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Paulo Henrique Ganso com a camisa de seu novo time, o São Paulo: “vira-casaca” (Foto: Rubens Chiri – saopaulofc.net)

Por Daniel Setti

Dando o que falar não apenas por se tratar da maior transferência entre clubes brasileiros da história – fala-se em R$ 17 milhões – a ida de Paulo Henrique Ganso do Santos ao São Paulo também repercute imensamente por se tratar de mais um capítulo na história dos jogadores que “viraram a casaca”. Para leigos no futebol, a expressão designa os atletas que deixam um clube para atuar em um grande rival.

É bem verdade que em São Paulo e no Rio de Janeiro, cada qual com quatro grandes times disputando as atenções dos torcedores, as chances de isso acontecer são maiores. Mesmo assim, toda vez que um craque troca de cores, a notícia explode e faz um barulhão, principalmente para a torcida da equipe “traída”.

Já em países menores, mas igualmente loucos por futebol, como Inglaterra e Espanha, a virada de casaca pode ser um pecado tão capital entre rivais de regiões diferentes quanto para os brasileiros é no âmbito municipal ou estadual.

Aproveitando o episódio Ganso, repasso cronologicamente mais sete casos, brasileiros ou europeus, nos quais a negociação de um jogador por entidades arqui-rivais foi um acontecimento extraordinário. Só valem casos em que o atleta migrou diretamente de um clube ao outro (caso contrário a lista de “viradores de casaca” tenderia ao infinito).

-Nelinho (do Cruzeiro ao Atlético Mineiro em 1982)

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Fotos: Placar e Sérgio Berezovski

Tanto cruzeirenses quanto atleticanos têm hoje em dia o lateral-direito de potentíssimo e preciso chute como ídolo. O que não significa que a transação de 30 anos atrás não tenha chocado Belo Horizonte.

-Bebeto (do Flamengo ao Vasco em 1989)

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Fotos: Gazeta Press

A carinha de santo de Bebeto não o impediu de cometer o maior dos sacrilégios para um flamenguista: deixar o rubro-negro para vestir a camisa do Vasco.

-Rincón (do Corinthians ao Santos em 2000)

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Fotos: Alfa

Enfurecida, a torcida corintiana produziu réplicas de cédulas de dólar com a foto do volante colombiano e os dizeres “Rincón Mercenário” na primeira vez em que ele enfrentou o ex-time pelo Santos, em março de 2000.

-Luis Figo (do Barcelona ao Real Madrid em 2000)

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Fotos: Lancepress

Possivelmente o caso que mais pano para manga deu mundialmente. Em clássico ocorrido em novembro de 2002, o normalmente educado e contido público do Camp Nou “presenteou” o “traíra” Figo com desde garrafas de uísque a uma cabeça de porco – sim, uma cabeça de porco. O meia luso  anteriormente prometera nunca trocar o Barça pelo Real.

O vídeo abaixo é imperdível: Figo simplesmente não consegue bater um simples escanteio (e, quando por fim consegue, quase marca gol olímpico). Em seguida, o jogo teve que ser interrompido e o capitão do próprio time da casa, o grande Carles Puyol, teve que dar bronca nos torcedores.

Foi neste dia que, pela primeira vez, ecoou no estádio catalão os gritos de “ese portugués / hijoputa es”, atualmente reservados aos lusitanos Cristiano Ronaldo e José Mourinho.

httpv://www.youtube.com/watch?v=N_Ny5nD1U8g

-Ricardinho (do Corinthians ao São Paulo em 2002)

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Ricardinho, com a camisa do São Paulo, enfrantando o clube no qual foi ídolo, Corinthians (Foto: Rubens Chiri – AE)

“Não aceitamos mercenário”, cantava parte da massa alvinegra no Pacembu em 2006, quando Ricardinho retornou ao Corinthians. As mágoas pela opção do meia pelo tricolor quatro anos antes ainda persistiam. Acabaria ainda atuando em outro rival corintiano, o Santos, onde rendeu muito mais do que no São Paulo — mas menos do que em seu auge no Corinthians.

-Carlos Tévez (do Manchester United ao Manchester City em 2009)

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Pelo Manchester City, Carlitos Tévez disputa bola com Ryan Giggs, seu ex-companheiro no Manchester United (Foto: PA)

Como se não bastasse o ódio que gerou nos Red Devils por mudar ao oponente centenário municipal – mediante 47 milhões de libras, ou espantosos 154 milhões de reais -, Tévez ainda criaria enormes casos com o técnico do novo clube, recusando-se a entrar em campo. Algo que lhe fez rendeu, durante um período, má fama entre ambas as duas torcidas de Manchester.

-Fernando Torres (do Liverpool ao Chelsea, em 2011)

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A reação de torcedores do Liverpool a saída de Torres para o Chelsea, de Londres (Foto: ilonline)

Bem, a imagem acima diz tudo.

 

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11 Comentários

Teresinha em 02 de outubro de 2012

O caso do Ganso tem um diferencial, a lesão, além do afastamento, deixou o Neimar com o favoritismo de estrela do time. Ele fez o certo para sua sobrevivência como jogador, pois o Santos já tinha jogado a toalha quanto a sua recuperação. São Paulo está oferecendo um bom tratamento, espero que se dedique e faça jus, pois ainda é jovem e dá tempo de recuperar seu lugar e seu brilho. Boa sorte e siga em frente para o bem o futebol brasileiro!

Ismael Pescarini em 01 de outubro de 2012

Daniel, dizem que agora o Ganso virou Cisne (foi para o São Paulo).

carlos nascimento em 01 de outubro de 2012

Caro Daniel, Além da música vejo que vc aprecia também o futebol, bom gosto é isso ai. A grande maioria que convive por aqui sabe que sou Santista, o nosso amigo Colorado - Marco - pode confirmar isso, porém, temos consciência e equilíbrio para avaliar as "coisas do futebol" como elas são verdadeiramente. No caso do GANSO, posso falar sem medo de errar, a culpa é dos dirigentes - LAOR - que não teve competência para gerir o elenco vencedor de 2010/2011, se atrapalhou todo, as finanças do Clube entraram em parafuso, arrebentando a corda no lado mais fraco do elo, no caso o do Atleta,explico: Após a conquista do título em 2010, foi prometido as duas principais estrelas do Santos - Neymar e Ganso - tratamento iguais no desenvolvimento de suas carreiras, a promessa ficou pela metade, cuidaram da carreira de Neymar, esqueceram de Ganso, pior, se aproveitaram que o atleta no pleno exercício de trabalho pelo Clube, veio a sofrer contusões sérias, passaram então a cozinhar a "ave" , o tempo foi passando, nada de cumprirem com o prometido, veio a crise de caixa, passaram então a segunda fase da farsa,jogar o jogador de encontro à torcida, o final já sabemos, o Santos perdeu o principal jogador da máquina, é isso, o resto a mídia se encarrega de azeitar. Sou torcedor diferente, desde já desejo que GANSO seja muito feliz no tricolor paulista. A maioria das vezes quem cria o "climax" de revolta são os dirigentes, em suas covardias e incompetências ao não terem transparências de suas administrações. abração Carlos Nascimento.

Rosana em 30 de setembro de 2012

1. Os torcedoes tem direito a ser vira-casacas? Ora, esses jogadores só ganham milhões por causa da fidelidade apaixonada das torcidas. Se o torcedor pensar assim também poderia abandonar o clube quano ele está mal ou com uma diretoria ruim. 2. O motivo desses jogadores passarem miséria não é a carreira curta, mas sim a má gestão. Não estudam, tem milhões de ex e filhos para pagar pensão e não se preparam para o fim. 3. Quem vai investir em categorias de base com mercenários desses? Fere-se a alma do futebol. Por isso o Brasil está tão desmotivado em relação ao futebol. Não é mais o país do futebol, mas sim o país da jogatina do Futebol e isso começa pela CBF, vai pra Copa e chega ao oportunismo desses mercenários.

Leonardo Saade em 30 de setembro de 2012

Infelizmente os tempos em que um jogador era identificado pelas cores de um clube acabaram. Zico do Flamengo, Roberto Dinamite do Vasco, Rivelino do Corinthians...

Thiago em 30 de setembro de 2012

Só esqueceu o holandes Van Persie dos Gunners para os Red Devils Deus do céu, Thiago, não quis esgotar TODOS os casos. Haveria centenas. Limitamo-nos a fornecer alguns exemplos...

Reges em 30 de setembro de 2012

Só para corrigir na foto em que o Ricardinho aparece ele esta jogando contra o Vasco da Gama, time em que Marcelinho Carioca atuava nesse jogo e não no Corinthians como esta escrito abaixo da imagem...

Marco em 30 de setembro de 2012

Dom Setti: Daniel, não vou perder a oportunidade de dar uma cutucada, no nosso amigo Carlos Nascimento,o Tricolor Paulista é o maior atravessador de negócios no Brasil, ou seja é um pirateador de transações no futebol brasileiro, vou aguardar o q o Carlos Nascimento, tem a dizer. Se isso é ético ou não. Risos... Abs.

Marco em 30 de setembro de 2012

Dom Setti: Daniel, sou totalmente contra a essas transações, acho q quem só ganha é o jogador, hj até saiu no Globo esporte, uma matéria sobre isso, Cuca q trocou o Grêmio pelo Inter até falou, sobre isso e concordo com ele, muitos ídolos clubísticos identificados, como antigamente, vivem na miséria, só com a fama do passado. Jogador é profissional e ponto, se teu pai receber uma proposta d 5 vezes mais do q ganha, ou qualquer outro, se não aceitar, acho q estaria indo contra a sua família. Minha opinião éq os clubes , não tem q gastar com ídolos rivais, mas sim, investir e fazer ídolos na base, me lembro um caso recente no Inter, o Tricolor paulista, queria por q queria o Guinazu, hj o maior ídolo da torcida, acertou tudo com o Guina 1 e depois foi procurar o Inter, o Inter respondeu para tricolor, sem problema, desde q a troca seja pelo Rogério Ceni, terminou a investida. Na dupla Gre-Nal a maior transação q me lembro foi a do Batista em 1980. E q não deu certo! Abs.

André em 30 de setembro de 2012

Ronaldo fenômeno,do Flamengo para o Corinthians.

Rochinha em 30 de setembro de 2012

O Poder Judiciario eh o mais PODRE dos PODERES, fazem jogada com os outros Poderes.

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