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Leiber (o último à direita) com Mike Stoller e Elvis Presley: time de craques

Por Daniel Setti

Morto aos 78 anos na última segunda-feira (22) de parada cardiorrespiratória, Jerry Leiber era, juntamente com seu parceiro ainda vivo Mike Stoller, um dos ilustres bisavôs da música pop. “Por causa destes caras, o mundo realmente é um lugar diferente”, derretia-se Rick Rubin, um dos maiores produtores musicais em atividade, ao conhecer a dupla em uma entrevista para a revista inglesa Mojo em abril de 2009.

A dupla formada em 1950 – Leiber encarregado das letras, Stoller responsável pelas melodias – compôs rock quando o gênero ainda nem sequer era chamado assim (atendia pela insígnia rhythm and blues). Ao escreverem canções como “Hound Dog” e “Jailhouse Rock”, megasucessos na voz de Elvis Presley, foram dois dos principais impulsionadores da carreira do Rei e da introdução deste tipo de música ao público branco americano.

Ao longo de 61 anos Leiber, filho de judeus poloneses nascido em Baltimore, EUA, compôs e produziu com Stoller centenas de canções que marcaram a cultura pop da segunda metade do século 20. Influenciaram praticamente todo mundo que se arriscou a fazer música neste período, dos Beatles (que regravaram temas seus como “Kansas City”) ao excêntrico produtor Phil Spector, um dos aprendizes do par.

Além dos hits criados para ou regravados por Elvis e Beatles, músicas do porte de “Stand By Me” (famosa nas versões de Ben E. King e John Lennon) e “On Broadway” (gravada por The Drifters e George Benson) figuram entre as joias eternas do catálogo do duo. Abaixo, Elvis Presley tocando “Hound Dog”, releitura de 1956 da versão original registrada pela cantora de blues Big Mama Thornton quatro anos antes.

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10 Comentários

Tito Livio Bereta Bereta em 27 de agosto de 2011

Caro Setti , permita-me uma sugestão, você que sempre nos brinda com músicas e assuntos pertinentes. ""TED GARDNER, Harlem noturno". É provável que conheça, mas acredito que grande parte dos seus eleitores talvez nem tenha ouvido falar desse saxofonista. Não sei "trazer" para o computador a apresentação, mas você o sabe. Assim, seus leitores poderão se deliciar com a música de outro grande instrumentista. Obrigado.

Kitty em 26 de agosto de 2011

Querido Ricardo!!! É um acerto fantástico!Tem coisa melhor na vida que ter a colaboração do próprio filho? Você está de parabéns!! E nós agradecidos por termos o seu filho aqui nesta seção do blog, seguramente trazendo sempre inovações. Um abração, agora dividido por dois!!!!/Kitty

José Geraldo Coelho em 26 de agosto de 2011

Essa música, Hound Dog, não foi feita para o Elvis. Quem gravou essa música, mediocre, foi uma cantora negra, segundo o Leiber, era uma gorda, suada e fedida. A música não emplacou. Um dia o Leiber chegou ofegante em casa e disse pro Stoller: estamos em primeiro lugar na Billboard. Um tal de Elvis P sei lá, P sei lá o que, gravou a música e esta bombando. Estamos ricos Stoller.

Kitty em 26 de agosto de 2011

Olá Ricardo!! que maravilha, aos poucos, estou conhecendo à sua familia. Encontro Adriana em ACHADOS e seus ótimas dicas,e no Face também.A Sra Marcia, na linda dança flaminga e, agora aqui, seu filho Daniel, que como o pai, escreve muito bem!!!Não sabia que Daniel, também tivesse o seu próprio blog.Parabéns Ricardo!!! Quando jovem curti muito Elvis,embora, não mais tão jovem, continuo gostando dele. Por ser inimitável, ele é eterno!!! Que agradável surpresa!! Um abraço/Kitty Obrigado, prezada Kitty. O Daniel de fato escreve bem e entende barbaridade de música. Está colaborando aqui, mas não trabalha para o site de VEJA. É um acerto entre nós. É muito bom trabalhar com ele. Um abração pra você.

Marco em 25 de agosto de 2011

Amigo Setti: Pelo amor de Deus! Setti sou teu Fã e da Família, o hein foi colocado em forma de admiração,não de suspeita. Sempre q posso leio o Blog do Daniel. Desculpe se me fiz entender mal, tenho muito carinho e admiração por vcs. Abs. Ué, eu sei perfeitamente. Não entendi diferente. Acho então que fui eu quem me exprimi mal. Dei aquela informação a você na maior inocência. Não vi nenhuma malícia no seu comentário, não, amigo Marco. Desculpe o mal-entendido. Um grande abraço pra você.

Marco em 25 de agosto de 2011

Amigo Sett: Q texto do Daniel, hein. Mas essa música é composta por girias da época. O estilo deslizante de dançar do Elvis, continua inimitável. Abs. Não é por ser meu filho, não, mas ele escreve muito bem. Está colaborando com o blog por meu intermédio, e não recebe nada do site de VEJA. Abração

José Geraldo Coelho em 25 de agosto de 2011

Interessante a presença de judeus descendentes de poloneses na música popular americana. Além de Leiber e Stoller, que só fizeram sucesso depois que Elvis gravou Hound Dog, tem uma dupla de poloneses que fundaram a (Motowun). Não sei a grafia correta. Eles levaram para Detroit os bluseiros do Delta do Mississipe e os do Tennesse. Dessa gravadora surgiram vários cantores negros como B B King, Mickel Jackson, Charlie Brown, Diana Ross, Mude Wather.....

JT em 25 de agosto de 2011

A maior ironia, caro Setti, é que nos anos 60 Leiber e Stoller já eram considerados velhos demais para o rock. Eles então contavam com apenas 30 e poucos anos de idade. Hoje em dia ficamos ansiosos pela vinda dos velhos roqueiros ao Brasil... já fiz minha reserva para ver o setentão Ringo Starr em São Paulo. Você tem razão, caro Jean. E fez muito bem em fazer reserva para ver o Ringo. Pena que eu não estou em SP, caso contrário iria também, claro! Abraço

JT em 25 de agosto de 2011

Se considerarmos que Paul MacCartney e Bob Dylan, uns dos pais do pop, estão na casa dos 70 anos de idade, então Jerry Leiber, morto ao 78, não seria um bisavô do pop, mas talvez um tio dele.

Boa, JT! O "bisavô" foi um exagero brincalhão, afinal eles já eram uma dupla muito ativa em 1950. Abraço

Setti
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