Amigos, vocês estão cansados de saber que a centro-direita venceu as eleições em Portugal, e o novo primeiro-ministro, que substituirá o socialista José Sócrates, no poder há 6 anos, será o líder do Partido Social Democrata, o economista de formação e deputado Pedro Passos Coelho.

Passos Coelho vai enfrentar uma tarefa colossal, conforme comentei em post anterior.

Pois bem, o que talvez não saibam é que o jeito de votar em Portugal é uma viagem no tempo – para trás.

Votam-se com cédulas de papel (e até aí tudo bem, isso ocorre em muitos países desenvolvidos). Mas, no final, as urnas são amarradas com barbante, pinga-se sobre o nó do barbante um lacre – daqueles antigos, derretidos com fogo, como uma vela – e, sobre o lacre, o presidente da mesa de votação impõe um carimbo de autenticação.

Pode?

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19 Comentários

chorei antes de nascer em 11 de junho de 2011

Pode sim, Setti. Pois não deram o título de Doutor Honoris Causa ao Lulla?

Paulo Bento Bandarra em 08 de junho de 2011

A Gente pensa, tudo bem, Portugal é um país atrasado que usa lacre, nós somos adiantado porque usamos urna eletrônica... A AMA, American Medical Association, a BMA, British Medical Association, a ANM, Académie Nationale de Médecine, na França também não reconhecem a homeopatia. Claro que lá, tem médico que exerce com $uces$$o, como aqui tem médicos que praticam Terapias de Vidas Passadas ou Medicina Astrológica.

Paulo Bento Bandarra em 07 de junho de 2011

Pois é. Em Portugal médico é proibido de ser homeopata ou receitar.

Alline em 07 de junho de 2011

Ricardo, Olha, amarrar com barbante e lacrar com cera é mesmo um ritual com ar medieval, ridículo nos dias de hoje. Mas isso nos lembra da fragilidade do nosso sistema exclusivamente eletronico, sem comprovante em papel, totalmente exposto a qualquer tipo de invasão de hackers e - pior parte de todas - sem possibilidade de recontagem manual. Imagine se algum político mal intencionado arrumasse uma forma de instalar um vírus em algumas urnas para computar os votos só para si? Se isso já aconteceu, nós nem teríamos como saber. Todos nós sabemos que sistemas semelhantes já foram fraudados para garantir que certo político espertinho ganhasse na mega-sena repetidas vezes; foi só programar a máquina de jogo pra registrar o horário do jogo com atraso dando tempo para fazer o jogo depois que saía o resultado do sorteio. E daí o que seria mais ridículo: lacre de cordinha e cera ou um sistema moderníssimo sujeito a fraude?

rosa em 07 de junho de 2011

Sugiro ao sr. Lis voltar para a pátria amada e ganhar salário mínimo ou quem sabe trabalhar como professor de escola pública ou bombeiro na estado do Rio de Janeiro. Isso é que é país avançado. As pessoas confundem falta de respeito e de educação, libertinagem mesmo com avanço, como se seriedade fosse atraso.

Ricardo em 07 de junho de 2011

A idéia deve ter sido de D. João VI,rsrs.

elvira em 07 de junho de 2011

Eles votam com métodos antigos e daí. Aqui pretendem votar ultramodernos e vemos essa vergonha que está aí.Fica mais fácil contornar a proibição do voto de cabresto, do voto do analfabeto que vem com um papelzinho pronto e é só copiar, pois não se precisa escrever nada. Facilita várias fraudes. Lá pelo menos se vota sabendo no que vai se votar.

Roberval em 07 de junho de 2011

Se fosse no Brasil a empresa que forneceria o barbante seria de algum senador de um estado miserável, usando mão-de-obra semi-escrava e envolvida em algum escândalo de mensalão ou coisa do gênero.

Vera Scheidemann em 07 de junho de 2011

Não, não pode. rsrsrs Vera

Lís em 07 de junho de 2011

Caro Sr. Setti, sem querer abrir aqui um debate, mas eu concordo com o Rodolfo e acrescento: quando a gente sai do lugar onde vive e está habiuado, qualquer coisa melhor parece excelente. É como um casamento: as pessoas habituam-se e deixam de dar tanto valor. A minha mãe (que já morou em São Paulo mas há anos está em Natal) adora vir para Lisboa, acha isso primeiro mundo! Eu que cá estou há 9 anos, digo lhe que a gente só conhece de verdade os lugares por onde passa quando vivemos os problemas do dia-a-dia. E concluindo e emendando com o assunto do post, Portugal é em tudo dos países mais conservadores da Europa e portanto - em muitos aspectos - atrasado.

Carlos Costa em 07 de junho de 2011

O que importa,não é a forma...é o resultado. Será que sairá das urnas,amarradas com barbante,como diz o sr.,alguma ameba,parecida com as nossas? Queria eu, que aqui no bananal,fosse parecido,pelo menos com o resultado.

Markito-Pi em 07 de junho de 2011

Não fosse V. a dar a notícia, pareceria piada de portugues. Já aqui, no Brazuca de primeirissimo mundo, temos tecnologia de ponta para eleger gente de quinto mundo.

Odivaltencir Peixoto, Tijucas, SC em 07 de junho de 2011

Pode sim, Ricardo... As vezes e' melhor um sistema arcaico aonde ha' confianca, doque um sistema super-sofisticado como o brasileiro que esta' nas maos de orgao que podem estar ao servico do PT. Lembre-se, que nao Europa (assim como em todo o Primeiro Mundo) os trapaceiros vao para a cadeia, enquanto no Brasil, os trapaceiros acabam virando Presidente do Senado. Honestamente, eu gostaria de votar mesmo e' na cedula de papel. Abracos, ODI

Jeremias-no-deserto em 07 de junho de 2011

Parece até piada, mas é bom resistir a fazê-lo,pois esse sistema digital adotado em nosso país tem sido alvo de sérias críticas de técnicos em informática como não sendo nada confiável.

JMello em 07 de junho de 2011

Achei ate interessante! Assim deve ser bem mais dificil de fraudar um lacre, nao? Me lembro de uma epoca em que no Mato Grosso pescava-se no rio Cuiaba, alem de peixes, algumas urnas "modernamente" lacradas...

maria cristina em 07 de junho de 2011

Engraçado mesmo são os políticos corruptos que elegemos no Brasil,isso sim é atrazo e andar para trás!!!

Carlos Eduardo em 06 de junho de 2011

Passos Coelho é o primeiro-ministro certo pra Portugal. Chega de socialismo. Chega do boçal do José Sócrates

Rodolfo em 06 de junho de 2011

Pior é aqui, prezado Setti! Não há nenhum comprovante de papel. Essas urnas nossas não valem nada. A urna eletrônica é ótima para acelerar a votação, mas as togas do TSE esqueceram que a função da urna é contar voto e passaram a achar que elas servem para apostar corrida com os outros países. http://www.ic.unicamp.br/~stolfi/urna/FAQ.html O ministro Ayres Brito, o mesmo iluminado responsável (diria eu culpado) pelo desastre causado pela criação da reserva Raposa Serra do Sol, rejeitou uns anos atrás a impressão do voto. O ministro justificou sua decisão dizendo, entre outras genialidades, que "Precisamos de uma legislação à altura dos novos tempos, com uma participação ampla do cidadão no processo eleitoral." O que isso tem a ver com impressão do voto eu não sei, mas vindo de onde vem só pode ser uma genialidade que minha cabeça não alcança. Burrice não pode ser. Acho que nem os portugueses consideram que Portugal está no primeiro mundo. E eu não considero a Espanha também. Eles estão mais para o primo pobre que tenta acompanhar o primo rico (Alemanha) e se atola no cheque especial. Obrigado por sua visita e seu comentário, caro Rodolfo. Mas frequento a Espanha há muitos anos -- tenho filha, genro, filho, nora e netinho aqui -- e, apesar da crise atual, posso lhe dizer que, sim, já é um país do Primeiro Mundo: infraestrutura espetacular (a maior rede de trens de alta velocidade da Europa), rodovias de primeiríssima, alto Índice de Desenvolvimento Humano, grande respeito à lei e às instituições, comunicações excelentes, criminalidade baixa, boas instituições de ensino, boa rede pública de saúde, previdência social superavitária, grande apreço pela cultural, liberdade e respeito. E um salto de uma sociedade provinciana, fechada e machista numa sociedade aberta, livre e tolerante. Primeiro Mundo, apesar da crise econômica. Abração

Aldo Matias Pereira em 06 de junho de 2011

Ricardo, Mas esse proceder contamina o processo? Eles têm várias outras coisas que funcionam como há mais de um século e nem por isso ... Será que nosso sistema eleitoral e, principalmente, o seu resultado, com toda a tecnologia que usa, é melhor que o praticado em Portugal? Duvido muito, até porque o conservadorismo deles, pelo menos, permite que as coisas possam fazer um pouco de sentido e que a política tenha alguma razoabilidade na defesa dos interesses do país. Ou será que estou desinformado sobre isso? O post foi mais uma brincadeira com nossos irmãos portugueses, caro Aldo. Que eu saiba, esse proceder não contamina, não, o processo. As eleições são limpas. Mas que amarrar com barbante é engraçado, lá isso é, não é verdade? Abração

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