Image
Passeata pela anistia ampla, geral e irrestrita em 1979

Após a publicação de polêmico artigo do jornalista e amigo Luiz Cláudio Cunha defendendo a punição dos torturadores de presos políticos durante a ditadura militar (apesar de eles não serem puníveis de acordo com a Lei de Anistia), um grande número de leitores, nos comentários ou em mensagens pessoais, quer saber qual é, afinal, minha opinião.

Aqui vai: a Lei de Anistia está em vigor, goste-se dela ou não, aprove-se ou não a manobra com que o regime conseguiu incluir em seu texto a alusão a “crimes conexos”, que permitiu a agente do estado que cometeram crimes serem beneficiados por ela.

OS INIMIGOS DO REGIME ACEITARAM A LEI, O STF A VALIDOU — Sim, foi aprovada por um Congresso pressionado pelos militares. Sim, aprovou-se a lei por apertada maioria. Sim, de certa forma a lei foi empurrada goela abaixo da sociedade.

Mas houve uma aceitação tácita de sua vigência por parte dos brasileiros, e uma aceitação explícita por parte dos próprios adversários ou inimigos mais radicais do regime que, protegidos pela lei, e graças a ela, voltaram do exílio — mesmo os que haviam se envolvido em ações armadas — ou se livraram da prisão.

Mais que tudo, a Lei de Anistia, em agosto passado, passou pelo crivo do Supremo Tribunal Federal, que a considerou constitucional por expressivos 7 votos a 2, negando provimento a uma ação da OAB que reivindicava a responsabilização de ex-agentes do estado por uso de tortura.

Temos uma democracia imperfeita, mas a Constituição é a lei fundamental e a ela devemos obediência e respeito. O Supremo, como o nome indica, é seu supremo guardião. E decisão do Supremo pode ser comentada, discutida, criticada, mas, na democracia de que dispomos, tem que ser acatada.

NÃO PODEMOS TER MEDO DO PASSADO E DA VERDADE — O que não aceito é a pusilanimidade com que os poderes públicos, inclusive os governos FHC e Lula, manifestaram e continuam manifestando em relação ao pleno acesso dos cidadãos a documentos históricos.

Até preciosas fontes de informação sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870) continuam, absurdamente, sob sigilo de estado. O mesmo se dá com boa parte da documentação sobre a ditadura — ou está sob sigilo, ou é dada como desaparecida ou destruída e fica por isso mesmo.

O que não admito é o medo do passado. Só a verdade liberta, só a luz da verdade é capaz de remover as espessas camadas de mofo que nos impedem de encarar, analisar e digerir os erros cometidos, os falsos heróis endeusados, os crimes que nunca vieram à tona.

Image
Mandela, já presidente, visitando a cela em que esteve preso:  estendendo a mão aos algozes

MANDELA E A “COMISSÃO DA VERDADE E DA RECONCILIAÇÃO” — Em vez de rever a Lei de Anistia, gostaria que o Brasil tivesse ao menos em parte o que um dos gigantes do século XX — e também, já, do XXI –, Nelson Mandela, propiciou à África do Sul recém-saída do regime ditatorial e racista do apartheid.

Depois de 27 anos encarcerado por liderar o Congresso Nacional Africano — partido de oposição considerado ilegal por travar simultaneamente o combate político e a luta armada–, 18 deles enjaulado numa cela solitária, Mandela estendeu a mão aos algozes ao deixar a prisão. Agiu assim em busca da consolidação da democracia, da paz e do entendimento entre a maioria negra da população e a minoria branca.

Durante seu governo (1994-1998), estabeleceu, sob o comando de outro gigante, o arcebispo anglicano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz de 1984, a “Comissão da Verdade e da Reconciliação”.

Milhares de pessoas testemunharam, e várias centenas de policiais, ex-policiais, militares e outros agentes públicos com contas a pagar confessaram publicamente a prática de todo tipo de ilegalidade e violência: assassinatos por enforcamento, por esquartejamento, por veneno, por fogo, a tiros ou espancamento, métodos inimagináveis de tortura, estupro e outros tipos de abuso sexual, prisões ilegais, violação de domicílios — e por aí vai. Vieram à tona também casos de roubo de propriedades e dinheiro de cidadãos negros e uma torrente de ilegalidades adicionais de horripilar.

Image
O Nobel da Paz Desmond Tutu: onde achar no Brasil homens de sua grandeza?

NÃO TEMOS GIGANTES COMO MANDELA E O BISPO TUTU — Excetuado casos patrimoniais, em que se devolveram recursos tomados ilegalmente de cidadãos, nenhum desses crimes confessados pública e voluntariamente, porém, seria punido: o que a Comissão queria era um registro amplo e detalhado de tudo o que ocorreu de ruim durante o regime do apartheid, para que a África do Sul não convivesse com um gigantesco esqueleto no armário de sua história e o país pudesse seguir em frente sem sombras nem mentiras.

É o mínimo que se pode querer também no Brasil: que a própria história do país não seja construída sobre mentiras.

Para isso, porém, não falta apenas “vontade política”. Faltam homens da grandeza política, humana e histórica de um Nelson Mandela, Nobel da Paz ele também, em 1993, e de um Desmond Tutu.

Onde estão? Olhamos ao redor e não há nada que chegue nem perto. Não temos referências morais dessa dimensão.

Perto da África do Sul, somos um país pequeno.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

oito + três =

Nenhum comentário

Allan dos Santos em 27 de novembro de 2010

Eu respeito a sua opinião, Ricardo, mas discordo dela. Assim como os esquerdistas, guerrilheiros e apenas oposicionistas foram barbaramente punidos por suas preferências e ações políticas, muitos pagando com a própria vida por suas convicções, os sequestradores, torturadores e assassinos devem pagar por seus crimes e não serem brindadados com a impunidade para todo o sempre. Apesar de seus méritos, a Lei da Anistia é uma temeridade jurídica, que beneficiou muito mais os agentes da ditadura do que suas vítimas e o povo brasileiro, e apenas foi aceita pela população porque os brasileiros estavam cansados da tirania dos militares, mas ainda sob a mira de suas armas.

Karla em 22 de novembro de 2010

Recorteio Ariel Palacios para lembrar o quanto estamos longe dos argentinos em matéria de impunidade. A matéria foi publicada no ESTADAO. Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo Há 25 anos, no dia 22 de abril de 1985, Julio Strassera tornava-se famoso em todo o mundo ao iniciar as acusações dos ex-integrantes das juntas militares. Um quarto de século depois, aos 77 anos, Strassera recebeu o Estado em seu apartamento no bairro da Recoleta para uma entrevista na qual recordou a tarefa sem precedentes de colocar os ex-ditadores no banco dos réus. O julgamento das juntas compara-se ao tribunal de Nuremberg? Este foi um caso único no mundo. Não se compara a Nuremberg, já que esse tribunal foi feito por um exército vitorioso estrangeiro. O julgamento aos integrantes da ditadura na Argentina teve as mesmas necessidades morais de Nuremberg, mas foi superior do ponto de vista jurídico. É que foi a primeira vez que tribunais civis julgaram pessoas que detiveram a somatória do poder público. Isso foi possível graças a uma decisão política (do presidente Raúl Alfonsín). Foi até diferente do caso do julgamento dos coronéis gregos (em 1975), condenados por traição à pátria. Aqui os militares foram condenados por delitos comuns, aplicando para isso o Código Civil. Isto é, sequestros, roubos, assassinatos. Dias antes de iniciar pediram-lhe 'suavizar' o julgamento? Uma pessoa me ligou e disse que os militares estavam dispostos a confessar em troca de que não fossem julgados por seus crimes nem que eu apresentasse as provas. Além disso, pediam que as vítimas não dessem seus depoimentos sobre as atrocidades. De nada servia uma confissão ôca, do gênero "confesso pelo bem da pátria". Mandei aos diabos essa proposta... O que achou da condenação, anunciada na terça-feira, do general Bignone, o último ditador, a 25 anos de prisão por sequestros e torturas? Sua condenação e envio à uma prisão comum é correta, pois é uma consequência direta dos processos feitos contra o ex-ditador nos anos 80. Bignone, antes de ouvir sua sentença, disse que a ditadura havia combatido "uma guerra" dentro do país contra a "subversão"... Aqui nunca houve uma guerra, nem uma guerra civil, tal como foi na Espanha nos anos 30. E, na hipótese que tivesse sido uma "guerra", os presos teriam que ter sido colocados como prisioneiros de guerra, e não de forma clandestina. Além disso, em 1975 (um ano antes do golpe) o general Omar Riveros informou a Junta Interamericana de Defesa que a subversão havia sido militarmente destruída e desarticulada. Em 1976, quando começou a ditadura, não havia mais "guerra". Isto aqui foi similar à uma caça! Acha que o esforço feito há 25 anos é reconhecido? O governo da presidente Cristina Kirchner empenha-se em ignorar o julgamento de 1985, enquanto tenta prolongar ao máximo os julgamentos atuais. Os Kirchners querem que os novos julgamentos sejam seu grande trunfo. A oposição apresentou projetos para acelerá-los. Mas o governo sequer se interessou em discuti-los, pois quer aparecer como campeão dos direitos humanos. A verdade é que quando houve o golpe, em 1976, os Kirchners mudaram-se para Santa Cruz (terra natal de Néstor Kirchner) para dedicar-se, como advogados, à execução de hipotecas. Nunca assinaram um habeas corpus para os prisioneiros políticos, ao contrário de outros advogados que tiveram coragem. Não teve medo na época do julgamento? Colocou no banco dos réus homens que haviam ordenado torturas e assassinatos... Nunca tive guarda-costas. E não é uma questão de valentia. Veja só o que aconteceu com (a primeira-ministra da Índia), Indira Gandhi, assassinada pelos próprios guarda-costas! Encaramos as ameaças com humor na época. Um dia telefonaram para fazer ameaças. Minha secretária respondeu à pessoa: "olhe, são 10:15 horas...o horário de atenção para ameaças vai de 9:00 às 10:00. Se quiser encaminhar uma ameaça, ligue amanhã" (Strassera ri longamente). Por qual motivo os julgamentos não foram transmitidos pela TV? Alfonsín ficou preocupado pela reação da população. "Estas coisas podem comover gravemente a opinião pública", me disse. É que havia depoimentos impactantes, como a mãe do adolescente Floreal Avellaneda, que foi empalado pelos militares! As coisas que essa mãe relatava! Uma mãe disse que seu filho havido sido pego armando uma bomba. Olhe só: ela não disse que seu filho era um santo. Mas, na sequência, ela disse: "mas ele não merecia um julgamento, tal como este que está acontecendo? Mas, os militares o mataram e me devolveram meu filho na forma de um saco com ossos". Eram coisas muito graves para que a TV transmitisse todos os dias. O que achou das Leis de Ponto Final e de Obediência Devida? E o que pensa do indulto concedido por Menem à cúpula militar? As leis de ponto final e obediência devida são ditadas após duas rebeliões militares. Mas, os indultos foram uma imoralidade gratuita, já que não existiam nem pedidos da sociedade para isso, sequer pedidos setoriais, isto é, dos quartéis. Mas, considero que o ex-presidente Carlos Menem quis ficar bem com vários setores simpatizantes da ditadura, como alguns setores da Igreja Católica, de certos empresários e de vários líderes sindicais. O governo Alfonsín estava contra a parede na época das leis de ponto final e obediência devida. Menem não estava contra a parede.

Rodrigo Moreira em 22 de novembro de 2010

Ao incentivar o debate vc presta um serviço À sociedade, meu caro Setti. abs, R Muito obrigado, caro Rodrigo. Sei que provavelmente jamais acontecerá, mas é a minha opinião sobre os crimes cometidos durante a ditadura pelos dois lados. Abraços

Rodrigo Moreira em 22 de novembro de 2010

Concordo com vc. Uma comissão para apurar os fatos seria muito mais eficaz que uma perseguição aos torturadores do regime - até porque muitos deles já são idosos, sendo, portanto, uma crueldade querer levá-los à cadeia. Por mais que tenham agido de forma sórdida, nao se combate sordidez com sordidez, sob pena de nos igualarmos a eles. O interessante mesmo é que a verdade é o que os torturadores nao querem. A execração pública a que estariam sujeitos é muito pior que a cadeia - e é isso que os assusta. E nao deve assustar os que lutaram contra a ditadura, pois estes nao costumam esconder que fizeram parte da luta armada. De todo modo, acho que algo deve ser feito com relação a estes arquivos. Temos o direito de saber - de tudo. Até para que nao venhamos a repetir isso novamente, seja de um lado ou de outro. Mas sinceramente acho que isso nao vai acontecer. O lobby das forças armadas é muito forte e antes que qualquer medida efetiva fosse tomada, os documentos sumiriam. Mesmo assim, acho que o espírito é esse, de apuraçao e nao de perseguição. Se houver julgamento, que seja pela socidade, que repudiará ou não estes fatos quando (e se) vierem a público. Novamente, parabéns pelo post, Setti. abs, R Obrigado, caro Rodrigo. Não tenho qualquer esperança de que isso venha a acontecer, mas achei de meu dever expor minha opinião a respeito. Um abração

Caio S em 22 de novembro de 2010

"que a própria história do país não seja construída sobre mentiras" Ora Setti, você está no país errado. Qual a imagem que temos da independência? Dom Pedro num cavalo branco, de uniforme de gala... Alguns até tentam mostrar que o rio Ipiranga era mixuruca, ele estava num jumento velho, a espada estava enferrujada e devia estar fedendo pacas... Qual a imagem que temos de Gétúlio? O pai do povo, o grande líder, carismático e único? Alguns até tentam mostrar que ele foi um ditador, um facínora, um populista fascista... Qual a imagem que temos de Lulla? O pai dos pobres, o melhor presidente da história, o homem que modernizou o Brasil e o colocou no rol dos países importantes. Alguns até tentam mostrar que ele é um energúmeno, medíocre e *****. Mostrar que ele é um aproveitador do bônus alheios e um repassador do ônus próprio. Mostrar que ele é um ditador disfarçado, que só não transformou o país num ente troglodita pq não pôde... Que imagem temos? Uma imagem construída sobre mentiras! CONCLAMO os comentaristas do blog para iniciarmos uma campanha: Vaquinha para ajudar o Setti na mudança de país! Ahahahaha, caro Caio, muito obrigado, mas dispenso a campanha. Já pensei mais de uma vez em fazer as malas, desiludido com tanta coisa errada, mas acho que meu lugar é aqui mesmo, no meu país, fazendo meu papel de cidadão e de jornalista. Abração

Karla em 22 de novembro de 2010

Há momentos em que gostaria de ser argentina. Massera e Videla, Galtieri e outros chefes militares que consentiram com a tortura e a matança, passaram pela corte presidida pelo juiz das juntas Jorge Velasco e foram sentenciados. A Argentina é um exemplo aos nossos filhos e netos de que não se pode tolerar a impunidade, especialmente a praticada contra a dignidade da pessoa humana. O Brasil sepultou a dignidade do seu passado e do seu futuro. Lamentavelmente, com a cumplicidade de FHC e Lula. Obviamente, com total apoio da mídia grande, com as honrosas exceções de menos de meia dúzia de jornalistas.

SergioD em 21 de novembro de 2010

Ricardo, deveríamos ter aqui algo parecido com a Comissão Sul-africana. Punição nesse momento acho que contraproducente. Espero que a Presidente Dilma, como uma pessoa que foi torturada, e que vem tendo o seu passado investigado (basta ver o que vem sendo publicado sobre seu processo na Justiça Militar), faça a proposta de investigação do passado e abertura dos arquivos do regime militar. Sem revanchismos, apenas no intuito de conhecermos nosso passado. Seria também interessante se analisar o comportamento da esquerda durante a luta armada. Certo que lutavam contra um governo ilegal, mas suas ações, principalmente no que impactaram na vida de terceiros, também deveriam passar sob o crivo da sociedade. Concordo com o leitor Reiyan. A imprensa poderia fazer o seu papel propondo o debate inteligente e equilibrado entre participantes dos dois lados, sem preconceitos e prejulgamentos. A maioria dos relatos é passional. Trabalhos como o do jornalista Élio Gáspari são raros. Vamos esperar. Aliás, o trabalho do Élio teria um quinto volume, com o final do governo Geisel. Você tem alguma informação sobre quando ele concluirá esse trabalho? Um abraço Caro SergioD, o que propus em meu texto foi exata e precisamente algo como a Comissão da Verdade e da Reconciliação da África do Sul. Quanto ao quinto livro do Elio Gaspari, sei que, como ele próprio sempre diz, que gosta mesmo é de escrever e reescerever. Não há prazo para ficar pronto. Um abraço

Reiyam em 21 de novembro de 2010

A revisão da Lei da Anistia com os Governantes que temos não serviria para se descobrir a verdade, mas simplesmente para se reescrever a história de modo favorável aos esquerdistas (mais do que já é). A época da ditadura ainda merece uma análise séria e honesta por parte dos historiadores. Por falar em honestidade, ela é pré-requisito em qualquer debate intelectual, do contrário o que se tem é mero exercício de retórica vazia. Não temos Mandelas nem Tutus no Poder, mas isso não significa que nada possa ser feito. Os meios de comunicação podem propor debates ou entrevistas sobre o assunto, creio que ainda existem pessoas honestas tanto da direita quanto da esquerda que poderiam expor seus pontos de vista de forma civilizada. Seria muito interessante, por exemplo, ver um Jarbas Passarinho revendo esse período na companhia de um Jacob Gorender. Será que algo do tipo algum dia irá acontecer?

Lucia em 20 de novembro de 2010

Tortura, sob qualquer forma, seja física, psicológica, emocional é absolutamente repugnante. Se cometida por frieza, com objetivos práticos,dá ao torturador características psicopata.Se efetuada pelo prazer de ver o outro sofrer, cria características sádicas. No Brasil, tivemos ambas, de lado a lado.Se criminalizadas, 40 anos depois, queremos então todos , de todos os lados respondendo por elas. Será que todos assumirão as suas responsabilidades?

Julio em 20 de novembro de 2010

Boa noite Ricardo, Considero seu blog tão novo e de sucesso imediato tão retumbante dentre os outros de jornalistas igualmente admiráveis que indago porque não começou bem antes. O nível, o conteúdo, a densidade dos comentários impressiona a quem como eu acompanha esse tipo de comunicação já há uns seis anos. Parabéns, faço votos que mantenha esses textos de grandeza fantástica. Não tenho acesso aos números de "visits page", mas imagino que seja imenso. Um abraço, Júlio Caro Júlio, muitíssimo obrigado pela apreciação que faz do blog. Não comecei antes porque estava dedicado a outros afazeres na área de jornalismo até que, casualmente, o diretor de VEJA, Eurípedes Alcântara, numa troca de mensagens, sugeriu a ideia. Em seguida tivemos um almoço a que esteve presente também o Augusto Nunes e o Carlos Graieb, editor executivo do site de VEJA, e surgiu o convite formal. Os visit pages foram num grande crescendo até o segundo turno das eleições, e depois caíram -- ocorreu com vários blogueiros, inclusive comigo. Sigo o conselho do diretor de VEJA: fazer o trabalho que me parecer adequado e não me preocupar com a audiência. Com leitores simpáticos como você, acho que, de fato, não devo me preocupar. Um abraço e volte sempre.

Amadeus em 20 de novembro de 2010

Setti, Sobra uma única questão de fundo: Devemos conceder ao Estado o direito de delinquir sob a garantia da impunidade? Porque, no fundo, é isso que está em jogo. O Bush veio à ribalta para sacramentar que autorizou procedimentos interrogativos tidos como inaceitáveis sob a ótica policamente correta. Portanto, quem tenha tomado como prática esses procedimentos está automaticamente absolvido, pois cumpria a lei, não delinquia. Aqui, a menos que apareça algum feito oficial recomendando a "cadeira do dragão", ou o "pau de arara", quem deles tirou proveito o fez à margem da lei, ou seja, delinquiu. Mas os defensores da "hetorodoxia investigatória" advogam a tese de que os operadores do sistema agiam sob "ordens e interesses de estado", embora à margem da lei de então, ou de antanho. Se assiste verdade nesse argumento só resta a saída de que não eram agentes do estado, mas o próprio Estado, quem debochava do arcabouço legal, portanto delinquia o Estado. É um emaranhado complexo. Vemos que até a ONU, e Jornalistas dados às entrelinhas do faz de conta, se enredam nesse labirinto. Atualmente ambos, ONU e Jornalistas descompromissados com princípios, acabam de reconhecer o apedrejamento, ou lapidação, como método justo e adequado de punição. Desde que o corretivo não seja aplicado num lugar muito específico e restrito do planeta: o Irão. No Afeganistão? Pode! No Paquistão? Pode! Na Somália? Pode! Na Indonésia? Pode! Na Nigéria, no Sudão e no Gabão? Também pode! Nas Arábias, no Egito, e nos Emirados? Também pode! Só no Irão é que não pode. Não me espanto com a atitude da ONU. E menos ainda com a dos nossos "Jornalistas". A nossa tortura também se enquadra no mesmo contexto. Vale ou não vale, é aceita ou repudiada, adorada ou odiada, conforme a conveniente conformação das forças dominantes no momento, ou as contrariadas, mas sempre sob a face de um mesmo e eterno confronto: o Bem contra o Mal. E o "Bem" sempre se achou ungido de todo o direito; no fundo, do direito divino, de detentor da verdadeira verdade, da verdade revelada. E no entanto, nós, eleitores descuidados, não nos demos conta disso. Tínhamos a opção de um candidato do "Bem", aquele capaz de decidir entre a a boa e a má tortura, entre a correta e a incorreta aplicação dos preceitos bíblicos que recomendam a lapidação e o apedrejamento, e no entanto optamos por uma saída que despreza essas sabenças. Optamos pela solução do "Mal", por quem inverte o certo e o errado, o falso e o verdadeiro, o justo e o injusto. Mas indo e vindo, voltamos ao início. Cabe ao Estado delinquir? A resposta a sua profunda reflexão contida neste comentário, caro Amedeus, é NÃO! Tal como Vargas Llosa, acho que o Estado é, potencialmente, o maior inimigo da liberdade. Tem que estar a serviço da sociedade e ser vigiado por ela. Quanto à ONU, não é tão simples. Não é que "pode" a violação de direitos humanos mais bárbara em um país e "não pode" em outros. É que a iniciativa de condenar um ou outro país é parte de um processo. A vez dos demais chegará.

Almir Bohana em 20 de novembro de 2010

COM PRESSÃO OU NÃO,A LEI DA ANISTIA FOI APROVADA E ESTÁ EM VIGOR. E, por causa da lei,todos os civis que sentiram-se prejudicados, foram recompensados. Vejam o caso de Lula. Por ter passado um mes em uma prisão, recebe uma gorda pensão. Outros, além da pensão, receberam uma gorda indenização. Por sinal, gostaria de saber o resultado da pensão e da indenização de Dilma Rousseff. O que se pretende agora e penalizar os possiveis "torturadores" de Dilma Rousseff. Não é justo. Querem rever as leis da anistia? ótimo. O primeiro a ser julgado será Franklin Martins sobre o sequestro do embaixador americano. E terão que apurar todas as denuncias sobre os crimes pos- sivelmente praticados a militares. Ou rever a lei da anistia de uma forma ampla ou deixa como está. De outrra forma, será sujeira. Amigo Almir, seu comentário não comenta meu post. Acho que você não leu. Se puder, me dê esse gosto. Abraço

Natale em 20 de novembro de 2010

O que eu acho é; que a Folha de São Paulo e o Globo, vão ajudar a fazer, porém, é construir a história de uma ilustre brasileira e democrata. Como a Michelle Bachelet do Chile, o Menachem Begin de Israel, o Dom Pepe do Uruguay, e o maior de todos, Nelson Mandela na Africa do Sul, Dilma participou da luta armada pela restauração da democracia.

wilson em 20 de novembro de 2010

Ricardo me desculpe mas a tal revisão pode ser apenas e somente para punir uma lado um tipo de Nuremberg as avessas a própria OAB promoveu a anistia e agora é contra é muito lindinha esta indéia, ou nós todos esquecemos a guerra fria? O enuciado deve ser revisão para todos, mas é conduzido como se os terroristas very much kindly gallants e aí que está o busilis. Na Espanha o Baltazar Garzon se meteu numa sinuca de bico ao tentar punir os franquitas somente se esquecendo que houve vítimas dos dois lados só para exemplificar um pouco os republicanos foram acusados de matar o político Fraga Iribanarne(sic) e os falangistas em represália fuzilaram Garcia Lorca (que era apólítico mas era até visto por seus pares como rival). Um abraço

Candirú do Pará em 20 de novembro de 2010

Como fica a anistia para os Cabos da FAB que foram mandados para a "rua" pela portaria 1.104 GM3/64, onde 495 cabos foram anistiados no governo FHC e depois desanistiados no governo Lula. De um lado a FAB os rejeitam por serem subversivos de esquerda e, por outro lado a Comissão de Anistia, agora nas mãos do PT, também os rejeitam por achar que são subversivos de direita. A maioria destes Cabos, hoje próximo dos 70 anos de idade, estão com cancer, diabetes, artrite, artrose e outros males, estão se locomovendo de muletas ou cadeira de rodas, esperando pela anistia para ajudar no tratamento de suas doenças, onde poucos ainda gozam de boa saúde. Na briga entre o mar e o rochedo quem perde é o caramujo, neste caso os caramujos são Cabos da FAB.

Hugo Leandro Venturini em 20 de novembro de 2010

Concordo contigo Ricardo, em gênero, número e grau. Matéria simplesmente perfeita, para ser guardada com carinho. Grande abraço! Muito obrigado, caro Leandro, nem sei como agradecer. Grande abraço.

Brasileiro de luto em 20 de novembro de 2010

Prezado, concordo com você, MAS o problema nãoe stá em se apuar a verdae, MAS na verdade que será " apurada "... Você, muito amis do que eu, conehce esta turma que está no "ministério da justiça", nos DH (se bem que o Tarso já saiu, mas o Vannuci continua... CONHECE, também, quem está no governo e vai continuar ( PT ). Pelo ques e viu nesses 8 anos de governo LULA, e principlaemnte nesses útimos anos eleitorais (dsde 2007) você cre, você acha, você colocaria a mão no fogo pela VERDADE apurada por eles????? Prezado, fatos registados por videos são desmentidos na cara de pau, imaginem fatos passasdos há décadas... um governo que é amigo de regimes como o de CUBA, IRÃ, e outros, não tem isenção apra fazer anda disso... QUE VERDADE SAIRIA DESSA "COMISSÃO"????? Veja o que estão fazendo com o "Bolsa Ditadura". TENHO UM CUNHADO (já falecido) e que realamente foi prejudicado, muito embora, na minha visão,ele procurou a situação (não vou citar fatos para não identificá-lo, mas sua atuação começou antes do 31 de março de 1964 e foi cassado pela câmara de vereadores que aproveitou a brecha ). Além disso, foi demitido de um òrgão público, em consequencia da cassação ou não, não sei informar. DETALHE: Como a maioria dos cassados ou não, envolvidos em atos contra o governo (no caso dele, a favor do Jango e sua política... não vou entar em detalhes, mas vivi aquela época) foram amparados pelos companheiros, e COM A LEI DA ANISTIA, reintegrados ou não (ele não foi, pela idade, creio) passou a receber salários... A INDENIZAÇÃO REQUERIDA, ATÉ HOJE NÃO SAIU... masde alguns amiguinhos e até de quem não foi rpejudicado, como o pessoal do PASQUIM, que muiot pelo contrário, se beneficiou, como muiot bem, o disse um juiz que cobrou do Ziraldo a devolução da assinatura que ele pagou e não recebeu, e disse mais: O PASQUIM FECHOU PORQUE NÃO TINHA MAIS MOTIVO, NÃO TINHA MATERIA PARA PRIMA PARA... funcionou em plena ditadura... Estou adorando essa "briga" por cargosm por poder entre os "aliados" e o PT colcoando as garras de fora cada vez mais... ESPERO QUE DSTA VEZ HAJA CASSAÇÃO, FOI APRA ISSO QUE VOTEI NO LULA NO PRIMEIRO AMNDATO... NÃO HOUVE, APESAR DOS FATOS SEREM MUITOS MAIS GRAVES DO QUE O QUE ELVOU O COLOOR A CASSAÇÃO...... Que Deus nos proteja dessa turma... Paulo, a verdade jamais seria apurada por eles, por gente do governo se seguido o exemplo da África do Sul. Era uma comissão absolutamente INDEPENDENTE do governo, presidida por um homem que é quase um santo, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz ganho DURANTE o regime do apartheid, da ditadura dos brancos sobre os negros, por sua luta no terreno das ideias e da pregação.

Luiz Pradines em 20 de novembro de 2010

Setti, Perdemos o momento histórico da "Comissão de Verdade e da Reconciliação". Não há sentido em se falar nisso 25 anos depois da redemocratização. Tornar a falar neste assunto só serve àqueles que querem impor à sociedade a ideia de que os guerrilheiros lutavam pela democracia e pelo povo. Que eles eram os "bonzinhos" e os militares eram os "malvados" naquela guerra. Liberar os documentos relativos ao período é justo. Achar os corpos dos guerrilheiros mortos e desaparecidos também. Não vejo sentido em se discutir a própria Lei da Anistia. Propagar este assunto é agir como inocente útil dos terroristas. Eles querem vencer de todo jeito a guerra que perderam.

Cristina em 20 de novembro de 2010

Ricardo, Comentei no post do Luis Claudio que eu era favorável a revisão da Lei da Anistia pelos motivos lá expostos e baseados na minha crença de que esqueletos não devem ser guardados nos armários. Também fui influenciada pela coluna da Miriam Leitão publicada n'O Globo por ocasião da consulta da OAB ao STF. Seu artigo hoje quase me fez mudar de opinião. Quase! No entanto, apesar de sua brilhante argumentação, não vejo paralelo entre a situação da África do Sul com a que vivemos durante a ditadura militar. Na África do Sul havia um país dividido entre negros e brancos, ambos nativos e ambos sul-africanos. A necessidade de se acabar com o vergonhoso apartheid e simultaneamente unir um país era de vital importância. Esse paralelismo parece-me mais apropriado que seja feito com a situação de Israel/Palestina. Lá também temos dois povos com igual direito sobre a terra e anos de disputa entre eles, o que implica em violências e injustiças cometidas pelos dois grupos. Botar uma pá de cal no passado para que juntos eles construam um país mais fraterno, parece-me ser o único caminho. Já, no Brasil, a situação era outra. Tínhamos uma ditadura oriunda de um golpe militar e grupos que a combatiam. Aqui cabe um parêntesis. Não estou criticando o período militar como um todo, nem romantizando os guerrilheiros. Acho que a ditadura militar devia ser sempre dividida em 3 períodos. O primeiro, com Castelo Branco, que restaurou a ordem no país. O segundo, com Médici, que foi tão nefasto com as nossas liberdades e quando ocorreram as barbaridades. E ainda um terceiro período, Geisel e Figueiredo, cujo investimento em infra-estrutura permitiu a colocação do Brasil numa posição destacada frente aos demais países do terceiro mundo. Pena que a crise do petróleo nos endividou daquela maneira. Enfim, o governo militar teve seus méritos e a luta armada seus vilões, mas nada justifica a tortura! Anistiar quem, investido do poder governamental, cometeu crime hediondo não me parece em nada semelhante à sabedoria de Mandela ou Tutu. Quem sabe o que faz com que você tenha a impressão de que somos um país pequeno seja justamente a falta de indignação contra todas as barbaridades que somos diuturnamente expostos? Será que rever a anistia aos torturadores não pode ser o primeiro passo na criação das tão almejadas referências morais?

Michel Vieira em 20 de novembro de 2010

Bravíssimo, Ricardo! Vou dormir mais feliz! E eu mais ainda, com seu comentário, caro Michel. Abração

junior em 20 de novembro de 2010

E o mais incrivel, sinceramente me pergunto quem fez o que com quem, DE FATO. Ja que nem tudo, ou quase nada, é revisto a população que queira saber. Belo texto. Obrigado, caro Junior. Espero que volte sempre por aqui. Abração

José Geraldo Coelho em 20 de novembro de 2010

Agora, se querem voltar atrás, que seja feita revisão de anistia para os dois lados. Um embaixador americano, foi preso e ameaçado de morte, todos os dias. Isso é tortura. Caro José Geraldo, você leu o post até o fim? Ele não é curto, concordo, mas acho que você ficou só no começo. Quando puder, me diga. Abraço

Lúcia Helena em 19 de novembro de 2010

Prezado Ricardo. Belo texto. O comentario final cirurgico! Eu não teria resumido melhor! abs Muitíssimo obrigado, cara Lúcia. Tem gente que não leu e já não gostou. Um grande abraço.

Maria Lima em 19 de novembro de 2010

Ricardo, meu comentário foi cortado pela metade, uma pena.

Maria Lima em 19 de novembro de 2010

Forças Armadas. Se houve mortes, houve de ambos oslados. Agora, querer imputar culpa a somente os militares, é dose! Na época do regime militar viveu-se um periodo da mais absoluta paz, não havia o que se vê hoje, com toda sorte de violencia. Quem dera o país voltar a viver aquela paz, que foram de 20 anos. Minha cara Maria, fiel leitora deste blog: pelo visto, você não teve paciência de ler o meu post até o fim. Acho que estava chato, né, e você largou no meio. Porque você nem toca na tese principal dele. Se você fizer a gentileza de voltar a ele e o reler, saberá o que estou dizendo. Abraços

sérgio silva em 19 de novembro de 2010

Perguntar não ofende. Por que a OAB e o pessoal dos Direitos Humanos não pede a punição do Franklin Martins e do Gabeira pelo crime hediondo de sequestro do embaixador americano, da Dilma e de muitos outros pelas ações violentas, pelas mortes de inocentes, pelas mortes de jovens soldados que cumpriam seu dever pelos roubos e furtos ? Por que, hoje, falam que lutavam pela democracia, quando na verdade queriam derrubar uma ditadura pra instalar outra socialista marxista ? Por que ninguém fala em punir os políticos e personalidades que contribuiram com a ditadura como Roberto Marinho, Silvio Santos, Paulo Maluf, Delfim Neto, Antonio Carlos Magalhães, Marcos Maciel e muitos outros? Por que ninguém fala que grande parte dos empresários, grande parte da imprensa apoio o golpe, pois tinham medo que João goulart transformace o país numa ditadura comunista por isso invocaram os militares a tomar o peder, pois estes não o fizeram de iniciativa própria? Não pergunte para mim, meu caro Sérgio. Eu propus uma coisa que, pelo jeito, você nem chegou a ler. Era o principal objetivo de meu post e o núcleo do que penso a respeito de tudo isso. Se você fizer a gentileza de ler o post inteiro, e comentá-lo, terei prazer em responder com detalhes. Um abraço e volte sempre.

José Geraldo Coelho em 19 de novembro de 2010

A foto que ilustra seu brilhante texto prova o que sempre digo. Fomos nós que exigimos e aprovamos a Lei da Anistia. Ampla, geral e irrestrita. Tá todo mundo anistiado.

Luiz Pereira em 19 de novembro de 2010

Ricardo, boa noite, Perfeitas, as suas colocações. Lendo agora a noite os sites que noticiam que o Brasil se absteve de condenar o Irã pelo fato de utilizarem o apedrejamento, em pleno séc.XXI, fica mais difícil ainda entender o que p/ certas pessoas significa "tortura". abs., Luiz Pereira

Augusto Marcacini em 19 de novembro de 2010

Também acho o fim da picada não termos acesso ao que aconteceu nem na Guerra do Paraguai! Depois de 20 ou 30 anos, mesmo documentos sigilosos deveriam ser desvelados, porque temos direito à História. Não podemos ter medo do passado! Devemos começar já a campanha: "Eu quero saber o que aconteceu na Guerra do Paraguai"! Você podia até começar a campanha fazendo mais uma enquete e perguntar para o leitor o que ele acha que fizemos de tão errado lá no Paraguai para que esteja até hoje em sigilo... Quem sabe começando isso hoje, nossos netos consigam saber o que aconteceu na ditadura... Obrigado por sua visita e seu comentário, com o qual concordo inteiramente, caro Augusto. Volte sempre, você invariavelmente contribui para enriquecer o blog. Abração

Marcelo BH MG em 19 de novembro de 2010

Penso que também deveriam ser averiguados os podres da esquerda tais como: - Quem explodiu bomba no aeroporto de Recife? - Quem explodiu bomba em embaixadas? - Quanto dinheiro de Cuba Brizola recebeu? - Quem matou a tiros de metralhadora o americano Charles Chandler na frente de sua esposa e filhos? - A Ilma Sra. Presidente da República foi presa porque? Estava portando armamento pesado do tipo metralhadora e fuzil? Se sim, nossa, como essa criatura era doce... O que ela queria fazer?Implantar uma ditadura comunista no Brasil? Que legal! Só que isso não deu certo em lugar nenhum do mundo, e seria muito pior do que o regime que estava em vigor no Brasil. Enfim, o que falta é peito para admitir que o "Golpe" de 64 teve seus méritos. Falta coragem para fugir do polititicamente correto, e ver que a "ditadura" militar teve seus acertos. Isso, até agora só vi poucos homens com coragem de dizer. Acho que você não leu o meu post, só leu algumas linhas. Não diz uma palavra sobre o núcleo do que escrevi. Quando você tiver lido, responderei com prazer a seus comentários.

massaok em 19 de novembro de 2010

Concordo com a análise do Ricardo Setti, tenho 55 anos e vivi a ditadura militar que houve excessos, houve, mas sabemos de casos de guerrilheiros que foram executados pelos companheiros, e as familias estão recebendo indenizações do estado como se fosse culpa dos militares, se é para punir os que praticaram excessos tem que ser para os dois lados. então é melhor deixar para la e fazermos a conciliação nacional. Obrigado, caro Massaok, mas não foi bem isso o que eu escrevi.

Alexandre Di Filippo em 19 de novembro de 2010

Em 1964 vivíamos uma democracia, embora o governo Jango possuir um viés populista ( no sentido acadêmico/histórico do termo e, não da maneira vulgar e errônea como é usada ultimamente ), estava longe de um Estado marxista, ou em vias de ser um. No período do golpe de 64, o mundo estava vivendo a histeria da Guerra Fria, diante tal alucinação “macartista” internacional, o povo brasileiro foi induzido em acreditar que o perigo do comunismo estava próximo, sendo assim, a mudança seria necessária, a intervenção seria necessária. Então no dia 31 de abril de 1964, o golpe é consumado de maneira simples e sem maiores percalços. No entanto, a mascara da falácia caiu-se logo em seguida, pois ficou comprovado que não haveria nenhuma “revolução bolchevique” em andamento, principalmente com a recusa de a junta militar em efetivar as eleições depois do golpe. Estava claro, os militares estavam decidido ficar em Brasília. Com isso caro colega Setti, fica evidente a caracterização do golpe de estado ter sido elaborado e consumado na mais sórdida mentira, onde a cidadania e direitos de um povo foram retirados grosseiramente, onde um presidente de uma democracia foi sumariamente deposto. Na obra prima do liberalismo “Primeiro e Segundo Tratado Sobre o Governo Civil”, John Locke estabelece a questão sobre o direito do povo de resistência, diante um governo tirânico ou um golpe de estado, sendo assim, eximir a resistência de crime, eximir a desobediência civil de crime, portanto, o criminoso em questão era o governo golpista. Caro colega Setti, houve um golpe de estado que atrasou o desenvolvimento do país em trinta anos e, tiram o direito desse povo em julgar e condenar esses criminosos, sob o argumento que o “outro lado” cometeu crimes também ???? ...... O tal “outro lado”, era a resistência tentando recuperar seus direitos, através de uma desobediência civil necessária, embora algumas vezes violenta, moralmente e intelectualmente aceitável. A anistia foi um processo jurídico de crassos erros conceituais, anistiam os criminosos, e, anistiam as pessoas que inclusive não precisariam de anistia, precisariam de condecorações por bravura, estavam lutando por seus direitos. . Alexandre Di Filippo, professor e historiador

Akva em 19 de novembro de 2010

Caro Ricardo, A história do Brasil está construída sobre que mentiras? Só se for a de que os que hoje estão no poder queriam uma democracia. Esta é a maior mentira de todos os tempos. O que aconteceu na década de 60 e 70 no Brasil deve ser analisado à luz do contexto da época. No Brasil se jogava o jogo da guerra fria, assim como no restante da américa latina, américa central, europa oriental, sudeste da ásia. A diferença é que nos outros lugares se contam mortos aos milhares e milhões. Aqui no Brasil, mortos + desaparecidos daquela época não somam meio milhar (em vinte anos de governos militares). É lógico que não deveria ter ocorrido uma só morte. Mas se analisarmos bem, quantos morrem ou desaparecem hoje em dia sem causar nenhuma indignação, nenhum clamor por comissões da verdade? Acredito que na democracia de Lula a polícia mata mais que a do regime militar. Alguém se habilita a contar os cadáveres? Nos telejornais de hoje viu-se um preso ser morto dentro de um carro da polícia. Em que isto é diferente dos mortos na repressão do regime militar?

Paulo Bento Bandarra em 19 de novembro de 2010

Esta ânsia pela verdade. Para Lula foi uma bolinha de papel que atingiu Serra, para outros um rolo de fita adesiva! A verdade de quem quer contar agora, ou a verdade de quem contou ontem? Qual a verdade é verdadeira? Qual lado é o dono a verdade absoluta? Como foi bom termos tido pessoas de coragem para que hoje pudéssemos estar livremente em busca dela e não sob um governo marxista! E tem pessoas que ainda acham muito pouco! Querem "vendeta". E a verdade da Morte do Celso Daniel? Do Waldomiro Diniz? Do Mensalão? Da Casa Civil? Presidentes não são responsáveis pelas suas casas civis? AH! A verdade necessária!!!!

Premeditando o Breque. em 19 de novembro de 2010

Todos aceitaram dinheiro em grandes quantidades para aplacar sua indignação e sofrimento moral. Venderam por seja lá quanto for mas venderam-se. Querer mais que isso já é muito. Se vamos retornar ao passado mais uma vez, depois de quase meio século quando é que poderemos esquecer essa conversa revoltosa e recalcada e deixar o país seguir sua história? Ficar revendo isso para favorecer quem fez suas escolhas livremente é abuso de paciência alheia e descaramento com regras de qualquer jogo. Quem em um determinado momento perde pode ficar propondo revanches indefinidamente? Quando acabará isso? Eu acho que você não leu o post, caro Marcos. Não leu. Não viu, portanto, o que escrevi a respeito do exemplo da África do Sul, que constitui o núcleo de meu ponto de vista. Se tiver um tempo, leia o post até o fim e volte pra gente conversar aqui mesmo, tá? Um abraço

Pedro Luiz Moreira Lima em 19 de novembro de 2010

Ricardo Setti: Sua análise é perfeita,tento deseperadamente achar algo a acrescentar,é impossível. Como filho de um homem hoje com 91 anos de idade e fragilizado,pautou sua vida na defeza da legalidade e dos direitos humanos.Combateu de armas contra um regime nazifascita na Italia e jamais usou da violencia contra seu povo"O povo desarmado merece o respeito da forças armadas.Estas não devem esquecer que é este povo que deve inspirá-las nos momentos graves e decisivos.Nos momentos de loucura coletiva deves ser prudente,não atentando contra a vida dos concidadãos...O soldado não conspira contra as Instituições pelas quais jurou fidelidade.Se o fizer trai seus companheiros e pode desgraçar a nação...."palavras de meu avô ao seu filho ao ingressar na Escola Militar de Realengo em 1939,se tornando o guia da vida militar do meu pai e pagou com sua carreira e profissão(impedido de voar) e até hoje lutando pela Anistia Ampla dele, de seus companheiros oficiais e dos cabos da aeronautica anistiados e depois cassados de suas anistias. Parabéns pelo artigo e se prepara para os ataques mais vis e raivosos. Não praticamos o ódio, o ódio esta em quem quer esconder a verdade. Um grande abraço Pedro Luiz Obrigado pelos parabéns, amigo Pedro Luiz. Parabéns a você pelo pai que tem. E estou preparado para ataques vis e raivosos, mas também para outras opiniões mais balanceadas. Abraço

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI