Amigos, os brasileiros que não lidam com fontes de informação de qualquer tipo provavelmente não têm ideia precisa do fenômeno, mas hoje em dia no Brasil até celebridades de quarto escalão dispoõem de assessoria de imprensa.

Desde políticos importantes até ex-BBBs, passando por jogadores de futebol e até determinados especialistas, como médicos e advogados, contam com esse serviço. Não raro, conforme a pessoa, a coisa beira o ridículo — gente de importância menor do que o ego com assessores para “atender” a uma imprensa que nunca aparece.

É comum a gente ler que “o jogador fulano de tal disse, por meio de sua assessoria, que está melhor da contusão”, não é mesmo?

Naturalmente, assessorias de imprensa são necessárias em grande parte dos casos, e prestam bons serviços. Em não poucos casos, porém, acabam errando a mão e se constituindo num obstáculo ao acesso direito à fonte a que servem.

Mas o acesso dos jornalistas às fontes primárias de informação, essencial para que nós prestemos o serviço ao público, a cada dia fica mais difícil.

Outra prática negativa ocorre quando certas fontes aparecem diante dos jornalistas, fazem declarações e não admitem perguntas, ou não as respondem.

Pois bem, os jornalistas espanhóis estão dispostos a dar um basta nisso.

Agora, em plena campanha eleitoral para as importantes eleições regionais e municipais do próximo dia 22, a Federação de Associações de Jornalistas da Espanha (sigla em espanhol FAPE) está fazendo um chamamento a repórteres e editores de todos os tipos de veículos de imprensa para que adotem uma “posição unitária” e boicotem, pura e simplesmente, as “entrevistas” de políticos — na verdade, aparições diante da imprensa — que não admitem perguntas, muito comuns no país.

A entidade denunciou que a prática atenta contra a liberdade de expressão e viola o direito dos cidadãos à obtenção de informação.

Os colegas espanhois não enfrentam, no mesmo grau que o Brasil, o excesso de barreiras hoje representado por determinadas assessorias de imprensa, que os interessados contratam não para facilitar, mas para dificultar o acesso de jornalistas às informações.

E não custa repetir que o direito à informação não é um privilégio que os jornalistas reclamam — é um direito que pertence ao público, a que os jornalistas servem ou devem servir.

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6 Comentários

sidney em 11 de maio de 2011

Setti A - BLINDAGEM - e a - CONIVENCIA no Brasil eeeee ABSURDA !!!! A ideia eee - OTIMA - porem acredito que no Brasil nao pega !!! Estarei errado ?? Abracos

Pimenta em 11 de maio de 2011

Caro Setti, "E não custa repetir que o direito à informação não é um privilégio que os jornalistas reclamam - é um direito que pertence ao público, a que os jornalistas servem ou devem servir". Concordo com tudo o que você escreveu. Deveria ser assim. Pena que a mídia televisiva ou seja: "globo, record, band, sbt e rede tv não deixam seus profissionais, procederem assim, e em função das verbas que vieram do governo federal em propaganda e publicidade, passaram a agir em interesse próprio, "maquiando" os desmandos da gestão Lula/Dilma antes de soltá-la ao público. A televisão nos últimos oito anos, em relação a notícias sobre a gestão federal, nada mais fez do que "prevaricar", diferentemente da imprensa escrita. Abração.

JT em 11 de maio de 2011

Paul McCartney, sem assessoria de imprensa, inventou a entrevista sem perguntas, quando convocou a imprensa para comunicar que estava deixando os Beatles. Ele mesmo formulou as perguntas e respostas... Será que os jornalistas espanhóis iriam boicotar esta coletiva? Aqui no Brasil tem um time de futebol se "apequenando" no noticiário esportivo, em função de sua assessoria de imprensa que não deixa filmar nada: o Palmeiras.

Dexter em 11 de maio de 2011

Taí! Finalmente uma ideia digna de ser copiada. Está nas mãos de vocês, com total apoio nosso. A verdade é que a sociedade, como um todo, abdicou de seus deveres e direitos. Quer por preguiça, quer por desconhecimento ou até por manipulação mental, acabam sendo governados pelos tipos mais pernósticos possíveis. Os jornalistas podem, inclusive, acrescentar ao "pacote" o compromisso de fazer chegar a todo e qualquer cidadão brasileiro, as reportagens esclarecedoras que lemos aqui, diariamente. Mesmo que usem uma linguagem mais didática. As informações devem chegar onde chega o bolsa-família. Perguntem ao povo se eles querem continuar pagando , por exemplo, R$ 6000,00 pela presença uma vez por mês de conselheiros escolhidos politicamente nas empresas municipais, estaduais e federais? Com todas as outras despesas decorrentes do encontro pagas por nós.Esclareçam, também, que esses mesmos "conselheiros" têm essa boquinha em mais de uma empresa, reforçando assim seus rendimentos. E tudo o que eles recebem sai do nosso bolso. Pronto, falei.

Té Carvalho em 11 de maio de 2011

PERFEITO!

Davi em 11 de maio de 2011

Quanta informação! Bom no Brasil concordo que chega a ser ridículo as "celebridades de quarto escalão dispoõem de assessoria de imprensa" ou até as de primeiro, segundo...Quem está na chuva é para se molhar,mas enquanto uns fogem outros correm atrás para ser noticia. Esta postura de figuras públicas e políticas de não responder perguntas ou algumas só acontece porque vocês jornalistas permitem. Copiamos tantas posturas desnecessárias da Europa e USA, então porque não copiar as boas. Neste caso eu sugiro que os jornalistas brasileiros adotem a mesmas postura dos espanhóis..Afinal "não custa repetir que o direito à informação não é um privilégio que os jornalistas reclamam — é um direito que pertence ao público, a que os jornalistas servem ou devem servir".

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