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O primeiro-ministro Mario Monti: “por enquanto”, a igreja continuará sem pagar impostos (Foto: AP)

Desde que assumiu em novembro passado o governo da Itália à beira da bancarrota financeira e em plena derrocada moral provocada pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o ex-comissário europeu Mario Monti não hesitou em tomar medidas duras.

E lá vieram aumento de IVA, espécie de ICMS, a criação de um novo imposto imobiliário, brutais cortes de despesas, inclusive no setor social, duplicação dos impostos sobre carros de luxo, barcos e aviões particulares, demissões de funcionários, proibição de novas contratações e, ainda em debate, uma profunda reforma na previdência social.

Monti, com seu autocontrole zen, sua paciência de professor e sua determinação de tirar a Itália do buraco, não se tem detido diante de nada – exceto, sabe-se agora, da igreja católica, que detém um poder moral e político descomunal na Itália.

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Procissão de São Francisco de Assis, em Assis, Itália: a igreja católica continua com força descomunal (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Pois o governo de técnicos do primeiro-ministro deixou de fora do novo imposto imobiliário — que milhões de italianos deverão desembolsar — as literalmente incontáveis propriedades da igreja. Não há, na Itália, um censo rigoroso das propriedades da igreja, mas o certo é que um bom número delas seriam tributáveis, uma vez que, segundo a lei, só escapam de impostos os imóveis dedicados “exclusivamente” aos cultos. Ficam de fora, portanto, imóveis rurais, palácios, colégios e uma série de outros tipos de propriedades.

Segundo cálculos do Partido Radical, tradicional agremiação laica e liberal, a igreja teria entre 30 mil a 50 mil imóveis tributáveis e, sem a isenção de impostos como o IVA e o imposto de renda, ela deveria levar aos cofres do Tesouro algo como 4 bilhões de euros – quando o ajuste pretendido por Monti, entre cortes de gastos e aumento de arrercadação, é de 30 bilhões este ano.

Na Itália, porém, cutucar os interesses da igreja parece continuar sendo um tabu para os políticos, embora Monti haja declarado, dias atrás, que “por enquanto” o governo não vai propor leis mudando a atual situação.

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Kitty em 28 de abril de 2012

Caro Ricardo, independentemente da noticia de sexta-feira e que foi corregida pelo leitor Daniel, eu teria respondido que eu achava muita injusta a medida, porque, neste momento de arrocho severo que o meu país está suportando,a Igreja deveria ter o dever moral de ajudar a mitigar os sofrimentos do seus fieis.Esta é a hora de fazer e não só predicar...claro, querido Ricardo, é apenas a minha opinião!Um abraço

Daniel Peccini Correa em 02 de abril de 2012

O IMU foi aprovado sim para a Igreja mas os versamentos começam somente em Janeiro de 2013. http://www.businessvox.it/esperto-risponde/norme-e-fisco/tributi/item/2573-imu-chiesa,-approvata-la-nuova-tassa-sugli-immobili.html Puxa, notícia de sexta-feira! Então o "por enquanto" do primeiro-ministro acabou. Obrigado pela informação. Vou dar um jeito de informar corretamente aos leitores sobre esta novidade. Um abraço

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