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Humala: o Peru melhorou muito, mas a injustiça social ainda é enorme

Apesar do grande surto de prosperidade e crescimento que o Peru vem seguindo há pelo menos uma década, o novo presidente do país, o nacionalista Ollanta Humala — eleito em junho e empossado em julho — está de cabelos em pé com a realidade social com que está tendo que lidar. E isso mesmo com o Peru tendo, nos últimos 5 anos, saltado espetacularmente 24 posições no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, um composto estatístico que considera a renda per capita, a expectativa de vida e a educação de 169 países; está agora em 63º lugar, 10 posições acima do Brasil.

Entre os 30 milhões de peruanos, por exemplo, há 1,5 milhão de trabalhadores com mais de 65 anos que pegaram no pesado mas não têm direito a qualquer tipo de aposentadoria. Dentro de 10 anos, o total chegará a 3 milhões. A desnutrição infantil, que atinge 30% nas áreas urbanas mais pobres, chega ao dobro nas regiões rurais mais desassistidas. A maior parte das escolas públicas ou não fornece merenda aos estudantes ou ela é insuficiente. O quadro sanitário é assustador: o Peru é dividido administrativamente em 195 províncias, e em 56 delas não há um único hospital — não em uma cidade, mas na província inteira. Sem contar a questão da segurança pública num país que já é o maior produtor mundial de cocaína.

“É como se tivéssesmos um mundo inteiro para ser construído”, lamentou Humala neste fim de semana, durante uma visita ao interior. Felizmente, o novo presidente parte de uma base muito melhor do que seus antecessores.

O Peru vem seguindo um caminho de prosperidade e modernização desde o começo do presidente liberal Alejandro Toledo (2001-2006), cujo sucessor, o ex-populista Alan García (2006-2011), seguiu firmemente uma política de rigor fiscal, controle da inflação e abertura aos mercados.

Como escrevi anteriormento, aquele país caindo aos pedaços e quase miserável, consumido por uma hiperinflação, atormentado pelo desemprego e a paralisia econômica após o primeiro e catastrófico governo de Garcia, mudou por completo: a inflação, 3% ao ano, é bem menor do que a do Brasil. Há uma década cresce acima da média da América Latina, seu Produto Interno Bruto (PIB) vem subindo a mais de 5% anuais desde 2006, índice que chegou espetaculares 7,7% no ano passado e deve se repetir ou mesmo ser superado este ano, se Humala mantiver sua promessa de não alterar o modelo econômico, mas, como disse no final de semana, “dividindo de forma mais justa a riqueza que geramos”.

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5 Comentários

Corinthians em 14 de setembro de 2011

Marcelo Mendes - 13/09/2011 às 12:12 Perfeito. E o pior exemplo é o nosso.

Marcelo Mendes em 13 de setembro de 2011

O Peru caiu no conto do vigário esquerdista e vai pagar caro por este erro. Humala não tem a mínima capacidade de fazer avançar o país, a não ser no quesito bandalheira e corrupção. Vide os exemplos recentes da América Latina!

patricia m. em 12 de setembro de 2011

Caramba, mas como ele aprendeu bem com o mestre heim!!!! Olha so: . “É como se tivéssesmos um mundo inteiro para ser construído" . Compare com: . "Nunca antes nestepaiz" . Ja conheco essa estoria e infelizmente para o Peru o final nao eh feliz. Eh so ver a inflacaozinha descontrolada brasileira, e o monte de gente sugando nas bolsas e nas tetas do governo atraves do assistencialismo disfarcado de "justica social".

Marco em 12 de setembro de 2011

Amigo Setti: Justiça Social eu entendo como " Socialismo d ideologia Quente " na América do Sul. Depois vem seus esteios " politica Social "," Direito Sociais " e " Consciência Social ". Isso tudo vai resultar em q ? Num enfraquecimento da economia e da sociedade livre. Abs.

Paulo Bento Bandarra em 12 de setembro de 2011

É, como é fácil prometer tirar ouro de pedra e tirar dos ricos para dar para os pobres. O sonho irreal de que a pobreza se dá pelos ricos terem tirado dos pobres, e que é só inverter o caminho, devolvendo aos roubados e todos seremos remediados. A lógica simplória que tudo é uma questão dos pobre bons e dos ricos maus. Um prato cheio para os demagogos vencerem eleições de povos incultos.

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