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O incansável viajante canadense Mike Spencer Bown, cercado de novos amigos em Papua-Nova Guiné (Fotos: Arquivo Pessoal)

Quando Mike Spencer Bown, então um rapaz de 21 anos, anunciou em 1990 que partiria para uma jornada “por todo o mundo”, ninguém ao seu redor pensou que fosse levar a ideia tão ao pé da letra.

Passados 23 anos, Bown pode dizer que cumpriu à risca a utópica promessa. Aos 44 anos de idade, ele acaba de voltar oficialmente a Calgary, cidade canadense onde nasceu, após ter passado temporadas em “mais de 190 países”. Que fique bem claro: a ONU reconhece um total de 206 nações. Ele chegou perto de visitar TODOS.

A inacreditável odisseia, em grande parte financiada pela venda de uma empresa de exportações que comandava na Indonésia, teve como últimas paradas Israel – porque uma série de nações muçulmanas não permite a entrada de quem tenha estado no país anteriormente – e Irlanda (para poder celebrar o giro em pubs). Gerou, evidentemente, uma série de aventuras dignas de (muitos) livros.

O primeiro turista na Somália em duas décadas

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Posando em Mogadíscio, Somália, o lugar menos turístico do mundo

Apenas para ficarmos em exemplos de países em guerra aos quais o bravo canadense peregrinou, onde a última coisa que poderia ocorrer a alguém é uma visita turística: Bown viajou de transporte público em zonas controladas por talibãs no Afeganistão, pegou carona no Iraque ocupado por forças americanas para visitar a cidade de Saddam Hussein — a aldeia de Al-Awja, próxima à cidade de Tikrit, em geral apontada como sua terra natal –, cruzou caminho com hordas de genocidas da etnia hutu em Ruanda e foi passear em Mogadíscio, capital da Somália, país há 23 anos virtualmente sem Estado e sem governo.

A experiência no país africano, destroçado por guerras civis que aprecem eternas, ganhou o noticiário internacional há dois anos, quando meios de comunicação como a revista americana Time reportaram a presença do primeiro turista em território somali em duas décadas.

Viajante, e não passageiro

Mais do que enfrentar a “encrenca” de conhecer lugares recomendados por ser humano, Bown destoa de outros andarilhos por prezar a criação de algum tipo de laço com os países visitados. Para isso, visitas de um dia não são suficientes.

“Algumas das pessoas menos viajadas que conheci já haviam estado em 100, ou até 170 países”, contou em entrevista a um jornal de sua cidade, o Calgary Sun. “O que estas pessoas fazem é viajar entre as maiores cidades, especialmente capitais, pararem em aeroportos e dormirem uma noite em um hotel, e depois dizerem que ‘fizeram’ este ou aquele país. Para mim, eles são passageiros, e não viajantes”.

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Em duna de areia na Argélia

O ex-empresário, que chegou a viver com uma comunidade de pigmeus Bambuti no Congo, a beber em bares na Groenlândia e a celebrar aniversário na Antártica, só lamenta a impossibilidade de se ter uma família e a dificuldade de manter amigos quando se roda o mundo. Guarda, porém, ótimas recordações da maioria dos povos com quem teve contato.

E, entre suas conclusões mais interessantes, uma visão otimista da humanidade: “basicamente as pessoas são boas e valem a pena ser conhecidas, não importa a raça ou cultura de origem”.

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10 Comentários

nei Brasil da paz... em 26 de outubro de 2013

Ah, bom ...ele pensa assim porque não visitou todos os paish. Será, será....que visitou....o Brazil, zi, zil......??? Vamos ligar para o TELETON, antes que a gente precise! O egoísmo não leva a nada.

Olavo Andrade em 22 de outubro de 2013

PARABÉNS MIKE SPENCER! Sou um admirador de pessoas assim; Quero destacar sua imagem nas dunas na Argélia, pois no deserto estamos distante de tudo e próximo da grandeza de DEUS.

Reynaldo-BH em 22 de outubro de 2013

Sem partidarismos. Só um pouco de civismo e civilidade. Um Hino Nacional diferente. Valeu, Salvador! http://www.youtube.com/watch?v=xapgBegJBAQ#t=98

carmo azevedo em 22 de outubro de 2013

Vivo na periferia de Sao Paulo,segundo o infocrim da secretaria de seguranca tem o maior indice de homicidios dolosos da cidade,e a grande maioria das pessoas sao boas,nao precisa de um prelipo deste para constatar tal fato!

Vera Scheidemann em 22 de outubro de 2013

Puxa vida ! Isso é que é ser aventureiro, mais é conversa ! Deve ser bem interessante conversar com esse cara, quantas histórias deve ter para contar ! Vera

Marly em 21 de outubro de 2013

Este cara viveu um sonho lindo, mesmo sacrificando a família como diz. Uma vivência que merece ser contada e mostrada pra todos,Parabéns a esse sortudo.

Ricardo em 21 de outubro de 2013

O sobrenome correto do canadense é Bown. +++ É verdade! Obrigado pelo aviso e desculpe pelo erro. Já corrigido. Abraço

JT em 21 de outubro de 2013

Caramba, eu já fico contente quando consigo um domingo livre para tomar um café em Pedreira, a menos de 50 quilômetros de casa, e o canadense percorreu o mundo. Voltar para casa depois de 20 e poucos anos, e ainda ser jovem, tem o seu revés: qual será o próximo projeto de vida do viajante? Haja anticlimax.

moacir 1 em 21 de outubro de 2013

Prezado Setti, Bem,eu não perambulei por aí durante 23 anos,mas após ter terminado um pós-graduação na Itália, coloquei um mochila nas costas e o pé na estrada durante 3 anos. Tinha trabalhado e economizado cada centavo e sonhado viajar assim com muita determinação. Sem dúvida que o privilégio de viajar,de conviver com pessoas de etnias e culturas tão diferentes,de ter me misturado com os povos que visitei e de ter, por todos os lados, feito amigos - muitos dos quais conservo até hoje - mudou radicalmente a minha cabeça e determinou o homem que hoje sou. E concordo com o Mike.As pessoas ,não importa onde tenham nascido,valem sim a pena.E sempre valerão. Na estrada,jamais deixei de encontrar o sorriso e a solidariedade humanos.Se quem que evitei os países em guerra...rsrsrs Conhecer tão cedo a diversidade,a criatividade,a originalidade da minha espécie,me fez dela ter orgulho e me deu uma espécie de sentimento de pertencer,de fazer parte,de estar em casa e à vontade,seja lá onde for,nesse nosso vasto mundo. Viajar é preciso! Abraço

Wellington Aarão dos Santos Sizza em 21 de outubro de 2013

Mike Spencer Brown, é o verdadeiro Marco Polo. É o verdadeiro Ulisses da atualidade. Nos mostra como é incrível, acreditarmos em nossa capacidade! Sensacional. Mais sensacional ainda foi o fato de mesmo sem família e amigos, ele formar a concepção de que o ser humano é bom, independente de cor e país de origem. A humanidade sempre será boa. Brown, eu lhe agradeço em nome de toda a humanidade, por esse feito inédito e essa concepção positiva sobre seus semelhantes!

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