GILBERTO GIL: 70 anos de vida e 50 de carreira; relembre em vídeo 5 momentos da trajetória de um grande da MPB

O septuagenário Gil: há muito tempo que ele praticamente só revisita a própria obra e a de seus ídolos, mas sua discografia é farta em pérolas (Foto: Arquivo Pessoal - Gilbertogil.com.br)

O septuagenário Gil: há muito tempo que ele praticamente só revisita a própria obra e a de seus ídolos, mas sua discografia é farta em pérolas (Foto: Arquivo Pessoal – Gilbertogil.com.br)

Por Daniel Setti

Compositor de grandes clássicos da MPB, letrista rebuscado, fundidor de ritmos, violonista inovador e de suingue único e personalidade de faceta ativista e política, Gilberto Passos Gil Moreira completou 70 anos na última terça-feira, 26 de junho. A data foi celebrada com o lançamento de um CD e DVD ao vivo, Concerto de Cordas & Máquinas de Ritmo, no qual revisitada o seu repertório acompanhado de orquestra dirigida pela violoncelista Jaques Morelenbaum.

A chegada do novo título às lojas acentua a tendência apontada pelo músico soteropolitano há mais de uma década: a de optar por trabalhos ao vivo e tributos às obras de outros artistas – Bob Marley e Luiz Gonzaga, entre outros – em detrimento de álbuns inteiramente formados por composições inéditas.

Esta “preguiça” com relação ao novo – algo que não se pode dizer, por exemplo, de seus conterrâneos e contemporâneos Tom Zé e Caetano Veloso – justifica-se em parte pela agenda ocupada de Gil, que entre 2003 e 2008 foi ministro da Cultura do governo Lula (antes fora vereador em Salvador pelo PMDB e depois PV, entre 1989 e 1992). Mas o fato é que o período dourado de sua discografia clássica se concentra mesmo nas décadas de 1960 e 1970.

Em homenagem a um dos grandes músicos brasileiros em atividade, festejamos a 70ª primavera de Gil e os seus nada menos que 50 anos de carreira – o primeiro compacto do cantor, “Povo Petroleiro” e “Coça, Coça, Lacerdinha”, saiu em 1962 – repassando alguns dos momentos mais marcantes desta trajetória:

“Domingo no Parque” (1968)

A toada criada a partir da união de baião e pop era aparentemente alegre, mas a letra acabava em um sangrento crime passional. Do segundo disco, Gilberto Gil, gravado com participação de Os Mutantes. É o revolucionário grupo paulistano, por sinal, que acompanha o baiano na histórica apresentação de “Domingo no Parque”, no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. Um dos primeiros registros visuais do Tropicalismo, movimento de fusão estético-musical do qual Gil foi um dos arquitetos:

“Expresso 2222” (1972)

Um dos pontos altos destes 50 anos de carreira, o disco Expresso 2222 mergulhava nas raízes musicais nordestinas. Tocando a faixa-título sozinho em especial da Globo do mesmo ano, quando voltou do exílio político em Londres, o autor mostra porque é considerado um dos grandes mestres brasileiros do violão.

“Lamento Sertanejo” (1975)

A mais bela balada já escrita por nosso homenageado está no ótimo álbum Refavela. Ele a recuperou ao lado do velho amigo Dominguinhos no DVD “Fé na Festa”, gravado no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, em 2010:

“Toda Menina Baiana” (1979)

Começou como uma saia justa: o então Ministro da Cultura convocando o então Secretário Geral da ONU, o ganês Kofi Annan, para assumir as congas em evento na sede da entidade em setembro de 2003, durante o qual se homenageavam vítimas do atentado ocorrido no mês anterior em Bagdá, entre as quais o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Mas, apesar do sorriso amarelo e da falta de pegada percussiva de Annan, a casa animou e Gil soube conduzir o inusitado recital com “Toda Menina Baiana”, de Realce, disco que marcava a transição à sua face mais pop dos anos 1980.

“Parabolicamará” (1992)

Já se adaptando à geração MTV – produziu clipes de divulgação para o canal -, Gil lançou Parabolicamará. A bolacha conta com bons momentos como “Madalena (Entra em Beco, Sai em Beco)”, “Quero Ser Teu Funk” e a faixa-título, inspirada em ritmo de capoeira, que escutamos abaixo rearranjada no excelente “Acústico MTV”, de 1994:

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5 Comentários

  • Marco

    Dom Setti, Daniel, o Gil para mim é o maior enigma e incerteza da nossa MPB, não sei se é sério ou divertido,ele sempre me inspira dúvidas,sempre espero algum rebuliço ou alguma agitação. Mas Gil é isso mesmo- artista,das formas, sons e palavras!
    Abs.
    PS: Teu pai me disse q ta de sangue doce para manhã, acho q ultimamente teu pai nunca viveu um momento esportivo como esse. O Coringão prestes a vencer uma Libertadores com Louvor. E neutro amanhã. Apesar, q acho q teu pai tem um pouquinho de mágoa íntima no fundinho do coração. Com o Paulo Rossi e a tragédia do Sarriá em 1982.

    Caro Marco, o Gil é uma permanente fonte de surpresas, o que é genial em um artista, não?

    Quanto ao meu pai, sem a menor dúvida ele tem muita mágoa da tragédia do Sarriá. Ele estava lá como jornalista, viu tudo de perto e aquela derrota o marcou muito.

    Um abraço do Daniel

  • Geneurônios

    Pena que o Gil protege a nata da corrupção no Brasil…

  • Tuco

    .

    Para aqueles que, como eu,
    não separam o artista da
    pessoa: http://0.mk/9df34


    .

  • Ricardo de Sá

    “Who made who”…quem fez quem.Arnaldo Baptista fez Gilberto Gil ou o contrário.Eu voto na primeira opção.

  • Razumikhin

    Mano Gil está parecendo o capiroso nessa foto.