A propalada “firmeza” da presidente Dilma Rousseff tem sido testada aqui e ali, sobretudo nos episódios das nomeações por indicação política. Corre a história de que, diante do realmente incompreensível poder de manda-e-desmanda na área de Furnas de parte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do pessoal que ele pretendia manter na empresa ou nomear para a empresa, ela, resolvendo conforme seus critérios, teria dito: “Na minha cadeira ele não vai sentar, não”.

Mas teste bom mesmo para a firmeza da presidente é esse episódio de indisciplina de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que passaram por cima do chefe, o general José Elito Siqueira, que está à frente do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, para ir reclamar com funcionários do gabinete da presidente porque não querem que seus relatórios, antes de chegar a Dilma, passem pelo crivo do general.

Pior: foram pedir que a Abin, que por lei de 1999 se reporta ao Gabinete de Segurança Institucional, passe a fazê-lo diretamente à presidente.

Claro que a manobra, embora espantosamente feita às escondidas — segundo revelou a repórter Tânia Monteiro, do Estadão — no dia 27 passado para que o general dela não tomasse conhecimento, esteve a cargo de funcionários atuando sob o escudo de uma das duas associações de servidores da agência, para evitar caracterizar indisciplina. É mais ou menos assim que fazem, em determinadas circunstâncias, associações de cabos e soldados das Polícias Militares para encaminhar, por exemplo, reivindicações salariais sem quebrar a hierarquia das corporações.

Mas o general Elito está totalmente certo ao ficar indignado e considerar a reunião manifestação de indisciplina e mesmo de rebeldia.

Normas são normas, leis são leis, e sobretudo arapongas — com triste história de ilegalidades na recente história do país — são obrigados a cumpri-las estritamente.

A presidente deve mostrar firmeza e punir quem deve ser punido, com rigor.

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Natale em 20 de fevereiro de 2011

Sr. Setti! O General em questão, "não sabe de nada, nunca viu nada", sobre champanhes,exercito, whiskies e calcinhas e outros equipamentos eletronicos. Escrevo isto para ratificar que alguém, o nunca dantes, também falava desta maneira, ou não?

Desdemona em 14 de fevereiro de 2011

Prezado Setti: A lei, originaria e democraticamente votada pelo Congresso Nacional, ligava a Abin DIRETAMENTE à figura do Presidente da República; basta ver a redação não editada (Art 3, Lei 9.883/1999) da legislação pertinente, no sítio do Planalto. Entretanto, os militares (governo FHC) "forçaram" a barra e o Art 3o foi alterado (retiraram a vinculação direta com o Presidente da República!). Outra "estratégia" dos militares (que haviam recentemente, em junho 1999, perdido a parada do Emfa para o Ministério da Defesa - diga-se de passagem, um comando CIVIL sobre todos os militares do País!) foi manter como "PRIVATIVO" de Oficial-general o cargo de GSI. Daí, a presidente NÂO teve escolha; ficou refém de uma "armadilha" castrense urdida há mais de 10 anos, por meio da qual a Inteligência de Estado continua (como nos tempos da ditadura) nas mãos dos militares. Não tenho absolutamente nada contra os militares (valorosos homens e mulheres), mas, no popular, "cada macaco no seu galho". Desdêmona.

Roberto em 10 de fevereiro de 2011

RARAMENTE VI UM TEXTO COMO ESSE... IGNORANTE, MENTIROSO E MANIPULADOR... E A VEJA CONTINUA QUERENDO AFUNDAR O PAÍS! Ah, você não tenha dúvida. Como é que descobriu? Todos aqui em VEJA e no site de VEJA são lesa-pátrias infiltrados. Nosso único objetivo é afundar o Brasil. Cada centavo do nosso salário é pago em troca de fazer malvadezas contra nosso país. Somos todos agentes do imperialismo americano tentando nos disfarçar de cidadãos comuns. Mentimos o tempo todo, manipulamos, e ainda por cima somos ignorantes e analfabetos. E é por isso que a revista tem tão pouca repercussão. Não sei como um fanático agressivo como você se preocupa com a gente. E veja como a Folha de S. Paulo também está na conspiração: "Painel" de hoje, terceira nota: Pela ordem -- Dilmabaixou norma interna segundo a qual reivindicações só serão recebidas por meio dos canais hierárquicos copetentes. Ninguém citou, mas o texto serve de medida para a Associação dos Oficiais de Inteligência, que entrou em choque com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito, e solicitou audiência no Planalto".

Rodrigo Moreira em 09 de fevereiro de 2011

Contra os militares, nada. Acho que eles são uma porção extremamente importante da sociedade, sem a menor dúvida. Só acho que devemos analisar com calma as posições. Quanto a negociar no Congresso, isso seria pouco eficiente, já que, como sabemos, a solução neste caso certamente deveria partir do Governo.

Tomas em 09 de fevereiro de 2011

As pessoas médias ainda sao muito preconceituosas em relação à ABIN, e sempre se referem ao serviço de inteligencia lembrando o SNI e à atividade como “arapongagem.” O que se esquece é que todo grande pais tem um serviço de inteligência compativel com a estatura dele. A ABIN foi inocentada no caso Satiagraha e isso já ficou claro. O que vem acontecendo e a população tem que temer é que as informações passam pro GSI, que escolhe a seu bel prazer o que repassar a Presidencia. Ou seja, eles escolhem do que a presidente pode ou nao ser informada, de acordo com sua visão ( e necessidade), colocando a presidencia na mao das veleidades dos militares. Isso é um risco institucional para nosso país.

Corinthians em 09 de fevereiro de 2011

Setti, Neste caso acredito que não houve insubordinação. Insubordinação seria se tivessem quebrado alguma regra ou se tivessem agido de forma não ética, propalando os problemas para todos os jornais. Acredito que todas as empresas hoje em dia possuem uma política de "portas abertas", onde o funcionário é incentivado a procurar os chefes "fora de alcance" para colocar reclamações e dúvidas, sem a necessidade de pedir permissão para o superior imediato, até por que normalmente o problema é o superior imediato. Eu trabalho em uma empresa assim, e minha antiga empresa também tinha uma política deste tipo, na qual cheguei a utilizar uma vez. Vejo que a utilização da associação foi uma maneira de realizar isso sem represálias. Como exemplo irei citar um caso em que meu antigo chefe cometeu assédio moral junto à um colega de trabalho. Imagine só como seria sem esta política de portas abertas ... nem eu nem o colega poderíamos reportar isso para nenhum superior, visto que teríamos que ter o aval do chefe que cometeu o assédio primeiramente, sendo então que a única opção seria a justiça brasileira, que convenhamos, é inviável de ser utilizada por um trabalhador comum.

Dawran Numida em 09 de fevereiro de 2011

Ricardo Setti, não foi o que diz dizer. Não tive intenção de ofendê-lo. Mas, a forma como coloquei deve ter ficado imprecisa. Coloquei "oba oba", não como sendo seu, mas de quem teria de tomar decisões no governo. A intenção foi colocar que, nesse caso, o responsável pelo Gabinete de Segurança, poderia agir com base na própria lei. Reportar à presidente, sim. Mas deveria tomar as providências pelo que a lei o determina e protege. Ele deve ter sido escolhido pela liderança que deve ter. Beleza, caro Dawran. Está tudo bem entre nós. OK com seu comentário, também. Abração

Eduardo em 09 de fevereiro de 2011

A administraçao pública ficou tao politizada que se tornou repleta de "feudos": PF, MP, AGU, IBAMA, FUNASA, etc etc etc. Ao mesmo tempo que odeiam ter de prestar contas a uma autoridade "de fora", adoram falar direto com o presidente e, com isso, poder manter o espírito de corporativista e influenciar o máximo possível a favor de seus "castelinhos".

jonas /RS em 08 de fevereiro de 2011

Mais uma tempestade em copo de água! No fim essa tal abin acaba que pouco faz maesmo,fica fazendo futrica,que não quer general,quer direto com a Dilma. Burrice deles,a Dilma quando se irrita é mais durona que todos os generais juntos...

J D em 08 de fevereiro de 2011

Fica a Mandioca pelo verbo, essa eu te concedo! Mas, jornalista do seu gabarito que não consulta fonte primária e quer condenar servidor por crime de opinião... realmente estamos perdidos! Pede pra fechar a internet, o jornal, as editoras... Não quero condenar ninguém por crime de opinião. Só alguém que nunca tenha lido nada que escrevi nos últimos 40 anos diria isso. Você está de má -- melhor dizendo, péssima -- vontade contra mim, J. D.

J D em 08 de fevereiro de 2011

Meu caro, leia a carta dos associados para antes tecer comentários. Bom jornalismo busca as fontes e não vive de, vamos chamar, retweets. http://lfigueiredo.wordpress.com/. Mto triste ver a geração espontânea de intriga fantasiosa por gente que não entende muita coisa do assunto. Quanto à associação, basta revogar a constituição e o artigo quinto (V) e sua tese será aprovada. Insubordinação, não estamos em tempos de atos institucionais não, meu caro, qdo se cassava os insurgentes na bala. Não seja leviano de mencionar comigo "atos institucionais" e "cassa (sic) de insurgentes na bala". É uma insinuação que repilo com veemência. Insubordinação é figura contemplada em qualquer regulamento de qualquer organização em país civilizado. A carta dos agentes não me faz mudar uma vírgula do comentário. "Geração espontânea de intriga fantasiosa"? Não me faltava mais nada. E eu tenho lá interesse nisso, J. D.?

Rodrigo Moreira em 08 de fevereiro de 2011

Nao sei se a questão é tão simples, Setti. eles querem ser comandados por um civil, o que me parece bastante salutar. A CIA é assim, nao é? Além disso, eles parecem brigar para que o general Elito nao filtre as informações que a Abin produz - o que é igualmente salutar. Ademais, nao se pode impedir que trabalhadores se dirijam à sua chefe superior (ao presidente da empresa, digamos), em caso de divergência com o "gerente". Nao vivemos mais em uma ditadura. Enfim, no mérito a questão me parece controversa. E este proprio Elito é controverso, haja vista a declaração dele sobre os desaparecidos políticos - por conta da qual, diz-se, tomou um pito da presidente. Seria interessante ouvir os dois lados, nao? Caro Rodrigo, houve no caso um "bypass": subordinados não podem passar por cima do chefe, sem o conhecimento dele, para ir ao chefe do chefe. O general Elito é controvertido, sim, por essas tais declarações infelizes, de que ele teria se retratado. Mas, veja bem, a subordinação da Abin ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional está na lei. A presidente nomeou para chefiá-lo um militar porque quis. Ademais, não tenho qualquer preconceito contra os militares. Qual é o problema de ter um general ao qual a Abin responde? Mas, claro, concordo com você em que se pode e deve discutir o mérito da questão. Só que não quebrando a hierarquia. Por que os funcionários não se reuniram com parlamentares no Congresso, negociando com eles para introduzir mudanças na lei da Abin, por exemplo? Abração

Dawran Numida em 08 de fevereiro de 2011

Se a lei coloca que a agência se reporta ao general, têm de reportar ao general. E caberia, então, a ele, tomar as medidas de demitir os resistentes. Ele que se entenderia com a presidente e não a agência. Mais um oba oba para colocar aura de firmeza na presidente. Ah, quer dizer que eu estou praticando oba-oba? Você não me conhece, Dawran. Calma, calma que o Brasil é nosso. Se o pessoal recorreu ao gabinete da presidente, ela deve tomar alguma atitude: no caso, mandar que o general faça o que tiver que ser feito.

gaúcha indignada em 08 de fevereiro de 2011

Não vai punir ninguém.

jose em 08 de fevereiro de 2011

Que firmeza? Me mostrem uma ação firme dela até agora? Estão confundindo inépcia e imobilidade com firmeza...

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