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O candidato socialista a presidente da França, François Hollande (à esquerda), e o presidente Nicolas Sarkozy:

Amigos do blog, por mais que os socialistas franceses tenham ficado animados com as primeiras eleições primárias para a escolha de seu candidato à Presidência realizadas na Europa, encerradas no domingo, 16, em minha modestíssima opinião a ficha de François Hollande, o candidato escolhido, não entusiasma nem um pouco.

Hollande, 57 anos, quatro filhos com a primeira mulher, a ex-candidata socialista à Presidência em 2007 Ségolène Royal, um filho com a atual, a jornalista política Valerie Trierweiler — em ambos os casos, sem ter casado oficialmente –, é, como se diz na França, um “elefante” socialista – um burocrata histórico, há 30 anos nas fileiras do partido, do qual foi secretário-geral ininterruptamente durante onze anos, entre 1997 e 2008.

Tem boa formação, como praticamente toda a elite política francesa: é advogado e profesor de economia.

Profissão de fé no Estado

Mas – e aí vem o outro lado – é daqueles socialistas que fazem profissão de fé no Estado e seu papel na sociedade, tão típicos da França, onde todo mundo que pode se encosta em algo que tenha a ver com o dinheiro público. Nunca, jamais, nem por um só dia, trabalhou em uma empresa privada. Desde o começo dos anos 80, foi o equivalente a vereador, prefeito, administrador de região, ministro.

Já enfrentar um bom desafio de gerir uma companhia que deve dar lucros, prestar contas aos acionistas, pagar impostos e enfrentar a concorrência — jamais!

E sua plataforma eleitoral, embora ainda esteja recebendo retoques, inclui pontos como criar 70 mil postos de trabalho no serviço público, especialmente no setor da educação – o presidente Nicolas Sarkozy enxugou o Estado de 100 mil funcionários nos últimos quatro anos e meio – e oferecer empregos subvencionados aos jovens.

Números difíceis pela frente

Se vencer as eleições, precisará encarar alguns números difíceis. A França tem cotação de AAA — cotação máxima — das três principais agências de classificação de risco, tal qual a Alemanha e superior, neste momento, ao país historicamente visto como a suprema fortaleza em relação a suas possibilidade de pagar o que deve, os Estados Unidos. De todo modo, com um colossal Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1 trilhão de dólares, o que a torna a quinta maior economia do mundo, a França abriga uma dívida pública de 1,75 trilhão de dólares, equivalente a 83,5% do PIB.

Só deve crescer, no máximo, este ano, magérrimos 1,3%, e a previsão para 2012 é que atinja, com muito esforço, 2%. De seus 28,3 milhões de trabalhadores, 9,9% estão parados, percentagem que a situa acima da média de 9,4% dos 17 países da zona do euro.

“Não fez nada em 30 anos de vida política”

Terá cacife para o desafio?

A avaliação da ex-mulher, Ségolène Royal, se bem que feita durante o fragor da campanha pelas primárias, que os dois e mais quatro candidatos disputaram, não é das melhores.

“O ponto fraco de François Hollande é a inação”, disse ela. “Os franceses são incapazes de citar uma única coisa que ele tenha feito em 30 anos de vida política”.

E seu adversário, o presidente Nicolas Sarkozy, embora esteja alguns pontos atrás nas pesquisas de intenção de voto, não deve ser menosprezado. De seus críticos saiu uma frase que, a esta altura do campeonato, é um elogio:

— Sarkozy é um mau presidente, mas um ótimo candidato.

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Paulo Pereira em 23 de abril de 2012

Pois é, Setti. Agora, depois de ontem, 22 de abril, vc ainda não se entusiasma com o candidato Hollande? Não é o que disseram os franceses nas urnas, nem as madames Ségolène(ex-Hollande) e Valérie (atual Hollende).

Jefff em 25 de outubro de 2011

Quem não gosta do estado deve abrir mão do dinheiro do erário!!!

Jefff em 25 de outubro de 2011

Ah caro Setti até o nosso Roberto Campos tão liberal viveu a vida inteira a base de cargos públicos. Quando não era ministro, era embaixador, senador ou seja um hipocrita de marca maior. Alias o que tem de liberal que gosta de dinheiro do BNDES, de verba publicitária oficial não está no gibi.

Ismael em 25 de outubro de 2011

Esse Hollande é o famoso derruba-bolsa.Deixa sair alguma pesquisa com ele na dianteira e pode entrar vendendo.

Pedro Luiz Moreira Lima em 24 de outubro de 2011

Amigo Setti: Pode até ser que não empolgue - mas vai ganhar,o Sakô empolga muito menos. Abração

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