Esta edição do “Roda Viva”, da TV Cultura, teve como apresentador Rodolfo Gamberini e, em 1987, trouxe no centro João Sayad, então ministro do Planejamento do governo José Sarney (e anos mais tarde, presidente da Fundação Padre Anchieta, que controla a emissora). Participei da bancada ao lado de Milton Coelho da Graça (O Globo), Jorge Okubaro (Visão), Vicente Dianezi Filho (Correio Braziliense/Jornal da Tarde), Maria do Carmo Pavão (Associação das Donas de Casa de São Paulo), Melquíades Cunha Jr. (Afinal), Gilson Scwartz (Unicamp/TV Cultura), Paul Singer (USP) e Jorge Escosteguy (IstoÉ). À época, eu comandava a surcursal paulista do Jornal do Brasil.

Questionei Sayad sobre qual era o destino, afinal, do dinheiro arrecadado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento, que naquele momento também estaria sendo empregado no pagamento de dívidas. “A sua utilização mais importante é o financiamento dos programas de desenvolvimento do governo, concentrando na área de insumos básicos: energia elétrica, aço, petróleo, etc”, respondeu. “O problema maior das empresas [públicas] é o elevado grau de endividamento, que precisa ser reduzido. E como ser reduzido? Com aportes do Tesouro para transformar esta dívida em capital. O que é uma operação absolutamente salutar e rentável”.

O ministro também deu receitas para questões urgentes do Brasil, como a redistribuição de renda (“se obtém com liberdade e produção”) e a redução do ritmo de demanda da economia (“taxa de juros e programa fiscal”). Falou, ainda, sobre reforma tributária. “Eu tenho a convicção de que uma das reformas mais importantes que cabem a este governo fazer é a tributária”, disse. “O primeiro objetivo é descentralizar a renda entre os três níveis de governo – federal, estadual e municipal; e o objetivo mais importante é ser um instrumento complementar à distribuição de renda. Não se faz redistribuição de renda apenas com reforma tributária, mas ela é um complemento fundamental”.

Ensino

Um outro subtema que veio à tona durante a entrevista foi como o cenário econômico afetava, e ainda afeta, o ensino, tanto particular quanto público. “No início, diziam que era um plano de arrocho salarial; e não foi de arrocho salarial, os salários cresceram, porque a economia estava aquecida. Ótimo, mas este crescimento criou problemas.”, explicou. “Na área do ensino básico, pelo que eu entendo — ouvindo professores e associações de pais — é que os professores acabaram recebendo um salário que era insuficiente”.

Sayad acabou fazendo uma defesa da pluralidade de modalidades de educação. “Para se construir uma sociedade democrática nós precisamos ter ensino público e ensino particular; ensino católico, protestante budista… ensino leigo”, opinou. “A diversidade de fontes de educação é fundamental”.

Curiosa, também, é a passagem em que Maria do Carmo Pavão discute com o ministro, a partir do minuto 13. Assista à íntegra do programa aqui.

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