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Uli Hoeness em foto que parece profética, devido a sua situação atual: um ídolo que tomba a ponto de até Merkel se dizer “decepcionada” (Foto: n-tv.de)

Quando alguém sobe muito, a queda é mais feia, ou triste, ou espalhafatosa.

É o caso que acaba de ocorrer com Ulrich “Ulli” Hoeness, presidente do mais poderoso clube de futebol da Alemanha, o Bayern de Munique, o mesmo Bayern que ontem arrasou por 4 a 0 o melhor time do planeta, o Barcelona, pelas semifinais da Liga de Campeões da Europa, na Allianz Arena.

Acusado de fraude fiscal, o dirigente admitiu ter conta livre de impostos na Suíça, em valor ainda não determinado, mas de muitos milhões de euros — talvez 20 milhões (mais de 50 milhões de reais).

Os mais velhos se lembram da espetacular final da Copa de 1974, na então Alemanha Ocidental — aquela mesma em que Zagalo nada sabia do Carrossel holandês que humilhou a Seleção Brasileira e a eliminou do torneio. A fabulosa Holanda do grande Cruyff chegou à final contra a dona da casa, que tinha entre outros o não menos extraordinário Beckenbauer.

Logo aos 2 minutos de jogo, Cruyff entorta o lateral Vogts (futuro técnico da seleção alemã) e, ao entrar na área, é derrubado pelo meia-atacante Hoeness. Pênalti! Outro grande craque holandês, Neeskens, cobra, converte e a Holanda sai na frente — no jogo em que acabaria perdendo a Copa para os alemães por 2 a 1, em Munique, a 7 de julho de 1974.

Esse mesmo Hoeness, que poderia carregar a maldição do pênalti cometido vida afora, defendeu 76 vezes a seleção alemã em suas várias categorias, sendo 35 na principal, e subiu muito na vida: mesmo encerrando a carreira prematuramente, por contusão no joelho, fez carreira como dirigente, tornando-se um manager de extraordinário sucesso do Bayern que, em seu período, entre outros títulos, foi 15 vezes campeão alemão.

Como gestor, não poderia ser melhor: o clube aumentou 10 vezes seu faturamento nos mais de 20 anos de sua gestão, e, em número de sócios — com 100 mil –, só não bate hoje, no mundo, o Barcelona. Não por acaso, ele assumiu a presidência do clube em 2009, sucedendo ao kaizer Beckenbauer, que se tornou presidente de honra. Paralelamente, Hoeness explodiu como empresário: filho de um açougueiro, seguiu no ramo do pai e é dono de uma indústria de frios que fatura 60 milhões de dólares por ano e tem entre seus clientes o McDonald’s alemão.

Era um modelo para a sociedade — e Merkel lamenta

A admissão da fraude fiscal, descoberta e divulgada pela revista semanal Focus — a velha e boa imprensa livre, que esquerdas demagógicas consideram “burguesa” –, não significa apenas encrenca para um grande nome do futebol alemão e europeu.

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Hoeness em ação, nos anos 70: joelho obrigou-o a deixar o futebol aos 27 anos de idade (Foto: Getty Images)

Hoeness, 61 anos, era considerado na Alemanha um modelo para a sociedade, graças aos objetivos que alcançou. No final de 2012, um jornal popular realizou uma consulta e 88% dos alemães disseram que gostariam de vê-lo na política.

Entre suas proezas mais recentes no Bayern, a mais espetacular foi a contratação do treinador mais badalado do mundo, o catalão Pep Guaradiola, responsável pelo recorde de conquistas da história do Barcelona — 18 títulos importantes em apenas 4 anos.

Por tudo isso, um clima de desencanto, tristeza e indignação percorre a opinião alemã, com a perspectiva de Hoeness até ir parar na cadeia, dependendo da extensão de sua lesão ao fisco, a ser apurada pelo Ministério Público e a polícia.

O porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, expediu a respeito uma declaração que diz, a certa altura: “Muitas pessoas estão decepcionadas por Hoeness em nosso país, e a chanceler federal está entre elas”.

Já com a cartolagem brasileira, muito mais incompetente e ineficaz do que um dirigente como Hoennes, e com vida financeira coberta de sombras, fica tudo por isso mesmo — não é?

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11 Comentários

carlos nascimento em 01 de maio de 2013

Vejamos, Bayern de Munique 7 x 0 Barcelona da Catalunha, já é o efeito da gestão Sandro Rosell..... todo declínio sempre começa com as escolhas erradas de dirigentes,vide o futebol brasileiro que está uma maravilha, antes com rt, agora com marin, não é mesmo RS? Sejamos realistas, o BAYERN é hoje o melhor time do planeta, o Barcelona pareceu tão confuso, perdidinho em campo, que até o marido da Shakira fez gol.....contra. É hora de reformulações na Catalunha, sugiro que comecem com novas eleições, o material está saturado, urgente,renovações do elenco e de dirigentes. Já estou prevendo uma final em 2014: Alemanha x quem....quem....quem....mas pra frente lhes digo.

Márcia Maria em 28 de abril de 2013

Seu Setti, q fica bem claro q o dinheiro aplicado, é dele. E q bom q o Carlos Nascimento, não está mais birrento, com o Coringão!

O ANTIPETRALHA em 26 de abril de 2013

Peço sua licença, Ricardo, para que você e os demais leitores vejam a denúncia envolvendo o COL (Comitê Organizador Local) feita ontem pelo Juca Kfouri: http://blogdojuca.uol.com.br/2013/04/joana-festeira-havelange/ É o seguinte: vamos fechar o brasil (com minúscula mesmo)! Milhares de ações de crianças de 6 anos suplicando vagas em creches para o Poder Público, mas o dinheiro público é desviado para assumir obrigações do COL e pagar mordomias para a filha do Ricardo Teixeira. O ANTIPETRALHA

Arilson Sartorato em 25 de abril de 2013

Este alemão cartola sonegador teria vida mansa aqui no Brasil Maravilha do Lula.

Sergio Costa em 25 de abril de 2013

Aqui no Bananão os dirigentes roubam tranquilos e depois ganham uma anistia do governo, pois o futebol é um "patrimônio nacional"...

Roberto Souza em 25 de abril de 2013

Setti, Na Alemanha, esse paisinho atrasado aí, será que ainda não apareceu nenhum político ou mesmo partido para propor a fim do direito que o Ministério Público tem de investigar crimes dessa natureza? O que será que eles estão esperando para consultar o progressista PT e seus aliados? Os petistas podem ensiná-los como elaborar um brilhante projeto para impedir o MP de se imiscuir nessas questões tão delicadas? Essa gente da Europa não sabe mesmo de nada, precisam aprender conosco princípios básicos de democracia, liberdade, independência, seriedade etc.

Marco em 25 de abril de 2013

Don Setti; Abração ao Carlos Nascimento, sempre nobre em seus comentários,mas amigos, reclamar do q ontem da seleção? Acho q o Felipão está certo em testar os nossos jogadores, daqui. Acredito, se ele, perseverar mais 5 ou 6 jogos. Essa seleção de ontem, encaixa. Na minha opinião! Outra coisa, amigos, o q o Palmeiras do A. Nunes. Está esperando para contratar o Fernando Baiano. Ontem, fez mais um golaço. Já disse para o A. Nunes. se Barcos garante 25 gols por ano, Fernando Baiano em forma, faz 50 e olha a parceria q ele tem no São Bernado. Vi jogar no Inter, e o Setti deve conhecer ele melhor do q eu, no Coringão. Sei q é um jogador complicado de lidar, mas para q então serve diretor de futebol. Abs.

carlos nascimento em 25 de abril de 2013

Ricardo, O presente post tem um pouco de tudo, além de futebol, contém política, ética, padrões de comportamento, claro, isso tudo ao nível de visão do primeiro mundo, pois a infração que Uli Hoeness cometeu, comparada aos padrões que as famigeradas figuras que regem o malfadado futebol brasileiro praticam, é piada : rt, del nero, marin, Sanches e sua trupe, estão anos luz na frente nesse quesito. Lá é diferente, errou, tem de pagar, Hoeness terá dias difíceis pela frente. Talvez passe uma boa temporada no XILINDRÓ. Agora me desculpe,talvez seja exagero meu, achei estranho o foco dado no post sobre a ilicitude cometida pelo Presidente do Clube alemão, justamente no dia em que o Bayern de Munique humilhou o seu Barcelona, um "chocolate", daqueles que os espanhóis tão cedo não esquecerão. Alias, estranha coincidência, engraçado, o Presidente do Clube Catalão - Sandro Rosell - é figura carimbada, se tivesse domicilio na Alemanha já estaria atrás das grades há tempos, mas.....sabe como é, Espanha e Brasil, são Espanha e Brasil. Sobre o resultado do jogo - Bayern 4 x 0 Barcelona - é hora de reflexões, creio que está ocorrendo fadiga de material catalão, não tirando o mérito da vitória alemã, o time vencedor jogou com alma, com aplicação tática, com inteligência, além de ter um plantel de alto nível, conjunto entrosado, jogando juntos há mais de 4 anos, Messi nitidamente estava travado, com movimentação física limitada, mesmo isso, não tiram o mérito da vitória alcançada. Ouso prever que o ciclo está em fase descendente, isso também tem muito a ver com os problemas que o Clube Catalão está vivendo internamente, não vaza para a imprensa, mas o Rossel vai levar os seus problemas fiscais para dentro do Clube, podem esperar. O próximo confronto deverá confirmar tudo isso que aqui deixamos expostos, o Barça não terá forças para virar esse resultado. Em tempo: Caro Marco: comparar épocas é difícil, a preparação física hoje é fator determinante, craques com técnica apurada, sem um condicionamento físico adequado não teriam a menor chance de brilharem, são fôlegos díspares, é igual a quebra dos recordes de 100 metros rasos, na década de 80, Carl Lewis fez 9,93 s, um espanto, hoje temos o Usain Bolt com 9:58 s, ou seja, não daria para Carl Lewis sair nem na foto, rs.rs.rs.rs. Abração a todos. Carlos Nascimento.

marcelo cunha - rib preto/sp em 24 de abril de 2013

Germânia é Germânia, Sr. Setti, este aqui é um arremedo de país.

Marco em 24 de abril de 2013

D. Setti, Outra coisa, q queria discutir com o Carlos Nascimento,foi a entrevista, na minha opinião, do maior jogador do Coringão, o Riva, q disse q é bobagem dizer q os jogadores da época romântica, não jogariam hj, e citou como exemplo e prova o Zidane, queria saber se tem alguém q possa contestar isso? Abs.

Marco em 24 de abril de 2013

Don Setti, Puxa, estou tentando me lembrar dele como jogador, impossível é esquecer do Vogts, q extraordinário LD. Olha, o Barça de ontem foi apenas uma caricatura de time. Setti, o Carlos Nascimento, devia "ouvir" mais o Cazão, q na entrevista para Espn, disse q depois do Coringão tem muito carinho pelo São Paulo, q o acolheu em 1984. Então, Carlos Nascimento volta a comentar futebol. Abs.

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