Jobim no Rio para ver de perto a situação, e aparecer na vitrine

Soldados do Exército no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro: todas as atenções do país estão voltadas para a cidade cartão-postal do Brasil

Com o presidente Lula em viagem oficial à Guiana e a presidente eleita Dilma Rousseff trabalhando na montagem de sua equipe em Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que não é bobo nem nada, seguiu para o Rio para verificar in loco o trabalho das Forças Armadas no apoio às polícias Militar e Civil diante da onda de violência criminosa que assola a cidade desde domingo.

Jobim gostaria de permanecer no cargo no governo de Dilma, mas não se manifesta a respeito pelo fato de ter anunciado durante a campanha eleitoral que não poderia votar na presidente eleita em razão de sua antiga amizade com o candidato do PSDB, José Serra, com quem inclusive chegou a dividir um apartamento em Brasília quando eram parlamentares.

A presença no Rio é uma forma de estar na vitrine num momento em que todas as atenções do país estão voltadas para a cidade cartão-postal do Brasil.

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Nenhum comentário

  • Jose Fernando

    Se eu fosse carioca, estaria soltando fogos só de saber que o ministro Jobim está cuidando pessoalmente do assunto das UPPs com pneu murcho. Considerando as fotos das proezas que este senhor realizou na Amazônia,com animais domesticados e avião estacionado, fico só imaginando as peripécias que ele é capaz de realizar com os bandidos contratados do Sérgio Cabral,que esperaram as eleições passarem, pra recomeçar a arruaça. Novamente ele vai ficar bem (ridículo) na foto.

  • José Geraldo Coelho

    E o “cara de pau” deve estar fardado, com mochila nas costas e cantil na cintura.

  • Naomi

    Enquanto isso, Ricardo,daqui do Rio de Janeiro, onde moro, compartilho com sua coluna os meus pensamentos e sentimentos a respeito da situação que nos cerca. Nos momentos de crise como agora, surgem especialistas em segurança de tudo que é lado. Falam do número de carteiras assinadas, das fronteiras, da polícia, das UPPs, teses e mais teses. Mas há um tremendo pudor de se admitir que já quase não existe uma cidade no que chamamos de Rio de Janeiro e que a violência é uma consequência disso. A questão é sociológica, psicológica, ou sei lá que lógica explicaria. Eu acredito piamente na burrice. Quando nas últimas eleições o governador Cabral foi questionado sobre sua esposa advogar para empresas que mantêm algum tipo de vínculo com o governo do estado, ele ficou indgnadíssimo, afinal a competência profissional da esposa era, a seu ver, inquestionável e ela já prestava tais serviços antes dele ser eleito. Alguns creditam essas ignomínias na conta da esperteza política. Eu não, acho que é estreiteza intelectual mesmo. O sujeito não percebe a dimensão do que diz, esperteza e burrice aqui se equivalem (o que seria pior, saber ou não saber o que estava dizendo?), o máximo de sofisticação que consegue é de se achar “o cara”, o que conseguiu mais votos; e para por aí, não há nada além naquele cérebro. O Reinaldo Azevedo costuma dizer que Lula não é burro. Discordo. Ele, Lula, percebe com nitidez o foco, mas com perda total da visão periférica. O poder é para o Lula de hoje o mindinho do Lula de ontem: tirem-lhe o poder e lhe tiram a vida, assim como a perda do mindinho e lhe tirou qualquer possibilidade de exercício profissional. Daí sua psicopatia sobre FHC, uma pessoa de vida plena, um homem que num dado momento esteve num cargo de poder. O cargo passou, o homem seguiu. Quais são os caminhos de Lula, do PT e políticos afins sem o poder? O que lhes assegura a sobrevivência, o ar para respirar? Existe o saber dos neurônios e o saber dos hormônios. Lula tem os chifres afiadíssimos, mas seus hormônios lhe indicam que o macho alfa é outro. Mas deixa pra lá, meu negócio é o Rio.
    O Rio está degradado, não cumpre nenhuma das suas funções de cidade. Todo mundo fala da má fé dos políticos. Eu não os elogiaria dessa forma. Aliás, eles preferem ser tomados por safados, corruptos, inertes, coisas desse tipo. Lógico, sobra-lhes a opção de dizer – e achar realmente – que isso é coisa dos opositores. Agir de má fé significa que houve a escolha pelo caminho errado, ainda que se soubesse o certo. Eduardo Paes e Sérgio Cabral, assim com tantos outros que os antecederam, são apenas marrentos alienados que não sabem que rumo tomar, caçadores de borboletas. E admitir isso é muito doloroso, não há alternativa, é incompetência em estado bruto ou frouxidão dos laços conexos. Não os culpo pessoalmente, afinal fazem parte de um grupo maior que ainda acredita em Papail Noel. O mesmo grupo cujo saber está no Rio dos anos 50, na favela de barracos de madeira e zinco onde viviam os imigrantes desempregados, os amoladores de facas, os analfabetos, os banguelas. A favela agora é de alvenaria, tem prédios com apartamentos alugados, tv de led e celular 3D. Acho ótimo, só que a favela de hoje não sustenta mais as teorias coitadistas de que a violência é fruto da pobreza. Saber antigo, limitado e torto igual a não faço a menor ideia. O tecido urbano está esgarçado, a favela já quase não se distingue do resto da cidade, pois a desordem que a caracteriza se generalizou, tudo pode. Fala-se em nome da pobreza por deficiência de discurso mesmo. Não há como lidar com violência sem cuidar da cidade. Prefeito e governador, de hoje e de ontem, só sabem dizer que o desafio é imenso, dificílimo de lidar. Concordo que há muito a ser feito, vai dar trabalho, mas ajudaria se primeiro eles soubessem qual é o desafio.

  • Umberto Boihagian Junior

    Ola amigo Ricardo,

    Muito boa a última matéria da Adriana(Dragão de Komodo), o DNA está falando alto…Parabéns.
    Em 2006, eu estava acuado na Radial Leste,em pleno estado de guerra civil que São Paulo viveu e confesso, nunca senti tanto medo na minha vida.
    Portanto o que mais me choca é assistir aquelas imagens de pessoas, que como eu em 2006, apenas querem chegar em casa, após uma cansativa jornada de trabalho.
    Este é mais um caso (e talvez pior) de organizações (sejam elas de qualquer tipo), substituirem o Estado nas periferias do nosso País.
    Acredito que a panela de pressão está longe de um final. No Rio esta situação é crítica, devido a alta concentração populacional.
    Apenas nos resta torcer e rezar por aqueles que nada têm com isso (população civil) e que as baixas neste grupo sejam as menores possíveis.
    Forte abraço amigo e que as coisas se acalmem.

    Beto

    Também espero isso, amigo Beto. Se Deus quiser.
    E muito obrigado pela visita e pelos comentários generosos. A Adriana chegou hoje, justamente hoje, de Barcelona. E vai ler seu comentário.

    Um abração amigo do
    Ricardo

  • Tito

    Setti,
    Só uma correção. A foto acima mostra soldados do Exército, e não da Marinha.
    Um abraço

    Caro Tito, obrigado pela atenção.
    Os leitores, ao fazerem o que você fez, só ajudam ao blog.
    Abraços

  • Paulo Bento Bandarra

    Não seria a mesma grosseiria que Lula disse do Serra quando este foi no local do acidente da TAM, que Serra estava lá só para aparecer? Não deveria de fato, num momento destes que pode dar ainda muita dor de cabeça, que o Ministro venha acompanhar a atividade da sua tropa das três armas? Dar um apoio moral e de solidariedade a ela?

  • carlos lamounier divinopolis mg

    na minha opinião a causa da violencia no RIO DE JANEIRO E NO BRASIL , e por falta de investimentos na educação , moradia e empregos , ou seja falta de presença do estado , em ações de promoçao social e investimentos , deixaram que as favelas crescessem , deixaram os bandidos tomarem conta de certos lugares. enquanto o BRASIL não investir em educação e moradia e segurança estas coisas não vão mudar … outra causa da violencia no Brasil e a extrema concentração de renda .

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    O poder emana do povo, logo, todo povo tem o governo que merece, a Sociedade Carioca precisa tomar decisões, o RJ é a vitrine e a alavanca de grandes transformações no País, o RJ tem um povo maravilhoso, recordemos algumas situações: o comicio das “diretas já”, um milhão e meio de pessoas mobilizadas em prol de novos caminhos, o maracanã já produziu a maior vaia de todos os tempos, quando o atual “farsante”, colocou o rabo entre as pernas, ficou observando atônito e trêmulo à manifestação sincera de uma cidade cansada de enganação.
    Os politicos malandros estão enganando essa Sociedade, anos e anos tolerando conviver com as ilicitudes escancaradas, primeiro com o jogo do bicho, agora com o tráfico de drogas.
    Pergunto o RJ produz drogas – não -, o RJ produz armas – não -, a malandragem de certos politicos e diversos outros segmentos, foi permitir que essa situação chegasse aonde chegou, USUFRUINDO do dinheiro sujo que essas atividades geram, permitiram ainda a voracidade do consumo da droga, alienando neurônios, permitindo com que parte dessa mesma sociedade acabasse se tornando cúmplice dos traficantes, a dependência é também culpada pela manutenção desse estado de coisas.
    Chegou-se ao fundo do poço, é hora de sacrificios, TODOS JUNTOS, fechem as fronteiras, a droga diminuirá, busquem tratamento, anotem os nomes dos corruptos, em 2012 sinalizem, queremos MUDANÇAS de conceitos, o RJ é vanguarda, vai saber sair dessa encruzilhada, agora o conjunto da Sociedade tem que se mobilizar, a classe média alta tem sua parcela de culpa, todos sabem do que falo, sugiro TOLERÂNCIA ZERO contra o crime, é a única saida.
    Carlos Nascimento.

  • Naomi

    Bem, Ricardo, hoje resolvi sair da janela de onde observo o que se passa no Rio e fui ver de perto. Temos o seguinte:
    – movimento tranquilo nas ruas, mas não totalmente normalizado. Havia uma quantidade razoável de pessoas no shopping, mas não o costumeiro de sábado, principalmente nas proximidades de natal.
    – ruas muito bem policiadas: de longe em longe grupos de 4 policiais e patrulhas motorizadas passando o tempo todo. Por que não pode ser sempre assim?
    – pessoas gostando dos policiais na rua, mas achando que vão sumir de novo depois que a crise acabar.
    – não sei como está a programação da Globo nos outros estados, mas aqui está passando desde cedo um noticiário sobre a ação da polícia, mostrando ao vivo o entorno da Vila Cruzeiro e do Alemão, entrevistas com representantes da PM, da polícia civil, OAB etc.
    – o principal participante do noticiário é Rodrigo Pimentel, o Capitão Nascimento real. O cara conhece todos os buracos das favelas, todos os bandidos, quais e quantas armas possuem os traficantes, as táticas, tudo. Por que saiu da polícia, sabe? Se a polícia conhece isso tudo, por que só agiu qdo os bandidos chamaram pra briga?
    – um avião da PF partiu para Catanduvas com 10 bandidos
    – uma criança foi pega hoje cedo na Vila Cruzeiro com 30 mil dólares na mochila, o tráfico tá tentando tirar o dinheiro de lá.
    – prenderam as mulheres (uma está foragida), parentes a advogados dos chefões por lavagem de dinheiro e por repassarem as ordens dos traficantes presos para seus bandos
    – o noticiário informava 21 mil homens (será?) envolvidos nas operações e 600 marginais no complexo do alemão
    – o comandante da PM ordenou que os bandidos que estão no alemão se rendam, está dando um tempo pra eles saírem com as armas pra cima e disse que depois que a polícia entrar na favela vão fazer o que tiver que ser feito.
    – a população toda está apoiando as ações policiais, principalmente o pessoal da Vila Cruzeiro. Duvido que apareça unzinho daqueles ongueiros do PT defendendo bandido, estão com o rabo entre as pernas e vão ficar, se abrirem a boca correm o risco de apanhar. É isso.

    Obrigado pelo panorama, cara Naomi. Por que a polícia não patrulha as ruas todo o tempo (como em quase todos os países do mundo) é algo além da minha compreensão, como da sua.

    Abraço

  • Luiz Augusto

    Ele usou aquele modelito verde-oliva tamanho GGG?