Amigos, tenho procurado mostrar no blog as dificuldades, os baixos salários e a falta de recursos com que convivem policiais militares e bombeiros na maioria dos Estados.

Creio, e não só eu, claro, que salários melhores, oportunidades permanentes de aperfeiçoamento profissional, avaliação constante de desempenho, planos de carreira, mais tecnologia e melhores equipamentos para as corporações deveriam ser – mas não – prioridade absoluta para os governantes que se preocupam com segurança pública.

Mas não posso, como cidadão e jornalista, admitir greve de corporações armadas pelo Estado, como está ocorrendo hoje com a Polícia Civil de Minas Gerais.

O que os policiais reivindicam é plenamente justificável – medidas como a imediata realização de concursos públicos para criar 11 mil vagas (não posso julgar se o número está tecnicamente correto), equiparação dos salários de delegados aos dos integrantes do Ministério Público (o que me parece justo, devido à responsabilidade que tem/deveria ter um delegado de polícia) e o fim da responsabilidade da Polícia Civil pela custódia e escolta de presos (razoável, já que a Polícia Civil, teoricamente, deve se dedicar sobretudo à investigação de crimes, sendo que muitos especialistas defendem a criação de uma Polícia Penitenciária, própria para isso e para a manutenção da ordem nos presídios).

Para amenizar as consequências do movimento, os líderes da greve, que falam em participação de 70% a 80% dos policiais civis, não manterão fechadas as delgacias – era só o que faltava –, deixando, porém, de oferecer uma série de serviços à população.

Nada disso, nem o fato de pleitearem medidas razoáveis, justifica uma greve de quem exerce parte do monopólio da força detido pelo Estado.

Sobretudo, como no caso de Minas, quando se apela, logo de início, para uma medida extrema – algo aliás comum em greves de servidores “neste país”: a “greve por tempo indeterminado”. Trata-se de uma chantagem indevida de uma corporação armada pelo Estado, em nome do conjunto dos cidadãos, que deveria ser intolerável no Estado de Direito em que vivemos.

Vamos ver se, no final do movimento, e seja qual for o seu desfecho o governador Antonio Anastasia (PSDB) terá peito de descontar os dias parados dos policiais – pelo menos.

Se houvesse no Congresso coragem suficiente, deveríamos incluir na Constituição, com clareza solar, tal como ocorre com membros das Forças Armadas, a proibição de greve de policiais sob pena de medidas disciplinares as mais drásticas

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Gustavo em 07 de julho de 2011

Se o vc como jornalista não entende a realidade da segurança pública do país, imagine o cidadão que não tem o menor acesso a informação. Uma pena Sr.Jornalista, a sua desinformação beira a ignorância. Tolher o direito de greve dos Policiais Civis é o mesmo que proibir o direito ao sigilo das informações obtidas por jornalistas... Estou bastante informado a respeito da segurança pública no país e tenho recebido milhares -- milhares -- de comentários de policiais militares e bombeiros elogiando os posts que venho publicando sobre a ex-PEC-300. Mas minha posição sobre greve de corporações armadas pelo Estado é claríssima desde o começo: greve em tais condições é imoral e deveria ser proibida pela Constituição.

lumasampe em 05 de junho de 2011

aplico aqui uma analogia para poder criticar a visao do nobre jornalista. Dizem que as borboletas, por ser um dos bichos mais sensiveis ä poluicao e radiacao, sao os primeiros animais a parar e morrer quando nas situaçoes de extremo desespero como num caso de radiacao, poluicao em grau muito alto. entao, num local onde nao se ve borboletas, pode estar certo que existe um alto nivel de coisas ruins ocorrendo( e ninquem da falta das borboletas, e so observam a poluicao quando outros animais ja estao mortos ou o local devastado), elas param de voar e trabalhar, nao por que querem, mas pelo fato de que a situacao esta insustentavel, nao conseguem mais viver, voar, ajudar na polinizacao da vida. Dentro de um estado de direito democratico, entendo que policiais, militares ou civis, bombeiros militares, sao como esses bichos,somente param quando a situacao ja se encontra insustentavel (mas poucos notam e somente verao os estragos quando a poluicao ja estiver sem controle), quando a "poluicao da falta de incentivo governamental" ja nao deixa que vejam um horizonte melhor, quando a "radiacao" da falta de sensibilidade de governantes ja ataca de morte a propria sobrevivencia e dignidade. Policiais nao param pelo motivo qualquer. Verdade que nao deveriam parar, pois tem o monopolio do estado; certo que nao poderiam fazer greve, mas o que fazer quando seus gritos de socorro sao analisados como agressoes pelos politicos( leia-se Rio de Janeiro- bombeiros 4/06/2011); o que fazer se estao com as asas cortadas, e seus famiares estao notando que mesmo com uma parte do monopolio estatal, sao tratados como se nao precisassemos deles, como se as lutas diarias valessem menos do que um bater de asas de uma borboleta.

Cidadão de bem em 17 de maio de 2011

Entendo que os policiais hoje, são mendigos com uma arma na cintura, como podem os delegados de Minas Gerais serem o 2 pior salário do Brasil? Qual é a explicação para este fato? Eu ein ... E como pode um investigador da Civil ganhar 1700, se só um aluguel em Belo Horizonte é rs800? MUITA FORÇA AOS AMIGOS DE MINAS, sou da PCRJ

doutor em segurança em 12 de maio de 2011

Caro amigo o que não deveria existir de jeito nenhum é um politico receber mais do que um policial, um professor, o que nao pode acontecer de jeito nenhum é um cidadao ofener um policial, muitas vezes o chamando de porco e não sofrer punição, tipo marcelo D2 que usa esses termos. Um policial tem que receber um salario justo e digno, e se falar de um bombeiro entao o profissional mais honrado no país em alguns lugares ganha menos do que um jornalista que nao faz pro povo metade do que um bombeiro faz. Concordo inteiramente com a necessidade de respeito e de bons salários para os policiais e os bombeiros, que aliás tenho defendido no blog, bem como treinamento, oportunidade de crescimento profissional, melhores armas, veículos e equipamentos, constante avaliação de desempenho, planos de carreira etc etc. Mas greve de corporação armada, não, meu caro. Abraço

ANTONIO em 12 de maio de 2011

Discordo do nobre jornalista. A polícia civil de Minas Gerais está sucateada, é uma vergonha a maneira que governo trata a segurança pública no estado. O governo gasta milhões em publicidade enganosa, dizendo que a criminalidade diminuiu em MG, o que não é verdade, aqui em Montes Claros é prova disso, o número de homicídios só aumentou. Porque o governo não deixa de gastar com publicidade enganosa e pague aos policiais civis um salário digno, dê a eles condições de trabalho. Segurança Pública é obrigação do governo. E parabéns aos policiais civis pela manifestação, a sociedade entende e apóia o movimento de vocês.

DONI em 11 de maio de 2011

Caro Ricardo Setti;Acompanho sua matérias sempre que possível e sei que é um defensor de melhoria salarial aos profissionais de segurança publica.Ao exemplo como mesmo sabe, a quanto tempo lutamos pela tão sonhada PEC 300 DE MANEIRA ORDEIRA, e até hoje só fomos tratados como palhaços por políticos em geral.Como deputados podem votar 5% de reajuste a uma categoria e logo em seguida elevar os próprios salários a mais de 100% como em Alagoas.Para que foi instituida uma democracia nesse pais para se legalizar a roubalheira política? Dos muitos que hoje estão no poder, não pegaram em armas? Paciência tem limites quando nos roubam também todas as alternativas democráticas.Um abraço

duduvieira10 em 11 de maio de 2011

Meu prezado R. Setti; Aquí no Brasil tudo é muito confuso, as leis são confusas exatamente para da margem a interpretação duvidosa. Isso de greve de Juiz e Polícia ou outros órgão de vital importância para a população carente e indefesa parece mais um filme de 'Sacanagem Geral' sds.

sandra galvão em 11 de maio de 2011

Discordo do nobre Jornalista. Se vivêssemos num país de "primeiro mundo" - onde nunca iremos chegar - enquanto estes políticos de sempre estiverem comandando o país - Eles não estão nem ai para professores, tecnologia, saúde e segurança. Ele querem é o povo atolado no caos. É preciso entender que, segundo a constituição quem não pode fazer greve é as forças armadas. Policias civis e militares pode sim. Também é uma classe trabalhadora, ou não? Juízes fazem greves, por que não os policiais. Se não forem as paralizações - "DUVI-D-O-DÓ", que governo algum dê aumento espontâneo aos servidores. Quando falo aumento é salários dignos. Mostre-me algum, faça uma estatística. Não existe. Dizer que policiais ou qualquer outra classe não têm o direito de fazer greves, é por que essas pessoas ganham bem e não querem que outros profissionais não ganhem. É muito bom falar ganhando seus R$ 20.000,00 - 30.000,00 - 60.000.00... mensais, afora outras regalias. "PIMENTA NOS OLHOS DOS OOTROS É REFRESCO" - Desculpe-me o termo piegas usados aqui. Se não for a greve, que dispositivo esses trabalhadores usarão. Os trabalhadores lutam contra o Estado, a mídia e até contra a população mal informada (é isso que eles querem). Greve não é algo usada de forma arbitrária. Ela é deflagrada quando não há mais meio de diálogo - o extremo - Admiro-o muito, todavia discordo do seu ponto de vista. Um abraço!

brasileiro de luto em 11 de maio de 2011

Sou conra qualquer greve, armada ou não... - Por quê esse título (int) Quer dizer que professor da turma da Bebel, poooode!!!! metalurgico do Lula, poooode!!!! A greve é um direito dos trabalhadores, assegurado na Constituição. Os integrantes das Forças Armadas não podem fazê-la, também segundo a Constituição, que não é clara quanto a policiais. Você tem todo o direito de ser contra "qualquer greve", mas é evidente que metalúrgico pode fazer greve, numa democracia, bem como os professores, inclusive no ensino público. O problema, no Brasil, é que tudo acaba em pizza. Greve é um embate, é um ato de força, e como tal tem consequências. No caso de, por exemplo, professores em greve, terminado o movimento, o mínimo que se pode exigir é que reponham as aulas perdidas pelos alunos. Funcionários grevistas deveriam ter os dias em que não trabalharam descontados do salário. Mas tudo isso é raro "neste país", daí, provavelmente, a razão de sua indignação. Abraço

Muller em 10 de maio de 2011

Estamos em uma sociedade civil. Somos servidores iguais a quaisquer outros. Só que com mto mais responsabiliaddes: vida ameaçada toda hora, familia em constante risco, qualquer coisa da uma corregedoria e ganhamos muito menos que boa parte dos servidores de nivel superior. Estudos da OIT mostram que a profissão policial é uma das mais estressantes existentes. Unica forma de chamar a atenção é esta... Boa sorte para nossos colegas de Minas. Muller - Ag. d pol. 3a classe (PCGO)

CIDADÃO REVOLTADO em 10 de maio de 2011

Sempre acompanho o Sr. , sempre achei o Sr. um homem ponderado e razóavel e ciente das coisas que escreve, mas dessa vez, com todo respeito e com o direito de discordar que tenho, venho externar minha revolta pelo o que foi dito. O Sr. não tem ideia do que passa os policiais, por mais que acompanhe e se sensibilize por algumas informçaões, gostaria que o Sr. saísse dessa sala com ar condicionado e fosse as ruas, fosse na casa dos policias, fizesse sua pesquisa com as famílias... se não for através de greve como os policiais vão ter sua valorização concedida, se não fosse as manifestações, os policiais mineiros estariam ganhando salário mínimo até hoje... é bonito ver o Sr. falar das coisas, mas não é dono da verdade, pelo menos procure opinião de outros cidadãos para falar coisa de tamanha responsabilidade, pois o Sr. não me representa e acredito que também não representa a maioria!!! Caro Cidadão Revoltado, é claro que não represento a você e a ninguém, muito menos a maioria. Nunca tive essa pretensão megalomaníaca, jamais, em tempo algum. Não represento NINGUÉM, exceto minhas próprias ideias. Você me critica certamente sem ter lido as incontáveis notas que tenho publicado sobre a dura vida dos policiais. Leia esta aqui, por exemplo: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/pec-300-pms-e-bombeiros-de-todo-o-brasil-relatam-vidas-dramaticas/ Mas penso com minha própria cabeça e mantenho tudo o que disse: as reivindicações, por mais justas que sejam -- e a maioria é justa --, não justificam greve de corporação armada pelo Estado. Sou totalmente contra e acho greve de quem detém parte do monopólio da força que pertence ao Estado é algo imoral. Abraços

Kohn em 10 de maio de 2011

Infelizmente, é uma classe tão honesta que sentimos alívio de saber que eles não estão à espreita "trabalhando".

Kohn em 10 de maio de 2011

A competência deles é tão grande que a gente nem nota se estão fazendo greve ou trabalhando com a maior dedicação do mundo.

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