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François Hollande e Nicolas Sarkozy: no vale-tudo dos dias finais de campanha, o cortejo aos eleitores de extrema direita

De centro-esquerda, como o aparente favorito ao segundo turno das eleições presidenciais francesas deste domingo, François Hollande, ou de centro-direita, como o presidente Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição, tanto faz: os dois cortejam, cada um à sua maneira, o eleitorado que concedeu 18,03% dos votos à candidata de extrema direita, Marine Le Pen, no primeiro turno das eleições, a 22 de abril.

Matemática não se pode aplicar com a mínima rigidez em política, mas tem lá sua função. Como a maioria dos 11,14% dos votos concedidos ao esquerdista Jean-Luc Mélenchon dificilmente irão para Sarkozy, da mesma forma como os 9,10% recebidos pelo centrista François Bayrou se encaminharão para Hollande, o contingente de votantes de Le Pen são vistos como decisivos.

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Marine com o pai, Jean-Marie: expulsão de imigrantes, mais vagas nas penitenciárias, volta da pena de morte… (Foto: metro.co.uk)

E, no entanto, Marine Le Pen, herdeira do pai, Jean-Marie Le Pen, hoje retirado da política aos 83 anos de idade, na contramão dos dois candidatos europeistas, defende ideias absolutamente isolacionistas e anti-europeias e, no plano dos direitos e liberdades individuais, é partidária de uma plataforma que tromba de frente com toda uma tabela de valores de tolerância que, aos olhos do mundo, parece fazer parte da própria natureza da França.

Reduzir (não se sabe como) em 95% o número de imigrantes residentes na França num prazo de cinco anos.

Acabar com o jus soli, ou seja, o direito à nacionalidade para quem nasce no território. Só será considerado cidadão francês quem for filho de francês.

Fim do instituto do reagrupamento familiar: ou seja, o imigrante já naturalizado francês não pode trazer a família de seu país para viver na França.

Fim da legislação que regula a situação de imigrantes clandestinos, com a expulsão sistemática de cidadãos não-franceses em situação irregular.

Restabelecimento da pena de morte.

Criação de mais 40 mil vagas nas penitenciárias.

A revogação imediata do Tratado de Lisboa – espécie de Constituição da União Europeia.

A convocação de um plebiscito para decidir se a França permanece ou deixa a zona do euro.

O fim do livre acesso a cidadãos de outros países europeus à França, com a retirada do país do Tratado de Schengen, que hoje abrange 26 países e beneficia 400 milhões de pessoas com livre circulação pelos países signatários.

Saída da França OTAN, a aliança militar ocidental.

Está bom, ou querem mais? A filha parece digna herdeira do pai, uma figura abjeta cuja biografia juvenil está eivada de episódios de violência e períodos na cadeia, que participou de torturas quando soldado francês na Argélia e nunca escondeu sua simpatia pelo fascismo e por Hitler.

A própria Marine Le Pen esnoba os dois candidatos, não disse até agora quem vai apoiar, e se vai, e aposta-se que anunciará voto em branco.

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Angelo Losguardi em 01 de maio de 2012

Corrigindo, sem VAGA. Devia ter um botão "edit" nesses comentário rsrsrsrs

Angelo Losguardi em 01 de maio de 2012

"Criação de mais 40 mil vagas nas penitenciárias." . Você acha isso ruim, Setti? Nesse ponto o Brasil é bem progressista, com seus presos amontoados nas cadeias sem vale e indignas. Claro que não acho isso ruim -- mas obviamente não é prioridade num país como a França, cujos índices de criminalidãde são baixíssimos. Faz parte da tentativa de parecer "dura" de Marine Le Pen.

Marco em 01 de maio de 2012

Amigo Setti: Desculpe, em relação acima, o Jornalista americano q me referia, depois de consulta, q faleceu no dia 7/04. É o Mike Wallace! Q segundo um amigo meu, o Paulo Francis era fã. Mas não tenho certeza. Abs.

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