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Castello  (de terno escuro, em primeiro plano) inaugurando uma rodovia no DF em 21 de abril de 1966: estou sorridente, sabe-se lá por quê, sem terno nem gravata, atrás do general Ernesto Geisel (Foto: Adão Nascimento)

Como contei num post anterior, meu primeiro presidente foram dois — Castello Branco e Juscelino Kubitschek. Mas Castello não estava presente, estava sendo “eleito” pelo Congresso, e com o voto de JK, que depois ele, Castello, viria a cassar.

Mas com o marechal-presidente Humberto de Alencar Castello Branco (1964-1967) eu protagonizaria uma das maiores mancadas da minha carreira, que vou contar em seguida.

Tive poucos contatos com Castello, pois em sua época eu, jovem jornalista em início de carreira, tinha na sucursal de Brasília de O Estado de S. Paulo não a incumbência de cobrir a Presidência da República, destinada a colegas mais calejados, mas de cuidar dos ministérios — todos.

A tarefa, dura, era menos impossível do que parece, porque boa parte da estrutura dos ministérios ainda estava no Rio, e os ministros permaneciam mais tempo na velha do que na nova capital.

Nessa faina de cobrir ministérios, uma vez reportei uma cerimônia no Palácio do Itamaraty, ainda em obras, a que compareceu o presidente. De outra feita, num plantão de fim de semana, fui encarregado de cobrir a inauguração de uma rodovia próxima a Brasília pelo presidente — e acabei aparecendo na foto que está logo no começo deste post.

Houve mais duas ou três ocasiões semelhantes, mas jamais se deu a oportunidade de entrevistá-lo ou mesmo lançar uma pergunta rápida, que pudesse render alguma notícia.

A mancada foi no dia da posse do sucessor

A ocasião para isso, e a mancada monumental, aconteceu no dia em que tomaria posse o segundo presidente biônico da ditadura militar, marechal Arthur da Costa e Silva, a 15 de março de 1967.

Além da importância intrínseca do evento, a posse representava adicionalmente a passagem do poder das mãos do líder da ala considerada “intelectual” das Forças Armadas, o marechal Castello Branco, para um nome afinado com a chamada “linha dura” do regime e em muitos sentidos um antípoda do antecessor: seu ex-ministro da Guerra (nome naquele tempo do depois extinto Ministério do Exército).

Eu tinha então meros dois anos de prática. Fora estagiário não remunerado numa agência de notícias que não mais existe, a Interpress, redigira durante 10 meses noticiários para uma emissora de rádio, a Rádio Planalto, e estava integrado há um ano à sucursal do Estadão em Brasília.

Para a cobertura do evento, o chefe da sucursal, M. Vilela de Magalhães, espalhou repórteres e, em menor número, fotógrafos nos diversos cenários em que a solenidade transcorreria.

Como cortesia a Costa, Castello, que voltaria a morar no Rio, se mudara na véspera do Palácio da Alvorada para a suíte presidencial do Hotel Nacional. De lá, seguindo o protocolo, ele iria a horas tantas para o Palácio do Planalto, onde transmitiria o cargo e a faixa presidencial a Costa e Silva, àquela altura já empossado pelo Congresso.

Subi até o andar do presidente, e ninguém me barrou

Ao jovem repórter coube, como uma das tarefas do dia, ir ao hotel, alojando-se no posto de observação possível diante da férrea segurança presidencial.

À chegada, dei-me com um quadro inesperado: o dispositivo de segurança no lobby do que era então o supra-sumo do hotel em Brasília, parecia pequeno e discreto, apesar do inevitável burburinho, inclusive de repórteres e fotógrafos. Sem maiores problemas, e para minha surpresa, marchei rumo aos elevadores e apertei o botão do andar da suíte presidencial, disposto a seguir enquanto não fosse barrado.

O elevador chegou a seu destino, saí dele e novamente não imaginava o que vi: nos corredores do andar havia um único segurança, de terno e gravata, e ele não reagiu à minha presença. Isso em pleno regime militar, não custa lembrar. Um único segurança, e sem me incomodar.

Fiquei por ali, zanzando no saguão dos elevadores, aguardando alguém me forçar a ir embora.

Faltou fazer a lição de casa

A certa altura, e de repente, surge, dirigindo-se aos elevadores, lépido, à frente de um pequeno grupo de auxiliares, o próprio presidente Castello, com aquele ar de quem acaba de barbear-se e tomar banho.

Como nunca imaginei na vida que fosse cruzar num corredor de hotel com Castello, sozinho e sem ser importunado, num dia importante para a biografia do presidente e para o próprio país, eu, boboca, deixara de fazer a elementar lição de casa: preparar previamente perguntas para o caso de essa eventualidade remota concretizar-se.

Qualquer resposta a uma boa pergunta poderia, no dia seguinte, ser manchete. Costa e Silva havia prometido “humanizar” a política econômica de Castello desde sua primeira entrevista como “candidato” à eleição indireta. Então, por que não perguntar a Castello, por exemplo, mesmo naquela correria da saída da suíte, qual sua opinião a respeito?

A “revolução” de 1964 mudaria os rumos da economia com o novo general-presidente? Haveria um gordo cardápio de outras potenciais perguntas – sobre política, sobre relações exteriores, sobre direitos humanos, violados durante seu mandato (seriam mais e em maior número dali para a frente), sobre os próprios planos do marechal para o futuro.

Mas não. Minha reação de repórter foi a mais bisonha possível: perplexo com esse quase encontrão com o presidente, que me encarou entre surpreso e contrafeito, não consegui perguntar nada. Fiquei mudo. Quando ele já se aproximava da porta aberta do elevador, dos lábios do jovem repórter saiu a bobagem óbvia e rasteira:

— O senhor está indo para o Palácio do Planalto, não é, presidente?

Ele apenas me olhou e, claro, nem respondeu.

A porta do elevador se fechou, e tive vontade de me enfiar debaixo do sofá que havia no saguão.

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O marechal-presidente Castello Branco na sala de reuniões ministeriais no Palácio Laranjeiras, no Rio (Foto: Braz Bezerra )

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37 Comentários

neusa leoncini em 13 de maio de 2014

Recordações da ditatura militar. Trabalhava na época no correio popular de Campinas. Página bobinha, feminina. Eu, completamente, alienada, preocupada como pagar minha faculdade e contas do mês... Mas me lembro bem - o jornal jamais foi molestado pela censura. Também a autocensura só publicava amenidades. Ninguém ousava instigar os militares. E tudo fuia em céu de brigadeiro. Sem trauma algum...

neusa leoncini em 13 de maio de 2014

Leio sobre sua "mancada" ao não ter palavras diante do marechal Castelo. Tive a minha, em outras circunstâncias. Foca de jornal, escrevia apenas bobagens sobre moda e sociedade. Por simples coincidência familiar fui com meu tio e tia á casa do então Ministro da Justiça Gama e Silva. Descobri anos depois lendo a Veja que ali foi gestado o Ano Institucional n. 5 - Éramos apenas 5 pessoas - os dois casais e a menina boba. Até hoje me lembro dos gritos que saiam do escritório ligado ao living onde as 3 mulheres, apenas, estavam sentados. Quanto informação eu não teria captado nesse momento terrível - o antes e o depois do A. 5. Se vc tiver interesse em saber como foi é só entrar no meu email.... Incrível, Neusa! Que boa história! Abraços

Kitty em 28 de julho de 2012

Caro Ricardo, Só para arejar, me afastar um pouco da celeuma do mensalão e da CPI do Cachoeira que voltei à seção Bytes de Memória- Gaveta de Presidentes e não é um comentário sobre o Prêmio Nobel de Literatura Vargas Llosa. Como você sou uma fervorosa defensora da Democracia mesmo cheia de defeitos, não inventaram nada melhor e nunca mais seríamos tolerantes com o mínimo aceno de qualquer ditadura. Na época das nossas ditaduras, incluindo Argentina, com os seus presidentes militares, eles tinham a missão de excluir o sufocante comunismo que queria impor-nos outra ditadura, a da pátria do proletariado leninista-marxista, tendo como exemplo a revolução cubana. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo se dividiu em dois blocos: o comunismo russo e o imperialismo americano, e os nossos militares queriam evitar que o comunismo se instalasse nos países da América Latina. Caro Ricardo desculpe este longo preâmbulo, mas para chegar ao ponto do meu comentário precisava deixar claro que não defendo os militares, mas sim os valores que como homens pudessem ter, independentemente, de seus atos como ditadores. Nestes últimos tempos fomos bombardeados de inúmeros casos de corrupção, mesmo naqueles que um dia brandiam as bandeiras da ética e defendiam uma maneira diferente de fazer política. O caso que vou lhe contar se refere a um militar o Marechal Castelo Branco e ao ex-presidente Lula da Silva. Estou certíssima que você deve se lembrar muito bem quando de forma desesperada com que o ex-presidente Lula, saiu em defesa do seu irmão, que não me lembro o nome, que recebera quinze milhões de reais da Telemar, para tocar sua empresa, de forma nebulosa e intrigante. A primeira reação do apedeuto, que no momento o entorno tratou de abafar o caso considerando-o como desespero para socorrer uma pessoa da família. Mas não todas as pessoas acreditaram nisso ao fato de que estaria o ex-mandatário em conluio com aquela situação vexatória e vergonhosa. Há apenas uns poucos anos, num período em que os brasileiros batizaram por “anos de chumbo”, ocorreu um fato parecido, envolvendo o primeiro presidente do golpe de 64, o marechal Castello Branco: O seu irmão exercia um cargo público, na Receita Federal ( a minha fonte não se lembra), e fora presenteado com um automóvel, pelos colegas, em gratidão por ter ajudado na elaboração de uma lei que beneficiava a carreira funcional daqueles agradecidos. Pois bem, ao tomar conhecimento do fato, o então presidente C. Branco, telefonou ao irmão mandando que devolvesse o veículo imediatamente. O irmão ponderou por fazê-lo, sob a alegação de que tal gesto o deixaria desmoralizado no cargo. Ao ouvir a lamentação do irmão, Castello disparou: “-Que cargo? Olha, demitido você já está, estou aqui decidindo se mando prendê-lo ou não!” Meu caro, como você pode apreciar os valores morais, a ética e caráter de um presidente e os correspondentes do outro são diferentes. Volto a dizer que não compactuo com governos de exceção que me proibiriam o direito de escrever o que penso, criticar quando se faz necessário por termos uma imprensa livre. Só fiz uma comparação entre dois homens públicos que viveram situações diferentes. O marechal Castello acreditava na ética na administração pública. Lula e seu partido,ao contrario,tiraram vantagens indevidas dos cofres do Erário como visto no mensalão. Deixo claro que não estou justificando a posição de um ditador, nem os métodos usados para a repressão ao terrorismo urbano. Desculpe o comprimento do comentário.O meu abraço de sempre//Kitty

Kitty em 19 de janeiro de 2012

Olá caro Ricardo! É tão bom, rever o próprio comentário, e claro, a dos outros leitores. Os temas são interessantes, especialmente esta sua insólita experiência como jornalista ao topar-se, prestes a tomar o elevador,com o marechal-presidente Castello Branco. E na hora da pergunta,a voz do jovem periodista falhou!Bela história,a pesar da sua explicável decepção. Poxa Ricardo nem passou um ano,e me parece um tempão que escrevi um comment sobre este tema! Estava em Bs.As na época! Valeu o revival, Ricardo./um abraço e até o dia 23 de Janeiro,a sua volta das ferias!

Cléber em 21 de março de 2011

Por que a seção Bytes de Memória não foi mais atualizada? As histórias são muito boas. Abraços. Muito obrigado, caro Cléber. Logo teremos novidades. É que são tantos os fatos quentes que eles acabam absorvendo a gente... Abração

Kitty em 28 de fevereiro de 2011

Ola Ricardo!!!!!,tudo bem? Navegando um pouco sem rumo dentre as secoes do seu blog, me deparei com esta "perola" de texto e outra vez VC me surpreende!!!! Por tras do excelente jornalista-escritor, de vasto curriculum e muitos exitos professionais acumulados,desponta um ser humano sensivel,despido de vaidade,e humilde ao ponto de conyar a seus leitores que,quando jovem,bem no comeco da sua carreira jornalistica,e seguramente devido a um excesso de ansiedadade,teve um bloqueio verbal,e perdendo,desta forma insolita,a grande chance de entrevistar ou fazer algumas perguntas ao todopoderoso Marechal Arthur da Costa e Silva num momento muito importante da politica do pais. Que pena, que decepcao!!!!Aquelas perguntas inteligentes ficaram la, entaladas na sua garganta. E junto, tambem foi-se a ilusao de ter sido ele propio a grande revelacao perante seus pares jornalistas que o acompanhara naquele importante evento no Rio. Mas o noso jovem periodista nao se enfiou debaixo do sofa,engoliu as palavras que nao foram ditas,e continuo seu caminho rumo ao exito,sabendo que "uma andorinha nao faz o verao" E gracas a Deus, a " mancada" nao foi tao devastadora ao ponto de impedi-lo de ser hoje: RICARDO SETTI, O JORNALISTA!!!!!!!!!!. Caro Ricardo desculpe a falta de acentos,computador teclado americano. Desde Baires,abracos da Kitty R.S.V.P se recebeu este comentao. Prezada Kitty, muito obrigado por comentário tão gentil. Recebi, sim, e o estou publicando com grande prazer. Um abração

Alexandre Gonçalves em 18 de dezembro de 2010

He!He! Adorei a História. E adorei esta coluna também. Muito obrigado, caro Alexandre. É um prazer tê-lo aqui. Volte sempre. Abraços

Rafael Benzecry em 01 de dezembro de 2010

Sou contra qualquer forma de autoritarismo (de direita e de esquerda), mas uma coisa temos que concordar, o marechal Castello Branco e os generais-presidentes que o sucederam era homens dignos e íntegros, diferente dessa corja de políticos de hoje.

Antonio L Skoldharougs em 20 de novembro de 2010

É um erro querer tachar de comunista quem condenou a ditadura e seu regime autoritário, achar que pertenciam a movimentos ligados ao comunismo ou socialismos quem exigiu liberdade, essa ligação é um erro. Os brasileiros condenaram e baniram o regime ditatorial sem precisamente ser comunista ou socialista, o povo simplesmente não aceitou viver sob o coturno 48 bico largo, nem sob a égide das galonas estreladas. Os brasileiros preferiram a liberdade plena e irrestrita. Eu nunca aceitei viver sob aquele regime fascista e assassino, protestei, chiei, gritei, escrevi em muro as palavras de 'ordem' usadas na época e no entanto nunca me considerei um comunista ou socialista, tampouco guerrilheiro (Até porque, sou Judeu, é impossível ser judeu e ser comunista, são água e óleo juntos.) Apenas não aceitei e milhares de brasileiros nunca aceitaram viver sob regime violento e assassino como o regime militar, preferimos a liberdade, é muito bom falar e ouvir criticas e ainda permanecer vivo, coisa difícil, muito difícil nos anos de chumbo. Um comentário mais ríspido sobre os golpista, podia ser o seu ultimo, e depois disso só o Atlântico como sepultura.

Antonio L Skoldharougs em 20 de novembro de 2010

Owl. Só tem saudades quem não a conheceu, muitos que hoje se dizem saudosos pegariam em armas para libertar o país se ainda fosse uma ditadura, seriamos um Irã,Coréia do Norte ou China se nada fosse feito, as ditaduras desses paises são idênticas a que dominou o nosso Brasil nos anos de 1964 a 1985. É triste falar de que não se conhece.

Antonio L Skoldharougs em 20 de novembro de 2010

Vou relatar dois fatos da história; 1-Muitos donos de Jornais denunciaram muitos jornalistas que trabalhavam nas suas redações, jornalistas que não concordavam com a ditadura, uma ditadura que metralhava indiscriminadamente qualquer pessoa que estivesse nas ruas após 21:00hs. Vários adolescentes morreram por não obedecer a esse toque de recolher, os jornalistas que se posicionavam contra, foram denunciados pelos proprietários de seus jornais ao DOI-CODI, vários foram presos e jogados em alto mar junto com os seus familiares, nem criancinhas de colo escapou, as execuções eram simples, amarravam-se pedras de concretos aos pés e os atiravam no Atlântico de helicópteros para sua moradia final. Essas pedras ficaram Conhecidas como 'SAPATOS DE CHUMBO’ 2- Ainda em 1972 o Exercito e a Aeronáutica ordenou 16 pilotos levantar vôo com 16 F-5, todos munidos com 800 kgs de Bomba Napalm cada um. A missão: levantar vôo e bombardear todas as favelas do RIO DE JANEIRO, às 02:00h da manhã, os pilotos claro, não aceitaram fazer isso, e todos foram morar no fundo do atlântico com os seus familiares. (operação ficou conhecida como 'Caso Gasômetro') Hoje sem os movimentos de resistência, o país hoje seria mais um a integrar o clube do Irã, Coréia do Norte Cuba e China, sem os movimentos de libertação o país seria mais um a fazer parte do ridículo clube dos tiranos.

Owl em 19 de novembro de 2010

Estou com saudade desse cidadão. Eu era feliz e não sabia. Pois eu não. Era profundamente infeliz em viver sob o regime militar. Abraço

marcia setti em 19 de novembro de 2010

Oi querido, sabe que nem eu sabia desta história? Adorei! Cponta mais! Conta mais! beijos amorosos Marcia Nossa, nunca imaginei que você não soubesse dessa história... Ainda bem que continuamos tendo assunto, sempre, sempre. Beijos

Tony Amorim em 17 de novembro de 2010

O sorriso de Setti, que ele nem ele mesmo sabe o porquê, só pode ser fruto de uma dessas hipóteses (ou das três): 1.Sol forte ofuscando sua vista; 2. Estrelas dos generais ofuscando seu caminhar, e 3.Sorriso amarelo ao perceber que estava sendo fotografado no meio dos "homi". É por aí, caro Tony. Durante a maior parte da minha carreira, eu me escondia quando fotógrafos poderiam me incluir em fotos com os poderosos. Jornalista, quando está reportando, não é notícia, não tem interesse para o leitor nem deve ter. O que tem interesse é o que ele viu, ouviu, descobriu e vai contar, não é mesmo? Nesse dia não sei o que aconteceu. A foto foi tirada por meu velho amigo e grande fotógrafo Adão Nascimento, na época do "Estadão". Abraços

Eduardo Fernandes em 17 de novembro de 2010

Setti, essa sua experiência me lembra uma piada formidável de um mendigo, nessa mesma época, que estava num ônibus urbano no Rio e , de repente, senta-se a seu lado uma morena gostosíssima, com pernas de uma deusa e perfumada. Ele olha de soslaio e pergunta: " aceita um cigarro?" ( naquele tempo podia-se fumar em coletivos) . Ela nem respondeu. " um chiclete?" insistiu de novo. O silêncio ficou constrangedor e ela se levantou para descer no próximo ponto. O mendigo, enfeitiçado e necessitado ( 3 anos sem sexo), segue a morena que desceu num lugar ermo. Em dado momento, mais corajoso e esperançoso que vc , quando ela olha para trás, checando se estava sendo seguida, ele se encheu de coragem e perguntou " TRANSAR NEM PENSAR, NÉ? " Ahahahahah, caro Eduardo. Acho que fui ainda pior do que o mendigo... Obrigado pela visita e pela história engraçada. Abração

Lapeno R em 17 de novembro de 2010

Grande Texto! Essa e a diferenca de quem tem historia para contar. E Geisel entao esta olhando no relogio...sera que estava pensando no almoco e para ele ja teria terminado a inspecao na nova rodovia? hehe! Abracao!!! Muito obrigado pelo comentário tão simpático, amigo Lapeno. E vem muito mais história por aí, pode esperar... Boa observação, a do Geisel. A inauguração foi num final de manhã, talvez o homem, que, como militar, devia acordar às 5 da matina, já estivesse morrendo de fome, hahahahah. Um abração

Miltinho Fobofo-Jacarezinho em 16 de novembro de 2010

Ricardo o José Marcelo falou-me de seu blog e já me tornei simpatizante do mesmo, assuntos como estes de curiosidades abordados por vc é de muita valia para nos já VEINHOS (EU, ZÈ MARCELO E LUCIANO)rssss, parabens e um forte abraço. Hamilton. Carissimo Mitinho, há quanto tempo! Tenho muito prazer em saber que você passou a ler o blog. Saudades dos nossos tempos aí em Jacarezinho. Lembra do futebol no campinho lá de casa? Qualquer hora eu apareço aí para rever os amigos. Abração

Wilson Alves em 15 de novembro de 2010

Desculpe a franqueza Senhor Ricardo Setti, mas quem era de esquerda à época da ditadura estava lutando, preso ou exilado, jamais sorrindo ao lado dos militares golpistas. Tá bom, Wilson, você já examinou meu caso, me julgou e me condenou, sem saber 1 miligrama sobre minha vida. Saudações

Marco em 15 de novembro de 2010

Caro R. Setti: A tua foto mostra para mim, um verdadeiro intelectual de esquerda, o PT deveria aprender contigo a fazer oposição, sem ranço, apenas com o sorriso e muito bom humor ! Grande abs. Não sou nem intelectual, nem de esquerda. Mas na época era -- de esquerda... Abraços

Camada von Ozonio em 14 de novembro de 2010

Caro Ricardo, Quem sabe, não teria sido melhor assim?

luiz fernando em 14 de novembro de 2010

A sua gaveta de presidentes é realmente saborosa. Eu a aprecio muito, me traz à lembrança fatos que ocorreram quando eu era criança e, na época, não conseguia entendê-los. Vi, numa resposta sua a um comentário, uma referência a um grande político chamado Mário Covas. Será que você teria algo interessante a seu respeito para nos contar? Grato pela sua atenção e pela sua coluna. Muito obrigado, caro Luiz Fernando. Tenho muitas lembranças do Mário Covas, preciso ordená-las e ver anotações para montar um texto sobre ele. Foi um grande político, um homem sério, digno. Abraços

SergioD em 14 de novembro de 2010

Ricardo, essa sua história é no mínimo curiosa, pra não dizer hilária. Fico imaginando a sua cara e a do Presidente na situação. O Castello era considerado intelectual entre os militares, e muitos reporteres afirmavam que ele, antes da edição do AI-2, alimentava a "ilusão" de promover sua sucessão por um civil que apoiasse o golpe de 64. Acho que li isso nos artigos ou livros do Carlos Castello Branco. Creio que essa ilusão acabou com o resultado das eleições de 1965 e a linha mais dura do regime se impôs de vez. Pode se dizer que o resultado daquela eleição, principalmente com a derrota do governo em Minas e Guanabara, foi preponderante para a edição do AI-2. Naquele ambiente acho que, desde sua posse, o Castello não tinha a menor chance de impor a sua vontade. Não com o Costa e Silva como Ministro da Guerra. Lá vou eu tentando pautar o blogueiro mais uma vez, mas acho que você poderia escrever mais sobre esse tempo, principalmente sobre os tempos conturbados de 1968. Um abraço. De fato, caro SergioD, o Castello, diante das vitórias da oposição -- moderadíssima -- para os governos da então Guanabara e de Minas Gerais, principalmente, ficou à mercê da linha dura, como se chamavam os militares mais radicais. Daí veio o Ato Institucional número 2, que acabou com as eleições diretas para governador -- as eleições presidenciais diretas já haviam sumido do mapa. Tenho mais elementos de minhas próprias lembranças e anotações como jornalista dos tempos conturbados de 1968, quando já tinha mais experiência, era repórter político e cobri do primeiro ao último dia o episódio do pedido de licença do governo -- por pressão militar -- para processar o deputado Márcio Moreira Alves. Apesar de todas as ameaças e manobras, o Congresso foi digno e resistiu, negando a licença. Aí veio a ditadura realmente negra, com a edição do famigerado Ato Institucional número 5, que eu ouvi, pela então Agência Nacional, na voz do locutor oficial, junto a vários políticos e a alguns jornalistas no gabinete do então líder do MDB, um jovem deputado de 37 anos chamado Mário Covas.

PauloMarx em 14 de novembro de 2010

"É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final..." Martin Luther King

sandra em 13 de novembro de 2010

Legal você ter contado esta história. Acredito ser alentadora e instrutiva para os jovens jornalistas. A humildade e a auto-crítica são indispensáveis a qualquer ser humano. Rir de si mesmo é qualidade de muito poucos. A profissão é realmente difícil e sacrificada. Além disso, todos teem sonhos, mas poucos se tornam realidade. Você chegou lá. Parabéns.

celsoJ em 13 de novembro de 2010

Só acertei o fígado (o seu) porque abriu a guarda. Nada pessoal.

Paulo Bento Bandarra em 13 de novembro de 2010

Isto que já ocorrera o atentado no Aeroporto dos Guararapes, Recife, na manhã de 25 de julho de 1966. Costa e Silva, que seria escolhido presidente indiretamente em outubro, não estava lá (uma pane fez a aeronave em que ele viajava descer no aeroporto de João Pessoa). Falha da segurança!

Sérgio Luiz Lacerda em 13 de novembro de 2010

Caro Ricardo excelente história. Posso imaginar o estado de "não saber o que fazer" quando da presença do Castelo. Como tantas outras situações inusitadas que deve ter passado ao longo de sua carreira de jornalista, não caberia uma publicação? Pode ter certeza que já estou na fila para adquiri-la. rsrs Grande abraço do primo Sérgio.

celsoJ em 13 de novembro de 2010

Eu sei porque você está sorrindo. A proximidade do poder parece inebriante, pelo que mostra a História. Nada disso, caro CelsJ. O poder dos generais ditadores não era nada inebriante para mim, não. Engano seu. Obrigado pela visita. Abraço

RitaZ em 13 de novembro de 2010

Muito boa história Setti, provavelmente ele não te responderia nem se você tivesse feito a pergunta certa. Acho que ele se surprendeu com você tanto quanto você se surprendeu com ele, deve ter achado que era un funcionério do hotel muito curioso demais e calou-se. Fico pensando...seu neto terá muitas horas de entretenimento e aprendizado pela frente, escutando suas histórias, sorte dele. Abs, bom feriadão. Rita Valeu, Rita, obrigado. Meu neto ainda é muito pequenininho, tem só 5 meses, mas espero, sim, poder contar muitas histórias pra ele. E, se pegar o vírus da família, vai ser jornalista, como é o avô, um irmão do avô, o pai dele, a tia e a própria mãe, que, por ser designer, volta e meia trabalha em veículos de imprensa. Abraço e bom feriadão pra você também.

Maurício em 13 de novembro de 2010

Ricardo: Em março de 1964 eu contava com apenas 1 ano e 3 meses DE IDADE. Passei toda minha infância e juventude sob o regime militar. Lia O Pasquim escondido (comprado meio que na surdina em uma banquinha de jornal). No ano de minha formatura (1984) tivemos eleição indireta de um civil (Tancredo Neves), quebrando o longo período de exceção. Mas tento imaginá-lo, de frente com "o cara"... numa cena inusitada... sem seguranças... Desculpe a brincadeira, mas o que deveria ter sido um "furo jornalístico" se transformou em um "furo DO JORNALISTA". Se fosse postado no Fantástico, você seria um sério candidato a ganhar o prêmio "Bola Murcha"... brincadeirinha, Ricardo... todos nós cometamos "equívocos", e alguns são próprios da falta de experiência. No caso relatado, você era quase um "foca" (queira me desculpar mais uma vez) e, portanto, o ocorrido não tem o condão de desabonar sua vida profissional. Um grande abraço! Não tem nada que pedir desculpas, meu caro Maurício. Eu contei o caso justamente para expor essa situação que vivi. Pra mostrar o outro lado, as falhas, as bobagens, como farei outras vezes. Eu era um foca, mesmo. Um abração e obrigado pelo comentário.

Lilian em 13 de novembro de 2010

Setti, Presidente frio, nem o cumprimentou.

carlos nascimento em 13 de novembro de 2010

Ricardo, Fantástica essa experiência. Ocorreu o chamado "branco" paralizante, quem de nós já não teve o seu dia "D", já vi palestrantes de alto nível travar em palestras, executivos financeiros pedirem licença para ir ao banheiro, enfim, o ser humano e seu metabolismo sensorial. Há casos engraçados de noivos travarem na noite de núpcias, tudo isso faz parte, todos nós - sem exceção creio - já vivenciamos algo parecido. Bem, na questão do seu caso, não sei qual era a sua idade, faltou um planejamento, hoje com o advento da WEB, qualquer jovem iniciante parte para o ataque, as perguntas iriam borbulhar, apesar de que o Regime de Exceção intimidava bastante as ousadias. Mesmo assim, parabéns pela sua coragem em expor êsse episódio, mostra o seu valor diferenciado, o negócio por aqui está ficando bom demais. Carlos Nascimento.

Fernanda em 13 de novembro de 2010

Ora, não deprecie tanto o acontecimento, Setti...afinal, você era muito jovem, inexperiente e foi pego de surpresa...ainda que você conseguiu abrir a boca e perguntar alguma coisa, mesmo que "bisonha"...hahaha...eu, na mesma circustância, provavelmente teria ficado emudecida e com cara de "boba"...razão pela qual eu NUNCA serviria para ser jornalista, mas enfim...são acontecimentos como esse que engrandecem o homem e, tenho certeza, ajudou-o a se transformar no jornalista que é hoje... São as experiências que enriquecem a vida, não? Continue compartilhando-as conosco...são sempre interessantes...abraço e um bom fim de semana...

Wilson Alves em 13 de novembro de 2010

Caro Ricardo Setti... Será que o senhor poderia me explicar que raios seria “humanizar” a política econômica? Não! Melhor não explicar... Até porque provavelmente eu nem iria entender. Porém posso conjecturar: os milicos deviam estar sendo pressionados para abrandar a ditadura e aí saíram-se com essa de “humanidade econômica”; o intento devia ser o de ludibriar o povo com uma “ditabranda”, que até existiu mesmo, porém, só nas letras alienadas dos veículos de comunicação que serviram ao golpe.

Reynaldo-BH em 13 de novembro de 2010

HEHEHE... Ótima história! Uma pergunta realmente histórica. Ainda bem que você não ouviu como resposta: "não, estou pegando o elevador"! E sua foto risonha é intrigante. Como sou amigo dos amigos (mesmo os virtuais) noto em seu sorriso um leve ar de ironia que denotava toda a crítica à ditadura! Viu? O PT faz escola... Reescrevendo a história! Se eles podem, por que eu não?? rsrs). Sabe, caro amigo, de uma características que mais admiro nos GRANDES profissionais e seres humanos? Não nasceram geniais. (Ninguém nasce! Só os idiotas julgam nascerem!). Aprenderam com a vida, com os outros e com o que erraram! Nem precisava deste depoimento. Pelo que você escreve e pelo que você expõe, a gente já sabia disto. Abraço. PS: melhor esta "pane presidencial" que o que aconteceu com meu "amigo de infância" Augusto Nunes! Topou medir forças (etílicas!) com Jânio Quadros!!! Deu no que deu...HEHEHE!!!!

Roberto Xavier em 13 de novembro de 2010

Setti, você está sorridente naquela foto porque estava feliz em estar na presença de um grupo de pessoas que em 64 livraram o Brasil de cair nas mãos dos rapineiros comunistas como eu estaria sorridente ao lado de pessoas que em 2002 houvessem feito o mesmo. Não, senhor. Eu tinha horror do regime militar e precisava respirar fundo quando era obrigado a cobrir determinadas solenidades.

DNamorato em 13 de novembro de 2010

Bela história de que tem história para contar... Acredito que se imaginasse a importância história que teria o período que se seguiria no país não teria conseguido nem mesmo falar "a bobagem" que falou, não é? Aposto que nunca mais deixou de "fazer a lição de casa". Correto? Caro Daniel, aprendi pra sempre a fazer a lição de casa... Mesmo assim, aqui e ali ao longo da carreira, inevitavelmente cometi outros erros. Obrigado por sua visita e seu comentário e um bom fim de semana.

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