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Uma estação “Ferrolinera”: o carro elétrico estaciona e é recarregado pela energia da freada do trem. Acima, o painel fotovoltaico (Foto: Adif)

Quem se interessa por um transporte mais “verde” vai gostar de conhecer as Ferrolineras, novo e mundialmente pioneiro projeto da Adif, órgão administrativo da rede ferroviária espanhola controlado pelo Ministério de Fomento.

Em primeiro lugar, porque trata-se de uma ideia que une dois meios já considerados mais sustentáveis, por exemplo, do que os automóveis convencionais: o trem e o carro elétrico.

Em segundo, porque investe em uma inovadora proposta tecnológica que vem ganhando força em países europeus, como a Suíça, por exemplo: transformar a freada do trem em energia.

Com a novidade de que, no caso das Ferrolineras, o acúmulo energético serve para abastecer os veículos elétricos. Desta forma, os cidadãos podem combinar o uso diário de carro e trem, e ainda assim afetar pouco o meio ambiente.

Como funciona

O sistema opera mais ou menos da seguinte maneira: durante a freada do trem, seu motor age como um alternador, gerando energia ao invés de só consumi-la. Parte desta energia é aproveitada por outros trens, transferida pelo próprio sistema de cabos, e o restante passa por um motor de volante de inércia especialmente desenvolvido pela Adif.

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O presidente da Adif, Antonio González Marín (esq.) e o ministro do Fomento espanhol, José Blanco, apresentam o motor de volante de inércia (Foto: Ministério do Fomento da Espanha)

Tal motor se ativa, acelera e acumula energia cinética (de movimento), logo transformada em eletricidade, que é então armazenada em uma estação de recarga de carro elétrico. Os automóveis, ali, podem carregar suas baterias.

Aproveitamento de energia geralmente desperdiçada

A Adif estima que pode aproveitar, a cada freada, os cerca de 8% de energia que, segundo a própria empresa, costumam ser desperdiçados em dispositivos convencionais. Desta maneira, calcula poder obter 170 Gwh (Gigawatts-hora) por ano, o suficiente para recarregar milhares de carros elétricos. Uma freada, dizem os responsáveis, poderia gerar energia para entre dez e vinte veículos.

Os criadores das Ferrolineras também contemplam a utilização de energia solar nos momentos em que não haja nenhum trem circulando. Para isso os estacionamentos onde ficariam as bases de recarga também seriam dotados de painéis fotovoltaicos.

Em fase de testes

Embora o protótipo do sistema já esteja pronto, ainda não há previsão para seja oficialmente implantado. A batida de martelo do Ministério do Fomento depende de uma série de testes, entre os quais o funcionamento em caráter de exposição que, até fim deste ano, será ativado em duas estações de trem em Málaga, no sul da Espanha.

Caso provem ser tão eficientes e viáveis como parecem, as Ferrolineras teriam sinal verde para funcionar, de acordo com o plano inicial da Adif, em 1.500 estações espalhadas pelos 13 mil quilômetros da malha ferroviária espanhola. A prioridade do ótimo programa dependerá também de como se desenvolverá a crise da dívida pública que afeta a Espanha.

A companhia não divulga números sobre as despesas do empreendimento, mas garante ser uma alternativa barata por gerar energia sem gastar nada.

Assista a um vídeo demonstrativo de uma estação Ferrolinera aqui.

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5 Comentários

Mauricio Salles em 16 de dezembro de 2011

Mais um exemplo a se seguir. Aqui, no tempo do Cabral, produzimos o ultrapassado álcool, que demanda de muitos insumos para uma produção lenta, pífia e onerosa. 1) Espanha e EUA já possuem usinas elétricas solares. Lá se renovam conhecimentos e ha investimentos sérios em tecnologia. Aqui o que se faz é investir no aquecimento global - falo do Pré-sal, da mega compra de ações da Petrobras realizada pelo Governo com o nosso dinheiro. Para que Belo Monte se não ha sequer comprado retorno hidroelétrico? Que tal gerar energia solar nos campos de álcool? Menos insumo e mais retorno. Há um trabalho desenvolvido com uma solução salina que retém calor nas usinas solares para continuar gerando energia mesmo sem o sol. O Brasil é muito grande, distribua usinas em pontos isolados para um aproveitamento melhor e pronto. 2) Há vários produtores de carro híbrido solicitando uma ajuda do nosso Governo na questão de taxas e impostos, para comercializar o produto a preços competitivos. Mas, ao que parece, tal ajuda não é viável. Por quê??? O que sei é que o din-din mensal distribuído pela Petrobras salta aos olhos da maquina Pública.

Julian Matos em 12 de dezembro de 2011

Oi, Ricardo, Acabo de ler seu post esperando a saída do AVE de Madrid para Barcelona. E nāo resistir fazer um comentário maravilhado que estou com a conexāo em alta velocidade entre estas duas cidades. O interessante notar que a Adif, como vc disse é um orgāo administrativo, vem ganhando protagonismo preparando o terreno para a privativazaçāo da Renfe, tradicional empresa publica de transporte ferroviario da Espanha. Isso que é um governo de esquerdas. E nós nāo conseguimos ter uma discussāo sensata sobre privatizaçāo no Brasil. Um abraço, Julian.

Elvio em 12 de dezembro de 2011

Caro Setti, Seria uma aplicação "civil" para o KERS da F1? Se sim ótima idéia! abs Elvio

josé Antônio em 12 de dezembro de 2011

O mundo todo empenhado em pesquisas com energias alternativas, e tirando até “leite de pedras” com otimizações engenhosas como está para aproveitar ao máximo qualquer watt gerado -e o Brasil como sempre, na contra mão sem investir em ciência e tecnologia e se dando ao luxo de continuar no ultrapassado sistema de inundar o seu território pra produzir energia. Daqui a pouco vamos virar uma Atlântida.

Teresinha em 11 de dezembro de 2011

Enquanto pesquisam e desenvolvem alternativas práticas e sabemos que se viáveis serão aplicadas, nós aqui estagnados na corrupção. Que peninha pra não dizer "invejinha".

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