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Senador Romero Jucá: para ele, quando senador fosse assassinado, suplente deveria assumir — como se assassinato de senadores fosse algo rotineiro (Foto: veja.abril.com.br)

Eu não queria viver no mesmo país em que o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, acha que vive.

Sabem o projeto de emenda constitucional que acaba com a farra dos suplentes-parentes (filhos, pais, irmãos, maridos, mulheres, tios…), que está caminhando bem no Congresso e que comentei em outro post?

Pois bem, o relator da matéria no Senado, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), rejeitou uma proposta apresentada por Jucá prevendo que, em caso de vacância decorrente de homicídio do titular, não haverá nova eleição – como estabelece, corretamente, a nova emenda constitucional –, devendo o suplente assumir a vaga.

E pasmem, amigos: na justificativa à emenda, Jucá, a que se juntaram outros senadores, assinando o respectivo documento, argumenta que sua medida visa reduzir o risco de um senador ser morto por um eventual opositor, interessado na realização nova eleição.

Que coisa absurda, espantosa, inacreditável: o senador queria colocar na Constituição, como se fosse a coisa mais normal do mundo, uma regra para regulamentar consequências de assassinatos de senadores!

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Luiz Henrique, em linguagem técnica: “Não nos parece razoável esse entendimento e tampouco a medida pretendida (…)”: bom senso

Com o bom senso que adquiriu na longa carreira – foi deputado federal por vários mandato, duas vezes governador de Santa Catarina e, nos velhos tempos, era um dos políticos mais próximos do patriarca Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, morto em 1992 — Luiz Henrique rejeitou a sugestão.

Entre outros argumentos, apontou um, básico: se partirmos do pressuposto de que, no Brasil, políticos assassinam uns aos outros, o mesmo raciocínio poderia ser feito em relação ao próprio suplente, que poderia matar o titular com o propósito de assumir a vaga.

Em linguajar técnico, o senador leu seu parecer técnico que, em relação à descabelada proposta de Jucá, diz:

“Não nos parece razoável esse entendimento e tampouco a medida pretendida, especialmente por meio da criação de regra constitucional com o objetivo de impedir a vulnerabilidade apenas de senadores em detrimento dos demais agentes políticos”.

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Nenhum comentário

fpenin em 11 de março de 2012

Jucá não é fácil. Antes de tudo, trata-se de um chato de galochas. A expressão é antiga, mas chato comporta mil definições. Pois bem, esse pegajoso, um baba-ovo transgovernos, não se cansa de agredir a sociedade, primeiro com sua conduta, depois com a asquerosa presença a emporcalhar nossos televisores. Fora, Jucá.

ESTADO DE DIREITO, JÁ!!! em 11 de março de 2012

O JUCA NÃO É FÁCIL.. vai a Boa Vista e verá.... - - está sempre nas boacas... já foi babaovo do FHC, do Lula e agora da Dilma, eserá do próximo

Flores em 11 de março de 2012

Concordo com o Jucá

Reaça em 10 de março de 2012

Surreal!!!

Karla em 10 de março de 2012

Espantoso mesmo é que o referido senador tenha sido líder dos governos FH I e II, Lula I e II. Itamar Franco, presidente injustiçado, escolheu muitíssimo melhor: Pedro Simon.

Ismael em 09 de março de 2012

Nosso problema é que através da história aprendemos que no Brasil vige o compadrio e a amizade mais que a MERITOCRACIA. Assim, desde as capitanias hereditárias, o povinho se vende por um favorzinho ou uma prebenda, tal como bolsa família, ou emprego para um cliente de vereador. Elegendo gente como Romero Jucá e ele é só mais um Sarneyzinho.

Sergio em 09 de março de 2012

Mas Setti, você não vive no mesmo país desse sujeito. Elles são de outro mundo.Como pode o cara ser líder do Governo FHC e líder do governo petralha?

Egmont em 09 de março de 2012

Enquanto essas figuras caricatas continuarem povoando a vida pública, não há muitas esperanças para este país.

Markito-Pi em 09 de março de 2012

Alô, povo de Roraima: este sujeito, Jucá, deu uma excelente idéias para vocês. Não sei quem é o suplente deste calhorda, mas é muito melhor que o , digamos, finado.....

Vera Scheidemann em 09 de março de 2012

Que coisa ! Inacreditável... Vera

Willer em 09 de março de 2012

Quantos "Brasis" existem dentro do Brasil? Como eles se equilibram e que Brasil vence na disputa política, na divisão de poder, na implementação de projetos, leis e prioridades? Desta vez venceu a civilidade, mas sendo sincero, eu também não queria nem chegar por perto de uma terra onde assassinato entra no cálculo político, coisa espantosa! Com o Senador Luiz Henrique só tenho um velho entrave, caro Setti, fora do tema central(espero que seja ok). Graças à ele e com sua feroz defesa da reserva de mercado para a indústria da informática nacional, fomos obrigados a ficar para trás do resto do mundo por anos a fio, batucando nossos "Prologica SP2" e gemendo de raiva, arquivando nossos trabalhos em gigantescos harddisks de 20Mb, quem viveu o problema na época(anos 80), não o esquece jamais.

nino em 09 de março de 2012

e pensar que somos nós que pagamos o salário e as beneses que o poder confere a esse senhor. infelizmente cada um tem o governante que elege.

Luiz Almeida em 08 de março de 2012

Ficamos a imaginar o tipo de gente que vota em Jucá!Tirando os leigos,os votos de cabresto e do povo crédulo, o resto é vem da mesma cepa doentia.

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