Republico post que saiu com erros de informação, já corrigidos. O post também está mais completo. Vamos lá: “Em mil dias, Kennedy construiu um legado e um mito. Dilma tem 940 dias para dizer a que veio”

Dilma emocionada no dia da posse, 1º de janeiro de 2010: qual será seu legado (Foto: estadao.com.br)

(Este post, publicado originalmente anteontem, dia 4, foi ao ar com erros de informação. A foto em que Caroline Kennedy aparece brincando na escrivaninha do pai era falsa: quem de fato ali aparecia era seu irmão, John F. Kennedy Jr., em foto histórica que publico agora. O material que capturei na web havia sido modificado em photoshop para acrescentar cabelos de uma menina ao garoto.

Também conferi o devido crédito ao autor de uma imagem icônica dos anos 60.

A legenda da foto das instalações para receber mísseis em Cuba, que a ação do presidente Kennedy impediu, dizia erradamente que a imagem fora obtida por satélite, quando o certo é por um avião espião U-2. Também relativizei certas comparações contidas no texto original, e acrescentei algumas considerações.

Os leitores que se interessarem lerão um material razoavelmente mais completo do que o original).

Há quase dois meses, no dia 5 de abril, ao completar 461 dias de governo, faltavam 1.000 dias para a presidente Dilma Rousseff encerrar seu mandato.

O dia dos mil dias passou.

Mil dias pode ser pouco para fazer algo por um país gigantesco, com enormes problemas e enormes desafios para o Brasil. Pode ser pouco para se deixar uma marca, para deixar um legado.

Houve, porém, um presidente no Ocidente que, com esse período de tempo, construiu um legado, uma legenda, marcou seu tempo e a História: John Fitzgerald Kennedy, democrata, o mais jovem presidente eleito dos Estados Unidos, o primeiro presidente católico da então grande nação protestante.

Eu poderia, aqui, falar do legado do brasileiríssimo Juscelino Kubitschek — os famosos 50 anos em 5 (1956-1961).

Mas, como se trata de focar em mil dias, vamos com Kennedy.

Claro que não se podem comparar Kennedy com Dilma, em nada: estão a anos-luz de distância em importância histórica, o peso de seus respectivos países é incomparável, as épocas são muito diferentes etc etc.

Só estou usando Kennedy por causa dos simbólicos mil dias.

Os mil dias e a dissecação dos erros políticos e pessoais

A posse de John F. Kennedy, em 1961: mil dias para criar um mito

Os simbólicos mil dias acabaram carimbando a passagem de Kennedy pelo poder graças ao esplêndido livro do historiador e ex-assessor do presidente Arthur M. Schlesinger, A Thousand Days – John F. Kennedy in the White House (“Mil Dias – John F. Kennedy na Casa Branca”), de 1965, um rico mergulho na “era Kennedy” desde o período de transição do poder com o antecessor republicano Dwight Eisenhower, entre novembro de 1960 e janeiro de 1961, até o assassinato do presidente, em novembro de 1963.

O mito de “Camelot”, o reino encantado que Kennedy teria criado em torno de si, em Washington, se esvaiu com a dissecação de seus erros políticos e pessoais, feita por historiadores e especialistas de várias tendências que foram fundo em trapalhadas como o apoio à frustrada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em 1961, o início do trágico atoleiro que se revelaria a intervenção no Vietnã, o tumultuado casamento do presidente com Jacqueline e suas frequentes aventuras amorosas.

Foto de  um avião espião U-2 mostrando instalações para receber mísseis nucleares soviéticos em Cuba: o jovem presidente peitou o Kremlin e prevaleceu

Crise dos mísseis: perto da hecatombe nuclear

É inegável, porém , que o jovem presidente deixou sua marca em episódio gravíssimo, em que o mundo esteve perto da hecatombe nuclear, ao peitar em 1962 a União Soviética na crise dos mísseis nucleares que o Kremlim pretendia instalar em Cuba. A firmeza do ainda inexperiente presidente, que o Kremlim quis testar no auge da Guerra Fria, obrigou os russos a obedientemente baterem em retirada com seus navios e não enfrentar o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, além de desmantelarem as bases já instaladas na ilha.

Também marcaram época a ordem para que seu irmão Robert, ministro da Justiça, enfrentasse o crime organizado numa amplitude nunca vista até então, o lançamento das bases para a política anti-segregação racial que seu sucessor, Lyndon Johnson, consolidaria, a acelaração da corrida espacial, que levaria ao espetacular desembarque na Lua, em 1969 (“Decidimos ir até a Lua nesta década, e alcançar outras conquistas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis”, disse, em histórico discurso em 1962, no Texas) — e por aí vai.

Jackie e seu charme francês ao lado de JFK: fundamental no marketing do presidente

Marketing dos EUA para o mundo

Os Estados Unidos gozavam então, e continuaram pelos anos Kennedy afora, de enorme prosperidade, e a imagem de um presidente jovem, dinâmico e carismátaico, heroi da II Guerra Mundial a bordo de um barco-patrulha, serviu às mil marvilhas para a propaganda americana no mundo.

Kennedy, como parte desse todo, inaugurou todo um estilo na Casa Branca, vetusto ambiente sem crianças, que, com esperto marketing, o presidente povoou com seus filhos (a foto do então pequeno JFK Jr., o “John-John”,  surgindo por debaixo da escrivaninha presidencial percorreu o mundo e tornou-se ícone desse período. (Confirmando a sina de tragédias da família, John-John — que completou 3 anos de idade no dia dos funerais do pai — morreria precocemente aos 38 anos, em 1999, num acidente com o avião que pilotava, e em que morreram também sua mulher, Carolyn, e a cunhada, Laurie.)

Jacqueline, descendente de franceses, elegante e charmosa, foi um dos esteios fundamentais para completar o quadro. O presidente cercou-se de assessores jovens e ambiciosos, com sólida formação – “os melhores e mais brilhantes”, como ficaram conhecidos.

A imagem que correu o mundo: o pequeno John-John brinca na escrivaninha do pai, no gabinete do homem mais poderoso do mundo (Foto: Stanley Tretick)

Com seus erros e acertos, Kennedy não foi mais esquecido, criou uma dinastia, à qual a tragédia de seu assassinato e de seu irmão, Robert, conferiu uma aura adicional de mística.

Tudo em mil dias.

Dilma tem 940 dias para deixar realmente uma marca

E a presidente do Brasil? E Dilma?

Restam-lhe, hoje, 940 dias para terminar o mandato.

Qual é a marca da presidente? Qual é o legado que vai deixar – e que tem menos de mil dias para forjar?

As obras do PAC? Bem, onde estão? Quem sabe delas? O próprio governo reconhece atrasos espantosos. Ninguém sabe direito quanto dinheiro está sendo investido, e de onde vem.

Copa do Mundo? Olimpíadas? Bem, por ora não é nem bom falar.

Políticas sociais? Bem, ela deu continuidade à ampliação que o antecessor promoveu do que o presidente Fernando Henrique já havia erigido, com o que chamava de “rede de proteção social”.

A volta da compostura ao Planalto e outros progressos

É inegável que Dilma mudou várias coisas, para melhor.

Em primeiríssimo lugar, levou mais compostura ao Palácio do Planalto. Nada de vários discursos ao dia, nada de subir permanentemente num palanque eleitoral, nada de expelir desaforos do alto do principal cargo público do país.

Também há que se ressaltar que a presidente – diferentemente de seu mentor – trabalha duro, despacha regularmente com ministros, lê relatórios, se aprofunda nos temas, está ao par do que acontece na Esplanada dos Ministérios, acompanha e cobra.

Dilma com FHC no almoço ao presidente Barack Obama, em março de 2011: respeito e relações cordiais com o grande adversário do lulo-petismo (Foto: Beto Barata / AE)

Dilma também trouxe uma boa dose de respeito ao grande adversário do lulo-petismo, FHC, a quem reiteradamente emite gestos de simpatia e cordialidade, convidou para vários eventos no Alvorada e no Palácio do Planalto e, nos 80 anos do ex-presidente, enviou-lhe mensagem carinhosa em que o chamava de “querido presidente”. Um milagre, em comparação com o que víamos antes.

Houve igualmente mudança de tom na política externa. O Brasil já condena violações de direitos humanos de ditaduras, mantém uma relação com o governo pária do Irã sem tapetes vermelhos e afagos extemporâneos, abrandou o calor da “amizade” com o ditador da Venezuela, Hugo Chávez, diminuiu as caneladas aos Estados Unidos.

Há vários aspectos positivos no governo Dilma – junto aos negativos, que este blog não cessou de criticar – que, contudo, estão longe de constituir um legado.

A melhor realização concreta do governo Dilma, até agora — porque significou uma raríssima providência que se toma “neste país” com vistas a gerações futuras – foi implementar o fundo de previdência complementar do funcionalismo público federal.

Além de acabar com um privilégio dos servidores federais em relação aos demais trabalhadores (os novos funcionários se aposentarão recebendo no máximo o teto do INSS, tal como dezenas de milhões de outros brasileiros, e só embolsarão melhores rendimentos se investirem nos novos fundos de previdência complementar criados), a crucial mudança retirará de vez das costas do Tesouro, daqui a algumas décadas, o enorme rombo causado pelo pagamento de aposentadorias e pensões integrais a quase 1 milhão de servidores.

É uma boa herança, sem dúvida. Mas pequena, diante das carências e anseios do Brasil. E não corresponde nem de longe todo um legado.

E Dilma não tem mais mil dias para construir um.

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Nenhum comentário

  • J.R.Monteiro

    Dilma, fazendo pouco, mostra o quanto o Lula não fez.
    Fora a gabolice, a presidência do Lula foi a mais preguiçosa da história recente do Brasil.
    E isso talvez tenha sido o seu maior mérito.
    Fazer nada, é melhor, do que fazer errado.

  • RICARDO

    Ofensa, não, “Ricardo”. Respeito é bom e eu gosto. Visivelmente, você não leu o texto e as ressalvas que faço.

  • Geneuronios

    Se ela mandar o lulla morar em Cuba já estarei satisfeito!!!

  • Marcelo Rocha

    Nem se a Dilma ficar 1.000.000 de dias ela fará o que JFK fez.
    Ela é fraca e só foi eleita pelo oba-oba do crescimento do Brasil e por não termos oposição.

  • Tuco

    .

    O Grande RSetti é formidável, arrasador!
    Trazer num mesmo texto Dilmanta e JFK é
    o mesmo que trazer Pelé e Maradona
    (escusas ao argentino por pareá-lo à
    uma mulher insignificante…)


    .

  • Teresinha

    A Dilma está num governo viciado, inchado, atacando alguns problemas somente quando insustentáveis. Não vejo norte, comprometimento, continua vendendo ilusões. Lamentavelmente o legado não é muito promissor.

  • bereta

    Posso sugerir algo para enriquecimento de seu legado? A ruptura com os inimigos do país. Demitir só após o trabalho da imprensa, nada pior. Assim mesmo relutou em fazer o necessário. Deve ser difícil “peitar” o partido, mas é nesse gesto que ela iniciaria a construção de sua história. Agir sem medo de perder a governabilidade. Assim que ela passasse a agir, a população seria seu aval. O povo está cansado da bandalheira, sedento de mudanças concretas.

  • Ah, demorou!

    Gostei muito do texto.
    Só não consigo concordar com esse trecho:
    “trabalha duro, despacha regularmente com ministros, lê relatórios, se aprofunda nos temas, está ao par do que acontece na Esplanada dos Ministérios, acompanha e cobra.”
    Leio muita propaganda nesse sentido. Mas se ela é tão esforçada, tão diferente de Lula, por que a ineficiência estatal, a corrupção e o loteamento continuam idênticos?
    Além disso, vendo a dificuldade dela com a língua portuguesa, duvido muito que a presidente consiga ler e entender algum relatório.

  • Luiz Pereira

    Setti,
    Por acaso estou relendo “A Marcha da Insensatez”, de Barbara Tuchman. Se não o leu, recomendo. Estou no último capítulo, em que ela narra a sucessão de análises equivocadas que levaram os EUA a darem com os burros n´água no Vietnã.
    Colateralmente ela fala de Baia dos Porcos. Por sua análise dos fatos, ela diz que a operação já estava bem adiantada – ela ocorreu menos de 3 meses depois de JFK ter tomado posse. Fora portanto engendrada no governo Eisenhower, que ela diz ter aconselhado firmemente JFK a dar prosseguimento.
    É como reza o ditado, periquito come milho e papagaio leva a fama.
    Sobre Dilma, aguardemos. O silêncio que sai do Palácio é um bálsamo para meus ouvidos.
    Evidentemente que ninguém é eleito para isso, se contrapor ao sucedido apenas com a qualidade do silêncio.
    A reforma da previdência dos servidores públicos foi grande medida.
    Se ela desejar marcar época, poderia baixar uma série de impostos que oneram o custo Brasil.
    Político que baixar impostos, sortidos e variados, consistentemente, vai entrar para a História do país.
    abs

  • Fábio

    Essa comparação é meio sem pé nem cabeça. Olha contexto histórico? Quanta diferença!Faça me o favor!

    Fiz todas as ressalvas no texto que, aparentemente, você não leu.

  • Arnaldo Machado

    Belíssima reportagem. Eu era criança quando J.F. Kennedy tornou-se presidente dos E.U.A. Conheço um pouco de sua história e feitos, será sempre lembrado não só no seu país, mas em todos os continentes.

  • Titus Petronius

    Legado, legado mesmo, deixaram dois presidentes: JK e FHC. Este deixou o Plano Real, que estabilizou a moeda e colocou a economia brasileira nos trilhos – com os devidos créditos a Itamar, claro. Aquele promoveu a industrialização de um país até então agrário e extremamente atrasado. Os governos militares frearam o desenvolvimento com reservas de mercado burras, principalmente na informática, e geraram a hiperinflação – Delfim Neto, um dos culpados, ainda é levado a sério… E Collor começou confiscando a poupança e terminou em impeachment (renúncia). De bom mesmo, só a providencial abertura do mercado. Enfim, a minha geração, hoje na casa dos 50, usufruiu dos legados de apenas dois presidentes, JK e FHC. Lula? Ah, sim, teve o mérito de não mexer no que estava dando certo.

  • J.B.CRUZ

    J.K não só fez BRASÍLIA em 42 meses (três anos e meio), como também sua administração ficaria caracterizada históricamente como um período modernizador e desenvolvimentista..Graças ao seu carisma e espírito conciliatório, construiu uma imagem positiva de mudança..Seu ‘plano de metas’, abrangia vários setores, de modo a estimular o crescimento e a diversificação da econômia-energia,transporte,alimentação,educação..Também implantou a indústria automobilística, além de outros incentivos à industrialização..A partir de um planejamento dirigido estatal, promoveu a implantação de empresas nas áreas automobilísticas,eletrodomésticos e siderúrgicas..Ainda hoje se vê obras dos tempos de J.K.,como; hospitais,universidades,rodovias,pontes, etc,, prestando bons serviços ao povo…Realmente foi um govêrno que fez tudo que prometeu…Já a PRESIDENTA DILMA, temos que dar um desconto, não de 1.000 dias, mas outro mandato, porquê em quatro anos não dá para consertar as lambanças de 8 anos proporcionado pelo governo lula;e a degradação MORAL e ÉTICA que o PAÍS e a FAMÍLIA difícilmente vai recuperar…

  • Rafael Frank Benzecry

    Olá Setti, adoro o seu blog e diariamente o leio. Há mais de um ano que não comento em alguma publicação sua (a última foi sobre um artigo de 20/01/2011), porém ao ler esse seu mais novo texto me deparei com a foto que possui a seguinte legenda: “A célebre foto da pequena Caroline brincando na escrivaninha presidencial correu o mundo”. Setti, possuo grande conhecimento e interesse pela História dos presidentes do Brasil e dos EUA, e logo posso afirmar que quem estava sob a Mesa do Resolute era o John-John e não Caroline. Na versão que você publicou da célebre foto, não sei por qual motivo a criança usa cabelos longos, mas na oficial tirada por Stanley Tretick em 25 de maio de 1962, nitidamente percebe-se que a criança é JFK Jr., o John-John. Um forte abraço de seu mais assíduo leitor.

    Muito obrigado por sua atenção, caro Rafael. E você tem razão quanto à foto que percorreu o mundo. A foto mais conhecida é a de John-John, de fato. Vou mudar a legenda da foto em que aparece Caroline e acertar isso também no texto.

    Um leitor como você dá orgulho ao colunista.

    Um grande abraço

  • abilio elias

    Dentro de lixo de governo vejo uma pequena pérola: o programa “CIencia sem fronteira” poderá ser mais que uma herança e se tornar um legado. Basta que se mantenha livre de PeTralhas e aproveitadores, premiando os melhores e os trazendo de volta ao Brasil.

  • jgomes

    Do jeito que o ilustre falastrão deixou o País,não
    é difícil deixar sua marca. Basta coloca-lo nos eixos,
    fazer as reformas nescessárias e de quebra descolar-se
    da imagem de gerente do dito cujo. Ficará para a hitó-
    ria.

  • itacolomy pires

    A comparação e realmente absurda, a Dilma, e uma mulher simploria que fala e articula com dificuldades, uma governante sem comando e sem expressão que teve ministros demitidos por corrupção, e a que veio somente o Lula podera falar…o Kennedy foi um estadista brilhante…

  • Luiz

    Um importante ponto positivo da Dilma foi a queda do presidente da CBF Ricardo Teixeira, que a nossa presidente não queria nem ver pintado de ouro.
    Sobre o presidente Kennedy é bom lembrar que os preparativos dos golpes militares tiveram inicio quando ele ainda esta vivo, depois com sua morte, Lyndon Johnson deu continuidade para o golpe no Brasil em 1964.

    Não pretendi, caro Luiz, fazer e muito menos esgotar, nem de longe, uma análise do governo Kennedy. Foram só pinceladas rapidíssimas. E, sim, durante seu governo os EUA continuaram a apoiar e sustentar ditaduras pavorosas, na América Latina e em outros pontos do mundo.

    Um abração

  • jefff

    Chega de me encher a paciência.

  • fábio

    Reli o texto! Vc está certo, desculpe.

    Você está mais do que desculpado. Tem crédito ilimitado aqui no blog.

    Um abração

  • Ismael

    Meus bisavós chegaram da Europa a mais de cem anos e, como outros imigrantes, rapidamente conquistaram um espaço na sociedade brasileira carente de mão-de-obra com boa formação, ainda que tivessem vindo para trabalhar na lavoura. Hoje, por incrível que pareça, o Brasil assiste uma nova leva de ingresso de mão-de-obra estrangeira, que só irá aumentar estimulada pela crise européia e pelos eventos da Copa e Olimpíada.
    É inaceitável que após mais de cem anos ainda nossa educação se fundamente na PRECARIEDADE que tem sido a regra da estruturação de nossas instituições e de nosso projeto de país.
    É inaceitável ver a decadência de órgãos importantes de pesquisa, como a Embrapa, ver o fracasso do ENEM, os índices medíocres do ENADE etc. Esse é um aspecto do fracasso da Era da Mediocridade, ou da era petista, que nem em mil dias a Dilma vai refrear. Pois ela, Lula, Collor e Sarney fazem parte de uma mesma “escola” de gente pusilânime que coloca os interesses pessoais acima da nação.

  • Luiz

    Sr Setti, realmente percebi que foram pinceladas simples para fazer uma comparação com o governo da Dilma, e esta comparação foi muito boa.
    Mudando de assunt, por acaso você vai escrever algo sobre a ministra Rosa Weber ter rejeitado o pedido de suspensão da quebra nacional dos sigilos da Delta ?

    Obrigado, caro Luiz. E, por favor, não me chame de “senhor”…

    Tenho vários assuntos para comentar hoje, não sei ainda se vou falar da nova ministra do STF.

    Um abração

  • nei Brasil 2014, é nóis, Mano!

    Não vou publicar seu comentário porque você me ofende — e ainda por cima de forma covarde, escondendo-se atrás de um pseudônimo absurdo.

  • Corinthians

    Construir ? Um governo petista ?
    Não dá, isso é paradoxo.
    Ao tentar construir, começam os problemas, por que o dono do ministério é da base alugada, e tá superfaturando a construção, colocando aditivos intermináveis e a obra fica sempre sendo alterada, impossibilitando sua execução.
    Quando parece que vai pra frente, aparecem denúncias de trabalho escravo nas obras, além de uma ou outra rebelião (que é um direito sagrado de todos) da base alugada no congresso, causando algumas derrotas que demandam atenção. Fora que de vez em quando algum figurão é pego em uma consultoria mal explicada e tem que ser blindado.
    Legado e mito ? Vamos é ter sorte de sair do jeito que entramos…

  • Think tank

    Mesmo que tivesse 1.000 anos esta não saberia explicar a que veio, pois nem loja de bugigangas de R$ 1,99 conseguiu tocar. Imagine, na mão de quem está o destino do Brasil.

  • jefff

    O azedume e o mal humor prevalecem… não adianta dizer uma coisa e fazer outra. Se mito fosse importante saci perere seria presidente. Falta de assunto

    Azedume e mal humor? Você está falando de si próprio?

  • claudio

    Boa análise. Dilma é mais competente e cordata que o seu mentor. Acho que poderá fazer um bom governo desde que saiba se impor e se distanciar da turma do atraso.Pra registro. Não suporto mais a dicotomia paranóica PT/PSDB, tanto assim que anulei o voto no 2º Turno.Já passou da hora de aparecer novas propostas, porém olhamos em volta e cadê?O cara de Pernambuco? Me parece mais do mesmo.Patrimonialismo, um certo coronelismo.Pelo amor de Deus será que não tem entre 200 milhões alguém com propostas novas e que enfrente os problemas eternos do Brasil, principalmente Tributos e Educação?

  • Renato Tanzi

    Prezado Setti:
    Nenhum presidente chega ao poder para deixar um legado. O que Dilma tem feito, com bastante competência, é corrigir erros de seus antecessores (como a falta de regulamentação para a previdência complementar dos servidores) e ir adiante em serviços inadiáveis (por exemplo, a privatização de aeroportos e a mudança no rendimento da caderneta de poupança). Quatro anos é um prazo relativamente curto, mas podemos ficar tranquilos: ela terá seu prazo estendido, e até 2018 poderá fazer muito pelo país. Quanto ao legado… basta governar com honestidade e seriedade.

  • claudio

    corrigindo a concordância: onde se lê” aparecer”, leia-se “aparecerem”.Deculpem-me

  • Renato

    Ainda assim, o governo da Dilma é bem melhor do que o do seu antecessor Lula. Hoje vejo com prefeição os malefícios que este senhor trouxe ao Brasil. Um verdadeiro irresponsável, que pensava apenas em si mesmo.

  • jefff

    Não estou falando de vc Setti. Nosso blogueiro sem paciencia e sem simancol.

  • MANOEL AFONSO

    o JOVEM E CARMOSO PRESIDENTE AMERICANO, SEGUNDO AS PESQUISAS, NÃO FOI UM PRESIDENTE FANTÁSTICO POR RAZÕES DIVERSAS. CLYNTON FOI SUPERIOR – POR EXEMPLO. MAS KENNEDY DEIXOU A MARCA DA CORAGEM ASSOCIADA A LEVEZA DE POSTURA, DIFERENTEMENTE DE TODOS OS SEUS ANTECESSORES. TINHA LUZ PRÓPRIA. JÁ A NOSSA PRESIDENTE – É PÚBLICO E NOTÓRIO COMO CHEGOU AO CARGO. EVIDENTE QUE SEUS COMPROMISSOS DE GRATIDÃO COM LULA ACABAM CRIANDO SITUAÇÕES NO MÍNIMO COMPROMETEDORAS A SUA PESSOALIDADE. PODERIA TER TOMADO ATITUDES MAIS FIRMES EM NOME DA ÉTICA, MAS PREFERIU O CAMINHO POLÍTICO. MAS NO TODO, VAI BEM MELHOR QUE SEU ANTECESSOR LULA.

  • J. Gomes

    Respeito muito meus leitores, J. Gomes. Diferentemente do que você faz com o colunista e com os profissionais que trabalham em VEJA. Então, tchau.

  • Maria

    Setti,
    É muita gentileza sua esperar dessa gentalha incompetente e corrupta do lulopetralhismo algum legado digno.
    O legado de Dilma é Elenice; bisbilhotices no cartão corporativo de Dna.Ruth Cardoso, uma primeira-dama que honrou a posição; acobertamento de bandidagens várias – you name it, como dizem os ingleses: aquele fernando pimentel, ministro do desenvolvimento pessoal, as lanchas da ideli e a continuada subserviência a lula – esse marginal que tenta corromper até juízes do supremo (e até perdeu a maiúscula), etc.

  • Strix

    jgomes 7:30

    Setti, acho que, na pressa, tu não entendeu o que o jgomes escreveu. Releia.

    Caro Strix, não achei esse comentário em lugar algum. E o mecanismo de busca da nossa ferramenta de trabalho é impecável, não falha. Li tudo o que o jgomes publicou e não achei esse comentário específico.

    Voltarei a tentar, mas sem grande esperança.

    Obrigado, de todo modo, pelo toque.

    Abraço

  • Strix

    Problema meu de visão o comentário do jgomes é das 7:36.
    E outra: A legenda da foto da base russa de foguetes em Cuba diz que é de “satélite”, mas na realidade foi tomada pelos aviões U2,o mesmo que depois foi abatido sobre a União Soviética, pilotado por Francis Gary Powers.

    Você tem toda razão. E vou procurar o comentário, além de acertar a legenda.

    Olho de águia, o seu. Agradeço a atenção.

    Outro leitor observou que a foto de Caroline na escrivaninha do pai é falseada: colocaram cabelo de menina no John-John, que estava na foto original, que logo vou colocar ali.

    Abração

  • Carlos Cardoso

    “Claro que não se podem comparar Kennedy com Dilma, em nada: estão a anos-luz de distância em importância histórica, o peso de seus respectivos países é incomparável, as épocas são muito diferentes etc etc.
    Só estou usando Kennedy por causa dos simbólicos mil dias.”

    Setti, as vezes certos leitores que comentam de forma inconsequente, me causam irritação. É só ler o trecho acima que vão entender a comparação entre JFK e a Dilma que você fez.

    Um abraço.

    Carlos Cardoso

    Muito obrigado por seu comentário, que me deixa feliz, caro Carlos.

    Volte sempre ao blog!

    Abraços

  • nei Brasil 2014, é nóis, Mano!

    Eu peço disculpas Sr Setti.
    Pseudônimo não é covardia. É legitimo pois não escrevo para o SR, isto aqui é público.
    Eu gosto do Brasil, e exalto suas coisas e cultura.
    Eu pensei que poderíamos discordar neste blog.
    Não entro mais. Felicidades.
    Antes de querer ser mãe Dinah, tenha paciência e espere mais Mil dias da Nossa Presidenta, que tem mais moral e ética, com todos os seus pecados que esse Sr retratado.
    Sem ressentimentos.

    Podemos, sim, discordar neste blog. Mas sem grosserias, ataques ou insultos.

  • Vera Scheidemann

    Parece-me que a Dilma tem boas intenções.
    Todavia, as coisas ficam muito difíceis quando
    o país fica na dependência de um
    Congresso clientelista como o nosso.
    Enfim, quem viver verá…
    Vera

  • Mairalur

    Caro Setti, você, o Reinaldo e o Augusto têm de aguentar cada uma, não? Até quem não sabe interpretar o que lê. E viva a liberdade de expressão, até de analfabetos funcionais, desde que se restrinjam a praticá-la sem ofender aos demais. Uma sugestão: apanhe com o Augusto, aí do lado, uns daqueles instrumentos com que ele castiga a milicianada.

    De fato, haja fígado para aguentar certos leitores, Mairalur. Quanto às respostas, cada um dos colunistas tem seu estilo, não é?

    Um abração

  • nei Brasil 2022, potência mundial

    Obrigado Setti, sabia que era um democrata.
    Cachimbo da Paz e…avante!

    Sou eu quem lhe agradece continuar conosco aqui no blog.

    Um grande abraço

  • J. Gomes

    Sr. Setti; não espere que as pessoas comentem, isso ou aquilo, aquí ou acolá, para “deixa-lo feliz”, como você se expressou acerca de um desses comentários. Palavras firmes ou até duras não são sinônimas de grosseria ou insulto, mas, claro, depende de quão aberta possa ser ou estar a mente humana. No âmbito dos debates isso é inevitável. Seu texto sobre os 1000 dias de Dilma é sim uma peça que só aos menos avisados confunde, pois ao que se presta é apenas denegrir ao ex-presidente Lula, e, por uma tabela engenhosa, à presidente Dilma e o PT. Da próxima vêz, comentando outro post seu, não lhe farei afagos, mas exaltarei sua competência e texto, apenas se for esse o caso, e assim sendo, tavêz o “deixe feliz”.