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Gregorio Paunero, 98, sócio do Real Madrid há 75 anos; até presidente ele já foi do clube, por uns dias (Foto: Dani Sánchez – As)

No final da década de 1930, o Real Madrid ainda era um jovem clube de trinta e poucos anos – fora fundado em 1902 – quando Gregorio Paunero se tornou um de seus sócios. Em 2014, aos 98 anos de idade, ele ainda exibe a carteirinha com orgulho: é filiado ao clube há 75 anos, sendo que desde 1954 de maneira ininterrupta.

Então fiscal do Ministério da Fazenda da Espanha, Paunero foi convidado a trabalhar na diretoria da entidade naquele ano pelo próprio Santiago Bernabéu (1895-1978), o mais lendário dos presidentes blancos, que depois daria nome ao imponente estádio onde Cristiano Ronaldo e companhia ainda hoje recebem seus adversários.

De camarote

Integraria a cúpula merengue até 1982, chegando inclusive a exercer a presidência por alguns dias, após a morte de Bernabéu. Viu, portanto, e literalmente de camarote, a grande maioria das principais conquistas da história madridista.

O currículo espantoso abrange as nove Champions League europeia vencidas pela agremiação, incluindo a hoje inimaginável proeza das cinco edições consecutivas arrematadas entre 1956 e 1960 pelo time encabeçado por dois gênios supremos do futebol, o argentino Alfredo Di Stéfano, o húngaro Ferenc Puskás e o espanhol Paco Gento.

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O mitológico argentino Alfredo Di Stéfano e as cinco Champions League conquistadas de forma consecutiva pelo Real Madrid entre 1956 e 1960 (Foto: Marca)

“Sim, claro, vi [no estádio] as nove conquistas”, revelou, tranquilo, Paunero em recente entrevista jornal esportivo As, de Madri. “E ainda costumo ir ver o Madrid [todos os torcedores se referem assim ao Real Madrid, “o Madrid”]. Sou de ir à missa diariamente e ao Bernabéu aos domingos. Tenho 98 anos e não falho nem em uma coisa, nem na outra”.

Para Paunero, o maior Real Madrid de todos os tempos foi o que levou a última das cinco copas seguidas, na temporada 1959-1960, e que na final goleou por 7 a 3 o Eintracht Frankfurt com quatro gols de Puskás e três de Di Stéfano.

Com tanta bagagem, o mais veterano sócio do Real afirmou que considera Cristiano Ronaldo “o Di Stéfano do século XXI”. “Creio que, com Cristiano, voltarão as copas da Europa, porque já faz dez anos que ganhamos a última”, palpitou, se referindo à última conquista continental do clube, na temporada 2001-2002, sob regência de Zinedine Zidane.

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O craque português Cristiano Ronaldo:”Di Stéfano do século XXI” (Foto: Javier Lizón – EFE)

O ditador Franco e o Real Madrid

Na mesma entrevista, Paunero, que diz ter jogado tênis até os 91 anos, respondeu pergunta sobre uma histórica e delicada polêmica envolvendo o Real Madrid: o clube foi ou não foi o “protegido” do ditador Francisco Franco, que governou com mão duríssima a Espanha entre 1939 e 1975?

“Nem de Franco, nem de ninguém”, opinou. “O que acontece é que o Madrid não pode fazer desfeita aos que estão no poder, fosse Franco em sua época ou atualmente ao [presidente do governo espanhol Mariano] Rajoy ou ao [líder da oposição Alfredo] Rubalcaba. Mas o Madrid nunca foi a equipe de Franco. Esta é uma lenda que não corresponde à verdade”.

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4 Comentários

Fã do Diogo Mainardi em 23 de março de 2014

O velhinho logo vai encontrar um ex-craque do Real pessoalmente. O Rafael Lesmes

Bajulador em 21 de março de 2014

Meu primo torce pra Ponte Preta e nunca viu o time campeão nem de bolinha de gude. Tem 85 anos.... Coitado.

Luiz C. em 19 de março de 2014

Maravilha de Post!!!

Meia Verdade em 19 de março de 2014

Esse privilégio, não é só dele. Aqui no Brasil, um senhor (EU) viu seu SANTÁSTICO, de Pelé, Coutinho, Mengálvio e Pepe...Juary e seus jovens...Robinho e Diego...Neymar e cia, acumular títulos e mais títulos. Eu e o sr Gregorio, sabemos o que é ser feliz.

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