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A volta do vinil continua firme e forte (Foto: Nick Alvarado – Stock Xchng)

Os altos executivos das gravadoras já estão acostumados. A cada seis meses, quando saem os novos relatórios de vendas da Nielsen, empresa especializada em contabilizar estatísticas da Indústria Fonográfica dos EUA, eles sabem que quase seguramente lerão números piores do que os do levantamento anterior.

Em franco declínio desde o início do milênio após a revolução digital, o business dos discos encolhe quase sistematicamente, com poucas exceções, diante da opção de muita gente por outras formas de consumir música, que em muitos casos significa simplesmente não pagar nada em troca do benefício.

Existem muitos dados para ilustrar a decadência, como por exemplo o fato de que, em 2000, os americanos compraram 730 milhões de CDs, enquanto uma década depois, sairiam das prateleiras menos de um terço, 239,9 milhões.

Nem os álbuns digitais escapam

As estatísticas presentes no último relatório, que abrange a comercialização no período entre 30 de dezembro de 2013 e 29 de junho de 2014, mantêm a saga desoladora.

O “número total de álbuns vendidos”, conceito que atualmente inclui não só os produtos propriamente físicos, mas também os donwloads e streamings legais, foi de 227,1 milhões, 14,9% menor que os 235 milhões do que o primeiro semestre de 2013. Registrou-se também quedas nos índices de comercialização de CDs (19,6% a menos, parando em 62,9 milhões) e até no de álbuns digitais (11,6% a menos, ficando nos 53,8 milhões)

Ressurgimento do vinil

Entretanto, nem todas as cifras do estudo são negativas.

Particularmente o setor da produção de discos de vinil vive, na verdade, um ressurgimento espetacular. Foram vendidos, no primeiro semestre deste ano, 4 milhões de LPs, contra 2,9 milhões do mesmo período de 2013.

Claro que, em proporção ao bolo total do mercado, o produto que a indústria dera como morto na década de 1990 só representa 1,76%, mas não se pode ignorar o seu aumento anual, de nada menos que de 40,4 %.

As razões para a retomada vão desde a qualidade de som – que os adeptos classificam como mais encorpada e “quente” que no CD ou no MP3 – às possibilidades oferecidas por um encarte bem maior.

Para quem ama não só o formato das apreciadas “bolachas”, mas também o bom e velho rock, vale ressaltar que o gênero é o predileto dessa nova geração de compradores: Jack White, Arctic Monkeys e Beck foram, nesta ordem, os reis do LP até o meio de 2014.

O vinil não foi o único destaque favorável do estudo. Os streamings de áudio e vídeo “sob encomenda”, ou seja, usufruíveis pelo pagante, mas que não envolvem descargas, cresceu ótimos 42% (de 49,515 milhões passou a 70,295 milhões).

Confiram o relatórios completos da Nielsen aqui.

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7 Comentários

Alexandre Loregian em 23 de julho de 2014

A industria errou, absurdamente. Cresceram os olhos para o formato digital nos anos 90; investiram em música barata, de suposta fácil absorção e baixo custo. Trocaram o público e nisto viraram as coisas para aquele que era de fato o mercado consumidor; o da boa música, que comprava discos originais; camisetas, posteres, ia nos shows e sabia cantar as letras. Comprávamos métodos cifrados para tocar nossas músicas preferidas no violão e impulsionávamos o mercado indireto, milionário também. Acho que nunca se vendeu tantos instrumentos musicais como nos anos 70, 80 e 90; por exemplo. Hoje música é pano de fundo, não aquele lance gostoso de comprar um LP, ir para casa, sentar no sofá e ouvir apreciando a arte da capa. Foi um tiro no pé que nos deixou órfãos.

Kitty em 22 de julho de 2014

Olá caro Ricardo, Nunca me desfiz dos meus " discos" embora que a avalanche de CDs foi colossal. Uma parte estão na Argentina e outra aqui no Brasil. Tenho um álbum de Musica para Amar e Sonhar com uma seleção de músicas maravilhosas que comprei do Reader's Digest. Sem contar as arias de óperas e músicas dos melhores filmes. As grandes orquestras entre outros Glenn Miller, Frank Pourcel, Ray Coniff, e muitos outros. Também, herdei do meu pai, a sua coleção dos Beatles. Já me disseram que isso vale muito hoje..//Um forte abraço-Kitty

Ronaldo força em 22 de julho de 2014

Ricardo Setti, muito oportuno o seu artigo, principalmente quanto ao uso do vinil. Tenho duas Tecnics, uma SL 2000 e outra SL 20 de colecionador, funcionando as duas maravilhosamente. Com elas ouço discos de Jaz , Bossa Nova e samba. Nos fins de semana consigo rever o que existe de melhor de música e cantores brasileiros, como Altemar Dutra,Nelson Gonçalves,Dalva de Oliveira, Miltinho, Elisete , Elza Soares, etc. Isto não tem preço. Não só guardo como ouço meus Lps!

Jotaga em 22 de julho de 2014

Guardo todos os meus LPs com maior carinho.O meu especial é o primeiro do Led Zeppelin.

Robson M.Quiterio em 21 de julho de 2014

Eu tinha vários,Idiota que sou vi o CD fiquei meio bobo também já fui petista é lia a folha de São Paulo.Melhor chegar nos 80 do que voltar para os 20.Pindorama in concert seegue o jogo..

Marco em 21 de julho de 2014

D. Setti, incrível existência ainda se mistura com tecnologia! Abs.

Mello em 21 de julho de 2014

Não estou surpreso. A venda dos CD's foi potencializada pela remasterização de clássicos do passado e agora a fonte secou. Os downloads (legais e ilegais) banalizaram o ato de fazer música. Por outro lado, o vinil traz música mas vem junto, mais claramente, a proposta do artista e o seu processo de evolução registrado na arte do álbum. O empobrecimento cultural é muito evidente hoje.

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