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O poderoso e superequipado destróier “HMS Dauntless”: parte da guerra de propaganda sobre as ilhas Malvinas/Falklands (Foto: Royal Navy)

É em boa parte propagandístico o escândalo que fazem o governo e boa parte da imprensa argentina com a decisão britânica de reforçar a defesa das Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) com a troca da fragata HMS Montrose por um vaso de guerra maior, mais moderno e mais poderoso, o moderno destróier HMS Dauntless (“destemido”).

Da mesma forma, é propagandística a decisão de Londres de incrementar o esquema de defesa do arquipélago e, mais ainda, o próximo envio, para treinamento como piloto de helicóptero de busca e resgate da Real Força Aérea (RAF), do futuro rei William, filho do herdeiro da coroa.

O príncipe deve viajar em algum dia deste mês e permanecerá nas Falklands/Malvinas por cinco semanas. Ele é tenente-aviador da RAF e pretende obter a promoção ao posto de capitão.O desgaste do primeiro-ministro David Cameron com a crise econômica no país e os problemas internos na coalizão entre conservadores e liberal-democratas sempre pode melhorar com uma demonstração de força no exterior, não é mesmo?

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O príncipe William: treinamento como piloto de helicóptero militar nas ilhas

Não é por acaso que a imprensa britânica tem lembrado de declarações de Cameron feitas em dezembro:

— As Falklands permanecerão sendo britânicas, e ponto final.

O HMS Dauntless entrou em serviço em 2010 , é dotado de armamento pesado e “inteligente” e tem camuflagem especial que faz com que apareça, nos radares de outras embarcações, como barco de pesca.

Do ponto de vista britânico, é normal que se reforce as defesas do arquipélago, protegido também por barcos-patrulha, alguns bombardeiros e artilharia antiaérea. Afinal, as ilhas — desertas até a chegada dos holandeses, em 1600, a que se seguiram sucessivos estabelecimentos franceses, britânicos e espanhóis — são território do Reino Unido desde 1833 (estiveram apenas dois anos sob soberania argentina, contestada).

O paraoxismo da disputa pelas ilhas levou a uma guerra entre os dois países em 1982, com uma derrota humilhante para a então ditadura militar argentina, que se rendeu incondicionalmente à força-tarefa enviada de a 13 mil quilômetros de distância pela primeira-ministra Margaret Thatcher.

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A fragata “HMS Montrose”, atualmente nas Malvinas/Falklands, já participou do combate a piratas no Mar Vermelho (Foto: thecourier.co.uk)

Além de os britânicos estarem no arquipélago há quase 200 anos,  a reivindicação argentina sobre elas está longe de ter apoio suficiente na comunidade internacional.

O Brasil e os países latino-americanos, entre muitos outros, estão do lado da Argentina, mas o Reino Unido recebe o apoio dos Estados Unidos, da maior parte dos países europeus e de outras nações desenvolvidas.

E há, ainda, um problema intransponível para que as ilhas sejam argentinas: os habitantes locais, os kelpers, querem continuar cidadãos britânicos em proporção esmagadora, próxima dos 100% segundo várias pesquisas de opinião já realizadas. Inclusive a pequena minoria de descendentes de chilenos que é parte da população total das ilhas, de 3.500 pessoas.

A ida do príncipe William às ilhas é um cutucão adicional no orgulho argentino porque ele deverá estar lá durante a celebração dos 30 anos do início da guerra, a 2 de abril.

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Nenhum comentário

David em 02 de abril de 2012

Acho que as Malvinas deveria se tornar Independente, ser um país próprio, e ser mais um pais da America do Sul, isso seria a solução pra acabar com essa guerra!! O problema é que os moradores de lá preferem continuar sendo parte do Reino Unido...

Jeremias freitas em 03 de fevereiro de 2012

Tem muito Brasileiro conformado, acomodado, dormindo para a realidade mundial, achando que tudo nesse mundo é expeculação, comentam irresponsávelmente sem desconfiar das realidades estratégico militares que estão por trás da grande necessidade vital de sobrevida mediante a extração de recursos naturais, recursos estes que já são limitados em territórios europeus e americanos, que a mérica do sul se cuide!!! os estados unidos vem por cima, com as bases militares espalhadas na colômbia (O termo chave para entender isso é "autonomia de vôo" aviões militares vão e vêm de suas missões sem a vunerabilidade do abastecimento em võo e com uma autonomia que cobre todo o território sul-americano) e os ingleses vem por baixo, revindicando em dias vindouros, a posse do território antártico e se apropriando das amplas e óbvias reservas de petróleo que alí existem, e obviamente para lá escorrem. Definitivamente um brasileiro inteligente e focado nos assuntos vitais de sua nação, deveria ter vergonha de comentar irresponsávelmente que esse não é um assunto nosso! é mais do que nosso!! é uma questão de segurança regional e o maior interessado em expulsar os ingleses do hemisfério sul tem que ser o Brasil. Eu não vou evitar ser criticado não, é uma questão militar e brasileira!!

Natal Santana em 02 de fevereiro de 2012

Quem é que vai querer ser argentino se pode ser inglês? Aliás, a melhor definição de um argentino é esta: "argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês"!

Sergio em 02 de fevereiro de 2012

Só concordaria com as Falkland serem argentinas se o Instituto Lulla se mudar para lá.

Corinthians em 02 de fevereiro de 2012

Luiz Pereira - 01/02/2012 às 21:51 Só pra constar, o termo Bric - que depois virou Brics para acomodar a Africa do Sul, foi criado durante o segundo mandato de FHC. Mais uma coisa que o Lulla roubou para se auto-vangloriar...

Leonardo Carvalho em 02 de fevereiro de 2012

Na minha opinião, as Falklands (ou Malvinas) devem pertencer ao Reino Unido e considero completamente absurda a reinvidicação da Argentina. Isso é o populismo sujo de Cristina Kirchner.

Luiz Pereira em 01 de fevereiro de 2012

Setti, boa noite, As ilhas são britânicas. Qq coisa fora disso é absurdo. Faz tanto sentido os argentinos as reivindicarem quanto nós a Província Cisplatina. E a Argentina que tb já ocupou Santa Catarina, não a desejaria de volta? Nem os uruguaios quereriam hj fazer parte do Brasil, tampouco os Barrigas-Verdes da Argentina. E nem Brasil e Argentina têm tais pretensões: ocuparem Uruguai e Santa Catarina. Os Kelpers estão lá há mais de 100 anos, qual o sentido, senão o diversionismo político, dessa recorrente queixa argentina? Se a coisa assim for, a Bolívia deve declarar guerra ao Chile e Paraguai novamente, já que perdeu nacos de seu território para ambos os países. A Guerra do Chaco inclusive foi a relativamente pouco tempo. E, salvo engano, a própria Argentina tomou também um pedaço da Bolívia. Afirmo uma coisa: se ao invés de ingleses, as Falklands fossem colonizadas por uruguaios, ninguém estava mais discutindo isso. Essa discussão é complexo de terceiro-mundista. Coisa com a qual nada mais temos a ver. Afinal, desde que São Lulla assumiu, somos Brics. abs

Corinthians em 01 de fevereiro de 2012

Então, esse caso dá pano pra uma boa discussão (e talvez longa)... Concordo, a Argentina nunca teve uma população estabelecida. Mas isso não justifica me nenhum momento o fato de que a população estabelecida lá ter sido gerada principalmente para fins de colonização. Não temos população estabelecida em boa parte da amazônia - Roraima por exemplo - e podemos dizer que a proteção de nossas fronteiras são deploráveis. Digamos então que a França ou Alemanha venha e tome parte das terras - mesmo que ínfimas e coloque lá uma população que até acaba se mesclando com a população local. Claro que para pagar menos impostos e ter acesso a melhor educação sejam pontos que façam a população escolher ser alemã por exemplo. O desejo então da população transformaria essa parte da amazônia em terras alemãs ? Claro, o que vai acima é uma hipótese bem remota nos tempos de hoje, mas eu entendo que foi basicamente isso que ocorreu. É claro também que a população vai escolher ser britânica - a Inglaterra é um país de primeiro mundo, com leis que protegem os indivíduos, ótima educação e tecnologia, bem diferente da Argentina. A maior parte da população também tem ascendência britânica. Mesmo assim acho que isso não faz das ilhas um território britânico. Se a população quer ser britânica, então que se promova um plano para que se mudem para a Inglaterra ou Escócia, de maneira gradativa.

Gardelito em 01 de fevereiro de 2012

Gostaria de ver Máximo Kirchner, o primoroso rebento de Néstor e Cristina, fardado a caminho das Falklands. Isto, nem pensar. O bolo fofo só cuida dos negócios da famiglia vecina. A chancelaria argentina, medrosa depois de tantas bravatas irresponsáveis, já começa a botar panos quentes no quiproquo. As forças armadas inglesas tem poder de fogo suficiente para transformar a Argentina em cinzas em uns poucos meses.

Mari Labbate *44 Milhões* em 01 de fevereiro de 2012

O Arquipélago das Malvinas pertence à Argentina e voltará a compor o mapa, pela proximidade territorial. A presidente Cristina Kirchner é desequilibrada, porém acertou nessa atitude de solicitar ajuda à ONU. Não podemos esquecer-nos que os ingleses ROUBARAM as ilhas, no Século XIX! DEVOLVAM-NAS, AGORA! O ANO DO DRAGÃO, por ser puro FOGO, é propício para processos de Libertação! Haverá outros. Citarei o Tibet, no mesmo estilo que o Vaticano. Detectei uma grande aproximação energética entre Cuba e Estados Unidos da América. A Rainha Elizabeth que se cuide, pois a Rainha Elisabet, da Argentina, não dará trégua!

Pedro Luiz Moreira Lima em 01 de fevereiro de 2012

REynaldo BH: Qual tipo de olhos vc enxerga a Argentina? Goebles na Argentina - como? existe um amplo debate do papel da imprensa - DEBATE e não IMPOSIÇÂO de grande conglomerados oligopolistas da Imprensa nas "verdades" divulgadas. Nas televisões argentinas em horários nobres esses debates estão ocorrendo e com total IBOPE - ou não sabia? Voce que esta sempre lá - assista e veja com quem Goebbles esta. Quanto as Malvinas pertencem a Argentina e o opovo da ilha terão seus direitos assegurados mas a soberania da ilha é do Estado Argentino. A Inglaterra deve lembrar de sua aguda crise economica,social, ética e esquecer do seu passado de Pirataria e Imperialismo. O Povo inglês quer os direitos que lhe foram confiscados e não uma aventura militar imbecil como todas. Ali é que está Goebbles e não na Argentina - na Argentina monstros com ampla defesa estão sendo julgados e um debate do verdadeiro papel da imprensa sendo feito aberto e democratico a todos, nos canais do Estado.Assista e antes de atacar - isso se chama PRECONCEITO. Pedro Luiz PS - as letras maiusculas não são gritos histéricos - é apenas chamar atenção, negritar.

Jose carlos em 01 de fevereiro de 2012

A ilha é deles e eles fazem dela o que quizer. Quem a conquistou foi eles. A argenti quer desviar a atenção de seus problemas domésticos, que perduram desde perom. Pois foi antes dele que ela atingiu sua época de ouro.

Corinthians em 01 de fevereiro de 2012

Este é um dos poucos pontos que acho que a Argentina tem razão. As Ilhas devem fazer parte de seu território, mesmo que a população não queira, já que antes de existir uma população no lugar estas já estavam em disputa. Mas discordo da maneira que isso tem sido levado - com provocações e atitudes que no máximo não levam à nada - como a decisão de todos os governos sul-americanos de não permitir embarcações com bandeira das Falklands (mas é só a embarcação trocar a bandeira por qualquer outra, ou ir sem bandeira que tudo bem). Está na hora de ter um pouco de profissionalismo - e também de ação da ONU e tratar disso com diplomacia de verdade e formular um plano de transição. O resto é só picuinha. Na verdade, caro Corinthians, a história das Malvinas/Falklandas é tortuosa. Nunca houve uma população argentina minimamente estável nas ilhas. Pessoalmente, acho que, sim, as ilhas deveriam ser argentinas, mas por outro lado considero que jamais, em hipótese alguma, deve-se passar por cima dos desejos da população de quaisquer territórios. Se os kelpers querem continuar britânicos, não se pode atribuir a soberania à terra deles a um outro país.

Vera Scheidemann em 01 de fevereiro de 2012

Só espero que não tenham a infeliz idéia de repetir a guerra. É tudo de que não precisamos. Vera

Reynaldo-BH em 01 de fevereiro de 2012

As partes se ofendem de modo intenso. Esta é uma das oportunidades que, sem dúvida, ambos tem razão nos xingamentos. E que se respeite o desejo dos habitantes da ilha. Assim se respeitará o direito internacional. E colonialismo e oportunismo são argumentos menores do que aqueles de quem lá vivem e criam raízes culturais e históricas. Se a Guerra das Malvinas serviu como forma de fortalecer uma ditadura (cruel como toda ditadura) hoje temo que seja mais um instrumento de poder do peronismo repaginado da sra. CK. Pior seria como argumento eleitoral (e político) de Mr. Cameron. Espero não ver esta imoralidade. Mas o que pedir a partícipes que perdem a racionalidade e usam a propaganda? Goebbels pode explicar.

SergioD em 01 de fevereiro de 2012

Ricardo, você tem certeza que a primeiro-ministro David Cameron falou "- As Malvinas permanecerão sendo britânicas, e ponto final."? Creio que os britânicos não iam dar uma bobeira dessas. Ele deve ter dito "As Falklands permanecerão ..." Abraços Hahahahaha, você tem toda razão, caro amigo SergioD. Vou corrigir JÁ!!! Abraços

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