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Cruyff diante de um cartaz de sua fundação: ocupando lugar de honra no panteão dos maiores de todos os tempos (Foto: Claudio Versiani)

Ele revolucionou, como jogador e como técnico, o jeito de jogar futebol do F. C. Barcelona, é considerado o grande criador e inspirador do estilo de jogo que fez do Barça o melhor time do mundo, vive na cidade de Barcelona há 40 anos, tem três filhos catalães e chegou a ser presidente de honra do clube — honraria que lhe foi vergonhosamente retirada pelo presidente do Barça, Sandro Rosell, pouco depois de assumir, em 2010.

Por isso, obteve enorme repercussão a entrevista que o grande Johann Cruyff — um dos gigantes definitivamente entronizado no panteão dos melhores da história — concedeu a uma emissora de TV de seu país, a Holanda.

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Cruyff como jogador do Barça, saudando a torcida: carreira impressionante, com 22 titulos e 3 Bolas de Ouro (Foto: EFE)

Perguntado sobre para que time torceria no confronto que terão, na fase de grupos da Copa de Campeões da Europa, o Barça — clube central em sua vida — e o Ajax, time holandês em que se projetou, Cruyff surpreendeu ao responder:

— Pelo Ajax, claro.

O repórter perguntou:

— O senhor vai assistir à partida que os dois travarão no Camp Nou [campo do Barça]?

Cruyff respondeu:

— Não. Não piso no estádio enquanto Sandro Rosell for presidente do clube.

Homem de vida pessoal irrepreensível, financiador do próprio bolso de uma fundação que aos oucos se espalha pelo mundo e trabalha em prol da educação e do esporte, Cruyff não apenas ficou justamente chateado pela desfeita de Rosell em relação a seu título honorífico. Ele tem sérias reservas sobre a forma como o ex-alto executivo da Nike administra o Barça, embora evite comentar em detalhes o que sabe.

Para se compreender bem o que significa a entrevista de Cruyff e seu peso no futebol do Barça, da Espanha e da Europa, é preciso lembrar que, em sua trajetória como jogador, ele abocanhou 22 títulos, ganhou três Bolas de Ouro e fez 425 gols em partidas oficiais. Como treinador, foi 14 vezes campeão.

O grande Johann Cruyff, hoje com 65 anos, não apenas em seus primeiros anos colocou a Holanda no mapa do futebol ao ganhar incríveis e sucessivas três Copas dos Campeões da Europa (hoje Champions League) com o então pouco expressivo Ajax (1971, 72 e 73) como depois encabeçou a Laranja Mecânica, lendária seleção de seu país que encantou o mundo na Copa de 1974.

Contratado pelo FC Barcelona em 1973, seu futebol extraordinário foi decisivo para levar o clube, logo em 1974, a seu primeiro título de campeão da Liga Espanhola após uma dolorosa travessia do deserto que já durava 14 anos.

Após passagem pelo futebol norte-americano e um retorno à Holanda, voltaria ao Camp Nou para fazer história como técnico do fabuloso dream team do Barcelona no início dos anos 1990, faturando quase inacreditáveis quatro títulos espanhóis consecutivos e a primeira das três Copas da Europa ostentadas hoje pelo melhor time do mundo.

“Cruyff deixou no Barcelona um testamento ideológico, trabalhado sobre o gosto futebolístico do espectador, a quem ele educou”, disse certa vez o ex-craque argentino Jorge Valdano, ex-diretor de esportes do maior rival do Barcelona, o Real Madrid. “A ponto de que hoje é impossível triunfar no Barcelona sem jogar bem o futebol. Em Barcelona, ele é como o Oráculo”.

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7 Comentários

diogo em 16 de setembro de 2013

Esse cara(Cruyff) foi o maior jogador de futebol que vi atuar,muito mais cerebral que Pelé,Maradona ou Messi. Este cara foi fantástico.

Leonardo Saade em 13 de setembro de 2013

E eu achava que o desprezo pelos jogadores históricos era coisa de brasileiro. Assim como foi um absurdo ver Eurico Miranda expulsar Roberto Dinamite de São Januário, o mesmo ocorre com o tratamento dado a Cruyff pelo Barcelona . Presidentes e diretorias de clubes de futebol vem e vão. Os craque históricos são eternos, são eles que motivam a paixão dos torcedores pelo seu clube. Bola fora do sr. Rosell!

João C. em 13 de setembro de 2013

Luiz C. acho que seria uma vitória da Holanda de 74, que reinventou o futebol e parou em uma Alemanha que se não tivesse Muller, Beckenbauer, Maier ou não jogasse em casa (qualquer uma das opções) não teria sido tão formidável à melhor Seleção que o mundo viu pós-Pelé. O Brasil de 70 seria um jogo mt interessante.

Luiz C. em 13 de setembro de 2013

O Maior Jogo de Todos os Tempos que não aconteceu: A Holanda (Laranja Mecânica) de 1974 e o Santos de Pelé (no auge)...

toninho malvadeza em 13 de setembro de 2013

Para os garotos de hoje que acham que jogam bola.Tentem ver vídeos deste GÊNIO e CRAQUE que fica atrás só de Pelé,Maradona e Zico.

leo peixe cabeça em 12 de setembro de 2013

Irrepreensível. Mas, apenas um detalhe: Barça não foi o melhor time de futebol, mas sim o Santos de Pelé.

Marco em 12 de setembro de 2013

Don Setti, para mim esse Sr.jogando futebol foi um gênio. Se não me engano ele jogou com Ajax em São Paulo não me lembro onde e contra quem. Meu Deus do Céu. Para mim o melhor centroavante q vi jogar. Ele e o Fenômeno é páreo duro. Então meu amigo. Estátua para ele. E não se fala mais nisso.Esse presidente do Barça passa e ninguém mais se lembra, aliás só vão se lembrar dessa bobagem inferior. Abs.

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