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Nas pesquisas mais recentes, pouco mais de metade dos escoceses (cuja bandeira é a azul com a cruz diagonal branca) se mostraram favoráveis a permanecer no Reino Unido, que tem uma das bandeiras mais conhecidas do mundo (Foto: ALAMY)

Por Tamara Fisch

A data do referendo para a independência da Escócia em relação ao Reino Unido se aproxima. Daqui a um mês, no dia 18 de setembro, os escoceses votarão a favor ou contra a separação, e a disputa continua acirrada.

Para os 51% dos cidadãos escoceses que não querem a independência — o percentual dos que gostaria da separação e dos ainda indecisos varia conforme o levantamento –, há argumentos em abundância para apoiar sua opinião. A campanha Better Together, criada por escoceses que querem continuar parte do Reino Unido, listou alguns:

Parlamento escocês: com uma representação forte na legislação do Reino Unido, a Escócia tem autonomia em seu governo e, ao mesmo tempo, tem garantida a participação na forte política do Reino Unido, o que garante segurança.

Moeda: o governo britânico resiste à proposta dos nacionalistas escoceses de, em caso de separação, continuar utilizando a libra esterlina como moeda. Essa incerteza sobre algo tão vital assombra a vida de muitos dos cidadãos da Escócia.

Turbulência local e internacional: a Better Together destaca que a situação está instável tanto no plano nacional quanto no cenário global, e que a Escócia com certeza se fortalecerá pela união, que ajudará na criação de empregos e no crescimento econômico. A alternativa da independência só garante incerteza e barreiras comerciais.

Mercado: o maior parceiro comercial da Escócia é o resto do Reino Unido, cujo mercado é um dos maiores e mais bem sucedidos do mundo, além de ter a moeda mais valiosa.

Segurança: as Forças Armadas do Reino Unido são extremamente renomadas e oferecem sua proteção à Escócia. Além disso, como parte da união, a Escócia tem papel significativo no Conselho de Segurança da ONU, na OTAN e na União Europeia. Deixar o Reino Unido e continuar sob a proteção — inclusive nuclear — da OTAN representaria começar do zero a montagem de Forças Armadas próprias, a um custo inestimável.

Diversidade: ao contribuir para a grande variedade de nacionalidades, etnias e culturas que habitam o Reino Unido, a Escócia garante o enriquecimento de sua sociedade

Coabitação: com a quantidade enorme de ingleses morando na Escócia, de escoceses morando na Inglaterra e de outras diversas combinações, o Reino Unido apresenta uma interdependência muito forte entre as quatro nações que o compõem — além de Inglaterra e Escócia, o País de Gales e o Ulster (Irlanda do Norte) –, algo que cria uma identidade generalizada no lugar de definições rígidas baseadas em nacionalidade

A campanha também destaca como a colaboração entre os países membros da união resultou em instituições importantíssimas, como o respeitadíssimo complexo de comunicações (TV, rádio e internet) BBC e o Banco da Inglaterra, ambos fundados por escoceses, e o Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), criado por um inglês.

Outro ponto é a responsabilidade que a Escócia cede ao governo central. Como um país pequeno, de apenas 5 milhões de habitantes, para a Escócia é mais interessante deixar temas de maior importância, como defesa e impostos, para quem está mais equipado para lidar com eles — neste caso, o Reino Unido.

Uma dúvida muito válida em relação à independência é a de muitos indivíduos que não entendem como a separação beneficiaria a eles próprios ou à Escócia. Por que consertar o que não está quebrado?

Nessa mesma linha de pensamento, existe um certo receio em relação ao futuro nacional caso ocorra a separação. Não se sabe exatamente o que mudaria no dia a dia, mas a ideia de alterações radicais já é suficiente para assustar quem está em cima do muro.

Por mais que haja razões e razões para permanecer junto ao Reino Unido, os escoceses têm tantos motivos quanto para escolher se separar. A questão é: qual dos lados juntará mais seguidores no próximo mês?

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5 Comentários

numa em 24 de agosto de 2014

As regras para publicação de comentários no blog, conforme relembrei aos amigos leitores incontáveis vezes, não aceitam textos escritos somente em maiúsculas, em respeito à boa educação, aos leitores e seguindo uma norma internacionalmente praticada na web. Como presumo que você saiba, palavras em maiúsculas significam palavras gritadas, não é mesmo? Confira as regras no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

Concluo em 22 de agosto de 2014

E me parece que está bem evidente que não há, no momento, votos suficientes para a independência da Escócia. Diferentemente da Catalunha. Os Catalães querem a independência em muito maior número e com mais fervor. Os escoceses que querem fervorosamente a independência são minoria.

Concluo em 22 de agosto de 2014

Tenho simpatia pela independência da Escócia e da Catalunha e do Curdistão, para mencionar alguns. Mas acho que a Escócia vai ter, para seu povo, uma pior qualidade de vida, em muitos aspectos, caso fique independente. Já na Catalunha, acho que a coisa pioraria à princípio, mas melhoraria depois, se e quando fosse aceita no bloco do Euro. Ou seja, a Catalunha seria melhor que a Espanha. Mas não acho que a Escócia possa, independente, oferecer qualidade de vida melhor que oferecida pela Grã-Bretanha.

Henrique em 21 de agosto de 2014

Caro amigo Ricardo Setti! 01) O governo escocês não pensou na seguinte possibilidade: em caso de a maioria do eleitorado votar a favor da independência do país, a Escócia poderia ou não poderia adotar o EURO como sua moeda corrente? 02) Caso a maioria do eleitorado votar pela independência da Escócia, você acredita que poderá haver restrições comerciais entre Escócia e Reino Unido? Por exemplo: o governo britânico proibir a importação de whisky escocês. Isso poderia acontecer? 03) Na minha modesta opinião, a Escócia deve manter-se como está atualmente. Ou seja, junto com o Reino Unido. Esses discursos populistas e bravateiros de autonomia e soberania são todos furados. Pura demagogia. Para mim, é praticamente igual ao caso da Catalunha. Eu te pergunto: O que a Catalunha iria ganhar se separando da Espanha? NADA! Ao contrário. Só iria perder. O que você acha?Não sei se você concorda. Caro amigo Setti, MUITO OBRIGADO pelo espaço concedido. Desculpa se escrevi demais. E parabéns pelo seu excelente blog. Está cada dia melhor. Obrigado pelas boas palavras sobre o blog. Desculpe pela enorme demora nas respostas. Vamos a elas: 1. Os escoceses, tal como os demais britânicos e sobretudo os sucessivos governos britânicos, não querem saber do euro. Não seria uma alternativa. 2. Não, em hipótese alguma. 3. Concordo com você, mas os catalães de longa origem têm argumentos históricos e culturais para defender um Estado próprio. Um abraço

jamesbond em 21 de agosto de 2014

Nao vai haver separacao.

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