França deu um pio a respeito. O presidente tampouco era casado com Ségolène, com quem teve seus quatro filhos. E passou batido o fato, notório, de que seu relacionamento com Valérie, se começou em 2004, começou enquanto ele vivia com Ségolène, de quem só se separaria em 2007.

Note-se que a própria jornalista estava, àquela altura, casada com o também jornalista Denis Trierweiler, pai de seus três filhos.

Nada de muito novo, na verdade, tendo-se em conta que Sarkozy se divorciou da primeira mulher, Cecilia, durante seu mandato, começou a namorar a cantora e ex-modelo Carla Bruni – que havia tido vários relacionamentos antes, com, entre outros, os músicos Mick Jagger e Eric Clapton, já tinha um filho de um casamento anterior e ainda por cima nasceu na Itália, e não na França – e tornou-a primeira-dama ao se casar com ela em 2008. Carla Bruni tinha 40 anos. O casal presidencial acabaria tendo uma filha enquanto no Eliseu, a pequena Giulia, nascida no final do ano passado.

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Kitty em 16 de maio de 2012

Boa noite caro Ricardo!, Posso estar errada, mas, na minha opinião, papel passado não garante honestidade e conduta ilibada, o que importa é manter o decoro e os bons costumes que a liturgia do cargo exige. Quem escolhe a vida pública e exerce um cargo tão importante como chefe de Estado e que representa o seu país, deve sim dar o exemplo e manter um comportamento digno.Os problemas de alcoba devem ser restritos à intimidade do casal, para não virarem chacotas de paparazzi! Um forte abraço///Kitty

roberto stone em 16 de maio de 2012

O que fica evidente é o bom gosto e a sorte dos presidentes franceses. Belíssimas companheiras!

Vera Scheidemann em 16 de maio de 2012

Com certeza, Ricardo, dá gosto de ver um país que demonstra esse grau de civilidade. Dá uma inveja... Vera

Mari Labbate *44 Milhões* em 16 de maio de 2012

Civilidade, querido Setti, significa NÃO TRAIR! O correto é desfazer a união, e somente na consumação do ato, assumir a nova relação. NINGUÉM aceita ser traído! Você suportaria? Essa Lei Universal funciona em todos os níveis da atuação humana. A vida amorosa reflete os valores éticos das pessoas: entra, no Universo, como aviso aos eleitores, pois os Seres Humanos são INDIVISÍVEIS. Se o indivíduo trai seu cônjuge, trairá TAMBÉM a sua Pátria-Mãe. Com certeza, Hollande trairá a França! Espiritualmente, a traição possui as mesmas Energias que uma punhalada, nas costas de um irmão. O desafio da Humanidade atualmente é resgatar os valores morais. Conseguiremos! O Princípio da Honestidade passa longe dos conceitos de conservadorismo e progressismo, porque integra a Essência do Ser Humano. Prezada Mari, o post não defende a "traição" entre pessoas que mantêm um relacionamento. Apenas chamei a atenção para o fato, para mim relevante e digno de aplauso, de que a vida pessoal de Hollande -- como já ocorrera com Sarkozy -- não veio à tona na disputa política. Um abração!

Dexter em 16 de maio de 2012

As diferenças culturais, mesmo contra a vontade dos atuais detentores do poder que se acham a última bolacha do pacote, sempre aparecem. E não basta ter DNA aristocrático, como Marta Suplicy, que a indigência intelectual aliada à conveniência prevalecem ao bom-senso. E ainda tem Bolsonaros... Mas o que mais me chamou atenção foi a simplicidade da cerimônia, sem todo o circo costumeiro dessas ocasiões, como seu post anterior registrou. Muito bom!

Caio em 16 de maio de 2012

Seu comentário está vazado em termos grosseiros e não será publicado.

Antônio em 16 de maio de 2012

Não é atoa que os islamicos vão,em pouco tempo, dominar os países da velha e decadente Europa.O continente que outrora difundia o cristianismo no mundo hoje está assolado pelo ateismo,pelo marxismo e pela imoralidade.São pessoas sem moral em estados sem identidade nacional com baixissima taxa de natalidade,ou seja,são presas fáceis para a sharia.

Leninha em 15 de maio de 2012

Pois, é. E você aqui fazendo terrorismo com uma foto do Lula com o Alexandre Frota. Realmente eles te deram um banho de civilidade. Vergonha...

Angelo Losguardi em 15 de maio de 2012

Setti, o sérgio lalau aplaude de pé esse post e concorda que a imprensa não deve meter o bedelho na "vida pessoal" dos governantes. Eu discordo, vida pública é uma coisa muito séria e o governante tem que parecer honesto, além de OBVIAMENTE sê-lo. Mas acho que isso tem que ser normatizado, né? A imprensa "progressista" tem que dizer até que ponto o sujeito pode ser um canalha na vida privada. Porque essa mesma imprensa sentou o porrete no Berlusconi (e com razão, na minha opinião) por sua conduta PRIVADA, suas lambanças - pagas com seu próprio dinheiro. Dois pesos, duas medidas?

Titus Petronius em 15 de maio de 2012

Sejamos justos: a política brasileira é uma barbárie nos modos e costumes, mas as transmissões de cargos têm ocorrido de forma civilizada e ninguém dá muita bola para a vida pessoal dos candidatos.

Silas S. Carvalho em 15 de maio de 2012

Caro Ricardo Setti, boa noite. Desculpe fugir completamente do assunto deste post, mas não dá prá esperar uma ocasião propícia. Acabo de ver no programa "Em Pauta" da Globonews, que a previsão de orçamento da copa de 2014 já está 16 bilhões de Reais mais cara do que a soma das últimas três copas do mundo. A Veja teria como checar essa informação? Em sendo confirmado esse número, não seria considerado uma 'bomba' em qualquer democracia do planeta, suficiente para a queda de ministros, presidentes e primeiros ministros? Caro Silas, O pessoal da revista está sempre atento, mas, de todo modo, vou repassar essa informação -- que eu desconhecia -- a diretor de Redação, tá? Muito obrigado e um abração

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