E mais: Marco Maciel rumo ao Senado sem alarde, Ciro Gomes e o trabalho em família, o outro André Franco Montoro, a gravata de Lula, um acerto do PT em Alagoas, políticos botocados e Dona Ruth Cardoso utilizando aviões de carreira 

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A campanha do ex-governador Anthony Garotinho à Presidência, com todo o respeito, tem sido patética. Sem aliados e sem dinheiro, o presidenciável do PSB vem concentrando seu corpo-a-corpo no próprio Estado do Rio de Janeiro que governou – afinal, é mais fácil, porque é mais barato, ele é mais conhecido e, de alguma forma, acaba ajudando na eleição de sua mulher, Rosinha, a favorita na corrida para o Palácio Guanabara.

Quando eventualmente sai do Rio, é aquela tristeza: carreatas com meia dúzia de automóveis e alguns gatos pingados, supostamente “militantes” agitando bandeiras, enquanto o candidato, de cima de um carro, acena para calçadas vazias ou absolutamente indiferentes.

Para compensar, o ex-governador resolveu arrebatar para si, nos debates entre presidenciáveis realizados pela TV, uma espécie de papel de animador de auditório, como ocorreu no encontro desta segunda-feira, dia 2, na Record, com mediação de Boris Casoy: ataca todo mundo, faz piadas, dirige “pegadinhas” aos adversários. Com sua experiência de radialista e verve, se sai bem. Mas votos, que é bom…

No mais – podem checar nos jornais –, sua agenda de trabalho quase invariavelmente menciona dois importantíssimos itens: “reunião com assessores” ou “gravações para o horário eleitoral”.

Considerando, no segundo caso, que os presidenciáveis só terão 19 programas para gastar até o final do segundo turno, e que Garotinho dispõe de precisos 2 minutos e 13 segundos por programa (dois por dia), se a agenda fosse para valer ele teria gravado programa para uma campanha de seis meses e não, como é o caso, de meros 45 dias.

O ex-governador se proclama “independente” de forças políticas tradicionais e de apoiadores financeiros de peso. A verdade, porém, é que ele não está nessa situação por opção própria, mas porque não teve outro jeito.

Foi isso, aliás, que lhe disse pessoalmente o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, durante o debate entre candidatos da Rede Bandeirantes, há algumas semanas, em que Garotinho criticava os apoios recebidos por Lula:

— Você não está aliado a ninguém porque não conseguiu, Garotinho.

Lembremo-nos de que seu atual candidato a vice, o deputado federal do Maranhão José Antonio Almeida (39.512 votos nas últimas eleições), foi a sétima – sim, a sétima – opção de Garotinho: seu primeiro escolhido, o falante ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça Paulo Costa Leite, evaporou-se no ar quando veio à tona seu passado de funcionário do extinto SNI, o serviço de espionagem da ditadura.

Cinco outros convidados, em constrangedora sucessão, recusaram.

Qual terá sido a estratégia de longo prazo concebida pelo ex-governador? Por que ele deixou o Guanabara quando tinha excelentes chances de reeleição e poderia, com um mandato a mais no governo do Rio, firmar-se mais solidamente como figura nacional?

Como ele finge que vai para o segundo turno e nem pensa em responder a tais questões, cabe traçar hipóteses. Pode-se argumentar que Garotinho enxergou longe e constatou que o presidente eleito nas atuais eleições fatalmente tentará a reeleição em 2006. Já que é muito difícil enfrentar um presidente postado no Palácio do Planalto, seria melhor, pois, lançar-se à batalha neste ano mesmo.

Acontece, porém, que, como as coisas não andaram nem um pouco como o ex-governador imaginava, e como ele visivelmente pretende gastar todos os cartuchos na tentativa de ser presidente, Garotinho acabará, sim, enfrentando um presidente eleito em 2006.

Com a diferença de que, a essa altura, quem estará desfrutando de um mandato será sua mulher, e não ele.

Em silêncio

Discreto, assim como quem não quer nada, com aquele seu perfil que poderia ter sido traçado por Modigliani, o vice-presidente Marco Maciel (PFL) – sem nenhuma atenção da mídia “nacional” – está estourando nas pesquisas locais como favorito absoluto para ocupar uma das duas vagas de Pernambuco no Senado.

Em família (1)

A preocupação com a qualidade insatisfatória do programa do presidenciável Ciro Gomes no horário eleitoral gratuito – nunca admitida pelo candidato – levou um importante membro de seu staff a contatar um experiente marqueteiro que não está trabalhando na atual campanha para, eventualmente, integrar-se ao time ainda comandado pelo publicitário Einhart Jacome da Paz.

A coisa não andou porque Ciro ignorou a sondagem. Ele continua apostando em Einhart, que é seu cunhado – casado com sua única irmã candidato, Lia, que vive em São Paulo.

Einhart não é o único membro da família a participar do esforço eleitoral de Ciro: um de seus irmãos, Lúcio, é o caixa da campanha, e outro, Cid, prefeito de Sobral (CE), integra informalmente seu time de conselheiros. O irmão Ivo, que foi secretário de Educação de Sobral, palpita menos na campanha.

Em família (2)

Está concorrendo à Câmara dos Deputados pelo PSDB de São Paulo o economista André Franco Montoro Filho, o mais velho dos sete filhos do falecido ex-deputado, ex-senador, ex-ministro e ex-governador (1983-1987) Franco Montoro, fundador do PMDB e do PSDB.

Ex-presidente e vice-presidente do BNDES (1985-1987), André Montoro foi secretário do Planejamento de São Paulo de 1995 a este ano, tendo sido, ao lado do economista Yoshiaki Nakano na Secretaria da Fazenda, peça-chave no saneamento das finanças do Estado promovido pelo falecido governador Mário Covas, após oito anos de gastança doidivanas dos governos Orestes Quércia (1987-1991) e Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1995).

Um de seus irmãos, Ricardo, também tem mandato: é líder do PSDB na Câmara Municipal paulistana e uma das mais salientes pedras no sapato da prefeita Marta Suplicy (PT).

Fashion news

Além de uma eventual parceria no segundo turno da eleição presidencial, caso o candidato tucano José Serra não chegue lá, há algo mais que aproxima o presidente Fernando Henrique do presidenciável petista Luiz Inácio Lula da Silva: o nó da gravata.

O ex-usuário de macacão Lula tem ostentado, em suas andanças por salões elegantes do país e também no horário eleitoral, o nó chamado pelos especialistas de half Windsor.

O nó Windsor, cheio e de formato triangular perfeito, exige cinco laçadas diferentes e foi inventado pelo Duque de Windsor, o legendário bon vivant que renunciou ao trono britânico em 1936 para casar-se com uma americana divorciada, passou o resto da vida em Paris e tornou-se um parâmetro de elegância.

O half Windsor de Lula e de FHC é o nó Windsor com uma laçada a menos de um dos lados. Está de acordo com os melhores manuais, mas tem um defeito: fica meio torto.

Heloísa e Collor

E comprova-se agora que o PT, por ínvios caminhos, acabou acertando a mão quando decidiu intervir no diretório regional de Alagoas, que remanchava em repetir, no Estado, a aliança com o PL que Lula fez em nível nacional.

Como Fernando Collor, pelo partideco PRTB, está disputando cabeça a cabeça a liderança nas pesquisas de intenção de voto com o governador Ronaldo Lessa (PSB), se a senadora Heloísa Helena insistisse em manter sua candidatura pelo PT com certeza tiraria votos de Lessa – e, portanto, faria o exato contrário do que querem os petistas: colocar o ex-presidente de novo no (significativamente denominado) Palácio dos Martírios.

Botox masculino

Depois das cirurgias plásticas e das tinturas – que, como se sabe, colorem cabelos e bigodes até de ex-presidentes –, o botox chegou à ala masculina dos políticos.
A panacéia anti-rugas – que, segundo o colunista José Simão, da Folha de S. Paulo, confere às mulheres botocadas “cara de égua de charrete” – já é usada por um bom número de deputados e senadores.

O mais recente caso é o do deputado Pauderney Avelino (PFL-AM).

Low profile

Nada de jatinhos exclusivos e aparatos de segurança espalhafatosos.

A primeira-dama Ruth Cardoso tem preferido deslocar-se de Brasília a São Paulo, onde o casal presidencial tem sua casa, e vice-versa, em vôos de carreira e de forma discretíssima. Não raro ela vai da capital para São Paulo às sextas-feiras, no vôo SL 5183 da Rio-Sul, acompanhada apenas de uma assessora e de uma assistente.

Ao desembarcar no aeroporto de Congonhas, não se notam aqueles inequívocos agentes de terno cinzento e óculos escuros, olhando para todos os lados.

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